3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 57 ª LEGISLATURA
Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural
(Audiência Pública Extraordinária (semipresencial))
Em 11 de Novembro de 2025 (Terça-Feira)
às 14 horas e 30 minutos
Horário (Texto com redação final.)
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O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Boa tarde, senhoras e senhores.
É com muita alegria que eu declaro aberta a presente audiência pública, convocada em virtude da aprovação do Requerimento nº 194, de 2025, de minha autoria, para debater a importância do melhoramento genético do gado leiteiro para o pequeno produtor de leite e a necessidade de um programa efetivo que permita o acesso destes pequenos produtores à tecnologia de transferência de embriões.
Antes de darmos sequência, eu gostaria de convidar para compor a Mesa o Secretário Vanderlei Ziger, que aqui representa o Ministro Paulo Teixeira, que não está conosco em decorrência da necessidade de estar na COP 30. De antemão, quero agradecer a gentileza do Ministro de encaminhar o Secretário para representá-lo.
Quero agradecer a presença de alunos do curso de medicina veterinária da faculdade Uniceplac, do Gama, no Distrito Federal, coordenado pelos professores Fabiana Fonseca, que é engenheira agrônoma, Túlio Neves, que é médico veterinário, e Marina Leão, que é médica veterinária. É uma alegria imensa recebê-los aqui. A sua participação enriquece ainda mais esta audiência pública.
Agradeço a presença de todos e esclareço que a reunião está sendo gravada e transmitida ao vivo na página da Comissão e no YouTube.
O melhoramento genético do gado brasileiro representa um dos principais caminhos para aumentar a eficiência, a produtividade e a rentabilidade da atividade leiteira, especialmente entre os pequenos produtores. Animais com maior potencial genético produzem mais leite, apresentam melhor qualidade do produto, maior resistência a doenças e melhor adaptação às condições de manejo. Esses fatores se traduzem diretamente em redução de custos e aumento da renda da família rural.
Entretanto, os pequenos produtores enfrentam grandes limitações para acessar tecnologias modernas de reprodução, como a transferência de embriões, que possibilita acelerar significativamente o ganho genético do rebanho. A inseminação artificial trouxe avanços importantes. A transferência de embriões, por sua vez, permite que vacas de alto mérito genético gerem várias crias em pouco tempo, democratizando o acesso a linhagens de qualidade superior que, de outra forma, estariam restritas a grandes propriedades. Portanto, a implantação de um programa efetivo de melhoramento genético voltado para os pequenos produtores é essencial. Com apoio técnico, subsídios ou linhas de crédito específicas, será possível ampliar a utilização da transferência de embriões e garantir que esse público tenha acesso à mesma tecnologia utilizada por grandes produtores. Desta forma, além de promover maior inclusão produtiva no campo, o programa contribuirá para a sustentabilidade da atividade leiteira, a valorização da agricultura familiar e o fortalecimento da cadeia do leite como um todo.
Estabelecida essa parte técnica, senhores, quero dizer que esta audiência pública vai permitir a nós, que somos apaixonados por vacas, fazer uma discussão muito produtiva num momento extremamente importante, em que a cadeia leiteira passa por uma dificuldade muito grande, e essa dificuldade é muito maior para o pequeno produtor.
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Não é a primeira vez que nós estamos alertando o Governo Federal sobre a necessidade de realizar ações emergenciais e, posteriormente, ações estruturantes para manter o produtor de leite vivo. Há uma dificuldade imensa. A gente sabe que são inúmeros os fatores que contribuem para a permanência do produtor no campo, e uma delas é a melhoria genética por meio de novas tecnologias. A gente tem que aproveitar este momento para dar um toque geral. Não se pode permitir que o Brasil continue importando leite como vem ocorrendo. Isso não tem condição de continuar acontecendo. Dizem dentro do Governo: "Vocês precisam ser competitivos". Para sermos competitivos, nós precisamos de programas estruturantes. Não adianta fazer discurso ou fazer programas que não nos levem para frente.
O MDA aceitou essa proposta inicial, e não tem responsabilidade por ela não estar indo para frente, mas ele precisa nos ajudar. Hoje, há linhas de crédito preparadas para financiar o acesso à tecnologia da fecundação in vitro — FIV. Mas não existe propaganda do Governo dizendo para as pessoas que essa linha está aí e que os juros são subsidiados. O Governo precisa entender isso.
Eu nasci nesse meio e sou apaixonado por vaca leiteira de todas as raças. Eu costumo dizer que minha casa é um zoológico nesta área, porque eu tenho gir, eu tenho girolanda, eu tenho holandês. Eu faço isso com gosto. Agora, o pequeno produtor não pode fazer isso só por gosto, não, ele precisa fazer isso para se manter na atividade e para cuidar da sua família. Trata-se da sobrevivência deles.
Nós não podemos permitir que mais de 1 milhão de pessoas abandonem essa atividade e se tornem dependentes de benefícios sociais. Já existe benefício social demais, e quem está pagando somos nós mesmo. Nós temos que ser muito claros nisto: quem paga os benefícios sociais é o povo mesmo, por meio dos impostos, inclusive aquele que está recebendo benefício.
Todos têm medo de tocar na ferida que é a questão da mão de obra. Nós estamos com dificuldade em contratar mão de obra, porque as pessoas estão fazendo conta. Todos sabem fazer conta. Eu perguntei para o Rodrigo agora há pouco se ele conhece algum analfabeto que não saiba contar dinheiro. Todo o mundo sabe. Todos sabem que, se alguém receber os benefícios e fizer bico, ganha muito mais do que se for para uma propriedade e se fixar lá. Sabem que, se alguém vier para a cidade hoje, talvez sofra muito menos do que se ficar lá na roça. Nós precisamos quebrar essa cadeia e organizá-la novamente, porque isso tem fim.
O Governo hoje entende que aplicar dinheiro na veia do eleitor é a solução, e pode ser solução para a reeleição, mas não vai ser para a sustentabilidade do País. Eu não tenho dificuldade para falar isso, não. Não tenho, não. Eu sou contra o benefício? Eu não sou contra benefício para ninguém, desde que a gente ensine essas pessoas a pescar também. Se só der o peixe, vai chegar uma hora em que vai acabar o cardume.
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Esta audiência pública ocorre num momento de crise para o nosso segmento de produtores, que atinge diretamente a cadeia subsequente, que são os laticínios, que também estão sofrendo.
Vanderley, nós cometemos um equívoco quando criamos aquele dispositivo que proibia os laticínios de importar. Agora, quem está importando é o varejista, ele está importando direto, ele já não precisa de mais ninguém. Isso está arrebentando o mercado. O volume de leite importado é brutal e corresponde a 8%. Ou o Ministério da Agricultura senta em cima dessas guias de importação para deixar o mercado se regular novamente, ou o Governo vai ter que achar uma saída imediatamente para manter os produtores. Ninguém consegue produzir leite pelo valor que está recebendo, principalmente os pequenininhos, que estão fazendo essa atividade para a sobrevivência.
Vamos abrir esta audiência com o querido Evandro, que pediu para ser o primeiro a falar. Depois, vamos ouvir o Secretário de Agricultura Familiar, que talvez seja o mais interessado nessa política de atender a agricultura familiar.
Vanderley, eu insisto em dizer que, mais do que de discurso para defender a agricultura familiar, a gente precisa de ação efetiva. Discurso eu escuto aqui o dia inteiro. Eu chego a Brasília escutando discurso e saio daqui escutando discurso. Eu só não consigo verificar a efetividade dos nossos discursos. Talvez eu seja mais um que esteja fazendo discurso, mas esse é o meu sentimento.
Quando eu fui pedir voto para o povo de Minas Gerais, eu me prontifiquei a atender dois segmentos: saúde, que é fundamental, porque sem saúde não temos mais nada; e o nosso produtor rural. Eu não sou homem de desistir. Tem hora que dá vontade de desistir, mas o povo me confiou o mandato, e enquanto eu estiver aqui vou fazer a defesa intransigente do produtor rural, para que ele tenha dignidade, para que ele tenha motivação de ficar no campo, inclusive pelas gerações seguintes. O que está acontecendo é o filho ver o pai e a mãe sofrer, e falar assim: "Eu estou fora, eu não quero isso para mim, não". Ele está indo embora. Então, é hora de dar um passo atrás.
Nós sabemos o tamanho e a importância do agro. Toda vez que se fala de agro, há uma ideia de que se está falando de grandes produtores. Na verdade, em volume de pessoas, o agro no Brasil é a agricultura familiar, é o pequeno, é o médio, não é o grande. O grande produz muito, mas o volume de pessoas está entre o pequeno e o médio produtor, e são eles que nós temos que salvar. Nós temos que lhes permitir fazer investimentos, mas uma Selic de 15% ao ano é insustentável para quem quer fazer investimentos, e não há perspectiva de baixar, como o próprio Presidente do Banco Central afirmou. A gente sabe que há um monte de coisa por trás disso, mas nós temos a nossa obrigação.
A Embrapa está representada aqui, as associações de gado de leite estão representadas aqui pelo Domício, Presidente da Girolando, pelo Celsinho, que é o Superintendente da Girolando, pelo Leonardo, do Holandês, de Minas Gerais, pelo Rodrigo, representante do Gir, pelo Sr. Evandro, que gosta demais desse sistema e é um defensor do pequeno produtor. Estão presentes o Prefeito de Estrela D'Alva, que vai contar a história dele, e o Eugênio Deliberato, um irmão apaixonado que poderia estar fazendo qualquer outra coisa, mas gosta de vaca de leite e se prontificou a vir aqui discutir essa questão.
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Convido o meu amigo Deputado Tião Medeiros a se sentar conosco.
Concedo a palavra por 7 minutos ao Sr. Evandro Guimarães, representante das Fazendas do Basa.
O SR. EVANDRO DO CARMO GUIMARÃES - Sabendo que há tantas pessoas interessadas em contribuir com o tema, vou falar por 7 minutos, cortando bastante as coisas que eu gostaria de discutir.
Agradeço ao grande Deputado Rafael Simoes, que já passou por muitas dessas situações das quais eu vou falar.
Como produtor, selecionador de gir leiteiro e de girolando meio-sangue, eu defendo o uso da tecnologia de transferência de embriões como estratégia para aprimorar com rapidez a genética dos pequenos rebanhos. Eu entendo que existe uma enorme resistência à inovação, mas hoje vocês vão ouvir a Dra. Kenia e o Dr. Rodrigo Untura, pessoas de prestígio internacional que têm ensinado governos da Ásia, da América Latina e da África a produzir leite em quantidade maior, com maior rapidez. É um prazer estar acompanhado aqui do Dr. Rodrigo Untura e da Dra. Kenia Toledo, de Goiás, que lutam de maneira magnífica pelo pequeno produtor e sabem que o pequeno produtor, além de ter direito, tem toda condição de receber a tecnologia de transferência de embriões.
Nós sabemos que existe resistência à inovação. O depoimento do Prefeito Diego poderá sanar toda a resistência das pessoas de boa vontade.
Há pouco, quando eu cheguei aqui, fiquei muito feliz de ver tantos jovens da escola de veterinária presentes. Quero lhes dizer que não sou professor, mas desde os meus 20 anos de idade eu lido com gado de leite. Tenho 81 anos de idade. Não vou desistir de promover a democracia e a ampla chegada de crédito na mão dos pequenos produtores, para que eles não sejam extintos como estão sendo de maneira cruel. Cruel!
Eu trabalhei muitos anos em Brasília, fui Vice-Presidente do Grupo Globo, participei de muitas audiências públicas. Em mais de uma audiência em que tratamos de políticas públicas na área de comunicação, eu ouvi falarem que o principal problema de qualquer iniciativa é recurso, dinheiro, porque as demandas são enormes, e os recursos são escassos. Nossa proposta é uma obra social de salvação de milhares e milhares de famílias, e há recurso para isso. O MDA propugnou isso no Pronaf, e esse recurso só não chega aos pequenos produtores porque não há divulgação por parte do Governo. Não há nenhuma divulgação, a Secom não fez nenhuma divulgação até agora. Não há a menor vontade, não há o menor interesse. Chega a haver desprezo das entidades financeiras por emprestar esse dinheiro para a transferência de embriões, porque é um microcrédito, mas esse recurso está disponível pelo Pronaf com 8 anos de prazo para pagar e 3 anos de carência. Com 3 anos de carência, o investimento já estará pago. O que uma bezerra, o que uma novilha produzirá em 3 anos pagará o investimento. O pequeno precisa, em média, de 12 a 14 mil reais para começar a melhorar o seu rebanho.
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Presidente da Comissão, Srs. Deputados, o produtor de leite só tem uma fonte de renda dentro da sua propriedade. Se ele não está melhorando o seu rebanho, ele não deve tomar nenhum centavo emprestado, porque não terá retorno para pagar. Estará mais endividado e vai perecer, vai à falência. Deveria haver uma regra de acreditar na reprodução com tecnologia moderna, com biotecnologia, com a transferência de embriões, área em que o Brasil é líder.
Produtor, se você não está pensando em melhorar o seu rebanho, não tome dinheiro emprestado, porque você não terá retorno. A única coisa que oferece retorno nas receitas mensais das pequenas propriedades de leite é a transferência de embriões em prazos de 43 meses, porque isso aumenta o valor patrimonial dos rebanhos em, no mínimo, quatro a cinco vezes.
Portanto, senhores, existe dinheiro para isso, mas não há competência para operacionalizar a chegada desse dinheiro ao beneficiário final. Não há vontade, não há união dentro do Governo para fazer com que a comunicação e os bancos oficiais trabalhem juntos para garantir o benefício.
Eu lhes agradeço o espaço para me manifestar. Há muitos anos eu luto por isso, há muitos anos eu sou criticado por isso. As pessoas que estão fazendo políticas públicas nos últimos 40 anos, que é o período em que eu acompanho de perto políticas públicas para pequenos produtores, querem falar de tudo. Aqui estão pessoas que são verdadeiras enciclopédias. O Marcos Vinicius falará de epigenética e de transferência de genes mais produtivos. O Rodrigo Untura falará da próxima geração dos serviços prestados por laboratórios como o que ele dirige, que é um dos maiores laboratórios no mundo — talvez seja o maior.
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Nós teremos também as participações do Celsinho e do Presidente Domício, que vão poder lembrar a todos vocês que o melhor gado tropical do mundo, rústico e produtivo, é o do Brasil: é o girolando meio-sangue, desde que feito de um gir leiteiro de boa família, de um gir leiteiro que associe genética e heterose.
Genética e robustez são fundamentais. Se você tem uma vaca de tostão, por favor, não gaste sêmen de touro de milhão. Há muitos anos, o grande criador brasileiro José Resende Peres nos disse: "Touro de milhão em vaca de tostão não é solução". A vaca de tostão agrega alguma coisa de heterose. O sêmen é valioso. Ele demora muito pouco para render. O sêmen é fundamental. A melhoria dos touros é fundamental, especialmente quando as duas partes do casal têm genéticas equivalentes.
Amigos, temos tudo para gerar um movimento que rompa esse vergonhoso momento de paralisação de verbas do Pronaf para atender o pequeno produtor de leite.
Muito obrigado, Deputado.
Muito obrigado, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Dr. Evandro Guimarães, para nós, é uma satisfação ouvir as suas palavras de muita consciência. O Deputado José Medeiros disse que, se chegar à sua idade com essa vitalidade e com essa vontade, já estará feliz demais. (Risos.)
Eu tenho certeza de que as participações da Kenia, do Rodrigo Untura e do Marcos Vinicius vão engrandecer muito esta audiência pública.
Para nós do meio, é fácil perceber tudo que está sendo colocado aqui. Usar touro de milhão em vaca de tostão já não resolve mais. Hoje, com a tecnologia, podemos dar um salto imenso, pois as pessoas podem ir direto lá para a cabeceira. Se há dinheiro, não temos por que não fazer dessa forma.
Outro dia, Deputado José Medeiros, eu tive a oportunidade de falar para o Haddad: "Para fazer uma vaca dar leite, tem que se considerar uma série de fatores". Ela não dá o leite. Você tem de tirá-lo. Você tem que criar situações para que ela permita que se tire o leite. A gente precisa trabalhar nisso.
O Leonardo Moreira Costa de Souza, advogado e Presidente do Conselho Administrativo da Associação dos Criadores de Gado Holandês de Minas Gerais, terá que participar de outra audiência e, por isso, pediu para falar agora. Logo em seguida, ouviremos o Secretário Vanderley.
Leonardo, seja bem-vindo. De antemão, eu quero lhe agradecer por ter aceito o convite.
Eu costumo dizer que a única coisa diferente entre uma vaca boa e uma vaca ruim é a genética, porque todas as vacas estão prontas para produzir muito leite. Não é isso, Leonardo?
O SR. LEONARDO MOREIRA COSTA DE SOUZA - Muito obrigado, Deputado Rafael Simoes. Receba o nosso abraço e o nosso agradecimento pela oportunidade de participarmos desta audiência sobre um tema muito relevante.
Cumprimento toda a plateia.
Vocês já fizeram um bom resumo da situação do setor do leite no País hoje. Eu estou nessa atividade há 28 anos. A gente se conhece há bastante tempo. Eu crio gado holandês, um gado de altíssima tecnologia, de altíssima genética. A gente já utiliza o recurso da transferência de embrião há bastante tempo.
