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O SR. PRESIDENTE (Joaquim Passarinho. PL - PA) - Declaro aberta a presente reunião extraordinária de audiência pública para debater o tema A importância e os impactos do setor de rochas naturais no Brasil e no cenário internacional, em atendimento ao Requerimento nº 53, de 2025, de autoria do Deputado Evair Vieira de Melo e das Deputadas Silvia Waiãpi e Greyce Elias.
Inicialmente, cumprimento todos os presentes, em especial os autores do requerimento e os nossos convidados.
Isso é brincadeira. Ele é um defensor do setor de rochas ornamentais. Ele fala muito do Espírito Santo. É um batalhador, um amigo e um entusiasta do setor de vocês.
Nós aprovamos a urgência para o projeto de atualização do Código de Mineração. É bom vocês depois darem uma olhada nele. Se tiverem alguma coisa com que contribuir conosco, nós estamos abertos a isso. Eu devo ser o Relator de plenário — na verdade, já fui escolhido —, então é bom vocês darem uma olhada no projeto para ver se há alguma coisa a alterar ou se está tudo tranquilo. É apenas uma modernização do código. Não há nada de inovação. Mas, se houver algo em que a gente possa ajudá-los, estou à disposição de cada um de vocês do setor. É só falar com o Deputado Evair, que ele conversa com a gente, está o.k.?
O SR. PRESIDENTE (Evair Vieira de Melo. Bloco/REPUBLICANOS - ES) - Agradeço ao Presidente Joaquim Passarinho pela distinção, parabenizando-o pela forma como está conduzindo os debates na Comissão de Minas e Energia.
Fizemos uma audiência pública importante para todos os brasileiros na semana passada, para tratar de energia. Vamos ter que apertar o pé esta semana novamente. Infelizmente, o Governo não está nos ouvindo e está fazendo com que a nossa conta de energia aumente, em função de decisão que vou chamar de infeliz.
É uma alegria poder receber aqui representantes do setor de rochas naturais, cal e calcários do Brasil, em especial os representantes do Sindirochas, do Estado do Espírito Santo.
Deputado Joaquim Passarinho, todas as pedras — gosto de usar o termo mais popular — nas quais V.Exa. pisa aqui em Brasília vieram do Espírito Santo, tanto o granito preto São Gabriel que há nos corredores das Comissões quanto os mármores que estão nos palácios, nos tribunais, no Itamaraty. Tudo isso veio lá do Espírito Santo.
O setor de rochas naturais é um setor relativamente novo, mas extremamente importante, dado inclusive o nosso desafio. Esse é um setor que, no Brasil, se consolida no Espírito Santo. Ele teve início também em outros Estados, em menor monta, mas foram os capixabas que realmente dominaram a técnica de extrair rocha da montanha e transformá-la nessas verdadeiras pedras preciosas que encantam o mundo todo hoje. É bom você rodar por mais de 130 países, ver obras importantes, reconhecidas, renomadas, estratégicas e saber que 85% desse material foi exportado e apresentado ao mundo por empresas do querido Espírito Santo.
Os nossos desafios são grandes. Eles passam, primeiro, pelo próprio processo de extração, que é desafiador. O Estado de V.Exa., Deputado Passarinho, tem o minério de ferro como grande ativo, além de jazidas menores de outros minérios, então V.Exa. conhece o desafio que é tratar desse setor no Brasil.
E, naturalmente, o setor de rochas, depois de toda a burocracia enfrentada para a extração, também tem os problemas com a logística, porque, quando se fala em materiais para a construção civil, como agregados da construção civil, parte-se do princípio de que um bloco, que pesa entre 35 e 40 toneladas, precisa ser levado até as serrarias, as indústrias, as fábricas, as processadoras. E esse é um desafio monstruoso, porque o Brasil tem problemas nas nossas estradas e nas nossas concessionárias.
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Todos os setores avançaram muito, Deputado Passarinho, na questão logística, quanto à capacidade de carga, até porque os veículos se modernizaram. No caso do Estado de V.Exa. e, com raras exceções, de algumas pequenas mineradoras em Minas Gerais, o transporte do minério de ferro é feito por meio de trens, mas esse tipo de transporte não atende à capilaridade demandada pelo setor de rochas. Então, nós temos o desafio neste momento de fazer o aperfeiçoamento da capacidade de carga, para, inclusive, aumentar a competitividade do nosso setor, tendo em vista que se andam 2 mil, 3 mil quilômetros com um bloco de rocha até uma fábrica, para ele poder ser processado. Não dá para ficar transportando esse peso se não for proporcionar rentabilidade.
Quero, inclusive, pedir a V.Exa. que nos ajude com essa pauta. Possivelmente será apresentada aqui pelo Tales essa nossa demanda. Depois eu encaminho isso à nossa Comissão.
Eu gosto muito de dizer que o setor de rochas é exemplo para o Brasil. Quando do acidente que envolveu a Samarco, em Mariana, eu levei o então Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, para dentro de uma área de depósito de rejeitos do setor de rochas naturais, para que ele visse que o setor de rochas estava muito mais avançado nesse quesito. Se as mineradoras de minério de ferro usassem a mesma metodologia e a mesma técnica que nós usávamos no setor de rochas, possivelmente, aquele acidente não teria acontecido. O nosso setor tem um circuito de água 100% fechado. É o único setor produtivo brasileiro que não faz devolução de resíduo líquido para o leito dos rios. O circuito é 100% fechado, com uma leve reposição. Isso mostra que o setor está atento a esse problema, até porque é um setor que se especializou muito, em grande parte para o mercado externo, que exige essas regras. Não são leis, não são normas, são regras dos nossos consumidores, que nos cobram isso. Então o setor caminhou para essa realidade. E, cada dia mais, principalmente com os materiais mais exóticos, com os materiais mais raros, hoje se consegue valor agregado, tendo em vista que você fornece esses materiais.
Estou falando aqui de materiais para a construção civil. Naturalmente, há outros minerais que também podem ser extraídos a partir da extração das rochas, como cal e calcário, mas isso vai para a indústria de cosméticos, vai para a indústria de tintas, acabamentos e outras coisas mais, além de muitas outras aplicações.
Quero também agradecer a V.Exa., Deputado Joaquim Passarinho, que, na condição de Presidente da Comissão e também de entusiasta da área de mineração, assim como o fez o Relator Arnaldo Jardim, nos deu seu apoio para a valorização dos materiais com que lidamos como materiais raros e críticos. Efetivamente, muitas vezes, quando a gente fala de rochas naturais, as pessoas pensam só em pisos, vamos dizer assim, mas esses materiais processados têm múltiplas aplicações, inclusive quando se trata de construções mais tecnológicas, de proteção, de energia, de segurança. Portanto, produzimos muito mais do que o piso que a gente popularmente conhece. Talvez menos de 20% da extração de uma rocha acabe virando piso. Efetivamente, muitos desses materiais têm aplicação na indústria.
E, com certeza, a entrada de grande parte desses materiais, agora, na categoria de materiais raros e críticos, como diz a expressão popular, bota o Brasil em outro patamar, porque a gente aumenta a nossa estratégia. E, claro, isso amplia o sentido de riqueza do País.
O ex-Ministro Paulo Guedes e o Jair Bolsonaro sempre diziam que o Brasil precisa fazer dinheiro rápido, e há dois setores na economia do País que podem fazer isso: o setor da produção agropecuária e setor de mineração. Portanto, o nosso desafio é desburocratizar, simplificar a atuação nesse setor, sem abrir mão das exigências que têm que ser feitas, para que, inclusive, o fruto desse processamento, tanto da mineração quanto do agro, que acabam se intercalando, até porque grande parte do agro precisa do setor mineral — e aí falo de calcário e de fontes minerais, como potássio, fósforo e outros, fontes minerais que também precisam ser processadas. Esse é um aspecto importante, porque o agro e a mineração acabam tendo uma forma muito próxima de trabalhar.
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Agradeço, mais uma vez, a presença ao representante do Centrorochas, à Maria Tereza, que também está com a gente aqui hoje, para, com certeza, fazermos um grande debate. A grande vantagem disso é a visibilidade que isso está tendo.
A Inara, da ANM, também está nos acompanhando. Temos uma luta muito grande a travar, Inara, porque, infelizmente, o Governo fez a opção de desprestigiar as agências, não só a ANM. Ele desprestigiou também a Anvisa, a Aneel, a ANA, enfim, todas as agências.
O Governo, no corte orçamentário, cortou nas agências. Então, aqui fica a nossa crítica e o nosso posicionamento. Já criticamos isso em outras oportunidades. Reconhecemos que a ANM, hoje, está longe de ter capacidade de dar resposta do tamanho que requer a demanda, que dialoga com a geração de emprego e renda e com o superávit para a nossa economia.
Não sei se você iria tocar nisso na sua intervenção, Inara, mas se tocar, reforce isso. Apesar de que nem é preciso fazer isso, porque todos nós aqui, tanto eu quanto o Deputado Passarinho, somos sensíveis e sabemos da importância da ANM. Tudo o que nós queremos é dar condições para que a ANM cumpra o seu papel e consiga dar respostas no prazo, em tempo e hora, para que nós possamos empregar, gerar riquezas para o nosso País e aproveitar esse campo de oportunidades.
O SR. JOAQUIM PASSARINHO (PL - PA) - Vou ficar mais um pouquinho.
O SR. PRESIDENTE (Evair Vieira de Melo. Bloco/REPUBLICANOS - ES) - Então, em razão do tamanha desta sala, peço aos nossos convidados que tomem assento na primeira fileira de bancadas.
O SR. PRESIDENTE (Evair Vieira de Melo. Bloco/REPUBLICANOS - ES) - Está bem.