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A atividade leiteira requer capital intensivo, independentemente da raça. A atividade demanda um capital de giro extremamente alto. Se não houver produtividade, realmente a conta não se paga.
Esse tema despertou muito interesse em mim — agradeço o convite por essa razão —, porque nós somos criadores de raças irmãs, girolando e holandês, mas estamos aqui para falar de genética, independentemente de raça. Eu não queria entrar no tema da raça em si, porque nós estamos debatendo sobre elevação de produtividade. Nesse ponto, cada propriedade tem a sua característica.
Nós estamos diante desta situação hoje: a tecnologia está caminhando cada vez mais para a concentração em galpões de composto, em galpões de free stall, mas também temos o pastejo rotacionado com irrigação, etc., que também é de alta tecnologia. Em qualquer modelo de criação, a questão genética é aplicável.
O custo para você ter um animal de alta genética é extremamente elevado. O Dr. Evandro falou de uma linha de financiamento com prazo de carência de 3 anos, por exemplo. Eu acho que o prazo deveria ser, no mínimo, 4 anos. Até você criar o embrião, o animal nascer e começar a produzir, vai demorar pelo menos 3 anos para você começar a ter o capital, para você começar a ter recursos para pagar o financiamento. Então, a gente deveria falar em 4 anos, pelo menos.
Se há disponibilidade de capital, essa linha precisa ser muito bem trabalhada. No Primeiro Mundo, há financiamentos de 20 anos, 16 anos, 15 anos, ou seja, todos acima de 10 anos. Aqui no Brasil, infelizmente, quando falamos de longo prazo, são 8 anos ou, às vezes, 10 anos. Na agricultura e na pecuária de leite, isso é prazo médio. Eu não diria que isso é longo prazo, porque realmente existe uma demora. A vida produtiva de uma vaca de boa genética tem quatro ou cinco lactações, até ela conseguir performar, para que você consiga pagar uma linha de financiamento nesse sentido.
Então, é necessário que haja disponibilidade para o pequeno e o médio produtor. Como V.Exa. muito bem colocou, em números populacionais, eles são a maior fatia do segmento. Se providências não forem tomadas, pode haver a extinção do pequeno produtor. Isso aconteceu nos Estados Unidos. É importantíssimo que todos tenham essa visão. Nos Estados Unidos, havia mais de 1 milhão de produtores de leite. Hoje, se não me engano, há 35 mil produtores de leite apenas. Trata-se de uma realidade que já aconteceu.
Nós discutimos isso na Associação Brasileira dos Produtores de Leite — Abraleite. Quero, inclusive, justificar a ausência do Presidente da Abraleite, Geraldo Borges, que está em uma câmara setorial discutindo assuntos relevantes da cadeia do leite e me pediu que destacasse a razão de sua ausência.
Em uma reunião de diretoria, nós discutimos justamente essa tendência que está acontecendo aqui no Brasil. Isso é uma triste realidade. O pequeno e o médio produtor e o agricultor familiar são responsáveis diretos por empregos. Se não for viabilizada a permanência deles na atividade, haverá um efeito cascata gigantesco, com desemprego, principalmente, e exclusão de pessoas do campo.
Hoje, no País, temos uma produtividade, em média — não tenho o número atual —, de 3 litros, 4 litros, 5 litros por vaca. Um animal de alta genética produz facilmente 30 litros por dia. Se a pessoa utiliza a tecnologia corretamente, pode produzir dez vezes mais, com o mesmo trabalho. Isso melhora a produtividade e aumenta os recursos disponíveis para o produtor pagar suas linhas de crédito e desenvolver a sua família.
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Então, não devemos achar — esta não é a realidade — que só o ganho de escala no sentido do grande produtor é que vai fazer a diferença. Eu entendo que, se conseguirmos um ganho de escala em produtividade dentro da agricultura familiar ou pelo produtor médio, também vai se viabilizar a conta.
Eu faço um paralelo com projetos de infraestrutura. Eu já escutei de alguns especialistas que não existe planta de tratamento de água inviável, existe a mal operada. Eu diria que, na propriedade produtora de leite, a situação é a mesma: você precisa ter uma boa operação e bons recursos para geri-la.
Eu faço mais um paralelo, porque me lembrei de uma informação que pode enriquecer a discussão. Vamos considerar a linha de evolução desde o primeiro movimento de inseminação artificial. É fácil constatar o ganho genético que aconteceu quando começou o movimento de inseminação artificial. Depois, quando se passou para o uso de sêmen sexado, houve mais um ganho. A transferência de embrião começou até antes do uso de sêmen sexado. Agora a evolução pode ser potencializada com a transferência de embrião com sêmen sexado. Com isso, você vai pular duas gerações, três gerações, ou mais, talvez, em termos de realidade nacional. A gente pode utilizar rebanhos menos produtivos como rebanhos de receptoras desses embriões. Em 3 anos, um animal que produzia 5 litros pode passar a produzir 30 litros. Com isso, você vai pular gerações. Se você colocar isso na ponta do lápis, verá que o investimento é mínimo, considerando o ganho potencial.
Portanto, é fundamental esse tipo de planejamento, com uma linha de crédito que faça com que o recurso realmente chegue ao produtor. Isso é necessário para conseguirmos alcançar esse objetivo.
Por meio das associações, como a Associação dos Criadores de Gado Holandês, a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando e outras associações de raças leiteiras, nós conseguimos dar todo o apoio técnico para esses produtores. Eu acho que não se deve temer a falta de apoio técnico. A disponibilidade de apoio no mercado é enorme. O que realmente falta é o capital. Faltam linhas de crédito que cheguem ao produtor de forma efetiva e com prazos adequados. Além disso, é preciso que se acompanhe a utilização desses recursos. Não adianta utilizar recursos, etc., se não houver um ganho genético, como muito bem colocou o Dr. Evandro.
O meu tempo está se encerrando. Eu queria parabenizá-los, mais uma vez, pela iniciativa.
Eu tenho certeza de que os especialistas em veterinária — eu não sou veterinário, mas tenho bastante experiência no setor — vão engrandecer o debate, com razões mais técnicas, para que isso vá em frente, para que todo esse movimento não acabe se tornando um voo de galinha, vamos dizer assim.
Eu tenho certeza de que podemos contar com o empenho que V.Exa. sempre dedicou à nossa região do sul de Minas Gerais e a todo o Brasil, Deputado Rafael Simoes. Iniciativas desse tipo engrandecem o setor e ajudam o pequeno e o médio produtor a permanecerem no campo.
Muito obrigado.
Desejo uma boa audiência a todos.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Leonardo, nós lhe agradecemos imensamente pela sua participação. As suas colocações foram muito importantes para nós construirmos um entendimento.
Segundo informação que tenho, Leonardo, a nossa média nacional é de 2.400 litros por vaca. É isso, Marcos Vinicius? (Pausa.)
Isso é muito baixo. Numa lactação, uma produtividade de 2.400 litros é baixíssima. Uma vaca boa e uma vaca ruim comem a mesma coisa. Temos aqui vários veterinários, que sabem disso. Uma vaca boa e uma vaca ruim comem a mesma quantidade.
Portanto, nós estamos no caminho certo, que é a melhoria genética.
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É preciso deixar para trás aquela história que existia no passado: "É bom nós termos bastantes cabeças de gado, porque sobra um bezerrinho para vender". Pensando assim, você não vai ter nem uma coisa nem outra, porque essa questão da dupla aptidão é uma bobagem — ou é de corte, ou é de leite.
É melhor o pequeno produtor ter um número menor de animais, desde que haja produtividade, até para que possa oferecer um tratamento mais adequado, pois a produção de leite começa pelo que entra pela boca.
Deputado José Medeiros, lá em Mato Grosso, como prevalece o gado de corte, os produtores estão felizes da vida? (Risos.) Eu vou passar a palavra para o Secretário. Depois você faz o seu choro.
Tem a palavra o Vanderley Ziger, Secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
O SR. VANDERLEY ZIGER - Deputado Rafael Simoes, primeiro, eu quero lhe agradecer pelo convite. Para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, é importante a oportunidade de dialogar com as pessoas presentes aqui — talvez sejam as pessoas que mais compreendem, entendem, pesquisam o tema do melhoramento genético.
Faço esse agradecimento também ao Deputado José Medeiros.
Cumprimento todos os representantes de organizações; o Prefeito de Estrela Dalva, Diego Coutinho; os acadêmicos que estão acompanhando o debate; o Mathews Lopes, Assessor do Ministro Paulo Teixeira; o Marenilson Batista, nosso Diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural.
As falas iniciais trouxeram vários elementos de convergência com aquilo que o nosso Ministério tem discutido e dialogado a respeito da agenda do melhoramento genético. Cito, primeiro, essa estratificação do meio rural, considerando a importância da agricultura familiar na produção leiteira. Nós estamos falando de alguns milhões de produtores que têm até quatro módulos fiscais e que usam a mão de obra da própria família, o que os enquadra nessa condição de agricultor familiar. Uma das principais atividades dentro do setor da agricultura familiar talvez seja a atividade de leite. Esse é o recorte. Isso é uma prioridade da política do nosso Ministério.
É importante frisar também que, dentro dessa estratificação, nós temos produtores de diversos níveis. Há aqueles que já evoluíram mais, que tiveram mais acesso à política pública, sobretudo de crédito; há aqueles que ainda estão dando os primeiros passos no sentido de acessar recursos; e assim por diante. Então, essa estratificação é importante.
Nas bacias leiteiras mais importantes do nosso País, qual é o percentual de agricultores familiares? O que isso representa para a produção de leite? Que políticas públicas são necessárias para que se estruture, de fato, uma cadeia produtiva ajustada e adequada para permanecer na atividade?
Os dados do Rio Grande do Sul mostram um sinal de alerta. Segundo dados da Emater, nos últimos 10 anos, o número de produtores caiu de 85 mil para 25 mil. Nós perdemos cerca de 66% de produtores gaúchos, sobretudo da agricultura familiar, que há 10 anos produziam leite e hoje não produzem mais. Por incrível que pareça, diminuiu o número de vacas no Estado, mas subiu a produção. Está havendo, no Brasil inteiro, uma seleção induzida, estimulada ou forçada. Quem mais sai da atividade são os agricultores familiares. Há uma série de fatores que certamente influenciam essa saída. No entanto, não vamos entrar nesse tema, porque o foco da discussão aqui é o melhoramento genético. Nós queremos explorar isso.
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No ano passado, na Safra 2024-2025, o Pronaf colocou 11 bilhões de reais na atividade leiteira — 11 bilhões de reais! —, divididos em custeio pecuário e investimento. Desses 11 bilhões de reais, cerca de 10% foram para o melhoramento genético. Significa que nós colocamos pelo menos 1 bilhão de reais no melhoramento genético.
Resta saber de que forma isso mudou a vida do produtor ou melhorou as condições produtivas. Certamente, grande parte desse recurso não está na transferência de embriões. Esse recurso pode estar sendo utilizado de outras formas: na inseminação artificial ou em outros métodos de melhoramento genético.
Portanto, nós já estamos colocando recursos nisso. É preciso que haja organização, para que o melhoramento genético através da transferência de embriões seja uma ação efetiva e concreta, que possa ser medida. A gente precisa medir essa expansão.
Nos recursos subsidiados pelo Pronaf, nós estamos falando de uma taxa de juros de 3%. No caso das linhas especiais, o Pronaf A e o Pronaf B podem ser utilizados para fazer melhoramento genético a 0,5%, com subsídios de 40% no rebate, na hora de liquidar a operação. Isso é subsídio público. Portanto, nós estamos colocando recursos.
O que precisa ser feito aqui? É preciso dar esse passo a mais, Deputado. Na sua fala inicial, inclusive, V.Exa. já coloca essa incumbência para o Governo. Como a gente pode avançar, já que os recursos estão sendo canalizados, para estruturar um sistema de melhoramento genético através do embrião? Parece-me que aqui está a questão central.
Os recursos existem e as taxas são adequadas. Alguém pode dizer: "Mas nem todo produtor pode acessá-los". A gente evoluiu nisso também. Nós elencamos as cooperativas que podem acessar esses recursos. Já que o produtor, muitas vezes, ou tem alguma restrição ou, por algum motivo, não acessa os recursos, as suas cooperativas podem acessar até 8 milhões de reais, que podem ser devolvidos em 8 anos.
Portanto, a modelagem do financiamento existe. Eu acredito que ela está adequada — pode haver pequenos ajustes.
Também fizemos um ajuste na questão da renda. Para acessar o Pronaf, o agricultor familiar deve ter uma renda bruta de, no máximo, 500 mil reais. No caso do leite, nós incrementamos um desconto nessa renda bruta de 30%. Então, o agricultor familiar que tem renda de até 700 mil reais ainda se enquadra como "pronafiano".
Dessa forma, acredito que as condições do crédito estão vencidas.
O Evandro trouxe um tema central para o debate: não adianta fazer uma política adequada em Brasília se ela não acontece lá na ponta, se ela não transforma a vida do produtor lá na ponta. Caso contrário, vai acontecer em todo o Brasil o que nós vimos acontecer no Rio Grande do Sul — acredito que já esteja acontecendo.
Para ela acontecer na ponta, quais atores nós precisamos mobilizar? É claro que os agentes financeiros são prioridade, mas não é só isso. Se não houver uma estratégia de orientação técnica, de assessoramento técnico, para dizer a esse produtor justamente o que temos a oportunidade de dizer aqui, eu acredito que boa parte não vai virar a chave no curto prazo, porque é mais fácil fazer o melhoramento genético através do sêmen. Lá, a Prefeitura tem o veterinário que orienta, tem o veterinário que até faz o serviço. A transferência de embrião já é mais sensível. Nós não temos essa tecnologia de uma forma universalizada. Como vamos fazer essa tecnologia chegar a todos os lugares do Brasil?
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Então, a gente precisa, sim, de uma estrutura de assistência técnica.
Nós precisamos avançar, inclusive, nas parcerias com os atores do Sistema S. O MDA firmou um acordo de cooperação técnica com o Senar. Nós vamos utilizar a estrutura do MDA, do Senar e da Embrapa para espraiar a assistência técnica pelo País. Aí, sim, nós vamos ter financiamento e orientação técnica para fazer com que o produtor ou o agricultor familiar tenha interesse em conhecer a diferença entre esses métodos de melhoramento genético. Assim, o produtor ou vai passar a fazer o melhoramento genético através do embrião, que é rápido e, em 3 anos, já produz resultados com um material puro ou caminhando para isso; ou vai continuar fazendo de outra forma. Eu acho que uma forma não elimina a outra. A questão é que, para um determinado público, nós já temos condições de dar esse passo, no sentido de fazer a melhoria genética através do embrião.
Eu encerro a minha fala trazendo as metas de um programa que nós constituímos. O Ministério criou um programa. O MDA tem um programa de melhoramento genético, que foi instituído através da Portaria MDA nº 28, de 30 de junho de 2025 — portanto, é recente. Nós estamos estruturando essa política dentro do Ministério.
Nesse programa de transferência de embriões, nós temos uma série de enquadramentos e uma meta que devemos atingir durante os anos de 2025 e 2026. Eu acredito que essa meta é plausível, factível. Entretanto, isso precisa ser feito em conjunto com o setor. A nossa meta é: até o fim de 2026, pelo menos 100 mil animais prenhes com embrião. Essa é a nossa meta. E qual é a nossa estratégia?
Primeiro ponto: é preciso que haja crédito. Como eu disse, nós estamos colocando recursos. O Pronaf está chegando. É preciso que o agente financeiro tenha a sensibilidade de compreender que o recurso está sendo colocado para o melhoramento genético com embrião. Nós temos a meta de colocar nisso aqui pelo menos 200 milhões de reais, para avançarmos: 50 milhões de reais neste ano e 150 milhões de reais no ano que vem. Isso é possível. Os recursos estão disponíveis.
Segundo ponto: o Crédito Instalação, do Incra. Quando o assentado acessa a unidade produtiva, além de financiar a infraestrutura mínima, ele pode investir parte do recurso na estrutura produtiva — acho até que deve fazer isso, porque, a partir disso, ele vai ter renda da propriedade.
Terceiro ponto: os editais. Nós temos hoje alguns recursos de fomento, que são recursos não reembolsáveis. Neste ano, cerca de 15 milhões de reais estão sendo colocados para as organizações cooperativas. Trata-se de um recurso que a gente coloca nas propriedades assistidas por um veterinário, orientadas por um técnico, para que de fato essas prenhezes aconteçam. Embrião não é algo muito barato. Então, precisa haver essa orientação.
É preciso considerar, primeiro, a sanidade animal. Vocês são professores e sabem disso. Nós sabemos que o fator central para que a efetividade fique na faixa entre 50% e 60% é o animal sadio. Por isso, a nossa agenda de assistência técnica trabalha com três fatores. O primeiro é: alimento e água. São duas coisas básicas que a propriedade precisa oferecer. Parece óbvio, mas é importante dizer. O segundo: sanidade e, obviamente, alimentação. E o terceiro: melhoramento genético, que certamente vai fazer com que nós tenhamos um animal mais adequado, ajustado àquelas unidades, àquele território, àquele clima ou microclima, e assim por diante. Além disso, destaco os recursos que são alocados através dos programas que o Ministério já tem.
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Nós temos um programa chamado Mais Gestão, que são recursos canalizados para orientar as nossas cooperativas para que acessem e tenham informações sobre o crédito, e outras medidas e ações que estão hoje estruturadas para nós podermos chegar a esses 100 mil embriões implantados.
Nossa meta é, sim, ousada, considerando que nós temos a necessidade de ampliar isso para todo o País, mas entendemos também que algumas regiões, alguns territórios estão mais bem preparados para fazer chegar essa tecnologia; em outros a gente vai precisar de uma tarefa gradativa, com a extensão oficial de assistência técnica. Então, estamos dialogando com a Asbraer sobre isto também, o sistema de Ater pública. Nós estamos debatendo dentro da própria Anater para que as chamadas públicas possam ser também direcionadas para o Sistema Leite, com o Sistema Senar e Sebrae — o Sebraetec também é parceiro dessa agenda. Acredito que os atores públicos estão muito envolvidos nisso.
Eu destaco também que poderemos avançar nesse número por meio da destinação de emendas parlamentares. Tenho certeza de que os Deputados têm esta sensibilidade de destinar recursos para que a gente possa avançar. Isso potencializa, inclusive, esses números que a gente vem propondo aqui.
Eu gostaria de trazer esses elementos, Deputado e público que está presente, destacando, por fim, a necessidade que a gente tem de fazer com que o programa já lançado se torne concreto. E aí vem a provocação ou a proposição de uma grande campanha nacional. Acho que a gente consegue convergir neste ponto. Se nós tivermos uma campanha nacional que estimule, que fortaleça e que esclareça, sobretudo, esta agenda de que podemos dar muitos passos no curto prazo, considerando o mecanismo da transferência de embriões, eu acredito que o próprio agricultor e a unidade familiar vão compreender melhor.
Nessa parceria com a Embrapa, nós estamos criando uma ferramenta importante que é a chamada Ater+Digital. Sabemos que as nossas carências na assistência técnica são grandes, e boa parte da difusão dessas tecnologias ou desse conhecimento precisa utilizar este mecanismo que a gente usa para muita coisa, que é o celular. Então, nós estamos construindo aqui o Ater+Digital, em parceria com a Embrapa. E este conhecimento, inclusive, sobre o tema do melhoramento genético é um dos cursos prioritários que a gente vai colocar também para poder fazer a difusão.
Para mim, são esses elementos; além de uma campanha nacional que pode ser puxada, sim, pelo Governo. Por meio do Ministério ou dos Ministérios envolvidos, e, por que não dizer, pelo núcleo de Governo, que se possa criar uma agenda estratégica. Acho que essa é a grande entrega que o Governo Federal pode fazer no curtíssimo prazo, considerando que os recursos já estão disponíveis, já foram distribuídos. O fato é que a gente não consegue hoje, neste momento, ainda, avançar no sentido de carimbar: isso aqui é embrião, isso aqui é fazer melhoramento genético através de uma forma muito mais ágil, mais rápida. Eu acho que essa é a agenda que nós devemos percorrer.
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Era um pouco isso que eu queria trazer aqui, para que pudesse apontar alguns elementos iniciais do debate.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Secretário, nós agradecemos imensamente a sua participação, pelo MDA. Ao contrário do MDA, o MDIC nem mesmo respondeu ao nosso convite. O Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços não disse nem que vinha nem que não vinha, simplesmente ignorou. E a gente sabe que o Governo é sistêmico. O senhor vai ter que ser aquela pessoa que vai levar lá para o núcleo do Governo a necessidade de expandir essa notícia.
O senhor trouxe aqui uma questão que me chamou a atenção, a dificuldade de implantar embriões. Eu até concordaria com o senhor se a tecnologia não tivesse evoluído. Hoje nós temos o embrião DT. Então, da mesma forma que a Prefeitura hoje mantém sêmen num botijão, e ela faz a inseminação, ela pode implantar um embrião, que nada mais é do que uma inseminação com 8 dias para frente. Agora, esse embrião precisa chegar às Prefeituras.
O senhor falou aqui, talvez dando um recado para todos nós Deputados, no sentido de a gente destinar emendas. Vocês precisam achar o caminho para isso, porque a burocracia neste País é impressionante.
Eu mandei dinheiro agora para a Secretaria de Agricultura de Minas Gerais para comprar semente de milho e semente de feijão. Sabem o que me disseram? Deu errada a licitação, depois a gente vai comprar. Comprar depois? Depois já foi! E o dinheiro que saiu daqui vai ficar lá.
Então, vocês também do MDA precisam dizer por onde nós vamos mandar esse dinheiro. De que jeito esse dinheiro vai chegar lá à Prefeitura do Diego, para que ele possa comprar esses embriões? Como é que esse dinheiro vai chegar às cooperativas, para que elas comprem esses embriões e os repassem para os seus cooperados? Até então, o embrião a fresco, eu concordo com o senhor, seria difícil, mas o produtor hoje já tem a receptora, que é aquele animal comum que ele tem lá, e aqui os veterinários vão falar sobre isso, e que é bom de prenhez — passou perto delas, ficam prenhas. É diferente de você usar uma vaca de alta lactação e pôr o embrião nela, a dificuldade de pegar é maior. Mas uma vaca de pouco leite, você põe os embriões nela, o veterinário que está aqui sabe disso, é fácil de pegar se ela estiver bem cuidada.
Eu acho que nós estamos caminhando, e o senhor vai ser o nosso interlocutor, aquele que vai chegar lá junto ao Governo e dizer: "Olha, fomos à audiência pública, ficou evidenciado que é importante esse programa de melhoramento genético, e nós queremos que o Governo lá na Rede Globo dê notícia disso; que os outros canais abertos deem notícia disso, para que aquela pessoa que está lá na ponta saiba que isso existe".
O Deputado José Medeiros sabe disso, porque a gente discute muito a questão aqui na Comissão. "Ah, o plano safra está aí!" Mas cadê o dinheiro? Quando o produtor chega lá, há tantos entraves, que ele não está conseguindo pegar o dinheiro. Eu acredito que é necessário passar a responsabilidade para quem de responsabilidade, que talvez sejam os próprios bancos, que querem ter a certeza de que vão receber. A verdade é que a gente precisa pôr a coisa para andar, porque o produtor de leite não aguenta esperar mais, não.
Eu vou passar agora a palavra para o amigo Rodrigo Rezende Simões, que representa a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu — ABCZ, grande criador de gir, a alma do nosso girolando.
O SR. RODRIGO REZENDE SIMÕES - Obrigado, Deputado, pelo convite para estar participando aqui com tantos atores importantes, neste processo não só de melhoramento genético, mas também para a garantia, a continuidade desse trabalho.
O senhor antecipou um assunto que eu ia tratar, que é a questão dos embriões DT.
Eu acredito que o embrião DT, que significa Direct Transfer, é a forma mais barata e mais eficiente de fazer com que essa genética chegue ao pequeno produtor rural, uma vez que é muito semelhante ao armazenamento e ao manuseio do sêmen. Enquanto o sêmen garante só 50% do melhoramento genético; um embrião DT, feito da forma adequada, ou seja, utilizando uma fêmea de alto potencial para a produção de leite, acasalada com um touro melhorador, garante já numa geração algo que demoraria muito mais, se feito a partir só da utilização do sêmen.
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Nesse sentido — e estou aqui ao lado do Presidente Domício, que também representa a Associação do Girolando —, para esse produtor rural pequeno, especialmente do meio do Brasil para cima, não há alternativa a não ser o cruzamento de Zebu com raças taurinas, especificamente o holandês.
Então, desde que haja o recurso e o interesse do Governo em disponibilizar meios para que isso chegue à propriedade, a ABCZ e a Associação do Girolando têm plenas condições de canalizar esse recurso através da indicação de rebanhos, de parceiros, sejam os laboratórios, sejam as centrais, para que a gente consiga fazer valer o que o Deputado está se esforçando, e é importantíssimo nesse sentido. A atividade leiteira, de produção de leite, já enfrenta desafios que são naturais, seja a questão climática, seja a questão do preço do alimento, seja agora a questão da entrada desse leite de fora. Mas, se a gente conseguir garantir que esse pessoal tenha genética de ponta, esse desafio ficará muito mais fácil, uma vez que, como foi dito anteriormente, uma vaca ruim come exatamente a mesma coisa que uma vaca boa.
Eu gostaria de agradecer mais uma vez a oportunidade de participar. Coloco a ABCZ à disposição. A ABCZ é a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, e, dentre as raças zebuínas, nós temos a gir como a principal raça leiteira, mas também temos a Sindi e a Guzerá, que, para determinados climas, determinadas regiões, funciona muito bem se acasalada com raças taurinas, como o holandês e o jersey, principalmente.
Estamos à disposição para dar sequência a este assunto.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Amigo Rodrigo, muito obrigado pela sua disponibilidade, por ter vindo a Brasília participar com a gente deste bate-papo.
Eu digo que esta audiência é um momento que a gente tem, nós que somos apaixonados, para trocar ideias e levar ideias para os Ministérios. Você vê, o Secretário, eu acho, não sabia desse DT. Ele está perguntando qual é o índice de fertilidade do DT.
É uma tecnologia nova, Secretário, que está indo muito bem, porque passar a fresco é mais difícil. Você tem que sincronizar as vacas, o laboratório tem que mandar a tempo para lá. Agora, quanto ao DT, está lá dentro do seu botijão, a vaca entrou no cio, você dá 8 dias para ela. Em vez de inseminar ao final do cio, você o faz posteriormente, e vamos correr o mesmo risco da inseminação.
O custo é alto? Eu vou dizer ao senhor, paguei agora há pouco 180 reais por cada embrião DT, mas não está nesse valor a genética. É lógico que nós vamos ter que pagar pela genética, o que é justo para as pessoas que trabalharam para ter animais de alto padrão. Mas o senhor vê que não está tão longe. Pelo ganho que o produtor terá, isso é mínimo.
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Então eu vejo que nós estamos no caminho certo de buscar essa participação.
Eu quero passar agora a palavra para um produtor apaixonado, o Eugênio Deliberato Filho, que fará suas colocações.
O SR. EUGÊNIO DELIBERATO FILHO - Boa tarde a todos.
Quero agradecer mais uma vez, Deputado Rafael Simoes, pelo convite.
Estão conosco aqui grandes especialistas, que podem falar depois da parte técnica da questão do melhoramento genético.
Eu vim aqui para dar um pequeno depoimento, como um pequeno produtor. Eu estou lá na cidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo, conhecida como um cinturão verde do Estado, mas lá há produtores de leite também. Eu sou um pequeno produtor, e há mais alguns produtores na região. Acho que é interessante a gente lembrar que cerca de 95% dos Municípios do Brasil tem pelo menos um produtor de leite. Isso tem um impacto muito grande sobre o nosso País.
Eu comecei a minha atividade numa pequena propriedade, de 22 hectares. À época, quando eu a assumi, uma propriedade familiar, nós tínhamos lá animais sem raça definida, com uma produção média de 7 quilos a 8 quilos de leite ao dia. E, quando eu entrei, achei que nós tínhamos que realmente tomar uma atitude para que pudesse haver um melhoramento.
Naquela época, no ano de 2000, nós ainda não tínhamos toda a tecnologia que temos hoje. Então, a primeira coisa que eu fiz foi escolher a raça de animais que seria implantada na propriedade. Decidimos, e acho que foi uma decisão correta, entrar com a raça Girolando. Quero, inclusive, parabenizar a associação que está aqui presente pelo trabalho exemplar que vem realizando junto aos associados. Adquirimos alguns animais e começamos a desenvolver um trabalho na propriedade. No primeiro momento, usamos a inseminação artificial, e, depois, lá para o ano de 2012, 2013, nós começamos a ter acesso à FIV, com a utilização de embriões.
O que eu posso dizer, como pequeno produtor, é que, na época, eram de 7 quilos a 8 quilos de leite em média. Com o manejo rústico — nós não temos Compost, não temos Cristal, vaca no barro, vaca que vai andar pelo pasto; apesar de sermos uma propriedade pequena, ela volta para a ordenha, inclusive fazemos duas ordenhas diárias e uma complementação em pista com ração —, hoje, nós temos uma média de 26 quilos por vaca. Então, nós temos quarenta e poucos animais em lactação, produzindo cerca de mil e poucos litros de leite.
Isso nos levou a entrar em uma cooperativa. Hoje nós somos cooperados, faço parte da diretoria da Cooperativa de Laticínios de São José dos Campos — Cooper, e vimos fazendo um trabalho junto à cooperativa e aos pequenos produtores da região.
O que a gente pode dar como depoimento é a importância desse melhoramento genético em uma pequena propriedade como a minha. Eu tive a oportunidade de acessar essa tecnologia por meio de recursos próprios — pude investir e ter acesso à tecnologia —, coisa que a maioria dos pequenos ainda não pode. E acho que é papel da gente ajudá-los a ter acesso a essa tecnologia.
Nós estamos usando o DT, como bem disse o Deputado Rafael, o que nos favorece demais — fazemos implante de transferência DT praticamente todo mês. Apesar de sermos uma propriedade pequena, nos organizamos para isso; apesar de sermos pequenos, existem propriedades menores ainda na região. Temos tentado, então, ajudar a difundir essa genética por aquele pequeno, para que ele também possa aumentar a produção na sua propriedade, de maneira que a torne viável.
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O que a gente percebe lá na nossa região, indo para o Vale do Paraíba, onde há uma cadeia leiteira maior, são pequenos e médios produtores desistindo da atividade devido às grandes dificuldades que vêm enfrentando. Já foi falado aqui por quase todos da necessidade de controle sobre esse leite que está entrando de maneira desenfreada em nosso País e que afeta toda a nossa cadeia de leite. Eu acho que não só o pequeno, o grande produtor também está enfrentando problemas com essa grande entrada de leite no País, que vem trazendo dificuldades para toda a cadeia.
O que eu queria dizer, basicamente, era isto, a importância do melhoramento genético para o pequeno produtor. No espaço de 10 anos, a gente trouxe a produção de 8 quilos para 26 quilos, no manejo rústico, que é a realidade nossa, de toda a região lá, sem grande tecnologia, sem grande acesso a Compost e a outros manejos mais sofisticados.
Eu acho que era isso que tinha a dizer.
Coloco-me à disposição.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Eugênio, muitíssimo obrigado por estar aqui com a gente, trazendo sua experiência, que eu acho que serve para o Secretário perceber a importância desse melhoramento genético. Olhe só: ele não tem Compost, ele não tem Free Stall; e quanto é que ele está produzindo com animais geneticamente melhorados? Isso é importante.
A gente não pode menosprezar nenhuma outra tecnologia — inseminação é importante —, mas eu acho que, com essa nova tecnologia, dá-se um salto, e um salto muito grande. Vou dizer aos senhores: para nós fazermos de uma vaca ruim uma vaca boa, com inseminação, vamos levar vinte gerações — com certeza é isso. Se pensarmos que cada animal desses que nasce leva no mínimo 3 anos para parir, façamos a conta. Então, para eu pegar uma vaca ruim e transformar a filha dela em vaca boa, isso vai levar anos e anos. O Marcos vai poder falar disso. A gente tem que saltar, usar a tecnologia, a inseminação artificial é importante, mas eu acho que agora perde força diante dos embriões. A inteligência artificial chegou, e nós temos que nos adaptar a ela. Tudo é isto, adaptação.
Eu vou passar a palavra para o Deputado José Medeiros, que fará a apresentação do Prefeito Reginaldo.
O Deputado José Medeiros já me confidenciou que também vai tirar leite. Não sei se o Vanderley já tira, mas vamos convidá-lo a aderir aqui à nossa atividade. (Risos.)
O SR. JOSÉ MEDEIROS (PL - MT) - Muito obrigado, Deputado Rafael Simoes, que é um dos expoentes aqui na Câmara, que faz esta discussão sempre, batendo como um pingo d'água ali na Frente Parlamentar da Agropecuária.
A nossa preocupação é porque, há tempos, nós tocamos no mesmo problema, e sempre é recorrente. Então, ressaltamos a importância da presença do representante do Ministério da Agricultura e Pecuária, porque alguma coisa nós vamos ter que fazer quanto ao nosso leiteiro, pois o cara perde uma vez, perde duas, perde três, daí a pouco ele chega à conclusão de que está sendo o pato da história.
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Eu conversava, semana passada, com o Deputado Rafael Simões, porque a gente quer fazer uma CPI do bem aqui. Que CPI seria essa? A CPI do leite, que, na verdade, seria uma expansão desta reunião que estamos fazendo aqui, onde sentaríamos com todos os atores. Não é uma CPI em busca de colocar alguém na cadeia, mas em busca de soluções. Queremos juntar o Ministério, juntar o Governo, juntar todo mundo, principalmente gente da qualidade da que está aqui presente, que são poucos, na verdade, para encontrar soluções.
Já falei até demais, queria só anunciar o Prefeito Reginaldo Martins, lá de Nova Nazaré. Eu o convidei para participar desta audiência, porque ele tem no Município uma grande bacia leiteira. Mato Grosso é mais famoso pelos grãos, mas a gente também tem bacia leiteira, tem o gado de corte e sofre como todo mundo.
Muito obrigado, excelência.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - O Deputado José Medeiros luta demais pelos produtores rurais, até porque o Estado de onde ele vem é um dos grandes produtores de cereais e de pecuária de corte.
O Prefeito Reginaldo Martins Del Colle vai falar sobre como está o leite lá em seu Município.
O SR. REGINALDO MARTINS DEL COLLE - Boa tarde a todos.