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Deputado Evair Vieira de Melo, Deputado Joaquim Passarinho, agradeço-lhes o convite, em nome da Agência Nacional de Mineração — ANM. Eu acho que é importante a participação da ANM nessas discussões sobre rochas naturais. A gente fala muito em rochas ornamentais, mas, como aprendi agora, vou tentar continuar falando em rochas naturais.
(Pausa prolongada.)
O SR. PRESIDENTE (Evair Vieira de Melo. Bloco/REPUBLICANOS - ES) - Bom, enquanto a Dra. Inara resolve o problema com a conexão, pergunto à Dra. Maria Tereza se tem condições de fazer a sua apresentação agora. Enquanto isso, serão feitos os ajustes na conexão da Dra. Inara, e ela vai nos acompanhando. Após a fala da Dra. Maria Tereza, se a Dra. Inara estiver pronta, ela faz a apresentação dela. Pode ser assim?
(Pausa.)
A SRA. MARIA TEREZA ALMEIDA CUNHA DE CASTRO - Boa tarde a todos. Boa tarde, Deputado Evair Vieira de Melo. Boa tarde, Deputado Joaquim Passarinho.
Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer pelo convite feito à CNI para participar deste debate. Nós sentimos que é especialmente oportuna a participação da Confederação Nacional da Indústria aqui, dado o contexto nacional e internacional que a mineração atualmente integra, dentro da demanda que está sendo gerada pela inteligência artificial e também pela guerra, no que diz respeito aos reflexos na demanda por fertilizantes.
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Eu gostaria de lembrar, para conhecimento geral — a Inara já falou sobre isso muito superficialmente —, já que esse ponto é objeto de algumas dúvidas e desentendimentos, que rochas naturais, rochas ornamentais e rochas de revestimento são expressões usadas de forma sinônima. A gente vem adotando mais recentemente a expressão "rochas naturais" para ressaltar essa especificidade das rochas ornamentais, que também são usadas como revestimento, e associar uma grande vantagem a elas, a mais baixa pegada de carbono que há entre todos os tipos de revestimento.
O setor de rochas é um setor que, no que diz respeito à mineração industrial, tem a maior produção e o maior peso na balança comercial — a gente tem que destacar isso —, inclusive para efeito de caracterização como mineral estratégico. Eu vou falar disso mais à frente.
Na distinção entre rochas brutas e rochas processadas, a proporção maior é, em grande parte, de rochas brutas, quase 70%. As rochas processadas correspondem aos outros 30% do que é produzido pelo Brasil.
No cenário internacional, a gente tem como maior mercado para exportação os Estados Unidos, infelizmente, seguido pelos mercados da China e da Itália; para importação, Turquia e Espanha, seguidos pela Itália. Eu disse "infelizmente" porque é de notório conhecimento e grande impacto o desafio que o País enfrenta, atualmente, por conta da tarifação gerada no Governo Trump. E vale a pena destacar, com relação a esse impacto, que, entre todos os países que exportam para os Estados Unidos, o Brasil foi o mais impactado, com a taxação atualmente em 37% sobre a nossa exportação.
No que diz respeito ao grande desafio do setor, a gente tem, em primeiro lugar, o desafio regulatório. E a gente fala do ponto de vista prático do desafio institucional representado pela ausência de estrutura adequada na Agência Nacional de Mineração, que carece de maior atenção dos governantes, não só no que diz respeito ao não contingenciamento de verbas que são indispensáveis para o funcionamento da agência, mas também no que diz respeito à equiparação salarial, à realização dos concursos aguardados e a outras equiparações estruturais.
Vale destacar aqui que, desde o último concurso, vários aprovados já migraram para outras carreiras, em razão das próprias deficiências estruturais do órgão, o que desestimula os concursados aprovados a permanecerem na agência. Então, a agência fica com um gap maior, com um maior backlog de processos apresentados para alguma movimentação da agência, inclusive aqueles que merecem impulso processual.
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14:45
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Essas guias são fundamentais porque, entre os títulos autorizativos de lavra — e no caso das rochas ornamentais a gente tem o licenciamento e a concessão de lavra —, a guia de utilização é o remédio usado nas últimas décadas, dada a imperiosidade e a premência pela lavra, que é maior no caso das rochas ornamentais, por conta das tendências observadas no mercado brasileiro e internacional.
Como já foi mencionado aqui, as rochas ornamentais, ou rochas naturais, têm emprego primordial em revestimento. E, na arquitetura e no design, as tendências variam com muito maior celeridade e ensejam a lavra imediata, sob pena de perda de competitividade, de perda de mercado.
Ora, se o tempo médio para a concessão de lavra, no que diz respeito aos minerais em geral, é de 15 anos, no setor de rochas ornamentais isso leva 25 anos. Esses números, por si sós, já revelam a gravidade da situação que a gente tem.
Então, a gente gostaria de ressaltar que já foram feitas inúmeras contribuições pelo setor à agência, e é imperioso que seja dado um tratamento compatível com a expectativa do mercado, para não gerar imprevisibilidade, incerteza jurídica e perda de compradores, porque, numa negociação internacional, se você não sabe quanto é que você vai produzir, porque a sua guia de utilização é emitida em caráter precário, como é que você vai fazer frente à concorrência internacional que existe?
O outro grande desafio que a gente tem, não especificamente no setor de rochas ornamentais, está no tempo que se leva para o licenciamento. No caso das rochas ornamentais, via de regra, por sua capilaridade, o licenciamento é em âmbito estadual, e isso paralisa ou suspende a lavra, quando não impõe imprevisibilidade à atividade de lavra, com relação à data em que vai ser possível o término do empreendimento, a conclusão do projeto minerário após a sua implementação. Esses são os maiores desafios.
Agora, saindo totalmente da mineração e falando dos desafios em geral da indústria, eu gostaria de ressaltar o desafio logístico. A gente tem um número estarrecedor publicado pela mídia em geral. Ele foi publicado inicialmente pelo Instituto de Logística e Supply Chain — Ilos, em 2025, mas eu estava vendo na CNN, onde esses números foram propagados recentemente também, dados em relação ao PIB, indicando que 15,5% do custo da indústria são representados por custos logísticos, e aí a gente está falando em transporte e armazenagem. E, num setor em que a capilaridade é a tônica, esse impacto é absolutamente proibitivo para o desenvolvimento da atividade.
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A gente tem que lembrar que, diferentemente do que acontece com outros segmentos, por exemplo o do minério de ferro — o Deputado Evair citou no começo da sua fala —, o setor de rochas ornamentais serve-se essencialmente do modal rodoviário. Então, observada a capilaridade, haja vista que a grande maioria dos Estados tem produções pequenas, as dificuldades são emblemáticas e, novamente, são especialmente gravosas para o setor de rochas ornamentais.
Em contrapartida, eu gostaria de falar das oportunidades. A gente está num contexto internacional de mineração em evidência, com grandes possibilidades de alavancagem geradas pelo arcabouço regulatório que está sendo trabalhado. Eu gostaria de dar um especial destaque para o Projeto de Lei nº 2.780, de 2024, que, em sua concepção, dá uma discriminação específica para os minerais estratégicos, para além dos minerais críticos, que comporta a inclusão das rochas ornamentais na definição.
Do ponto de vista técnico, a classificação de um mineral como estratégico pode considerar, entre outros parâmetros, seu peso na balança comercial brasileira, especialmente a diferença entre exportações e importações. Nesse aspecto, as rochas naturais, em especial as rochas ornamentais, possuem grande relevância para o Brasil, pois representam um dos segmentos minerais com maior peso positivo na balança comercial. Assim, nada mais coerente do que a sua inclusão entre os minerais estratégicos.
Na Política Pró-Minerais Estratégicos, esse parâmetro já poderia justificar a inclusão das rochas ornamentais nessa categoria. Entretanto, quando consideradas as demais premissas dessa política, surgia uma limitação. Os empreendimentos de rochas ornamentais são, em geral, compatíveis com empresas de pequeno e médio porte, e no âmbito do Pró-Minerais Estratégicos, um dos critérios para inclusão na tutela da Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos — SPPI, vinculada à Casa Civil, era a relevância e a materialidade dos empreendimentos. Esse critério pressupunha projetos de maior porte, o que dificultava o enquadramento das rochas ornamentais nessa política específica.
Por que isso é importante? Porque, no arcabouço da política de minerais críticos estratégicos, estão previstos pilares máximos para o melhor desenvolvimento da atividade. Estou falando de instrumentos creditícios e instrumentos de financiamento que darão melhores condições para o desenvolvimento do setor e, inclusive, acesso a recursos para desenvolvimento tecnológico,
Além dessa oportunidade, representada pelo País, para retomar a questão do acesso a recursos para pesquisa em desenvolvimento tecnológico, a gente tem que lembrar que as rochas também podem ser utilizadas para os fertilizantes tropicais, os remineralizadores. No cenário que a gente tem, com o preço proibitivo do enxofre e a falta de acesso ao potássio e ao fósforo por conta da guerra, a gente tem que olhar com mais atenção para as rochas ornamentais para enxergá-las como uma boa oportunidade para o desenvolvimento em pesquisa e inovação.
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Isso, somado às circunstâncias que já foram mencionadas — baixa pegada de carbono, circuito fechado de água e utilização de grande parte dos resíduos na própria indústria —, fortalece as demais vantagens do setor de rochas ornamentais em relação a outros segmentos e possibilita maior desenvolvimento regional, maior geração de empregos e maior arrecadação.
O SR. PRESIDENTE (Evair Vieira de Melo. Bloco/REPUBLICANOS - ES) - Obrigado, Dra. Maria Tereza, por suas explanações.