Na pessoa do Deputado José Medeiros, eu quero cumprimentar toda a Mesa.
Eu vou trazer uma história de vida aqui. Sou de um Município pequeno, de 5 mil habitantes, chamado Nova Nazaré, emancipado lá em 2000. E eu digo que o embrião é o pequeno produtor rural desse Município. Hoje nós temos lá 369 assentados da reforma agrária, e, na sua maioria, são pequenos produtores de leite.
Lá em 2000, nós produzíamos em torno de 16 mil litros de leite ao dia; e hoje, em 2025, produzimos 4.800 litros ao dia. Eu, como Prefeito atuante, agora estou tentando levar investimentos — e venho à Câmara, Deputado José Medeiros, para isso — ao meu Município a fim de que isto não aconteça mais. É percebível aqui também que não se trata de uma realidade só de Nova Nazaré, mas de todo produtor de leite, principalmente do pequeno. Ele vai cansando: uma hora, é o preço baixo; outra hora, são os atravessadores; a falta de investimento; e assim sucessivamente. Mas a gente acredita muito que esta Casa tem condições de trabalhar para que o nosso pequeno produtor, o nosso produtor de leite possa sempre estar vencendo, juntamente com as associações, as entidades, que buscam investimento para que não aconteça o que vem acontecendo. O produtor de leite já não quer mais tirar o leite, está envelhecendo, não há jovens para fazer isso, e não existe uma forma de trazer esse jovem para produzir o leite. A gente vê que realmente vai ficar na mão de pessoas de fora, e isso a gente não pode deixar acontecer. Temos que fazer o investimento para a coisa fluir internamente.
Então, com estas palavras, eu agradeço — muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Reginaldo, é uma alegria imensa recebê-lo aqui. Você está muito bem representado nesta Casa pelo Deputado José Medeiros, uma pessoa que luta demais pelas cidades.
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Nós sempre dizemos, Deputado José Medeiros, que as pessoas moram nas cidades. Ninguém mora aqui na sede do Governo Federal nem dos Governos Estaduais. As pessoas moram nas cidades. É lá que as coisas acontecem, é lá que nós precisamos ter os recursos aplicados.
Eu estava doido para convidá-la para falar, porque as mulheres precisam ter voz. E nós estamos com tantas alunas de veterinária aqui!
Eu gostaria que a Kenia fizesse sua apresentação.
Muito obrigado, Kenia, por ter aceitado o nosso convite.
A SRA. KENIA ALBERTO TOLEDO - Imagine! Eu agradeço por estar aqui. Agradeço a todos. Obrigada por nos dar voz.
Boa tarde.
Estar aqui é um prazer muito grande!
Eu sou de Brasília. Apesar de não morar mais aqui, eu me formei na Uniplac, há 22 anos, e é um prazer enorme estar com essa turma aqui, voltar ao meu passado.
Todos falaram, e falaram sobre vários pontos em que cada um vai convergir, mas eu queria falar sobre alguns números, Deputado. É importante salientar que hoje — estou falando da parte técnica — o Brasil possui aproximadamente cem laboratórios credenciados e fiscalizados pelo Ministério da Agricultura. Hoje nós somos detentores do maior conhecimento técnico-científico na área.
Conversei com o Dr. Rodrigo na hora do almoço, e ele me disse que 100% da mão de obra de campo dos Estados Unidos é brasileira. Então, se fomos considerar isso, vejam o que a gente tem, vejam a mão de obra que a gente tem, vejam a competência e a capacidade que a gente tem para atender projetos como esse.
O Brasil é o maior produtor de embrião do mundo. Nós produzimos e nós temos isso não só pelo domínio da técnica, mas pela qualidade da nossa genética. Então, nós estamos exportando. E, como bem disse o Rodrigo, nós temos diversas raças que atendem, de norte a sul, diversos climas, principalmente o clima tropical. O gir hoje é a genética de leite para trópicos, é o que a gente utiliza. Além de exportar animais vivos, também exportamos embriões.
Considerando também que, de acordo com a FAO, nos próximos 10 anos nós vamos ter um aumento anual de 75 milhões de pessoas, a gente não está falando só de um aspecto econômico ou político, nós estamos falando de segurança alimentar. Nós somos o celeiro e nós precisamos produzir. E, com tudo isso, com o aumento da população, também está mudando o perfil de consumo da população. Hoje a gente sabe que a procura por carnes e leite tem aumentado muito, e isso vai mudar muito, vai causar muitas consequências no nível de produção.
A biotecnologia é o único caminho alternativo para atender essa demanda, essa exigência. Isso não é algo que a gente acha, isso é sabido. É o motivo por que a gente luta e trabalha.
Voltando para os pequenos produtores, eu gostaria não só de falar, mas de servir como testemunha, porque, como eu disse, já faz mais de 20 anos que eu estou na área, que eu trabalho com embrião e que eu acompanho, no dia a dia, a dificuldade, o sofrimento, problemas como processos sucessórios. Obviamente, se o filho vê o pai reclamando o tempo inteiro, a troco de que ele vai seguir a carreira do pai?
Hoje nós temos em média 800 mil produtores de leite — o Dr. Evandro tem esses números também. Desses 800 mil produtores de leite, pequenos produtores refletem 80% dos produtores ativos, só que esses 80% são responsáveis por 40% da produção, percentual muito abaixo, muito aquém. Porém, empregam mais de 4 milhões ou cerca de 4 milhões de pessoas. E a situação em que eles se encontram é uma situação crítica, de abandono das propriedades rurais.
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A gente sabe dos problemas catastróficos que o êxodo rural provoca, as pessoas indo para as cidades. Eu estou falando do aspecto econômico e financeiro, da desestruturação familiar, de problemas sociais, de problemas que são tão grandes no dia a dia das pessoas, mas que estão distantes da realidade que a gente vive aqui. A gente sabe que não é só o leite e que existe algo muito maior por trás disso. E nós temos que cuidar desses pequenos produtores.
Outra coisa que foi dita aqui e que eu queria reiterar é que pequenos produtores recebem muito menos por litro de leite, exatamente por causa do leite que está vindo de fora. Os grandes recebem mais, porque, evidentemente, nós temos um custo elevado de logística.
Frente a isso, em 2024 bateu o recorde o número de pedidos de recuperação judicial de pequenas propriedades. E o embrião, sem dúvida alguma, é a forma mais rápida de acudir esse produtor.
Eu trouxe até alguns eslaides.
Se a gente for considerar — e o Deputado bem falou também disto — o que nós crescemos... O nosso volume de animais diminuiu, mas nós crescemos, conseguimos produzir mais, conseguimos ter maior produtividade por causa da qualidade dos animais. Os Estados Unidos produzem quase três vezes mais do que a gente com metade da população bovina. Então, nós temos que investir nessa produtividade. O embrião é a forma mais rápida e eficaz de a gente conseguir isso. E, facilitando esse melhoramento genético para os pequenos rebanhos, a gente vai ajudar, vai dar as mãos a esse pequeno empreendedor.
Certo dia, de manhã ou por volta da hora do almoço, eu recebi uma ligação para estar aqui com os senhores. No fim desse mesmo dia, um produtor me ligou muito feliz porque teve uma recompra. Ele havia vendido para um laticínio alguns indivíduos oriundos de transferência de embriões e animais gestantes de transferência de embrião. Depois de 1 ano, os criadores voltaram lá e falaram com ele. A satisfação dele não foi nem fazer a venda, foi ouvir do comprador que ele conseguiu voltar com a família para a fazenda e tirá-la da situação precária em que estava na cidade. Ele voltou exatamente pela alta na produção de leite.
E, mais do que isso, mais do que o aumento nesse volume, existe a mudança de mentalidade. É igual à gente quando compra um carro zero. Você tem um carro mais velho, você cuida dele mais ou menos. Você compra um carro novo, você sempre o deixa limpinho e organizado.
Então, existe uma preocupação com a sanidade, que o senhor mencionou, e existe uma preocupação com o conhecimento, com a nutrição, ou seja, essa mudança de mentalidade provoca uma mudança na vida, uma mudança na fazenda. Isso é uma semente que se transforma numa mudança na comunidade, no Município. Eu acredito que é isso que a gente vem buscando.
E, sem uma genética robusta e produtiva, nenhum produtor vai conseguir sobreviver. Não tem jeito. Se pensar em médias do que a gente tem, falando em números, Dr. Evandro, como o senhor falou, se a gente tem uma média de 6 litros — acho que o Rodrigo vai falar um pouco sobre isso — e transformar isso em animais com média de 30 litros... Vamos fazer uma conta básica, uma conta baixa. Esses 6 litros vão dar 2 mil litros ano, eu acredito, enquanto 30 litros vão dar 10 mil litros por ano. Se a gente transformar isso em reais, considerando 2,80 reais, 3 reais, a gente está falando de uma diferença de quase 20 mil reais, muito acima do que o Dr. Evandro propôs, do que a gente tem para disponibilizar para esses produtores. Então, a gente consegue, sim, e o embrião é a única alternativa para que a gente mude essa realidade. Muito obrigada.
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É isso.
O SR. PRESIDENTE (José Medeiros. PL - MT) - Agora tem a palavra o Domício José Gregório, Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando.
O SR. DOMÍCIO JOSÉ GREGÓRIO ARRUDA SILVA - Boa tarde, Deputado José Medeiros, que agora assume a Presidência no lugar do nosso Deputado Rafael.
Primeiro, quero parabenizá-los por trazerem esta discussão.
Hoje falo com este seleto grupo, especialmente com o Secretário Vanderley. Eu acho que, apesar de haver poucos atores aqui, as soluções para esses problemas do melhoramento genético estão aqui, porque aqui nós temos as duas maiores associações do Brasil: a ABCZ, de raças zebuínas, e a girolando, de leite. Está aqui o nosso grande parceiro científico, que é a Embrapa, além de vocês, Parlamentares, Governo Federal e técnicos envolvidos com o tema.
Primeiro, quero dizer que a gente tem que sair do plano dos discursos, como foi dito anteriormente, e partir para a prática.
Secretário, nós já estamos num momento em que a gente não precisa inventar a roda, é só copiar o que está dando certo.
Eu converso muito com o Dr. Evandro, Presidente da ABCGil, que cuida de gir leiteiro e girolando. A gente conversa muito sobre estes programas — eu vou citar alguns aqui, rapidamente —, que têm dado muito certo.
Primeiro, cito o Programa Mais Leite Saudável, que tem algumas cooperativas, a exemplo da CCPR, da Cooperprata e de outras tantas cooperativas. Elas utilizam os recursos exatamente para o melhoramento genético, e esses recursos têm transformado a vida desses pequenos produtores ligados a essas cooperativas.
Vou citar aqui os projetos alavancados pelo Sebrae em todo o Brasil que hoje trabalham com isso e detém todas as informações, já com as tecnologias, com essa rede de laboratórios espalhados por quase todo o País. O Sebrae já tem expertise, e isso tem avançado muito.
Sobre a questão dessas cooperativas, eu vou pegar muito rápido alguns exemplos, como o da Girolando. Hoje, cerca de 70% do rebanho registrado da Girolando são provenientes de FIV. A Girolando, se considerarmos os últimos 20 anos, e não vou nem pegar a média Brasil, que está entre 2.200, 2.500, 2.400 quilos — há divergências nesse número, mas não passa disso —, veremos que temos, em 27 mil lactações encerradas anualmente, média de 7.600 quilos de leite, graças a esse trabalho de melhoramento genético e, sobretudo, graças a essa questão de que a gente está falando muito aqui, da FIV. Os números casam muito bem: 70% do rebanho é proveniente de FIV. A gente tem dado saltos, e a cada ano o salto é maior.
Outros projetos a gente tem visto acontecer, como o do próprio Prefeito que está aqui.
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Recentemente, foi lançado no Mato Grosso do Sul, um programa de revitalização da pecuária de leite. No Mato Grosso, a gente tem acompanhado alguns programas de melhoramento genético voltados para os pequenos produtores.
Hoje, temos programas que estão dando certo, temos associações que podem contribuir com esses projetos. O Rodrigo, da ABCZ, falou das raças zebuínas, mas nós temos uma raça nacional, desenvolvida aqui pela Embrapa e Ministério da Agricultura, uma raça totalmente adaptada a esse clima tropical do Brasil, que é a girolando, pronta para produzir leite em qualquer tipo de sistema produtivo — seja nos mais intensivos, como foi falado aqui, seja nos mais extensivos —, desde a Amazônia ao Nordeste — eu sou nordestino — até o Sul do País.
Atualmente, tem crescido o número de associados exatamente por conta dessas questões climáticas que estão atingindo o Rio Grande do Sul e outras regiões, mas a gente tem todos esses modelos prontos. O que a gente precisa fazer agora é pegar esses modelos e começar a aplicá-los.
Volto a falar com o Dr. Evandro sobre a questão do sistema financeiro. Não adianta jogar 11 bilhões de reais no Pronaf ou 1 bilhão de reais para o melhoramento genético se esse dinheiro não está chegando ao produtor e, quando chega, não está chegando para o melhoramento genético como deve ser utilizado.
Imaginar que um pequeno produtor vai sair da sua propriedade, vai bater na mesa de um gerente e dizer que quer dinheiro para fazer uma FIV em 2, 3 ou 4 animais… Eu atuo no Sebrae do Estado de Alagoas. A gente faz, em média, para esses pequenos produtores — só o Sebrae de Alagoas, que é o segundo menor Estado da Federação — em torno de mil prenhezes por ano. Não são embriões; são mil prenhezes por ano para pequenos produtores. A média é de duas prenhezes por produtor.
Então, imaginar que um pequeno produtor vai sair da sua propriedade, vai ao banco e vai pegar uma linha de financiamento para fazer duas prenhezes, não existe laboratório que irá atendê-lo, porque ele precisa estar organizado em cooperativas.
Portanto, a minha sugestão é que a gente, a partir dessa discussão, forme um grupo para discutir efetivamente o que pode ser feito, como o senhor falou.
Existe um convênio, um termo de cooperação com o Senar. O Senar hoje tem um trabalho excepcional de assistência técnica. Esse problema que a gente está falando aqui — o do melhoramento genético — não anda separado da assistência técnica. É por isso que eu acredito que um programa desse só avançaria e só criaria impacto em âmbito brasileiro se estivesse ligado, primeiro, à assistência técnica, seja ela ligada ao Senar, seja ela ligada às próprias cooperativas — aí, sim, esse dinheiro efetivamente chegará ao pequeno produtor.
Os modelos estão postos, estão prontos. A gente precisa sair dessa teoria, sair dos gabinetes aqui de Brasília, ver esses exemplos que estão dando certo, copiá-los e incentivá-los. Por exemplo, eu tive a oportunidade de estar com o Ministro numa visita ao Estado de Alagoas e falei exatamente dessa possibilidade. Se há um programa no Sebrae que já subsidia 70%, 80%, às vezes até 100% de uma prenhez para um pequeno produtor, por que não pegar esse dinheiro do Ministério e jogar no Sebrae, para ele multiplicar o que já sabe fazer? A gente não precisa inventar a roda, querendo descobrir como fazer chegar essa tecnologia ao pequeno produtor. Por que não investir no Senar, que está com esses produtores? Os exemplos são muitos. Lá no meu Estado de Alagoas, há mil produtores de leite sendo atendidos pelo Senar: trinta grupos de trinta e poucos produtores.
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Então, esse público precisa ter acesso a isso. As ferramentas, como eu falei, estão postas; basta querer fazer, ter vontade e decidir, porque os caminhos nós temos.
E gostaria de dizer tanto ao Deputado José Medeiros como ao Deputado Rafael que a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando se coloca à disposição para auxiliá-los nisso, como o próprio Rodrigo, da ABCZ, falou. Nós estamos em todos os Estados do Brasil, nós temos técnicos e capilaridade em todos os Estados para orientar, porque essa orientação que o produtor vai receber em relação ao embrião, à prenhez, é importante.
Muitas vezes — a gente vê esses exemplos — o produtor chega, vê que tem embrião, não sabe nem o que é, mas diz que quer, e, se for de graça, ele quer mesmo. E ele não tem essa orientação. A gente precisa orientá-lo quanto ao embrião, dependendo do sistema, dependendo da região em que ele esteja, para que ele tenha sucesso na atividade.
Então, como eu falei, os sistemas estão postos, a gente tem exemplos de sucesso. Inclusive queria deixar registrado aqui, Deputado — o Deputado Rafael Simões saiu —, que, a partir de amanhã, nós faremos o terceiro Congresso Internacional da Raça Girolando, lá na cidade de Uberlândia, para trazer desses temas. Não vamos tratar só de gestão, mas também de bem-estar animal, de melhoramento genético, trazendo também informação técnica, com a participação da Embrapa e de pesquisadores, que estão pesquisando sobre girolando no mundo todo, esse case de sucesso.
Eu costumo dizer, secretário, que não é uma invenção; isso é um trabalho que envolve muita ciência, muitos anos de dedicação do Governo brasileiro, através do Ministério da Agricultura, da Embrapa, que tem dado retorno e que está pronta para atender todos esses sistemas.