Realmente, Deputado Passarinho e Tales, é um grande desafio, para um setor, ter uma espécie de sócio oculto, que chega a representar 15% do seu custo. A logística participa fortemente dos custos, mas não participa dos resultados. É o sócio oculto.
Quando somamos esse custo aos demais, que não dependem diretamente do empreendedor, como energia, combustível e infraestrutura, percebemos que o Brasil acaba perdendo competitividade em relação ao potencial que poderia ter.
Fora o minério de ferro, praticamente todos os demais setores minerais dependem principalmente do modal rodoviário. Esse é um desafio enorme para um país de dimensões continentais como o Brasil. Imaginem o que é transportar material do Pará, do Ceará, de Mato Grosso ou de Mato Grosso do Sul até os locais de processamento. O processamento precisa ser concentrado em determinados polos, porque não é possível simplesmente processar tudo no local de extração. Existe todo um material, e é preciso organizar portfólios.
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(Intervenção ininteligível fora do microfone.)
Bento Albuquerque esteve no Estado do Espírito Santo, mas não em Cachoeiro de Itapemirim. O atual Ministro foi lá ver o setor de rochas.
E hoje, também pela primeira vez na história, a gente está tendo a oportunidade de ter uma sessão especial do setor de rochas na Comissão de Minas de Energia. Para a gente, isso tem um valor enorme.
Com certeza o nome do senhor vai estar presente na história do setor de rochas, espero muito poder contribuir também para a história do senhor.
Eu pensei que o senhor ia falar do Pedro Milanez, que extrai lá no Pará um quartzo translúcido maravilhoso, um dos melhores do País. Mesmo com a distância tão grande do Pará até o Espírito Santo, ele tem competitividade, porque a qualidade do material é única. A produção é baixa, mas exclusiva. O custo é muito alto, o transporte é para muito longe. Mesmo assim, é um material encantador.
Espero um dia poder levar o senhor, Deputado Joaquim Passarinho, na Feira de São Paulo, que é a nossa grande feira do Espírito Santo, como também na Feira de Verona, que tem um grande mercado, com clientes de todo o mundo. Há 10 anos venho tentando levar o Deputado Evair, mas não consegui. Quem sabe o senhor não me ajuda.
O SR. JOAQUIM PASSARINHO (PL - PA) - Tales, eu sou arquiteto, mas, antes, sou técnico de mineração. Tenho um grande parceiro, um grande amigo lá no Pará, que é o pessoal da Marmobraz. Você deve conhecer.
O SR. PRESIDENTE (Evair Vieira de Melo. Bloco/REPUBLICANOS - ES) - Dra. Inara, agora é com a senhora.
(Segue-se exibição de imagens.)
Para contextualizar a parte de rochas ornamentais, eu vou falar um pouco da base técnica, do valor social e da competitividade.
É uma mineração não metálica, para extração e beneficiamento de rochas. Tem várias aplicações: construção civil, arquitetura, design, revestimento e arte.
Então, existe uma gama de ações dentro do comércio e do segmento econômico no Brasil. Ela tem valor econômico de estética, raridade geológica e boa aceitação de mercado. A diversidade das rochas é ampla, são materiais únicos, com mais de 1.200 variedades catalogadas. Deve haver mais, porém, neste momento, foi o que a gente encontrou de números. Também se destaca o uso responsável e o retorno à sociedade.
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Outro ponto importante é a parte ambiental. A Maria Tereza já falou alguma coisa sobre técnica e competitividade. Baixo impacto relativo, sem barragens de rejeitos complexas; processo produtivo sem reagentes químicos agressivos; a cadeia integra pesquisa, lavra, beneficiamento e mercado — é uma cadeia mais curta; tem a parte de inovação, design e acabamento, que elevam o valor agregado a exportações; e a competitividade depende de conhecimento geológico — como geóloga, eu sei a importância disso —, valor agregado e previsibilidade sobre o tema.
De forma simples, como é a cadeia produtiva das rochas naturais? Começa com pesquisa e avaliação, posteriormente descoberta de jazidas. A partir da descoberta de jazidas, começa a lavra, com cortes planejados, preservação de blocos e segurança operacional. Depois vem o beneficiamento, com serragem, resinagem, polimento, que transforma blocos em chapas. Em seguida, são colocados no mercado blocos, chapas, produtos finais, e capturam valor crescente. É uma cadeia produtiva bem simplificada, mas que vai dar embasamento, o que vai ser explicado mais à frente, na questão dos dados da ANM.
Para se ter ideia do volume de ativos que a ANM tem, há por volta de 257 mil processos minerários de todos os tipos de substâncias. Tirando a parte de petróleo e gás, todas as outras substâncias estão com a ANM. Então, é um volume gigantesco de ativos para a gente fazer a gestão.
Nesse contexto, no que se refere a rochas naturais, temos 24.362 autorizações de pesquisa, lembrando sempre que nós temos uma base dinâmica. Então, a mudança de fase e de movimento dentro da nossa base é constante.
A Tereza comentou sobre a parte da guia. A guia entra muito aqui na autorização de pesquisa. Eu estou dando um valor sem discriminar o que é guia e o que não é, mas tem esse volume. De concessão de lavra, são 3.170; e, de licenciamento, 2.749.
Vocês podem ver que se trata de um volume bem grande de processos minerários dentro da ANM que tratam de rochas naturais. Isso sem falar de outras fases que a gente tem. Se você olhar o mapa, vai ver que o Brasil é quase todo pintado com requerimentos ou autorizações, ou concessões, ou licenciamentos de rochas naturais cobrindo o País.
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Agora, a gente passa da parte de pesquisa e já entra na parte de lavra, dentro do segmento da mineração. A gente tem alguns indicadores de ranking por UF. No que se refere à produção bruta, a gente tem que, em 2025, foi feita a extração de 15,4 milhões de toneladas; de arrecadação de produção bruta, em termos de valor, a gente tem 3,74 bilhões de reais. Houve um avanço em relação a 2024. Em 2024, a gente teve um valor menor, de 3,14 bilhões de reais. Na questão de produção beneficiada, também houve um avanço em 2025 em relação a 2024. Esses valores são citados na campanha do rol desse ano: são 0,31 milhões de toneladas e, em valor de produção, foram 505 milhões de reais.
Aí a gente dá uma olhada em como foi o encaminhamento em relação às Unidades da Federação. Ano passado, houve uma mudança, o Espírito Santo foi para o segundo lugar, muito pelo Quartzito Taj Mahal no Ceará. Houve um avanço na produção bruta, em bilhões, de rochas ornamentais. Os principais Municípios foram Uruoca, no Ceará, com o Quartzito, e Colatina, no Espírito Santo, com o Granito. Em questão de produção beneficiada, ainda o Espírito Santo está bem à frente do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba, provavelmente pela maturidade em questão de beneficiamento destas instâncias, rochas ornamentais.
Esta foi a mudança que aconteceu em relação à produção bruta, na declaração do rol desse ano, de ranking do Ceará com o Espírito Santo. Mas podem ver que estes Estados sempre se mantêm, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia, como os principais produtores.
A arrecadação da CFEM em 2025 foi de 7,9 bilhões e a arrecadação no que se refere a rochas naturais foi de 172 milhões de reais, tendo atuação em 1.080 Municípios, que foram alcançados com a distribuição da CFEM, com 1.908 titulares e pequenas empresas que declararam. Então, houve um grande alcance. Nesse sentido, houve um efeito territorial importante, porque fortalece as políticas públicas locais, acompanha a expansão de polos no interior e reforça a agenda de simplificação e fiscalização da ANM.
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A composição setorial da CFEM é a seguinte: o Granito foi de 65,6 milhões de reais; o Quartizito, de 56,3 milhões de reais; o Mármore, de 31,3 milhões de reais; e a Ardósia, de 9,6 milhões de reais. Como sempre, o destaque foi para Espírito Santo, Minas Gerais, Ceará e Bahia.
Aqui neste eslaide, eu vou pincelar um pouquinho a questão de exportação. Não é esse o foco da ANM, mas a gente tem o objetivo de acompanhar como é que está o segmento na parte de exportação. Em 2025, foi de 1,48 bilhão de dólares na questão de exportação. A exportação, em 2025, teve um avanço de 17,5%. O Brasil é o quarto maior produtor mundial e o quinto maior exportador mundial.
A gente tem que entender que, em questão de exportação, a gente absorve muito a parte de rochas naturais no Brasil. A exportação parece pouca, mas é significativa em questão de como a gente absorve essa mineração e como é a importância das rochas ornamentais para o País.
O acumulado, de 2020 a 2025, de rochas beneficiadas na questão de exportação foi de 5,79 bilhões de dólares; e, de rochas brutas, de 1,66 bilhão de dólares. Os principais Estados exportadores foram: Espírito Santo, 78,2%; Minas Gerais, 9,1%; e Ceará, 7,4%. É importante destacar isso no sentido de que, quando se fala de Estado exportador, não necessariamente é o Estado mais produtor. O que está aqui avaliado é a origem da matriz, a que Estado o CNPJ está vinculado. Observa-se uma disparidade muito grande entre o Espírito Santo e os demais. O Espírito Santo, na questão de rochas beneficiadas, tem uma maturidade muito grande e é o principal polo exportador, devido à parte de estrutura de portos. Por isso essa diferença.
O SR. PRESIDENTE (Evair Vieira de Melo. Bloco/REPUBLICANOS - ES) - Pode chorar à vontade.
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Como eu já mostrei no eslaide anterior, são mais de 1.200 variedades catalogadas no Brasil e a nossa participação é de 7% no comércio internacional de rochas naturais.
Volto a repetir: a gente tem uma demanda interna também muito forte aqui no Brasil para esse segmento.