Eu acho que minha fala era mais dirigida ao Ministério. Também não vejo essas campanhas, como o Deputado Rafael falou, como o próprio Dr. Evandro falou, de divulgação de que existe esse recurso. Eu acho que a gente precisaria — e aí entra a questão dos recursos parlamentares também — de alguns programas espalhados por este País todo, através de emendas parlamentares. É possível se trabalhar, sim, com essas emendas parlamentares, seja através da Emater, seja através de Secretarias de Agricultura, das próprias associações. Eu sei que existe essa burocracia, que é complexa para de destravar, mas é possível avançar com esses recursos públicos para fomentar esses pequenos produtores, para que eles não deixem a atividade.
Os números estão aí; é o que foi falado. Eu acho que o Marcos Vinicius vai mostrar na apresentação dele os números dos pequenos produtores que recebem essas tecnologias.
A doutora falou muito bem agora: quando nós iniciamos, em 2014, esse programa no Estado de Alagoas — eu dizia hoje, na hora do almoço, ao Marcos Vinicius, da Embrapa —, havia produtor que passava 5 dias, 6 dias no curral, esperando a vaca parir. E a mulher estava reclamando porque ele não dormia mais no quarto; ele dormia no estábulo, no curral, esperando a vaca parir, porque ia nascer uma bezerra fruto de embrião. Ele nunca tinha ouvido falar no que era aquilo, mas tinha esse cuidado.
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Então a gente começa a ver os resultados desses pequenos produtores. E o relato é o mesmo feito pelo Prefeito: associações que produziam mil, 2 mil litros de leite hoje produzem 6 mil litros de leite. Esse programa duplica, triplica a produção muito rápido, com muita facilidade.
Deputado Rafael, mais uma vez, em nome da Girolando, agradeço a V.Exa. o convite para estar aqui. Parabéns pela iniciativa! A gente pode, sim, fazer a diferença no Brasil, sobretudo, realizando. Vamos deixar o discurso um pouco de lado e colocar isso para funcionar.
Não acredito — e esta é minha palavra final — que esse programa vá para frente com esses financiamentos. Ou se joga o dinheiro nas cooperativas, Deputado Rafael, ou se joga o dinheiro dentro do Senar, do Sistema S, que já faz esse movimento, para que a gente, cada vez mais, some os esforços e multiplique os recursos, ou então vamos continuar aqui, daqui a 10 anos, 15 anos, com a mesma ladainha, como a gente diz, porque o produtor não tem acesso a tecnologia.
Se o produtor for bater à porta das cooperativas ou do sistema financeiro, acontece como você falou em relação às sementes: o produtor chega lá e, na hora que está para sair o recurso, dizem que é preciso fazer uma atualização do CAR, que é preciso arrumar outro negócio qualquer, que é preciso apresentar outro documento. Nesse ponto, o produtor já desistiu. Se não desiste, quando consegue pegar o recurso, ele já está em meio à crise do leite, precisa pagar a ração, os empregados, então deixa o melhoramento genético de lado.
Precisamos ter agilidade e fazer com que esses recursos, que terminam sendo, todos eles, recursos públicos, Deputado Rafael, cheguem direto ao produtor, sem muita burocracia.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Domício, muito obrigado, mais uma vez, por sua presença aqui na Câmara.
Secretário, o Domício fez uma fala que, para mim, foi importante. Eu acho que o Ministério precisa pensar muito na possibilidade de encaminharmos emendas direto para as associações, porque a burocracia neste País é algo insuportável. Tudo o que envolve governo... E não estou falando só do Governo Federal, não, falo dos Governos como um todo. Eu fui Prefeito e sei qual é o tamanho da dificuldade. Nós precisamos buscar caminhos para que as coisas aconteçam rapidamente.
O senhor fez uma apresentação aqui falando de tudo o que o MDA está fazendo. Tudo isso no papel está muito bonito, só que nós precisamos transformar isso em realidade. A cada reunião que eu faço, eu escuto o Governo dizer que está tudo bem. Eu fico me perguntando, com todo o respeito, se eu moro nesse Brasil do Governo ou se eu moro no Brasil real. Eu ainda estou em dúvida e não sei em qual dos Brasis eu vivo. O fato é que aquele que está lá na ponta vive no mesmo Brasil que eu, um Brasil de sofrimento, um Brasil de muita dificuldade.
Eu acho difícil as pessoas quererem falar de algo que não conhecem na realidade. Eu tenho dificuldade com isso. Para poder dar ordem, eu quero ir lá saber como funciona. E, em todos os Governos — não estou fazendo uma crítica ao Governo atual não —, as pessoas querem tratar de assuntos que muitas vezes não sabem o que é. Então ficam no tecnicismo, e as coisas não acontecem. Nós temos que passar disso, nós temos que fazer o Brasil acontecer.
Com 60 anos, eu ainda acredito naquilo que meu velho pai dizia: este é o celeiro do mundo. Agora, é preciso que permitam que nós, de fato, sejamos o celeiro do mundo e que todo mundo caminhe junto, porque fazer comida barata à custa do produtor não dá mais.
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Eu estou sendo sincero com o senhor, porque senão a gente fica passando aqui e ali, mas o produtor não aguenta mais pagar essa conta. Se nós queremos comida barata, nós temos que dar dinheiro ao produtor, pagar a conta dele, porque ele não pode chegar ao final do mês, ir à cooperativa, perguntar quanto tem para receber e ouvir que não tem nada para receber porque o que tinha para receber já pegou em arroz, feijão e óleo na cooperativa, e a conta zerou. Essa é a realidade, Secretário, a verdadeira realidade.
Eu não posso falar de assentamentos, porque na minha região não há assentamento. O assentamento que existe lá é natural. O pai tinha 11 filhos, morreu, dividiram a área, e esse agora é um assentamento.
As pessoas não têm mais condição de tocar a produção, não. Então, é importante que a gente saia do discurso, saia desses números que vocês têm, para viver a realidade, porque, do contrário, nós vamos viver um embate aqui, não é, Deputado José Medeiros? Nós vamos viver um embate.
Eu não tenho problema com isso, não. Você tem problema com embate, Deputado Medeiros? Eu não tenho. Eu gosto do embate.
Eu vou passar a palavra agora para o Deputado José Medeiros, porque ele precisa ir para outra reunião.
Peço desculpas a vocês por ter saído, mas fui tratar de um importante projeto de lei complementar de minha autoria, que permite que os Municípios regularizem as suas divisas. Olhem como é que o Brasil é um país doido. Há 100 anos, o Bairro X pertence ao Município X. De repente, vem alguém com um GPS e diz: "Não, essa área não pertence mais a esse Município. Agora, ela pertence ao outro Município, que está a 80 quilômetros daqui". É isso. Então nós precisamos aprovar um projeto de lei complementar para garantir que aquela população que tem suas raízes no Município X volte a integrar aquele Município.
Graças a Deus, nós votamos o projeto na Comissão de Constituição e Justiça. Agora vamos ver se o levamos para plenário, para permitir que as pessoas voltem aos seus Municípios de origem.
Tem a palavra o Deputado José Medeiros.
O SR. JOSÉ MEDEIROS (PL - MT) - Muito obrigado, Deputado Rafael. Quero parabenizá-lo porque, pelo que eu vi aqui, nós temos subsídios importantes para melhorar muito a situação, se eles forem implementados.
Eu creio que o Dr. Vanderley sai daqui com algumas ideias muito importantes. A ideia que o Domício nos trouxe há pouco eu acho muito importante, porque, no momento em que o produtor chega ao Banco do Brasil — e eu fui bancário —, o gerente o vê e já pensa assim: "Eu vou vender um seguro". (Risos.) Ele precisa de um dinheirinho. E mesmo que não seja exatamente assim, a grande verdade é que não chega...
Todo mundo aqui já deve ter ouvido a narrativa que inventaram sobre as emendas Pix. Por que nós criamos aqui esse tipo de emenda, que chamamos de transferência especial, e depois uns malandros começaram a chamá-las de emendas Pix?
A gente mandava dinheiro de emenda para um Prefeito — por exemplo, o Prefeito Reginaldo, em Nova Nazaré, Deputado Rafael —, e esse recurso ia, primeiro, para a Caixa Econômica Federal. A Caixa Econômica Federal já comia ali 10%, 11%, a título de taxa de administração. Já ficava essa parte com a Caixa Econômica. Depois, o Prefeito apresentava o projeto, que ia para um lado e para outro. Era preciso corrigir isso e aquilo, o tempo ia passando, passava 1 ano e, daí a pouco, começava a obra. Então era preciso fazer uma medição para o construtor receber, só que não há engenheiro para ir lá medir. A coisa vai demorando, demorando e, daqui a pouco, o recurso enviado por meio da emenda não dá mais para construir a obra.
Meu mandato no Senado terminou em 2019. No ano passado, um Prefeito me disse: "Precisamos inaugurar aquela obra. Eu consegui dinheiro e a terminei". Eu já nem me lembrava que obra era. A obra foi financiada com recursos de uma emenda que eu mandei para o Município em 2016. Quer dizer, meu mandato terminou, eu fui eleito Deputado Federal, e a obra só foi concluída agora. Eu disse: "Por que demorou tanto?" Ele respondeu: "Por causa da Caixa!" Então nós criamos aqui uma forma, Domício, de o recurso ir direto para o Prefeito. E aí, Deputado Rafael, Secretário Vanderley, os burocratas daqui, "pês" da vida porque a Câmara desburocratizou esse processo, arrumaram um jeito de demonizar esse instrumento e jogar a população contra ele, porque colocaram junto inclusive o nome do Pix, então parece que vai para o bolso de alguém.
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A emenda ia direto para a Prefeitura. O Prefeito foi eleito pela população e define onde vai colocar esse dinheiro, sem o atravessador, sem perder os 11% de taxa cobrados pela Caixa e com celeridade.
Hoje, se você mandar uma emenda dessas, você está pedindo para ir para os jornais, porque eu vi aqui um monte de Deputado dizendo que está com inquérito lá no STF, relatado pelo Ministro Flávio Dino, porque está sendo investigada a emenda que ele mandou. Quando você vai olhar, a emenda ainda está no Ministério, ela só foi indicada para o Município, e já abriram uma investigação.
Deputado Rafael, como o senhor disse aqui, parece que a gente tem todas as soluções, mas perde a objetividade para a burocracia que nós temos.
O Blairo Maggi, quando era Senador, sempre dizia que, quando era pequeno, o pai dele dizia que o Brasil era o país do futuro; ele já estava com mais de 60 anos, e o Brasil continuava sendo o país do futuro. Por que isso acontece? Porque a gente perde a guerra para o papel.
Eu encerro aqui, dizendo que estamos coletando as assinaturas para fazer uma CPI do leite, porque a CPI também é um fórum muito importante para encontrarmos soluções para os problemas.
Eu tenho o maior carinho por essa área, porque ela remete muito à minha infância, Deputado Rafael. Eu sou da época em que se tirava leite na munheca. Eu era pequeno — naquela época, não existia esse negócio de menor não poder trabalhar —, tinha 9 anos, e meu pai acordava por volta das 2 horas da manhã para tirar leite. Imaginem meu pai sozinho tendo que tirar o leite. Então, era eu que soltava o bezerro. Só que o sono vinha e, de vez em quando, saiam dois bezerros. Então meu pai aproveitava a peia da vaca e já dava uma lapada ali para eu ficar esperto. Então, todo dia era uma ou duas lapadas, porque eu acabava dormindo. Ele ligava o rádio para ouvir Zé Bettio, e a coisa ia. Então, eu sei o sofrimento que meu pai tinha e sei o quanto é sofrida a atividade. E olha que hoje já há mais facilidade, porque há equipamentos e tudo o mais. Mas me dói ver alguns, que eu não vou chamar de malandros, mas de espertos, ganhando mais do que quem está produzindo. O sujeito cuida da vaca para que ela produza, tira o leite, faz tudo, e fica com a menor parte. Não dá para entender isso.
Eu tenho uma admiração muito grande pelo Deputado Rafael porque ele bate sempre na mesma tecla. Aqui em Brasília, é difícil as coisas se resolverem, porque papel não tem perna. Ele não muda de gaveta. É preciso movê-lo de um lugar para outro. E ainda assim o Deputado Rafael está aqui. Há pouco ele teve que sair porque esta Casa é um lugar em que parece que desconsideram as leis da física e querem que um corpo esteja em dois lugares ao mesmo tempo. Estamos aqui nesta Comissão, mas há outras funcionando ao mesmo tempo, onde também deveríamos estar, então temos que sair daqui, ir até lá e voltar.
Deputado Rafael, eu o parabenizo por estar fazendo este trabalho. Conte comigo. Sou o seu ajudante de serviços gerais para que possamos fazer com que essas coisas aconteçam.
Muito obrigado.
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O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Deputado José Medeiros, na verdade, V.Exa. é nosso comandante aqui. Agradecemos demais a V.Exa. a participação. Ouvindo V.Exa. falar das dificuldades que seu pai enfrentava, eu me lembrei de algo que gostaria de dizer aqui ao Vanderley.
Eu fui participar de um foro de saúde no Rio de Janeiro semana passada, representando a Câmara. Fiquei em um hotel. Tive sede, então abri o frigobar e peguei uma latinha d'água — uma latinha, porque agora a água está vindo em latinhas. Tomei a minha água, e a minha esposa disse: "Você olhou o preço?" Eu disse: "Não, mas é só uma lata d'água". Tudo bem. Quando fui fechar a conta, sabem quanto custou aquela latinha d'água? Custou 22 reais. E nós falamos em pagar ao produtor rural 1 real e 80 centavos pelo litro de leite, com a perspectiva de o preço cair mais. E ainda queremos que as pessoas se mantenham. Isso é ridículo! Isso é ridículo! Não tem cabimento pagar 22 reais em uma latinha d'água, que nem sequer tinha 1 litro — devia ter 200 mililitros ou alguma coisa assim —, e pagar a um sujeito que acorda 2 horas da manhã, vai lá tirar o leite da vaca, numa dificuldade danada, não tem sábado, domingo, feriado, não tem nada disso, e a gente não vê o Governo como um todo se empenhando para mudar essa realidade. Isso é triste demais!
Mas eu não vou desanimar não. Eu estou aqui porque o povo quis que eu estivesse aqui. Vou continuar falando. Vou ficar parecendo um papagaio, por ficar repetindo a mesma coisa, mas é o que nos sobra para fazer aqui.
Nós gostaríamos muito que você fosse o nosso interlocutor, fosse lá, dissesse que a realidade é essa. Eu convido o Ministro Paulo Teixeira, que não é do meio, mas tem capacidade de aprendizagem, a ir lá viver o nosso dia a dia. Se quiserem ir à minha fazenda, eu vou receber vocês muito bem lá, para vocês entenderem o que é produzir leite, a dificuldade que é.
Ontem, Marcos, eu estava tranquilo lá no hotel, porque eu cheguei mais cedo. Às 11 horas da noite, um funcionário meu me mandou uma mensagem no WhatsApp, dizendo que uma bezerra estava evacuando sangue, uma das minhas melhores bezerras. O que aconteceu? Ela morreu. É um prejuízo danado, é uma tristeza danada. É isso que a gente vive! E quando o sujeito chega para comprar o leite, diz: "O mercado não está consumidor. O preço vai cair mais 20 centavos. Fique com a conta e vamos embora. Se você não quiser, amanhã o caminhão não passa mais aqui". Para ele é até bom, sabem por quê? Quando o cara não tem volume de produção, a logística é muito cara para quem está buscando o leite. É melhor não pegar o leite daquele produtor. É melhor deixá-lo lá. É preciso que se entenda essa realidade.
Eu quero viver no Brasil que vocês dizem que existe. Eu quero viver nesse Brasil. Eu vou ser o cara mais feliz do mundo vivendo nesse Brasil, mas eu quero que ele seja uma realidade, eu não quero que ele seja só na sua fala ou na fala dos outros Ministros.
O Vice-Presidente Alckmin, por quem eu tenho uma consideração imensa, não mandou nem sequer um representante para estar aqui. O Ministério da Agricultura também não mandou representante para estar aqui. Isso é um desprestígio imenso a esta Casa e a todos os que estão aqui, mas nós não vamos desistir, vocês podem ter certeza disso. Nós vamos falar disso quantas vezes for necessário e vamos cobrar solução. Agora, gostaria muito que você levasse essa ideia que o Domício trouxe, para que a gente possa encaminhar recursos para as associações com finalidade própria, porque quebra a burocracia. Se eu mando recursos para a Secretaria de Agricultura de Minas Gerais, vem a informação: "Ah, não houve a licitação! A licitação deu errado". Pronto, foi tudo embora. Mas eu tenho certeza de que, se eu mandar para as associações, pela capacidade de entrega que elas têm, elas vão entregar resultado. E a gente continua no projeto de divulgação para que aqueles que queiram melhoramento genético financiado também possam ter acesso ao financiamento.
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Agora eu passo a palavra ao Prof. Marcos Vinícius, da Embrapa. Aliás, tenho mais uma colocação a fazer. Fui visitar a Embrapa Gado de Leite. Que judiação! Que judiação! O Evandro investe lá, mandando genética para lá. Aquele tanto de pesquisadores que está lá não tem recursos! Então, nós precisamos que a Embrapa Gado de Leite tenha condições de fazer o seu trabalho e entregar tecnologia para o nosso produtor.
Tem a palavra o Prof. Marcos Vinicius.
O SR. MARCOS VINICIUS GUALBERTO BARBOSA DA SILVA - Deputado Rafael Simoes, Secretário Vanderley, demais autoridades, público presente, primeiro, eu gostaria de agradecer muito pelo convite e pela oportunidade de vir aqui falar um pouquinho sobre o trabalho que a Embrapa vem fazendo, tanto no melhoramento genético quanto na transferência de embrião.