E as limitações já são reconhecidas: restrição orçamentária — a gente acabou de ter um bloqueio orçamentário de 2,2 bilhões de reais; falta de pessoal e tecnologia; e impacto direto na capacidade regulatória e fiscalizatória.
Vou falar da atuação da ANM e fazer as considerações finais. A gente está na agenda regulatória 2025-2026. A gente está fazendo uma revisão agora dessa agenda.
A digitalização está sendo tratada ali dentro, está havendo algumas modificações para melhor se adequar à possibilidade de mais formas de usar guia. A gente está digitalizando todos os processos minerários, já está com 80% de digitalização. Isso é importante para acelerar os processos de análise, processos de área requerida, de áreas outorgadas.
A gente está realizando concurso para novos servidores. Ainda é pouco, mas estão entrando pelo menos alguns servidores já na casa. A gente já recebeu 220 novos servidores e agora vai receber oitenta.
Nas considerações finais, eu quero dizer que é um setor estratégico para diversificar a mineração brasileira. A gente fala muito de minerais metálicos, mas rochas ornamentais são muito importantes para o PIB, para o comércio interno e para a gente ter uma grande possibilidade de avançar nas exportações também. Geram emprego, renda e arrecadação descentralizada no território nacional, previsibilidade regulatória e fortalecem a competitividade.
O SR. PRESIDENTE (Evair Vieira de Melo. Bloco/REPUBLICANOS - ES) - Obrigado, Dra. Inara.
O SR. PRESIDENTE (Evair Vieira de Melo. Bloco/REPUBLICANOS - ES) - A senhora sabe que tem aqui um grupo de Parlamentares que briga todos os dias para que a ANM possa consolidar as respostas que a gente precisa. Naturalmente, lamentamos muito o acontecido, mas vamos tentar reverter isso em outras instâncias, até porque, volto a dizer, pelo desafio da nossa economia passa a mineração.
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É inconcebível que a ANM tenha as condições precárias que tem hoje para dar as respostas no tempo e na hora que o setor precisa. Ela é diferente até de outras atividades.
Então, realmente a senhora tem aqui um grupo de Parlamentares comprometidos e também o nosso reconhecimento pelo esforço que todos os técnicos fazem dentro das limitações.
Vamos agora ouvir o Tales Pena Machado, Presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais — Centrorochas, representando o Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcário do Espírito Santo — Sindirochas. Ele também é conselheiro e Vice-Presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo — Findes.
(Pausa prolongada.)
Quero agradecer a presença de todos; agradecer, mais uma vez, a esse importante Deputado que conhece a história do setor de rocha. Todos os grandes eventos que nós tivemos, principalmente aqui em Brasília, sempre foi através do Deputado Federal Evair. O Deputado Da Vitoria não está aqui, mas, em todas as pautas nossas, nunca faltou a uma audiência. Toda vez que a gente o convida, ele está sempre presente. Ele teve que sair, mas vai voltar.
(Segue-se exibição de imagens.)
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O Centrorochas é uma entidade de âmbito nacional, fundada em 2004, administrada pelos próprios empresários. E seu principal foco é a promoção comercial internacional, defesa de interesses coletivos, inteligência de mercado e fortalecimento da competitividade da indústria brasileira de rochas naturais.
Essas são algumas entidades que fazem parte dela. Como eu falei, ela é formada pelos próprios empresários, mas também tem várias empresas: o Centrorochas, o Sindirochas do Espírito Santo, o Sindirochas de Minas Gerais, à esquerda, o sindicato do Ceará, o sindicato de ardósia de Minas, o sindicato do Rio de Janeiro, o Cetemag — Centro Tecnológico do Mármore e Granito, o Sicoob Credirochas, que é a cooperativa criada dentro do setor de rocha, da qual eu sou Presidente também, e a Rochativa, que é a nossa entidade social que cuida de 2 mil crianças por dia. Essa entidade ainda não tem uma sede para fazer seus próprios eventos, mas ela trabalha com várias entidades no sul do Estado, em quatro Municípios. E, contando as crianças de todos esses projetos que a gente patrocina, o número total são 2 mil crianças por dia.
Ali é um pouquinho da história da rocha natural no Brasil. A extração de rocha começou em 1930. Os imigrantes italianos a começaram lá na Serra do Itaoca, em 1955. Itaoca é um bairro e também é uma serra. De Cachoeiro, em 20 minutos, 25 minutos, você está nas pedreiras de que saíram o mármore que construiu Brasília. Foi mais ou menos em 1950, 1955, que começou a construção de Brasília. Dois irmãos tinham uma empresa no Rio, em Italva, e começaram lá a extração — uma parte pequena, mas começou no Rio de Janeiro. Depois, a parte grande do fornecimento aqui para Brasília foi do Espírito Santo, dessa Serra de Itaoca. Esses dois cariocas começaram a desenvolver a extração lá no Espírito Santo.
Em 1989, foi realizada a Cachoeiro Stone Fair, nossa primeira feira de rocha do Brasil. Essa primeira feira foi dentro da baia de cavalo. Tinha um cheirinho mais ou menos, mas teve muito sucesso, tanto que a feira é um sucesso enorme até hoje.
De 2000 para cá, a gente considera que foi a grande evolução do setor de rocha. Hoje existe uma concentração muito grande de empresas no Espírito Santo. O arranjo produtivo é no Espírito Santo. As extrações acontecem praticamente em todo o Brasil, nos Estados que têm mineração de rochas naturais. Como o Deputado falou, elas descem via modal rodoviário para o Espírito Santo, onde são industrializadas. O que há de mais evoluído no mundo está nas indústrias capixabas, como as politrizes italianas, que são as melhores do mundo, embora as chinesas estejam pertinho já, estão com uma qualidade enorme. Há várias empresas já apostando nas chinesas.
Os teares multifios italianos são muito bons, mas os brasileiros também são muito bons. E há as linhas de resinagem também, que é para tratamento das rochas. Muitas rochas são mais alteradas, então elas precisam de estruturação, de telas atrás, resinas na frente, antes de se fazer o processo de polimento.
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Falando um pouquinho do setor de rochas, o Brasil é o quinto maior exportador do mundo e o quarto maior produtor. Como a Dra. Inara falou, hoje a gente tem em torno de 1.200 variedades de materiais diferentes, mármore, granito, quartzitos, xisto, todos os tipos de minerais que são utilizados nas rochas naturais. Isso é muito importante pelo seguinte: pela diversidade geológica do Brasil. O Brasil tem a maior diversidade geológica do mundo. A todas as feiras que forem — eu vou mostrar aqui as principais feiras do Brasil e do mundo, e o setor de rocha participa todos os anos — vocês verão que existe o pavilhão do Brasil. Em Verona, na Itália, na China, nos Estados Unidos, existe o pavilhão do Brasil. Em todas as feiras, o pavilhão do Brasil é o que mais faz sucesso, é o que mais chama atenção do mundo. Por quê? Por causa da diversidade geológica. Em todos os anos, há material novo sendo lançado. A qualquer feira que você for pode perguntar: "O que há de novo?" "Ah, no estande do fulano há algo novo." Então, sempre há algo novo. É impressionante a diversidade geológica do Brasil, a alternância de materiais.
Eu disse àquela hora para o Presidente Joaquim Passarinho que, há uns 3 anos, o Pedro foi ao Pará e lá descobriu o quartzo translúcido, um material pelo qual passa iluminação e que hoje faz um sucesso danado. Esse material do Pará é um dos materiais mais bonitos desse estilo translúcido. Ele representa 11% do PIB do Espírito Santo.
Agora vou falar um pouco dos números em termos de Brasil. Existe uma empresa lá no Espírito Santo, a Apex Partners, que fez um estudo e concluiu que chegou ao total de 3,5 bilhões de dólares o mercado total do Brasil, tanto de exportações quanto de vendas internas. Então, juntando as exportações, que totalizaram 1,5 bilhão de dólares, com a parte do mercado nacional, chegamos aos 3,5 bilhões de dólares.
Ano passado, a gente bateu o recorde de exportação, quase 1,5 bilhão de dólares, 1.480.000.000 de dólares. Isso representa, como disse a Maria Tereza, uma contribuição para a balança comercial de 1,4 bilhão de dólares. O setor de rocha importa muito pouco. Então, ele representa positivamente o Brasil. O Guedes ficou impressionado com esse número. Primeiro, ele falou que nem sabia que esse negócio de rocha natural existia, ele só sabia de granito, mármore. E, quando viu esse número, ele disse: "Rapaz, vocês têm que aprender a se movimentar, a falar. Esse número fantástico contribui positivamente para o Brasil, e eu, Ministro da economia, não sabia".
Hoje a gente exporta para um pouco mais de 120 países no mundo. Temos um total de 480 mil funcionários, no arranjo produtivo, nas marmorarias do Brasil, nas jazidas, nas indústrias. Em 2024, 82% das exportações, e, ano passado, 78%, como a Dra. Inara mostrou, foram feitas pelos portos capixabas. Temos em torno de 9 mil empresas no setor, sendo que 62% são microempresas.
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Vou falar um pouquinho do nosso trabalho junto com a ApexBrasil, que é uma grande parceira. Nós estamos no terceiro ciclo do nosso projeto com a ApexBrasil. Nós o começamos graças a um trabalho enorme do Deputado. Temos que agradecer a ele sempre. Eu vou falar um pouquinho também dessa parte comercial, só para entenderem um pouco do que o setor de rochas nacional já está atingindo.