Como cientista, gosto muito de trabalhar com números. Então, enquanto os colegas estavam falando, eu estava coletando alguns números aqui. Um, que já foi citado aqui pelo Presidente Domício, diz respeito aos ganhos genéticos e ao aumento de produção que nós tivemos, por exemplo, no gado Girolando.
Nos últimos 28 anos, com o programa de melhoramento genético da raça, nós saímos de 3.500 quilos de leite em uma lactação para mais de 7.500, sendo que 28% desse ganho foram por conta da associação entre biotecnologias reprodutivas, como inseminação artificial e transferência de embrião, junto com o melhoramento genético. No gado gir leiteiro, nós saímos de 2.600 quilos por lactação para mais de 5 mil, sendo que 31% desse ganho são resultado da associação de biotecnologia reprodutiva com melhoramento genético. Então, é possível produzir mais leite, associando estas duas áreas: reprodução e melhoramento genético.
Falou-se aqui também a respeito do embrião DT. Talvez eu coloque mais um pouco de conhecimento ou de informação nesse processo. Hoje, é possível nós trabalharmos com seleção genômica para os embriões por meio da biópsia embrionária. Nós trouxemos essa tecnologia para o Brasil e a desenvolvemos para as raças gir leiteiro e girolando.
Como funciona isso? De maneira bastante sucinta, nós somos capazes de retirar algumas células do embrião, extrair o DNA dessas células, fazer o processo de genotipagem e de seleção genômica e já antecipar o potencial genético de um animal que ainda não nasceu. Então, nós conseguimos entregar um embrião e ter a absoluta certeza do que nós estamos entregando aos produtores. Isso já é possível. Isso não é futuro, é presente. Isso já era feito no exterior para a raça holandesa, e hoje esse processo já está sendo colocado de modo comercial pela Embrapa junto com parceiros.
Outra coisa importante a respeito dos embriões é que, recentemente, 3 meses atrás, nós fizemos a primeira exportação de mil embriões da raça gir para a Índia. Ou seja, há 100 anos ou um pouco mais — Rodrigo, por favor, corrija-me — nós importamos alguns animais, melhoramos esses animais, e hoje exportamos embrião e tecnologia para esses países.
A Embrapa tem hoje um memorando de entendimento com o Ministério na Índia, e nós vamos dar apoio em seleção genômica e produção de embrião, incluindo um laboratório de genômica na Índia. Ou seja, o Brasil tem e faz ciência de qualidade.
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Eu vou trazer também alguns números de casos de sucesso, envolvendo a transferência de embrião para pequeno produtor.
Eu tive a oportunidade de participar, Secretário Vanderley, de algumas iniciativas do MDA, na transferência de embrião para pequenos produtores, tanto no Pontal do Paranapanema como na Zona da Mata, e foi um sucesso. Hoje, inclusive, a Embrapa vai fazer o treinamento de quarenta médicos-veterinários de assentamentos, para que nós possamos ter esses assentados atendidos por médicos-veterinários para fazer transferência de embrião. Esse é um dos casos.
Outro caso que nós temos apoiado é o da Cooprata. Na Cooprata, nós já temos hoje oitocentos animais nascidos, frutos de embriões transferidos, sendo que a média de produção, que antes era, por vaca, em torno de 3 a 4 quilos de leite, foi para algo entre 30 e 40 litros. Isso não é futuro. Isso está acontecendo agora, porque nós pusemos juntas a seleção genômica e a transferência de embrião, e essas duas áreas juntas fornecem o conhecimento necessário para que os pequenos produtores possam realmente atingir o melhoramento genético nos seus rebanhos. Isso é o que está sendo feito hoje, não é algo para o futuro. Isso já é realidade.
Há casos, inclusive, em que criadores mandam vídeos chorando — nós temos um grupo no WhatsApp — e dizendo o seguinte: "Eu nunca pensei que eu fosse capaz de ter na minha propriedade um animal de 30 quilos de leite". E hoje, por causa da associação de melhoramento genético com a transferência de embrião, ele tem. Então, isso é possível.
Na Zona da Mata, nesse trabalho que nós fizemos com o MDA, nós conseguimos uma taxa de prenhez de 63% com transferência de embrião. Quem trabalha com transferência de embrião sabe o quão difícil é chegar a esse número. Mas é possível, e nós conseguimos chegar.
É importante lembrar que, na verdade, a biotecnologia reprodutiva é uma maneira de você replicar animais. O melhoramento genético é uma maneira de você fazer a seleção dos animais. Quando você coloca junto essas duas áreas, cada uma delas é potencializada, e a gente consegue, realmente, chegar a números incríveis.
Hoje, o Brasil, em termos de genética bovina, falando de gir leiteiro e de girolando, é referência tropical. Eu posso dizer que, na COP 30, o trabalho que nós fizemos com o girolando, com a determinação do valor genômico para resistência ao estresse térmico, foi o único trabalho da Embrapa levado e apresentado na COP 30 ontem. Isso mostra que todo esse trabalho que está sendo feito pela Embrapa e pela Girolando, há mais de 30 anos, tem competência e chegou, realmente, a um lugar do qual, hoje, nós podemos ter orgulho.
É inimaginável, ou era inimaginável, há alguns anos, que o Brasil pudesse exportar embriões para a Índia. Hoje isso não é mais inimaginável. Hoje, nós estamos exportando girolando para a Nigéria. Nós estamos aumentando a produção de leite da Nigéria com o girolando, passando de 2 quilos por vaca para mais de 15 quilos. Usando o quê? Sêmen e embriões. Então, hoje, nós temos tecnologia. O Brasil, hoje, detém a tecnologia, nas empresas de pesquisa e nas associações de raça, para que a gente consiga não só melhorar a situação do pequeno produtor de leite brasileiro, mas também a dos de outros países. A Embrapa, hoje, faz avaliação genômica para mais de 14 países latino-americanos. Isso é um feito bastante grande também. E gente tem que reconhecer todo o esforço feito pelos criadores de gir leiteiro e de girolando nos últimos anos, trazendo todo esse empenho e essa ciência para dentro da fazenda.
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A Dra. Kenia falou algo com que eu concordo inteiramente: o tratamento diferenciado que os bezerros de alto valor genético têm quando nascem em uma pequena propriedade. O próprio Presidente Domício já exemplificou, de uma maneira muito interessante, com o caso do tratador, do proprietário dormindo com a vaca. Esse não é um caso isolado. Existem vários desses casos, simplesmente o proprietário não quer perder, não quer correr o risco de perder aquela prenhez, aquele bezerro que vai nascer.
Então, eu acho de extrema importância que a gente ajude o pequeno produtor. Eu venho escutando já, como se fosse uma profecia, que o pequeno produtor vai desaparecer. Ele vai desaparecer se juntos nós não fizermos nada. Se nós aliarmos todos os nossos poderes, seja na ciência, seja na política, e juntos conseguirmos dar passos à frente, esse produtor vai ficar. Se realmente a gente ficar quieto e não fizer nada, essa profecia vai se concretizar.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Muito obrigado, Marcos Vinicius.
Dando sequência aqui, quero passar a palavra para o Rodrigo, Diretor de Operações Globais Embriões ABS — Pecplan, para fazer o seu pronunciamento.
O SR. RODRIGO MENDES UNTURA - Boa tarde a todos. É um prazer estar aqui. Obrigado, Deputado Rafael; Dr. Evandro, muito obrigado.
Eu queria trazer um pouco do volume de embriões que se tem feito globalmente, quando comparamos com o Brasil. Eu tenho trabalhado há 25 anos com embriões, somente com embriões. Dentro da empresa que eu estou hoje, nós estamos com mais de 10 milhões de embriões produzidos. Eu atendo 34 países e, quando eu converso com o Dr. Evandro sobre como está o mercado fora do Brasil e como está aqui dentro do Brasil, o patamar de investimentos para o pequeno produtor no Brasil é muito pequeno quando comparado com o da China, dos Estados Unidos e de alguns países da América Latina. Eu fico, algumas vezes, envergonhado de sair do Brasil, com toda a minha equipe, que é brasileira, para atender o pequeno produtor fora do Brasil. Para mim, é uma audácia até falar que eu me sinto um pouco envergonhado de ter que sair daqui para atender produtor fora, sendo que nós temos a melhor tecnologia de produção de embriões do mundo. O Brasil é referência global em produção de embriões.
Eu queria trazer um pouco dos números: 2,5 milhões de embriões é a produção mundial, e o Brasil produz 1 milhão de embriões — esse é um dado extraoficial. Então, o Brasil é o que mais produz embrião, é o que detém a tecnologia. E nós precisamos utilizar essa tecnologia de uma forma mais assertiva e para quem realmente precisa. Eu não tenho esse levantamento, mas talvez, desse 1 milhão de embriões, poucos chegam ao pequeno produtor. São os grandes que investem.
E eu concordo com todos vocês: o pequeno produtor vai parar, se nós não o ajudarmos. Isso é fato, eu tenho acompanhado. Eu estive, recentemente, na China com o Ministro da Agricultura e ouvi dele: "Nós vamos deixar o Brasil para trás na genética".
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E, pela velocidade que eles estão colocando em termos de aspiração, de produção de embriões, eu passo a acreditar nisso. Eu tenho seis grandes players na China hoje. Eles iniciam a negociação com 50 mil embriões. Então, se não fizermos alguma coisa, nós vamos ficar para trás. Daqui a pouco nós vamos ter que importar da China. Nós estamos exportando para a Índia, porque a Índia parou de investir. Por isso, nós estamos exportando para lá. Daqui a pouco nós vamos ter que importar embriões da China, porque eles vão estar melhores que nós.
O Brasil é líder de mercado, com certeza. E, baseado nos dados da Iets, a International Embryo Technology Society, nós sabemos onde estão localizados os investimentos globais. De 2022 para 2023 e 2024, houve um tombo. Todos os investimentos do setor de embriões estavam ligados ao setor de carne. E agora, em 2023 e 2024, virou o jogo. Então, globalmente, todos os nossos investimentos estão — quando eu falo "nós", eu me refiro em âmbito global — relacionados ao investimento no leite. O leite, salvo engano, vocês me corrijam, é a proteína animal mais barata. Eu tenho projetos em Moçambique, eu tenho projetos na África, onde o intuito nem é aumentar a produção de leite para o sustento próprio daquela pequena propriedade, mas sim para eliminar um pouco da fome naquele país. Em Moçambique, a miséria é muito grande. E a ideia de a gente aumentar um pouco a produção de leite é para matar a fome das crianças. Então, acho que tem essa pegada que nós precisamos colocar, que seria não só aumentar a renda do pequeno produtor, mas aumentar a nossa proteína animal para tentar sanar um pouco da fome no mundo.
Falando um pouco de velocidade genética, que todo mundo aqui muito bem colocou, eu queria dizer que, em 2007, uma empresa de Israel fez um trabalho de doutorado mostrando qual que é a velocidade genética que os embriões imprimem, quando comparado com a inseminação. Eles provaram, nesse trabalho, que se coloca cinco gerações em uma, quando comparado com a inseminação. Isso foi em 2007. E aí eu vou somar as palavras do Marcos Vinicius, quando trabalhamos com o genoma, quando trabalhamos com o sêmen sexado. Na nossa observação, se você agregar o sêmen sexado, o sêmen de fêmea, mais as vacas top 1%, que pode ser como as lá do Sr. Evandro, mais a genômica, isso talvez dê um ganho de dez gerações em uma. Ainda vão surgir trabalhos provando isso.
Então, eu não tenho dúvida nenhuma de que a transferência de embrião é o único caminho para podermos salvar o nosso pequeno produtor. Eu trouxe um pouco dos números oficiais: 6 litros por vaca de leite produzidos por dia, 2.362 litros por ano. Podemos dobrar isso. Eu vou ser um pouco mais — entre aspas — "pessimista". Nós estamos falando de experiências aqui saindo de 7 litros por vaca e vai para 26 litros, para 30 litros. Eu vou ser um pouco mais realista para o pequeno produtor, aquele cara que tem duas vacas. O cara que tem duas vacas tira de 2 litros a 3 litros de leite. Se essa produção passar para 12 litros, esse cara está rico na visão dele. Isso é o que a genética vai imprimir. Isso se ele tiver o mesmo suporte que ele tem hoje das questões sanitárias, das questões de alimentação. Se nós ainda conseguirmos colocar para ele um suporte técnico na parte de alimentação, sanidade, manejo, etc., ele vai para 26 litros, para 30 litros, como o senhor foi. Eu acredito muito nisso.
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A raça girolando hoje produz em média 35 litros de leite. E eu queria enfatizar que o meio-sangue, o holandês com o gir, é a raça de eleição para os trópicos e a única solução. Nós já tentamos com cinco oitavos, nós exportamos embriões também para Nigéria. Eu estive na Nigéria recentemente. Só para os senhores terem uma ideia, hoje nós temos um núcleo genético dentro da nossa empresa e há fila para exportação. Os outros países estão investindo fortemente no pequeno produtor, na produção de leite, e nós estamos assistindo a isso. E eu tenho que exportar para outros países para poder levar essa genética. Então, eu queria deixar esse apelo da minha parte e agradecer, mais uma vez, a palavra aqui.
Muito obrigado, Deputado.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Obrigado, Rodrigo.
Nós temos mais duas pessoas inscritas para falar aqui, o Celsinho e o Diego, e o nosso Secretário precisa ir embora para pegar o avião. Antes de eu passar a palavra para ele, eu vou voltar a palavra para o Evandro, porque ele está doido para fazer algumas considerações ao senhor. E, se o senhor for embora, perde até a razão de ser.
O SR. EVANDRO DO CARMO GUIMARÃES - Eu ouvi muitas coisas. Eu sou muito apaixonado por essa questão, porque eu trato dessa questão do pequeno produtor desde a minha infância, e isso se tornou a minha missão social, para deixar um legado ao País que me ofereceu tantas oportunidades e a felicidade que eu tenho de ter filhos ótimos e oito netos. Gosto muito da produção de leite, eu estou na atividade há muito tempo.
O que eu queria dizer, e não consegui falar durante os 7 minutos, e provavelmente isso também cabe como uma mensagem a todos aqueles que trabalham em políticas públicas, é que eu não ignoro os benefícios de quaisquer atividades que possam levar, seja no processo, seja na ciência, benefício ao pequeno produtor. Porém, eu acho que nós estamos na época, agora, a assistir uma brilhante intervenção do Rodrigo Untura, essa personalidade internacional na pecuária leiteira, no mundo inteiro, e ele deixou sinteticamente isto: nós temos que tratar a transferência de embriões como primeiro momento no pensamento de qualquer política pública. Nós temos que tratar não como prioridade, porque tudo na propriedade leiteira é importante, mas tem uma que é vital, é a única que traz receita e valorização patrimonial, é a FIV. Algumas pessoas usaram a expressão FIV. As pessoas aqui da faculdade devem entender, FIV é transferência de embriões, é fertilização in vitro. E eu sinto que deixei de dizer que o que é necessário, do ponto de vista, digamos assim, do conhecimento e do esforço, é dar ênfase a algo que é seguro, que demonstrou resultados no Brasil e no mundo, que demonstrou resultados às vistas dos produtores da Embrapa Gado de Leite, do gir leiteiro, do girolando, e a ênfase tem que ser transferência de embriões para o Brasil salvar uma parte dos pequenos produtores. Melhoramento genético é algo muito amplo. É uma disciplina, Deputado. Melhoramento genético vai desde o processo que o Marcos citou e que eu conheço bem, que é a biópsia de embriões... Antigamente, na Europa, na Inglaterra, as pessoas selecionavam a melhor vaca para cruzar com o melhor touro. Isso já era melhoramento genético. Vamos esquecer essa palavra!
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O foco desta reunião, muito bem colocado pelo senhor, Deputado Rafael, é a utilização de uma oportunidade para a qual nós temos dinheiro.
Eu vou encerrar e estou ansioso para ouvir a palavra, para mim, de um herói nacional, que é o Prefeito de Estrela Dalva, Diego Coutinho.
Muito obrigado.
O SR. VANDERLEY ZIGER - Eu acho até deselegante da minha parte ter que sair sem ouvir todos. Peço desculpas aos colegas que ainda não falaram, mas eu tenho uma agenda amanhã, no Espírito Santo. Preciso ir para lá agora, infelizmente.
Eu queria deixar aqui, para todos nós, o compromisso do nosso Ministério, Deputado. Primeiro, é o seguinte: eu acho que este foi um pontapé importante para que vocês trouxessem esses dados do progresso científico que se tem sob o aspecto do melhoramento genético do embrião.
Que a gente possa contar com as representações das associações alinhadas à política pública! Aqui nós não estamos em dois grupos. Nós temos a mesma percepção — Deputados, Parlamentares, os que estão representando as associações, os produtores, os agricultores familiares, que são o nosso recorte aqui.
O colega Deliberato trouxe as informações. É muito importante trazer a experiência de como, em 10 anos, você conseguiu demonstrar que é possível chegar e ir além, inclusive, do que já está sendo feito. Você foi a prova viva, mostrou a importância disso.
A política pública é desenhada para acontecer na prática. Os números que eu coloquei aqui do crédito não são uma invenção. Eles existem, foram colocados. Bem ou mal, eles foram colocados, Evandro. Se pudermos fazer melhor, vamos fazer melhor. E fazer melhor significa ajudar a orientar esses produtores.
Eu acredito que existem forças importantes aqui — os laboratórios, as associações, a política pública do Governo, os recursos que estão sendo destinados pelo Pronaf ou por qualquer outro meio. Eu acredito que a gente consegue chegar àquela meta de, no final do exercício que vem, 100 mil prenhezes. Pode ser um número pequeno, perto dos números que o colega apresentou agora no mundo. Pelo que eu entendi, mais de 1 milhão de embriões são disponibilizados por ano. Se nós colocarmos 100 mil na agricultura familiar, eu acredito que já vamos dar um passo importante. Fontes financeiras a gente tem, agora nós precisamos encontrar o caminho e fazer chegar.
Eu queria propor, Deputado, que na volta do nosso Ministro da COP, na primeira semana, a gente se sente com vocês, com as associações. O Evandro sabe que o nosso Ministro é um defensor ferrenho dessa agenda. Todos vocês têm ouvido falar disso. E nós, das secretarias que fazem a gestão do crédito e a gestão da Ater, assim como as demais políticas que defendem a agenda do cooperativismo, queremos contar com vocês para isso.
Então, o compromisso que sai daqui selado é para que a gente possa fazer uma agenda na semana seguinte à COP, para apresentar para vocês os dados, as informações. A Embrapa tem sido fundamental na construção dessa agenda.
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O que a gente não pode é construir uma agenda estratégica de transferência de embrião que não tenha conexão com a Política Nacional de Assistência Técnica, porque essas duas coisas precisam caminhar juntas.
O Sebrae tem sido parceiro. A gente precisa avançar nisso com o Sebrae e o Senar. Nós temos o caminho, temos as agendas necessárias — os parceiros, o Parlamento, que está aqui representado pelo Deputado Rafael, e o nosso Ministério, que vai estar à disposição para podermos avançar nisso.
Se possível, quero contar com vocês para essa agenda. O Mateus, Assessor Especial do Ministro, está aqui e certamente vai propor uma agenda na sequência, para justamente avançarmos nesse planejamento, região por região, a partir dos dados e das informações que nós já temos, inclusive do crédito, porque o financiamento pode ser uma ferramenta importante.
Em alguns lugares, não haverá financiamento. Vamos ter que pensar outros caminhos, por exemplo, o fomento. Vamos avançar para perseguir o número que apontamos aqui.
Eu queria convidar o Marenilson, nosso Diretor de Assistência Técnica — ele também é da Embrapa —, para representar o Ministério na reta final da nossa audiência.
Agradeço, Deputado, pela sensibilidade da pauta e pelas cobranças. Eu acho que o Governo precisa disso. Todas as cobranças e provocações que o Deputado e vocês trazem nos ajudam e são fundamentais para darmos os próximos passos no sentido de trabalhar com uma política pública voltada à agricultura familiar.
Na reunião que nós tivermos com a presença do Ministro, eu gostaria de poder desnudar um pouco esses números, para que todos possam compreender para onde é que estão indo os recursos públicos. Aí, sim, vamos compreender onde podemos potencializar com os embriões e, assim, avançar nos próximos meses.
É o tempo de Governo, e precisamos agilizar a chegada de uma política pública tão importante quanto essa.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - O Evandro quer fazer uma colocação.
O SR. EVANDRO DO CARMO GUIMARÃES - Secretário, com todo o respeito, nos últimos 3 anos, desde março de 2022, eu participei de dezenas de reuniões no MDA. Renovo aqui o entusiasmo do Ministro Paulo Teixeira com isso, mas não acho, sinceramente, que isso vá produzir nada correspondente à oportunidade cívica evidente que existe, da qual todas as pessoas que participaram desta reunião hoje falaram, para salvar a vida, melhorar a vida de milhares e milhares de famílias. Eu não acredito em nenhuma reunião, se nós não fizermos o que o Deputado Rafael pronunciou aqui, se o Governo não se empenhar como um todo.
Deputado, me desculpe tomar esta liberdade, mas eu sou um produtor, um brasileiro que paga impostos, que melhora gado, que tem relações ótimas com o Embrapa Gado de Leite, que trabalha pelo pequeno produtor. Eu tenho o direito de dizer isso. Eu acho que esta reunião provocou a necessidade de um manifesto a quem importa no Governo para ajudar o Ministro Paulo Teixeira.
O MDA não demonstrou capacidade operacional. Eu passei para o Domício há pouco aqui, quando ele estava falando da necessidade de transferir recursos para cooperativas, uma publicação que fiz há pouco tempo e que teve cerca de 250 mil visualizações. Está escrito: "As cooperativas da agricultura familiar ainda não receberam nenhum apoio efetivo para acessar crédito do Pronaf no programa de transferência de milhões". Não há um documento que simplifique ou viabilize para a cooperativa a obtenção de crédito.
16:50
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Eu vejo como herói nacional o Prefeito Diego, que, com recursos da Prefeitura, mudou a vida do seu Município.
Eu não vejo que uma reunião, não antes de se incorporar o Governo como um todo, o "fantástico" Sidônio, o Ministério da Fazenda, para chamar a atenção dos bancos oficiais — que na verdade provocam a sabotagem desse programa —, eu não vejo condições, porque o Ministro é uma pessoa quase que indefesa num governo que está atrapalhado para operacionalizar as coisas.
Perdoe-me, secretário, mas eu sou obrigado a falar isso, porque eu conheço todos os companheiros que estão aqui.
Eu não vou perder mais meu tempo com reuniões, porque eu cansei de ver as pessoas substituírem a oportunidade de transferência de milhões por um negócio genérico, diluído, difícil de utilizar fora da academia, chamado "melhoramento genético". O foco desta reunião é a implementação dos recursos já definidos no Orçamento, no Pronaf, que fazem parte do Plano Safra, para que esses recursos cheguem ao pequeno produtor. E isso se faz como? Com divulgação, com autoridade, com autoridade e divulgação para as cooperativas, com formulação de políticas simples, para vencer a burocracia, como o Deputado anteriormente falou, com a promoção deste assunto junto dos laboratórios, porque eles, há 2 anos, 3 anos — e eu falo com a Kenia há 3 anos — tentam ir ao banco, e a resposta é sempre esta: "Não, não tem verba, não é isso". Os laboratórios perderam a credibilidade.
Uma reunião interna, conosco, deve ser feita, é essencial, mas depois que nós nos manifestarmos. Eu acho que a Comissão de Agricultura deve se manifestar, deve dizer que o Governo precisa se empenhar como um todo para uma oportunidade estruturante — se bobear, essa é a principal e única oportunidade estruturante que há no Ministério. Porque todo mundo que conhece o Pronaf, como eu conheço há 40 anos, percebe que 50% das verbas são destinadas a assistencialismo, e não a estruturação, para que as pessoas, como o senhor disse antes, aprendam a pescar e não recebam o peixe, aprendam a andar com as próprias pernas.
Desculpe-me. Eu fiz a contestação. É melhor ser publicamente leal do que achar que temos uma proposta que pode ser um jogo muito elegante de palavras. Eu experimentei isso e não quero mais envolver nenhum amigo num assunto ao qual eu sou integralmente dedicado, até o fim da minha vida, não quero envolver nenhum amigo em promessas ou na vontade de, em vez de resolver coisas práticas, querer resolver tudo ao mesmo tempo.
Queria dizer para vocês o seguinte: vi um erro conceitual básico várias vezes aqui — as empresas de embriões podem dizer isso. Embrião e veterinário para transferência de embrião é algo regulamentado, que só pode ser feito por aqueles que são autorizados pelo Ministério. É biotecnologia. Assistência técnica nenhuma vai ajudar, nem vai poder ajudar na questão da transferência de embriões. Assistência técnica para transferência de embriões é algo...
16:54
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O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Evandro, o secretário está desesperado aqui. Eu vou liberá-lo.
O SR. EVANDRO DO CARMO GUIMARÃES - Está bem.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - O senhor está liberado, secretário.
Evandro, você pode ter certeza de que vou levar a sua proposta, amanhã, para a Comissão de Agricultura, para que possamos continuar cuidando com muito zelo e com muita dedicação deste assunto.
Secretário, quero agradecer ao senhor. Leve o meu abraço ao Ministro Paulo Teixeira. O Evandro fez a colocação dele. De qualquer forma, eu quero conversar com o Ministro. Como eu já estou aqui, e isso já faz parte do meu dia a dia, eu quero ir lá conversar com ele, para não perder esta oportunidade, que para mim é muito cara. Está bem? Muito obrigado pela sua presença.
Vou passar a palavra agora para o nosso amigo Celso de Menezes, o querido Celsinho, o Superintendente Executivo da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando.
Deixei o Prefeito Diego por último de forma proposital, para que ele dê o seu testemunho na condição de Prefeito que tem feito investimentos com recursos próprios, para fazer a diferença para o pequeno produtor.
Celsinho, fique à vontade.
O SR. CELSO RIBEIRO ÂNGELO DE MENEZES - Boa tarde, pessoal.
Eu fiz questão de vir aqui para a frente para poder olhar para grandes formadores de opinião, futuros Deputados — quem sabe, futuros secretários? É muito importante poder usar a palavra neste plenário e poder realmente transmitir isto.
Eu sou zootecnista de formação e de coração, formado em 1984, e fui criado num Município de Minas Gerais chamado Sacramento, onde fui criado com leite de vaca gir. Então, eu sei muito bem o que é a pecuária leiteira, Deputado.
Eu gostaria de fazer algumas colocações e de exibir alguns eslaides.
(Segue-se exibição de imagens.)
Eu acho que o número importante que não foi falado aqui até agora é este: o Brasil hoje é o quarto maior produtor de leite do mundo, com produção de 34 a 35 bilhões de litros de leite por ano — 34 a 35 bilhões de litros de leite, Eugênio. Por que nós somos o quarto maior produtor de leite do mundo? Por quê? Nós poderíamos ser o primeiro.
Deputado, o Governo ajuda muito quando não atrapalha. Este é o primeiro ponto que nós temos que abordar aqui, até para desviar um pouco a atenção da questão dos embriões. Esta é uma pauta em que nós temos que bater. Não podemos realmente deixar isso passar.
O nosso produtor de leite está sofrendo. O leite grita, está sufocado, e isso realmente precisamos deixar registrado. Os números estão aqui, gente! Se houvesse incentivo, nós seríamos o segundo maior produtor de leite do mundo, porque nós temos recursos para isso, temos recursos para isso. Então, nós precisamos realmente trabalhar muito nesse sentido.
Eu gostaria que o secretário estivesse aqui, mas você vai transmitir isto para ele, Deputado: nós temos produção de leite em mais de 1 milhão de propriedades rurais no Brasil, em mais de 1 milhão de propriedades rurais no Brasil. Guardem esse número.
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Esta estratificação foi feita pelo pessoal do MilkPoint: 60,7% dos produtores de leite do Brasil produzem de zero a 200 litros de leite por dia, ou seja, são pequenos, são microprodutores de leite. Está aí a razão, gente, a razão de nós estarmos aqui discutindo esta política pública destinada a atender 600 mil produtores de leite! Basta fazer a conta: 60% de 1 milhão são equivalentes a 600 mil produtores. Nós estamos falando disso aqui, exatamente da importância disso.
Deputado, desculpe-me, mas eu vou usar uma palavra forte aqui.
Cadê o Dr. Evandro? Ele foi embora? Foi ao banheiro.
Deputado, desculpe-me, mas vou usar uma expressão muito forte aqui: nós deveríamos tratar da questão do embrião no Brasil como uma "bolsa embrião" para pequenos produtores. A verdade é exatamente essa, tamanha a importância que tem essa política pública.
Nós temos hoje o recurso das associações, da Embrapa, reconhecida mundialmente pelos trabalhos que realiza, não só na pecuária de leite e na pecuária de corte, como também na produção de soja, milho, de tudo. O Brasil é a maior potência mundial hoje na produção de alimentos não é à toa. Vocês podem ter certeza disso. Quando Deus fez o mundo, ele caminhou descalço aqui. A verdade é essa. Apesar de todos os desafios que temos, os números estão aí, já foram mostrados. Eu não vou precisar ficar repetindo.
Vou mostrar agora uma evolução na produção leiteira. De 2.200 litros de leite é a produção média dos produtores nacionais. Isto eu compilei do Anuário Leite 2022, da Embrapa. É a média que a Embrapa apresentou no anuário. Nós conseguimos, em 10 anos, de 2011 a 2021, o aumento modesto de 10% na produção de leite, nós passamos de 32 bilhões para 35 bilhões de litros. Em contrapartida, a nossa produtividade aumentou em 60%: nós passamos de 1.400 litros de leite por ano para 2.200 litros de leite por ano, de acordo com a Embrapa. Isso é resultado exatamente de melhoramento genético.
Está aqui um exemplo disso: a raça girolando, criada no Brasil, exatamente com a parceria das associações de criadores, da Embrapa e, principalmente, do Ministério da Agricultura, Deputado. Essa é uma raça destinada a atender aos anseios do produtor de leite nacional. Então, nós temos hoje condições de atender desde aquele produtor pequenininho, que produz até 200 litros de leite por dia, até os grandões, que produzem 20 mil litros por dia, exatamente com essa máquina aí.
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Então, pessoal, isto aqui demonstra exatamente isso. A gente tem a oportunidade de falar neste plenário que nós temos os recursos necessários para atender a essa demanda, a essa necessidade. Se não tivermos isso, grande parte desses produtores irão sair da atividade. Nós trabalhamos na Girolando com 4.500 associados esparramados em todo o território nacional, do Rio Grande do Sul a Roraima, e atendemos desde o pequeno até o grande. Gente, a coisa mais triste é ver uma família ter que vender as suas vacas de leite para o frigorífico. É triste! Eu já vi criança chorando na barra da calça do pai: "Pai, não manda a 'boneca' para o frigorífico, não, pai. Pelo amor de Deus!", mas tinha que sair. A realidade é essa; nós temos isso aí batendo à nossa porta.
Desenvolvimento técnico: já foi falado aqui pelo pessoal da ABS, da Embrapa e do Genoma. Nós estamos fazendo o nosso dever de casa, estamos fazendo um trabalho dentro da porteira, e a genética está realmente extrapolando. O impacto dessa genética — e não vou me alongar muito nisso, não — é um número que eu tenho que mostrar aqui, Marcos Vinicius: nós temos melhorado a produção de leite de gado e temos baixado a emissão de metano. Olha só, gente, isso é pesquisa que estamos fazendo, e temos que investir mais nisso. Está-se falando de COP 30, e está aqui o resultado. E nós temos realmente que mostrar tudo isso, e é através do embrião e do melhoramento genético que nós temos capacidade de fazer isto: raça geneticamente melhorada e geneticamente adaptada tem condição de atender exatamente a isso.
E quero que vocês prestem atenção ao impacto do melhoramento genético. O programa de formação da raça girolando iniciou-se em 1989, através exatamente de portaria do Ministério da Agricultura. E este próximo eslaide mostra que, em 1989, uma vaca foi a grande campeã nacional na primeira exposição nacional, ela produzia 4.500 quilos de leite e era uma vaca 5/8.
Esta aqui é a grande campeã nacional de 2024. Aquela anterior produzia 4.500 quilos, esta produz 15 mil, na lactação. Temos aqui a morfologia dela em relação à morfologia da outra e a capacidade de produção de leite dessa vaca: a outra era de inseminação artificial, esta é de FIV, de embrião. Então, o que nós temos que mostrar é exatamente que "o melhoramento genético é ecologicamente correto e socioeconomicamente sustentável".
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E uma coisa interessante, Deputado Rafael, que a gente tem vivido no campo, principalmente em contato com os pequenos produtores de leite: aquele pequeno produtor de leite, que tem muito pouco recurso e muito pouca informação, quando sai para comprar um animal, a pergunta que ele faz ao vendedor é se o animal é de FIV. A única referência que ele tem de garantia de que aquela é uma genética melhorada, Dr. Evandro, é se o animal é de FIV e se é registrado, para ter a garantia que é de FIV mesmo, porque o registro garante isso, pode ser de qualquer raça. Mas ele sabe que o produtor de embrião não vai usar qualquer doadora, não vai usar qualquer tipo de touro, porque é uma tecnologia que realmente merece um pouco mais de investimento. Então, ele sabe que vai produzir através de uma genética melhorada, de uma genética superior. Então, quando o pequeno produtor vai comprar, ele pergunta ao vendedor se é de FIV.
Outra coisa interessante é que a única tecnologia embarcada em um animal é a genética, porque todas as outras tecnologias, como nutrição e sanidade, vêm de fora. A única que você deixa embarcada na vaca é exatamente essa.
Para encerrar, Deputado, a biotecnologia de embrião tem revolucionado muito a nossa pecuária leiteira, principalmente porque 98% nascem fêmeas. E o macho, dentro da pecuária leiteira, é realmente um grande problema. Esse é um dos fatores que a gente realmente tem que levar em consideração.
Nós estamos à disposição dos senhores. Temos estrutura hoje para fazer parte desse processo. Sabemos da dificuldade que enfrentamos, até mesmo com o Sebraetec, principalmente porque, quando o pequeno produtor quer entrar no programa, ele precisa disponibilizar receptoras. Então, de repente, a gente pode, dentro de uma estratificação, não só fornecer o embrião, mas também fornecer prenhez. Por que não? Depende do recurso que nós vamos ter para isso.