Eu vou mostrar alguns dos grandes eventos mundiais dos quais a gente participa. A Coverings, nos Estados Unidos, concentra mais de 50% das exportações do Brasil; então, é o nosso cliente número 1. A Marmomac, em Verona, na qual eu sou doido para levar o Deputado. Ele já foi à Europa algumas vezes com o café, mas com o setor de rochas nunca foi. Por isso eu fico cutucando ele, fico com ciúme do café. Na Itália, há o grande evento tecnológico. Todos os lançamentos tecnológicos do setor de rochas normalmente são feitos na Itália; então, é realmente uma feira muito importante. E a Itália, por estar na Europa, conecta o mundo todo. Quando você vai aos Estados Unidos, atinge o mercado americano; quando você vai à China, atinge o asiático, mas 80%, 90% são China. À Europa vai o chinês, o americano, o árabe, o próprio europeu. Você tem oportunidade de ver o mundo nessa feira.
A nossa feira do Espírito Santo tem um galpão muito grande, a de Verona tem doze galpões muito grandes. Não dá para ver tudo em 1 dia, não dá. Se você quiser conhecer a feira, você tem que ir lá 2 dias, para andar por tudo, é muito grande.
Xiamen é o nosso segundo mercado. Embora haja algumas empresas de que a China é o primeiro mercado, no setor de rochas como um todo é o nosso segundo mercado.
Big 5, em Dubai, também é um grande evento. A gente está sempre participando lá. O Brasil vende muito pouco para o mercado árabe. Faz 3 anos que a gente tem participado de vários eventos lá. No ano passado, cresceu mais de 100% a exportação, mas ainda é pequena. Como é pequena, não cresceu tanto, a gente tem que crescer 120% durante vários anos.
A Marmomac Brazil, que é a feira do Brasil em São Paulo, investiu e virou sócia da feira brasileira. Isso é prova de como ela aposta, acredita no setor de rochas do Brasil. A Marmomac é dona da feira de Verona e de várias feiras no mundo. E é a primeira feira fora da Itália em que ela aceita botar o nome dela. Isso mostra o interesse que ela tem no setor de rochas e como ela acredita no setor de rochas naturais brasileiro.
E a Cachoeiro Stone Fair — como eu falei lá atrás, a primeira foi em 1989 —, que hoje é uma feira maravilhosa e tem um galpão novo. Foi recurso do Deputado. Mais uma vez, eu agradeço a ele.
E aqui eu vou mostrar um pouquinho, bem rápido, a feira de São Paulo, a Marmomac, que contou com a presença da Apex. Ali é a equipe do Centrorochas. Hoje a gente tem uma equipe — ali há alguns que são de fora, mas grande parte ali é do Centrorochas — fantástica. O Giovanni é o executivo que trabalha. Eu só apareço na audiência.
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O setor de rochas tinha um problema muito grave. Ele vende para marmoraria, e a gente vende muita chapa. O mercado americano, por exemplo, tem uma parceria muito grande com o Brasil, porque nós geramos 200 mil empregos lá nos Estados Unidos. Exportamos chapa, e a marmoraria de lá é que faz o serviço. Por isso eles gostam muito do Brasil e consideraram esse mineral não crítico, mineral estratégico, não metálico. Os Estados Unidos reconheceram isso primeiro. Por isso nós começamos a desenvolver o tema e o trouxemos para o Deputado. Os Estados Unidos, de lá para cá, tiveram esse objetivo. No Brasil, a gente só fazia propaganda para as marmorarias.
E o que aconteceu? Quando veio aquela onda do sintético, o sintético foi atrás dos arquitetos, patrocinou tudo, levou-os para todo lugar, para passear, e tudo o mais. O que aconteceu? O setor migrou muito, nós perdemos muito naqueles anos, e bateu a água na... Nós tivemos que correr atrás e começar a fazer eventos direcionados para os arquitetos. Por isso a gente levou a feira para São Paulo. Hoje os maiores escritórios de arquitetura do Brasil, certamente, estão em São Paulo e estão participando com a gente.
A KBIS é uma feira também. Faz 3 anos que a gente participa dessa feira, uma feira muito cara nos Estados Unidos. A nossa feira de São Paulo tem um público em torno de 15 mil visitantes. Nos 3 dias, a gente recebe 15 mil visitantes. Essa feira recebe 140 mil pessoas. Cachoeiro, minha cidade, tem 190 mil, 195 mil pessoas. Essa feira recebe 140 mil pessoas, sendo que, estimativamente, metade é arquiteto, decorador, designer. É uma feira fantástica. Todo tipo de revestimento do mundo está presente nela, e o setor de rocha nunca tinha participado. Faz 3 anos que a gente participa. É uma feira muito cara. Ainda há pouquíssimos empresários que participam como empresa realmente, mas a gente tem feito um trabalho institucional do Centrorochas.
Ali embaixo é o embaixador junto com a gente. É o representativo do setor de rochas, porque nós começamos a estar presentes na principal feira conectada com os arquitetos e decoradores dos Estados Unidos.
A Xiamen é na China. De vez em quando, eu chamo o Deputado para ir à China, mas eu tenho mais pena, porque a gente sofre para chegar lá. A China é uma grande parceira hoje do Brasil, é nossa segunda cliente. Existem vários chineses hoje morando no Espírito Santo. Eles vão às empresas diariamente e ficam loucos quando há algum material marcado para os Estados Unidos. Eles começam a brigar porque querem pagar o material, falam que pagam mais. Nossa parceria tem crescido muito, é uma grande parceira comercial do Brasil.
A Coverings, de que eu falei, é uma feira americana importantíssima de rochas. Na verdade, essa é uma feira de cerâmica. Vejam só: é uma feira de cerâmica, de cerâmicas italianas e cerâmicas espanholas. A feira é nos Estados Unidos, e os donos são os espanhóis e os italianos. A de Las Vegas normalmente não é muito boa. A feira nos Estados Unidos é assim: um ano é em Orlando, um ano é fora, um ano é Orlando, um ano é fora. A última de Las Vegas foi quando acabou a Covid. Como o pessoal estava com muita vontade de fazer evento, foi um sucesso enorme, mas, na de Las Vegas, não dá muita gente.
Mesmo antes da Covid, ela nunca fez muito sucesso. Por quê? É a cidade do pecado, como eles falam. Então, os clientes não gostam de ir com a família. Já Orlando lota. A feira de Orlando é sempre muito melhor. Neste ano, na feira, não deu muito movimento. O pavilhão de rochas naturais do Brasil foi o sucesso da feira. Mesmo sendo uma feira de cerâmica, o local onde houve mais movimento foi o nosso pavilhão brasileiro.
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Esta imagem já é de outro trabalho que a gente faz com a ApexBrasil. A gente tem feito alguns eventos direcionados para grupos de arquitetos. Nós fizemos este evento dentro da residência oficial da Embaixada do Brasil em Washington, para um grupo selecionado de arquitetos. Foi um sucesso danado! Tivemos a participação de duas empresas, inclusive a empresa do Pedro — a Ladiani foi quem participou. Nesses eventos mais fechados, sempre surgem negócios. É algo fantástico!
A gente tem participado, com a ApexBrasil, de um evento chamado Bond, em que a gente faz a mesma coisa. Esses eventos são feitos para arquitetos especializados. Eu lembro que, em Bahamas, o evento foi para projetistas de hotéis. Nós já fizemos em Bahamas, Nova York, Dubai. Eles fecham um hotel muito chique e chamam poucos escritórios, mas são os maiores escritórios do mundo. Assim, a gente tem a oportunidade de aproximá-los do setor de rochas. Isso tem feito com que as rochas tenham uma visibilidade enorme.
Aqui eu trato um pouco da parte ambiental. Como a Maria Tereza falou, há a remineralização do solo. Hoje a rochagem é usada em várias partes do Brasil.
Ainda existe o problema do frete, que é caro. Normalmente, partindo de onde se produz, ele vai até certo raio, senão o custo do frete fica impossível.
Cito a fabricação de tijolos ecológicos. A gente conseguiu uma legislação que autorizasse isso. Havia muito medo de contaminação. A gente provou o contrário, e hoje é autorizado. Várias cerâmicas estão utilizando isso.
Cito a produção de material de construção, a brita; o reaproveitamento da água. Como o Deputado falou, o setor de rochas aproveita 95% da água. Ele só repõe aquilo que é evaporado durante o processo. Quando está girando, quando está industrializando, alguma coisa evapora. A gente só completa o que evapora. O circuito é totalmente fechado. Não se perde nada. Tudo que sai é prensado. Todo o resíduo vai para um filtro-prensa. Foi dito que, no Pará, ao que parece, com o minério já se faz isso. Todo o resíduo vai para a unidade de tratamento, é prensado e sai com, no máximo, 20% de água. Ele tem que ir para um depósito coletivo. Lá no depósito coletivo, a gente está começando a autorizar a utilização como subproduto, assim como na cerâmica vermelha e nos artefatos de cimento. É esta questão do Fibro — à direita da imagem.
Eu quero mostrar este levantamento do Reino Unido. Vou chegar a um projeto fantástico do Deputado Evair. Se a gente olhar no cantinho à direita, embaixo, a gente vai ver os dados da emissão de CO2 em relação ao quilo do material.
Olhem o número da rocha natural, o primeiro, lá embaixo. Olhem os outros: tijolo, cerâmica, madeira, gesso, vidro, cimento, aço, plástico, alumínio. Olhem a contaminação em relação ao setor de rochas. A gente não sabe usar isso ainda. A verdade é essa. O setor de rochas tem números fantásticos, mas a gente não sabe usá-lo ainda.
Estes números — olhem lá no cantinho — são americanos. A rocha natural está no primeiro gráfico; o carpete, no último. Olhem a diferença da rocha natural para o carpete. Temos os dados da cerâmica, do taco de madeira, do laminado, do PVC.
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Através de uma proposta do Deputado Evair, fizemos um projeto com o Instituto Federal do Espírito Santo — Ifes. Estão sendo levantados os números. A gente tem estes dois números — um é dos Estados Unidos; o outro é do Reino Unido —, mas a gente não tem a informação do Brasil. A gente já está fazendo o levantamento. Acho que, no fim deste ano ou no ano que vem, a gente já fecha isso.
Isso é difícil, porque a gente tem que pegar o processo fechado. Hoje, por exemplo, temos o Taj Mahal. Os materiais do Ceará são os mais vendidos no mundo, como a Dra. Inara falou. A gente tem que pegar todo o consumo de CO2 na mineração, no transporte. É preciso levantar tudo, até a indústria capixaba, toda a emissão, todo o processo industrial. Esse processo tem que ser todo levantado, medido, pesado, registrado, com o instituto federal avalizando a informação. A gente não tem ainda o número brasileiro para utilizar.
Cito a criação da Natural Stone Strategic Alliance — NSSA. A gente conseguiu construir uma entidade mundial hoje, com seis países — o Brasil a compõe —, de rochas naturais. Esse trabalho foi levado para essa associação internacional. O Ifes está sendo o carro-chefe do trabalho que é feito na associação mundial. Isso inclui Portugal, Estados Unidos, Grécia, Brasil, Espanha e Itália. Ainda há mais três ou quatro pedindo para entrar.
Aqui eu mostro a evolução das exportações: em 2017, 1,1 bilhão de dólares. Agora, batemos quase 1,5 bilhão de dólares com exportação. Quando consideramos todos os materiais de exportação juntos, vemos que os Estados Unidos, na coluna da esquerda, representam 53%. E quando a gente olha a da direita? São só materiais acabados. Grande parte é chapa. O nosso volume é chapa, mas a gente faz um pouquinho de obra ainda no mundo, mas muito pouco. O Brasil tem que aprender o terceiro ciclo, que é fazer realmente as obras no mundo, o que a gente ainda não faz. Normalmente a gente vende bloco e chapa; e empresas internacionais é que fazem as grandes obras no mundo. Poucas são feitas no Brasil.
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Aqui temos os dados da nossa representação, vistos pelo lado dos Estados Unidos. Do lado direito, estão os materiais — não vou me ater a eles. Vou falar mais dos dados à esquerda, que mostram todos os fornecedores de rochas naturais dos Estados Unidos. O Brasil é o primeiro, é o número 1. O Brasil representa 22,5% de todas as importações dos Estados Unidos. A gente é o número 1. Por isso, as rochas naturais brasileiras foram tratadas como item não crítico, mas estratégico.
O quartzito é um mineral que ainda não é exportado para o mundo. Basicamente, só o Brasil trabalha com quartzito. Para que entendam, o quartzito é como um granito mais duro. Esse mineral é mais bonito do que o granito, porque tem aparência de mármore Carrara, de mármore dolomítico. Ele é muito bonito, é muito duro, tem uma resistência muito alta. Os mercados hoje pedem muito esse material. Os grandes fornecedores são Minas, Bahia e Ceará. O Ceará hoje é o maior fornecedor. O material mais vendido do mundo hoje é brasileiro, é do Ceará. Chama-se Taj Mahal. Depois vocês podem olhá-lo na Internet. Trata-se de um material clarinho, com algumas ondas. A cor é um bege bem clarinho. É maravilhoso. Em um piso, fica uma coisa de louco. Há quatro ou cinco pedreiras em volta, com outros nomes, que acabam indo na carona. Depois que esse material entrou no mercado internacional, é o material que mais faz sucesso no mundo. Eu estive agora na China e estive também nos Estados Unidos. Quando vou a uma feira, eu gosto de chegar 1 semana antes e ficar rodando, vendo o que os clientes estão comprando. Eu faço isso para ficar conectado. Na China e nos Estados Unidos, todas as empresas que visitei me perguntaram se a Magban — é a empresa da minha família — tinha Taj Mahal. Aonde você vai, esta é a primeira pergunta que o cliente faz: "Você tem Taj Mahal?" É impressionante a forma como esse material dominou o mundo!
Em relação à ANM, como já foi falado, a dificuldade piora cada dia mais. É impressionante! Quando a gente acha que não tem mais como piorar, piora mais um pouquinho. É uma coisa muito difícil. Uma portaria de lavra pode levar 8,5 anos, mas também pode levar pouco mais de 20 anos. Há uma dificuldade muito grande, que impacta diretamente o País. O Brasil perde muitas oportunidades. Eu sei como é isso no setor de rochas, pois sou prova disso, mas imagino como é na mineração como um todo. A Dra. Inara falou, a Maria Tereza falou: o Brasil perde muitas oportunidades.
No caso, o setor de rochas é muito sazonal, é muito ligado à moda. Há 5 anos, 10 anos, só se vendia quartzito branco. Os quartzitos claros dominavam o mundo. Agora há essa onda do Taj Mahal, que tomou conta de tudo. Os quartzitos brancos já não vendem tanto. Já tivemos a época do preto, a época do verde, a época dos amarelos, lá do Espírito Santo. Então, a coisa é meio sazonal, e a gente fica nessa burocracia.
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Há outro problema grave, que já foi falado hoje também: o setor de rochas depende muito da guia de utilização, que é um título precário, feito para uma fase, para você poder desenvolver a mineração. Enquanto a portaria está caminhando, enquanto você está esperando sair o decreto de lavra, existe esse título, que desenvolveu muito o setor de rochas.
Primeiro, colocaram que a guia de utilização não vai poder ser reeditada mais de uma vez. Então, no máximo, você pode tirar uma guia mais uma. O prazo máximo é 3 anos. Então, 3 anos mais 3 anos dão 6 anos. Como mencionei, se o prazo normalmente é de 8 anos a 20 anos — são os piores casos —, está fácil entender que a guia não vai atender o setor de rochas nem a portaria.
Houve uma audiência para tratar disso há poucos dias. Eu participei dessa audiência. Durante esse período, a gente tem visitado diariamente a ANM. Eu já fui lá várias vezes. Eu não consigo falar mal da ANM, porque sei que estão sem estrutura nenhuma, como o Deputado Evair e o Deputado Joaquim Passarinho falaram. Realmente, eles não têm estrutura para cuidar da mineração do Brasil. O País perde oportunidades enormes por causa disso. Até a estrutura física da ANM, em vários pontos, está caindo aos pedaços, sem apoio nenhum.
Trata-se de um negócio em que o mundo todo investe. O Canadá investe em pesquisa mineral no Brasil. Existe empresa brasileira que captou recurso no Canadá para desenvolver pesquisa no Brasil. Imaginem bem! O Canadá investe não só no Canadá, mas também no Brasil.
Houve uma audiência pública há pouco tempo. A gente conseguiu que a ANM cuidasse da licença mineral paralelamente à licença ambiental. Se a licença mineral ia andando, a licença ambiental ia andando. Se a licença mineral saísse antes da licença ambiental, seria bem especificado que ela só teria validade com a licença ambiental. Parece que houve uma cobrança da AGU, mas não a conheço — eu só li. Essa audiência voltou a prender. Você inicia o processo da AGU, da guia de utilização, e inicia o processo de licenciamento ambiental. Você tem que acabar este aqui, levar para cá, para o daqui andar. Portanto, piorou tudo de novo.
Nessa audiência da qual nós participamos, 80% das pessoas foram contra. A audiência pública foi feita, mas não sei... Eu fiquei muito empolgado com a audiência, porque a resistência foi muito grande. Achei que isso prorrogaria um pouco a discussão, que haveria tempo para a gente debater um pouco mais. Porém, 2 semanas depois, houve uma reunião interna na ANM, da qual a gente não pode participar — podemos só ouvir. Mas eu não vou desistir, não! Eu vou bater lá. (Risos.)
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Isso aqui fez o setor de rochas avançar muito. Realmente, deve haver fiscalização, deve haver estrutura. Acho que esse é o grande problema.
Vamos falar do ambiente do Ceará. A gente voltou a esse tema aqui pelo seguinte: hoje, como a Dra. Inara falou, eu falei, a família Taj Mahal é o grande diferencial do Brasil no mundo. No Ceará, existe a APA Ibiapaba desde 1996, com exigências mais rígidas do que o normal, mas a mineração convive com todas aquelas exigências maiores. É mais difícil? Sim. Porém, o empresário não está ligando para isso. Ele quer trabalhar. Você coloca a regra, e ele vai atender.
Agora fizeram uma alteração no plano de manejo que proíbe a mineração. A gente já foi a essa região várias vezes. Trata-se de uma região que a gente acha que vai se desenvolver muito. Há muitas oportunidades lá. Já existem jazidas trabalhando, convivendo com essas exigências maiores da APA. Agora estão encontrando dificuldades. Eu já fui até o Vice-Presidente duas vezes — aquela vez e outra vez lá no Nordeste. Eu já fui até o Vice-Presidente Geraldo Alckmin duas vezes. Ele falou: "Isso não pode acontecer". Está suspenso. Está parado. A gente conseguiu suspender. Estamos chorando, como diz o Deputado. (Risos.)
Outro tema é o limite de 75 toneladas no transporte. O setor de rochas, como o Deputado falou, tem um peso muito concentrado. Então, é perigoso. Realmente, é um peso muito grande. Entretanto, as bobinas de aço têm o mesmo problema de peso concentrado. Quando o Brasil avançou na legislação para que tivéssemos carros com capacidade de 74 toneladas, o setor de rochas passou a ter uma autorização para 58 toneladas — o limite era 54 toneladas, foi para 58 toneladas. Só o setor de rochas podia transportar 58 toneladas, por causa desses blocos maiores. Quando saiu o limite de 74 toneladas, isso passou a valer, no Brasil inteiro, para todos os setores e para qualquer produto que vocês imaginarem. Uma carreta bitrem, seja Mercedes, seja Volvo, pode transportar 74 toneladas de madeira, de arroz, de qualquer coisa. A mesma carreta, se passar pela balança e estiver com 74 toneladas desses blocos, é presa com 18 toneladas de excesso. Isso é a coisa mais absurda que existe no mundo!
Lá atrás, com o Ministro Tarcísio, nós quase conseguimos. A briga começou lá atrás, quando o Tarcísio era Ministro da Infraestrutura. Nós quase conseguimos. Já fomos várias vezes ao Ministério. O hoje Governador Ricardo Ferraço já foi lá comigo. O Deputado Da Vitoria já foi duas ou três vezes. Então, estamos quase conseguindo. Se Deus quiser, agora, a Comissão vai nos ajudar a romper isso também.
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Isto aqui é o que o Deputado falou. Primeiro, os Estados Unidos identificaram o nosso mineral como estratégico. Então, eu fui conversar com o Deputado. É fácil explicar. Existe o próprio calcário. O calcário e as rochas naturais estão juntos no Espírito Santo. Existem vários pontos estratégicos em relação à balança comercial, em relação ao meio ambiente. Realmente, existem muitos sinais diferenciados do setor de rochas.
Eu vou falar um pouquinho das novas tarifas do Trump. Os quartzitos ficaram fora dos 25% novamente. Os Estados Unidos produzem um pouquinho de mármore e um pouquinho de granito. Eles extraem lá nos Estados Unidos. Porém, são mais utilizados em confecções de calçadas, de peças. Eles não serram lá. Como há mármore e granito lá, o quartzito não entrou na primeira tarifa.
Além disso, a gente tem uma relação muito forte, como eu falei, com a empresa estratégica mundial e com o sindicato de lá. A gente tem uma relação muito forte, um intercâmbio muito grande. A gente até contratou uma empresa que está nos dando suporte, inclusive recontratando um lobby instituído. Então, o quartzito provavelmente está fora desses 25%, embora a gente não saiba em relação aos 12%. Mármore, granito e todos os outros minerais de rochas naturais, provavelmente, vão estar nos 25% e vão estar nos 12%.
A gente pediu apoio para o seguinte na sessão solene: agilidade no licenciamento; modernização do transporte de rochas; infraestrutura do Porto Imetame. No Espírito Santo, existe uma movimentação muito grande no setor de rochas. O cluster está muito concentrado lá. E a gente não tem um porto de águas profundas. Até hoje, tudo é exportado do Espírito Santo por cabotagem. Sai do Espírito Santo e vai para o Rio ou para São Paulo.
A Sudene vai até Aracruz, Itarana e Itaguaçu. A gente tem conversado com o Deputado sobre a possibilidade de estendê-la até o sul do Estado, que ficou muito defasado em relação à Grande Vitória e à região norte, que está na Sudene. O setor de rochas tem uma concentração muito grande ali.
O SR. PRESIDENTE (Evair Vieira de Melo. Bloco/REPUBLICANOS - ES) - Com certeza, sua apresentação enriquece o debate.
Eu sempre tenho defendido que o setor de rochas possa se fazer presente nos fóruns de debate no dia a dia.
Isso é necessário, primeiro, para dar visibilidade ao setor. Esse material da audiência pública vai para as nossas redes. A gente sabe a importância disso. Nós éramos anônimos num passado recente aqui na Câmara dos Deputados. Hoje já temos um seleto grupo de Parlamentares. Fomos prejudicados hoje, porque foi convocada sessão remota. Então, muitos Parlamentares que estavam em Brasília já retornaram para os seus Estados.
Esse material é fruto de uma verdadeira garimpagem. A informação, o conhecimento, vão chegando. Eu sonho com o dia em que a gente possa fazer inclusive uma exposição de alguns materiais aqui no Hall da Taquigrafia, para trazer visibilidade ao setor. Não é tão simples, mas, com certeza, no ano que vem nós vamos conseguir fazer isso.
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Esse diálogo tem que ser feito, para tirar até um certo preconceito que se tem contra o setor por conta da questão ambiental, da questão trabalhista, da questão de resíduos desses nossos materiais.
Quando se fala em material estratégico, nós que viemos do setor de rochas naturais sempre pensamos nos agregados, mas, na verdade, eu estou falando de minerais: eu estou falando de lítio, eu estou falando dos carbonatos, eu estou falando dos silicatos, eu estou falando de inúmeros materiais que têm um sem-número de aplicações, principalmente nessa indústria de alta tecnologia. Podem ter certeza de que a nave que deu a volta na Lua tem um desses materiais nos seus compostos — para ser resistente àquela temperatura e àquela pressão, precisa ter substâncias que possivelmente têm origem em materiais como esses. Então, esses são materiais estratégicos, quando você pensa em mobilidade, em tecnologia, em inovação, nas indústrias mais modernas, nos novos veículos.
Também vai depender da nossa inteligência para fazermos essa construção. Por isso esse estudo é extremamente importante. É importante fazermos investimento em pesquisa para haver ciência por trás de tudo isso. Não dá para ir no achismo.
O EPD está sendo feito agora, e outros estudos têm que ser feitos de forma continuada. Temos que trazer outras academias, outras universidades, buscar parcerias internacionais, porque tudo que a gente trouxer de ciência, de conhecimento aplicado vai resultar em valorização do setor.
O meu grande sonho é um dia a gente parar de vender agregado e passar a vender as nossas chapas, como a gente chama, porque são verdadeiras obras de arte confeccionadas pela natureza. Quando eu vejo uma placa de quartzo, de granito, de mármore ou de qualquer outro material, penso que estou diante de uma obra de arte confeccionada há milhares e milhares de anos pela natureza. Portanto, é inadmissível que esse valor não seja agregado ao produto.
Eu digo que a nossa arquitetura não está ainda amadurecida, Ela ainda é muito jovem como valor no Brasil. A arquitetura é ligada não só à beleza, à combinação, à harmonização. A nossa arquitetura ainda — eu não sou especialista, mas, como leigo, digo aquilo que chega até mim — é vendida muito mais como harmonização, e não como conceito.
No mundo, o maior atrativo turístico é a água. Não dá para competir com a água. Se eu for à praça agora com uma mangueira de água, logo reunirei 20 pessoas, 30 pessoas. A água tem um grande efeito. Mas o segundo maior atrativo turístico do mundo — turismo é negócio — é uma combinação de história, arquitetura e gastronomia. Não é um único fator; é um fator composto, e a rocha é um ativo extremamente importante nisso.
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Quando eu ando por esse piso de granito Preto São Gabriel, do corredor das Comissões da Câmara dos Deputados, penso que é preciso dizer que esse piso é único. Embora as pedras sejam parecidas, vamos dizer assim, cada pedra é única. Aqueles mármores do Itamaraty, do Palácio do Planalto, do STF são peças únicas. Não existe uma segunda peça igual.
Às vezes, a gente olha um quadro que está na parede, exposto, e não olha para o piso. Isso também passa um pouco pela educação. A gente está em cima de uma obra de arte que a natureza gastou milhares de anos para fazer, contemplando uma pintura linda e bela, feita por um artista renomado, mas, ao mesmo tempo, está em cima de algo, inclusive, muito mais conceitual. Reconhecer isso passa por nossa educação.
É preciso transformar os nossos pisos, as nossas paredes, as nossas pias, os nossos corrimões e tantas outras aplicações das nossas rochas em apresentações de obras de arte. Quando você entra no aeroporto de Dubai, vai a Abu Dhabi, aos castelos, aos aeroportos do Brasil inteiro — até porque o material é muito mais duro, então você encontra lá os granitos, os quartzitos —, você fica diante de peças únicas. Nós precisamos conseguir também vender essa contemplação de obras de arte sobre as quais nós estamos. Isso pode mudar o patamar, inclusive, da decisão de remuneração, porque, além de ser remunerado pelo material, você pode ser remunerado pelo conceito.
É um trabalho longo? É. É um sonho? É. Mas eu acho que é ele que nós temos que valorizar. Eu considero que é preciso remunerar muito bem o setor, até porque ele tem limitações. Vejam o nosso Taj Mahal. É uma peça única! Quando você pega uma peça de Taj Mahal, seja ela um piso, uma bancada, uma parede ou mesmo uma chapa de Taj Mahal, aquela é uma verdadeira obra de arte. E ela é única. E o nosso desafio é, inclusive, dialogar com o consumidor que vai fazer essa interpretação.
Nós saímos do revestimento para o agregado, o que já foi um avanço para nós, que vendíamos blocos e passamos a vender chapas; vendíamos piso e depois evoluímos para o agregado. O meu sonho é começarmos a vender obras de arte confeccionadas pela natureza e lapidadas pelos homens. Isso vai mudar a capacidade nossa de olhar para uma montanha, de dominar uma montanha.
Também existe todo um lado arquitetônico de olhar para essa concepção, e a própria indústria brasileira precisa fazer isso. Acho que a CNI pode ser uma grande parceira nisso. Já é, mas também pode ser nesse salto à frente que nós chamamos de valor agregado. O valor agregado não é vender a chapa já em forma de piso, não é vender a obra pronta. Claro, é um passo muito importante eu, em vez de vender o bloco ou a chapa, vender a obra pronta — já é o passo seguinte —, mas o grande momento do setor de rochas vai ser quando nós fizermos um investimento e também colocarmos um valor cultural, um valor histórico, um valor arquitetônico, um valor artístico. Se aquilo que o homem confeccionou é vendido a preços exorbitantes, podemos sonhar em ser remunerados por aquilo que a natureza gastou milhares e milhares de anos para produzir.
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Eu sempre digo que os homens, com a tecnologia, conseguiram lapidar as rochas, como aconteceu com o diamante. Os diamantes estão por aí, podem ser encontrados, mas têm que ser lapidados. O próprio ouro e também outros materiais, como as nossas águas-marinhas, precisam de lapidação, que é o que faz com que eles cheguem a esse valor com o qual a gente sonha.
Portanto, Tales, Dra. Inara e Giovanni, eu sonho em um dia nós vendemos obras de arte confeccionadas pela natureza. É preciso trabalhar o consumidor, naturalmente, disposto a remunerar por isso.
Quem está em casa e tem uma mesa de granito, de quartzito ou de mármore tem uma peça única. Não existe outra peça igual à dele. Eu posso até repintar um quadro, refazer um tapete. Eu tenho visto alguns tapetes que são adquiridos por brasileiros do setor de rochas. Eles vão a Dubai, a Abu Dhabi, vão à Índia vender as nossas rochas e compram aqueles tapetes lindos e maravilhosos, mas, para isso, têm que entregar um navio de blocos. Quantas placas, quantos blocos nós deixamos lá por esses tapetes, considerando a equivalência de valores? São coisas muito bem confeccionadas, artesanais.
Parece um sonho, parece uma fantasia, mas eu estou olhando para esse horizonte. Volto a dizer: você deixa um navio de blocos e traz um tapete — não é bem assim, mas, se você comparar, você vai ver os valores. Esse é o meu sonho. Eu disse isso na primeira reunião que tive com o setor de rochas.
Naturalmente, Tales, quero agradecer a vocês e deixar registrado tudo que vocês fazem pelo nosso Espírito Santo.
Nós estamos vendo agora a Samarco retomar a sua capacidade produtiva no Espírito Santo, depois do acidente. A Samarco tem grande importância para o Espírito Santo, mas o que viabiliza a volta da Samarco à sua capacidade de fazer a entrega que faz é o nosso setor de cal e calcário, produtos extremamente importantes utilizados pelotização. Então, além do minério de ferro, é preciso ter toda uma indústria de cal e calcário ao lado para se fazer um ativo importante como o aço e viabilizar o seu processamento.
O setor de rochas é muito novo, e não existem informações sobre ele em lugar nenhum. Não existe nenhum curso de arquitetura no Brasil que tenha informações a esse respeito. Então, os arquitetos têm muita dificuldade, muito medo de informações. Por isso que a gente está tendo uma aceitação enorme onde a gente está indo: justamente pela falta de informação.
O SR. PRESIDENTE (Evair Vieira de Melo. Bloco/REPUBLICANOS - ES) - Esse mesmo caminho foi o que a madeira seguiu. Talvez 80% da madeira que a gente usa hoje, no passado recente fosse descartada, queimada, não tivesse aplicação nenhuma. Um exemplo disso talvez seja o eucalipto.
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Eu, apesar de ainda não estar próximo dos 100 anos, quando conheci o eucalipto, ele nem madeira era; era lenha, e lenha de péssima qualidade. Se você não tivesse outra lenha para queimar nas caldeiras, nos fornos, você usava o eucalipto. Hoje você vê a aplicação do eucalipto em móveis, com nobreza, com uma apresentação que encanta. Isso, sem contar as outras madeiras, naturalmente. Mas, num passado recente, queimou-se muito angelim-pedra, queimou-se muito angico, muita madeira que hoje é bastante utilizada. Só se usavam as perobas e as madeiras similares. Só se pegavam os mais nobres.
Eu acho que o setor de rochas também tem que olhar para a indústria da madeira, que transformou materiais que eram simples, descartáveis. Volto a dizer: num passado recente, 80% da madeira que se usa hoje era descartada. Eu cheguei a presenciar desmatamentos ainda sem controle no Brasil, e só se tirava a madeira nobre. Era como se nós tirássemos os quartzitos translúcidos, os azuis e os verdes, e o resto moêssemos e jogássemos tudo fora.
Por isso, considero que temos que investir nessa tecnologia. Nós temos, hoje, que olhar para o boi. Há um ditado popular que diz que "do boi só se perde o berro". Nós temos que olhar também para as rochas e tentar, do ponto de vista econômico, fazer um aproveitamento de 100% dos nossos materiais, independentemente de quais sejam eles, porque isso vai trazer competitividade, vai trazer um retorno muito melhor.
O SR. PRESIDENTE (Evair Vieira de Melo. Bloco/REPUBLICANOS - ES) - Tales, quer fazer suas considerações finais?
O SR. TALES PENA MACHADO - Quero só, mais uma vez, agradecer a oportunidade de mostrar o setor de rochas através da Câmara dos Deputados.
A gente tem certeza de que existem muitas notícias positivas, muitas coisas foram conquistadas nesses anos, e realmente a gente precisa dar visibilidade a isso.
Continuo ainda sonhando em fazer aqui um corredor revestido, mesmo que seja temporário, durante uma semana. A gente já fez o requerimento e não conseguiu ainda, mas a gente gostaria de fazer aqui um estande de belas rochas, fazer uma demonstração encantadora, para ter mais visibilidade no Congresso.
O SR. PRESIDENTE (Evair Vieira de Melo. Bloco/REPUBLICANOS - ES) - Agradeço mais uma vez aos nossos convidados.
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Quero agradecer a toda a nossa equipe de gabinete, que nos ajudou a criar este ambiente; à equipe da Casa; a todos os convidados que aqui estiveram presentes; às assessorias, aos jornalistas, às pessoas que interagem com o nosso setor.
Quero, ainda, convidar a todos para, quando tiverem oportunidade, irem ao Espírito Santo e, se não puderem visitar muitos lugares, visitarem ao menos as jazidas de mármores de Itaóca Pedra, em Cachoeiro de Itapemirim, perto de Vargem Alta. É algo muito belo da natureza. É um espaço natural extraordinário, belíssimo, que realmente encanta. Vocês vão poder ter a oportunidade...
Eu sempre digo que Brasília é Patrimônio Cultural da Humanidade, assim declarada pela Unesco, é uma cidade mundial, e as pedras que embelezam os mais belos palácios de Brasília, são oriundas das rochas do nosso Espírito Santo. A gente precisa olhar para cima e para frente, mas para o chão também, e ver que isso encanta muito.
Naturalmente, quero agradecer muito à indústria capixaba, em que não houve vaidade pessoal e que hoje dialoga com um mundo de oportunidades praticamente em todos os Estados da Federação.
Muitas das companhias capixabas são de origem familiar, e isso faz muita diferença também — naturalmente, nos últimos anos, acabou surgindo alguma coisa mais empresarial. Outra coisa importante é que grande parte das nossas médias e grandes empresas vieram de outros setores. Muita gente que hoje trabalha no setor de rochas era caminhoneiro. Há gente que era agricultor, trabalhador rural. As pessoas viram essa oportunidade, e hoje já se está chegando à terceira ou quarta geração da família à frente do setor — é claro que as coisas vão avançando.
Também é um grande orgulho olhar para o nosso pequeno Estado do Espírito Santo e ver que nós não fugimos da nossa responsabilidade de ajudar o Brasil. Fizemos isso levando tecnologia, desbravando a tecnologia, descobrindo pedras no Ceará, no Piauí, no Rio Grande do Norte, no Tocantins, no Mato Grosso. O Mato Grosso do Sul agora está se tornando também um grande fornecedor de mármores para o Brasil e para o mundo. Há ainda o Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, que já tem um histórico com a mineração, mas tem produzido principalmente quartzitos e outros materiais raros, extremamente importantes e que encantam a cada dia mais.
É um orgulho ser do Espírito Santo. O Estado, às vezes negligenciado no debate da nossa economia, pega um setor difícil, que exige, primeiro, trabalho... Pode ter certeza de que não há ninguém no setor de rochas naturais que seja ateu, porque tem que ter um pouco de fé, acreditar um pouco. Não é fácil você desbravar uma montanha, você pegar um bloco de 40 toneladas e transformar nesse piso que nós estamos vendo. Então, tem que ter fé.
Tem que ter família também. Independentemente da origem, em todas as empresas nossas você vai encontrar um grupo familiar. A grande jazida de Preto São Gabriel, que encanta o mundo e é nossa alegria, pertence à família de um ex-Parlamentar desta Casa, o Sr. Camilo Cola. Ele é um dos pioneiros do setor, e, possivelmente, a produção de grande parte desses materiais do Preto São Gabriel passa por ele ter desbravado uma região nova — não é a região original. Colatina vem no segundo momento, depois do mármore. Não sei efetivamente quando começa a extração do Preto São Gabriel, mas não faz 60 anos — ele é muito mais jovem do que isso. O Sr. Camilo Cola começou há 60 anos, com o mármore. Talvez os quartzitos tenham menos de 40 anos, em volumes comerciais — é claro que alguma prospecção poderia haver.
Eu sempre me lembro do Sr. Camilo, que foi um Parlamentar desta Casa, talvez o primeiro Parlamentar que efetivamente tratou e cuidou do setor de rochas naturais. Ele tem que ser lembrado e honrado sempre, assim como a sua família e os nossos pioneiros, nossos irmãos cariocas que foram para o Espírito Santo, e também as famílias que fizeram todo esse trabalho.
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Assim, de bloco em bloco, de pica-pau em pica-pau, aos pouquinhos, nós estamos descansando, e, enquanto descansamos, carregamos pedra.
Antes de encerrar a presente reunião, quero agradecer aos expositores as valiosas contribuições para a discussão do tema e registrar mais uma vez a presença do Tales, Vice-Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo, que nos últimos anos tem dado atenção especial ao setor de rochas e a todo o setor da indústria do Espírito Santo, que agrega muito mais tecnologias.
Quero reconhecer também o esforço que o Governo do Estado tem feito para criar condições para que o setor possa ter prosperidade.
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