Então, deixo aqui as nossas sugestões e as nossas colocações para todas as cadeias envolvidas no processo.
Obrigado pela oportunidade, Deputado Rafael.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Celso, muito obrigado pela sua colocação. Enquanto você estava falando, eu estava procurando um WhatsApp aqui, e olha o que o comprador disse: "Para eu entender melhor aqui: ela é de FIV?" (Risos.)
Estão vendo? Ele pergunta se ela é de FIV. Então, você vê que ele bateu em cima.
Eu lhe agradeço muito.
Passo a palavra ao nosso Prefeito Diego e, depois, eu gostaria de ouvir algum dos professores da faculdade aqui presentes que nos prestigiam, junto com seus alunos, para darem também o seu recado, que eu acho muito importante.
Diego, a palavra é sua.
O SR. DIEGO COUTINHO DA COSTA - Boa tarde, Deputado Rafael Simoes, muito obrigado pelo convite.
Só para constar, eu gosto de deixar claro que eu não sou filho de grande produtor, não sou filho de fazendeiro, como o Celso falou, nem de microprodutor. Eu acho que sou filho de nanoprodutor, menor que o micro, porque meu pai tirava 70 litros de leite, e a minha mãe tinha uma lojinha de roupa numa cidade pequenininha. Então, eu costumo dizer que sou da ponta, estou lá na ponta; do pequeno ao médio e grande produtor, eu estou lá na ponta. Hoje estou Prefeito pelo segundo mandato e sei bem da realidade do produtor, principalmente do pequeno e médio produtores. A minha pauta lá, como o senhor disse, sempre foi a saúde. A gente, estando com Deus e tendo saúde, do resto, a gente corre atrás.
17:10
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O segundo ponto foi atender ao produtor rural. Isso me deu a honra de ser um dos Prefeitos mais votados do Brasil: tive 86% de votos na reeleição, por conta desse atendimento ao produtor rural.
Quero agradecer ao Dr. Evandro e lhe dizer que, se nós tivéssemos cinco Drs. Evandros no Brasil, o nosso problema estava resolvido. Muito obrigado pelo entusiasmo e por não largar mão do produtor rural, principalmente o pequeno e o médio produtores, aqueles que acordam todo dia de manhã, que sofrem com a família, sofrem com os filhos e com a esposa. Muito obrigado por ser esse entusiasta. E eu tenho certeza de que o senhor não vai desistir, assim como o nosso Deputado não vai desistir dos nossos pequenos e médios produtores rurais.
Quero agradecer aos futuros colegas acadêmicos da faculdade. Como todos vocês, eu também fui acadêmico, me formei e já entrei na política. Apesar de ter 35 anos, já disputei cinco eleições seguidas, fui Vereador por dois mandatos, tive dois mandatos de Prefeito e perdi uma eleição para Prefeito. A eleição de 2028 vai ser a primeira na minha vida que eu não vou votar em mim, pois a primeira que eu votei eu tinha 18 anos e já tinha votado em mim como Vereador.
Quero agradecer aos Prefeitos da nossa região: o Léo, que está aqui representando o Prefeito Tony, de São João Nepomuceno, e o Fernandinho, Prefeito de Descoberto, lá da nossa Zona da Mata mineira, por estarem aqui lutando pelos produtores, principalmente os produtores de leite.
Nós temos várias pautas para falar sobre o produtor de leite. E, hoje, a gente vem escutando principalmente sobre: custo alto, leite lá embaixo e importação de lácteos. Esses os problemas que a gente vem enfrentando. Mas nós temos um ponto principal. Apesar de todos nós acadêmicos ouvirmos muito falar principalmente sobre sanidade, nutrição e manejo, hoje nós temos um grande problema, que eu acho é o gargalo — a nossa cidade é um exemplo de como isso mudou a história dos produtores —, e não digo que é o melhoramento genético, pois há várias formas de se fazer melhoramento genético, e nós não temos que falar mais disso: trata-se do embrião na FIV, não há outra alternativa, não há outro ponto. Não podemos mais falar em melhoramento genético, porque ele significa inseminação e várias outras coisas. Hoje, nós temos que falar de FIV, de embrião: bezerra de embrião, bezerra de FIV. E temos que pautar isso. Por quê?
Hoje, aproximadamente 90% dos produtores são pequenos e médios e eles correspondem a quase 50% da produção de leite. Vamos considerar aproximadamente 1 milhão de pequenos e médios produtores: se eles saírem do ramo, são mais de 5 milhões de pessoas que estarão saindo diretamente do ramo. Isso porque a agricultura familiar e a pecuária de leite envolvem o marido, a esposa, os filhos, a nora, o genro. Assim, se nós estamos falando de 1 milhão de pequenos e médios produtores, considerando uma família com 5 pessoas, nós estaremos falando de 5 milhões de empregos diretos — diretos! E essas pessoas vão para onde? Vão ficar nas costas do Governo? Como irão sobreviver essas 5 milhões de pessoas? Então, o que nós temos que fazer? Eu vou dar um simples relato de como funciona em nossa cidade. Um simples relato.
17:14
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Lá, quando nós assumimos a Prefeitura, em 2021, nós vimos acontecer a mesma história que vários amigos aí contaram. Tínhamos produção de 95 mil litros de leite em Estrela Dalva, Volta Grande e Pirapetinga, na Zona da Mata mineira, próximos a Juiz de Fora e Além Paraíba — 95 mil litros de leite. Há 3, 4 anos, estávamos produzindo 35 mil, e estava acabando. Da nossa cidade até o Distrito, todas as propriedades eram de produtores de leite. Isso em 2021; não tinha mais produtor de leite, todos vindo para a cidade. Então, nós precisamos de quê?
Vamos levar em consideração agora o Governo. Há hoje um programa, a que eu sou muito favorável, que é o Bolsa Família, e até ouço algumas críticas sobre isso — e o Celso mencionou isso —, mas sou favorável ao programa que atende às pessoas que precisam, às pessoas carentes. E esse projeto existe porque foi prioridade do Governo. Nós precisamos levar ao secretário, ao Ministro e, lá em cima, ao Governo que temos que dar prioridade a esse melhoramento genético a partir de FIV, senão, o leite vai acabar. Literalmente, ele vai acabar. O pequeno e o médio produtores irão sair de cena, não tem como eles ficarem lá.
Em nossa cidade, onde assumi em 2021, fiz um levantamento, e, por ser um programa único no País, nós tivemos que fazer tudo. Nós não tínhamos Banco de Preços para fazer o processo licitatório. Fomos procurar e vimos que nenhuma outra Prefeitura no País tinha feito isso ainda. Nós sentamos, chamamos os veterinários, os amigos da região, as equipes dos laboratórios: "Vamos fazer. E o que é preciso para ter um animal bom?"; "Ah, precisa ter doadoras leiteiras acima de 7 mil quilos de leite"; "Então, vamos colocar isso na licitação"; "Precisamos de touro holandês"; "Vamos colocar isso na licitação". Ou seja, tudo foi criado por nós. Hoje, 100% dos produtores rurais do Município de Estrela Dalva recebem embriões meio-sangue dos melhores plantéis do Brasil e do mundo. Hoje, após 5 anos — começamos em 2021 —, nós já temos mais de 600 bezerras no chão, e isso mudou a vida de quase todos os produtores rurais. Tivemos aumento de cadastro de propriedade de 15% nesses 4 anos. O que é isso? São produtores querendo arrendar propriedade em nossa cidade para participar do programa e poder ganhar as bezerras. Hoje, nós temos bezerras campeãs em pista, temos bezerras campeãs em torneio leiteiro e, há 2 meses, uma novilha nossa saiu de nossa cidade. Ainda temos muito o que melhorar, por exemplo, criando um núcleo Girolando para ter nossas bezerras reconhecidas, com registro. E nós temos lá a marquinha de "ED", no pernil da bezerra, que representa Estrela Dalva, e ela ganhou em duas categorias: a categoria de 40 quilos e a categoria livre, em Bom Jesus do Itabapoana, no Estado do Rio de Janeiro. Ela saiu de Estrela Dalva. Três novilhas nossas foram vendidas em Estrela Dalva, há 1 mês, por 75 mil reais, 25 mil reais cada novilha, todas elas dente de leite, produzindo mais de 40 quilos de leite, que eram de produtor pequeno, micro, nanoprodutor.
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Então, convido vocês a conhecer Estrela Dalva e conhecer o nosso projeto, que hoje é realidade. Todo produtor de nosso Município recebe embrião meio-sangue, isso há 4 anos. Se Deus quiser, vamos continuar trabalhando até o final do Governo, em 2028, e com recurso próprio. Ou seja, foi prioridade do nosso Governo e vai continuar sendo prioridade.
Muito obrigado.
Dr. Evandro, o senhor sabe que eu tenho um apreço e um carinho muito grandes pelo senhor. Não desista dos produtores rurais, principalmente dos pequenos e médios e produtores. Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Diego, muito obrigado por estar aqui acompanhado dos seus colegas Prefeitos das cidades vizinhas de Estrela Dalva. O seu depoimento evidencia ainda mais a importância desta audiência pública.
O seu Prof. Evandro disse para falar em melhoramento genético, mas eu peço licença para contestá-lo.
Hoje, o único melhoramento genético efetivo que nós temos é a FIV, professor, porque, em que pesem os outros mecanismos de que dispomos, não temos essa capacidade de melhorar tão rapidamente quanto com a FIV. Vamos convencionar e falar de FIV, que é o grande melhoramento genético do momento, é o que tem de mais inovador que o mundo está usando.
Não é possível que nós, em um futuro muito breve, tenhamos que de fato importar leite porque vamos perder a capacidade de produzir leite no Brasil. E vai acontecer. Se o Governo não entender isso, independentemente do Governo que for, e se não tomarmos uma iniciativa rápido, o Brasil não mais será autossuficiente, e aí, Marenilson, nós vamos entender quanto custa o leite. Até agora, nós não estamos entendendo por que o pessoal está mandando o excesso dele. Mas, no dia em que eu descobrir que o Brasil não é autossuficiente, nós vamos voltar lá atrás, e vocês vão ver que leite vai ser artigo de luxo. Só que o leite é muito importante, é um nutriente indispensável. Nós não podemos correr esse risco.
Ele disse bem: a gente fala de 1 milhão de produtores. Na verdade, nós temos 5 milhões diretos — diretos —, mas, se pegarmos toda a cadeia, com certeza, chegaremos a 10 milhões de pessoas — com certeza. Aqui, nós temos a indústria de ração, de remédio, e aí vai. São 10 milhões de pessoas envolvidas! Então, nós não podemos ficar empacados do jeito que estamos. Nós estamos empacados. Essa é a verdade. E não aguento mais ouvir dizerem: "O leite sempre foi assim, cara". Como, sempre foi assim? Então, quer dizer que o risco na parede vai ficar lá, nós não vamos pintar a parede nunca, nós não vamos achar uma solução para essa parede? Não, nós temos que arrumar uma solução, nós temos que criar programas estruturais. E, de fato, a FIV hoje é o que tem de mais moderno. Pode ser que amanhã a Embrapa descubra outro sistema mais efetivo que a FIV, e aí nós pulamos para ele. Mas, neste momento, o que se tem é FIV.
E a gente tem que agradecer muito aqui aos produtores de gado gir que abriram seus rebanhos para que houvesse o cruzamento, pois o girista gostava só de gir, mas hoje ele percebeu a importância de liberar o gir para acasalar com os touros holandeses, que estão muito à frente e que não têm erro. Você pode escolher qualquer touro holandês e, se tiver uma boa vaca gir, o resultado vai ser excepcional. Eu acho isso muito importante.
Eu gostaria de convidar para vir aqui à frente a Mariane Leão, que aqui nos prestigia, junto com os seus alunos, para falar em nome da faculdade e nos dar uma palavra também de alento ao nosso produtor rural, principalmente por estar entregando veterinários preparados para atuarem nesse sistema, pois, como disse o Evandro, nós precisamos de veterinários para fazer a transferência.
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Ô, Deputado Eli! Eu não vi que V.Exa. estava aqui — sentou aqui quietinho. Agradeço-lhe muito, Deputado Eli Borges, pela sua presença e já lhe passo a palavra também.
A SRA. MARIANE LEÃO FREITAS - Boa tarde a todos.
Agradeço o convite para participar hoje. Fui pega de surpresa para falar, mas é uma honra estar aqui.
Eu sou professora de Biotécnicas da Reprodução. Estou junto com os meus colegas ali, a Profa. Fabiana, de Melhoramento Genético, e o Prof. Túlio, de Produção e Clínica de Ruminantes.
Nós trouxemos um grupo de alunos da medicina veterinária. Na semana passada, eu conversava com eles sobre a FIV, como é a técnica e como ela é executada. E hoje eles estão aqui presenciando essa discussão sobre esses números. É muito importante para os nossos alunos entenderem como é o mercado, como é a realidade, com o que eles vão lidar. Portanto, estar aqui hoje é muito engrandecedor para nós.
E foi muito bem colocada, nós estávamos ali discutindo, a questão de que o embrião não vai sozinho para a propriedade. Nós precisamos do médico veterinário trabalhando nisso, acompanhando esse processo. A gente vai puxar um pouquinho para o nosso lado aqui também, porque quem lida com isso é o médico veterinário. A gente discute sobre isso em sala de aula com os alunos. Quando a gente fala de inseminação artificial, qualquer pessoa pode fazer a inseminação artificial. Ela faz um curso e aprende a fazer a inseminação artificial. Quando a gente trata de produção de embriões, é o médico veterinário quem vai atuar com esses embriões. Então, a gente está em campo, a gente está no laboratório mexendo com essa biotécnica.
Então, é preciso pensar isso andando junto. O embrião não vai conseguir chegar sozinho à vaca. A gente tem que pensar, nesse meio do caminho também, no médico veterinário. E aí entra pesquisa, entra mão de obra, entra um monte de coisa. Portanto, é muito importante agregar tudo isso.
E é preciso pensar que o embrião, quando a gente fala de biotécnica, é o final da linha. No meio do caminho, há várias coisas. Eu converso com os meus alunos sobre quando a gente vai indicar uma FIV, quando a gente vai indicar essa transferência de embrião. E é quando o básico estiver bem feito. A gente precisa ter a nutrição, a gente precisa ter a sanidade, a gente precisa ter tudo isso andando junto, senão não vai adiantar eu colocar o embrião dentro da vaca. Ela não vai segurar, ela não vai conseguir manter uma gestação. Portanto, a gente tem que pensar nessa base para conseguir colocar o embrião dentro da vaca.
Eu acho que esses são os pontos importantes a considerar.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Obrigado, professora.
Quero agradecer os acadêmicos presentes e dizer que, para nós da Câmara, é uma alegria imensa tê-los aqui neste debate tão importante.
Vou passar a palavra ao Deputado Eli Borges, que está sempre junto com a gente na Comissão de Agricultura, um defensor do agro.
Fique à vontade, Deputado.
O SR. ELI BORGES (PL - TO) - Cumprimento o meu amigo, Deputado Rafael Simoes, da nossa querida Minas Gerais, região muito produtora de leite, e todos os senhores que estão aqui.
De fato, esse é um debate que precisa ser feito com muita urgência. A priori, meu querido Deputado Rafael Simoes, é meio que, numa comparação que inicialmente não se justifica muito, mas parcialmente, um paciente que está na UTI e precisa de socorro essa questão da produção de leite e essa questão da melhoria do rebanho.
17:26
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Por que o Brasil importa leite? Quem está vendendo para o Brasil está ganhando ou perdendo para vender para o Brasil? Há uma explicação. Em algum momento, a política que é praticada por lá contempla melhor os produtores. Eu me lembro de um saudoso pastor que dizia: "Deus fez a vaquinha amarela que come o capim verde e dá o leite branco no outro dia".
Eu sou do agronegócio, mas, se há uma coisa que responde rápido, depois a médio prazo, na melhoria do rebanho e em todo esse processo aqui já comentado, é o leite. E, com essa cadeia, o senhor disse, acredito que em torno de 10 milhões de pessoas são beneficiadas — e é verdade.
Eu sou de uma região do Tocantins, moro em Palmas, em que, no mínimo, trezentas pessoas se servem da produção de leite. Um tira 100 litros, outro tira 30 litros, outro tira 40 litros, outro tira 500 litros, mas a verdade é que todos eles dependem, no fim do mês, daquilo que eles recebem pela produção de leite.
Eu quero compreender, e parece-me que o Marenilson é quem representa o Governo — é do MDA —, que isso é extremamente urgente.
E vou dizer outra coisa. A produção de leite está muito ligada ao rebanho, mas eu vejo muitos debates no Brasil, por exemplo, sobre pessoas que, por fazerem a opção de ser um produtor de leite, estão quebradas e endividadas com os bancos. Há um caminho para essas pessoas? É uma pergunta, porque eles já provaram que querem, já provaram que sabem produzir, mas a política não os contemplou em algum momento, e eles estão em situação difícil e querem continuar. Quem produz leite sabe que, se for na rotina, no nível mais elevado, não um tirador de leite comum, é cedo e de tarde, de segunda a segunda. É uma entrega muito, muito, muito grande a de um produtor rural, e eles estão quebrados.
Aqui vou terminando, Presidente. Eu já fui produtor de leite e depois vendi a propriedade, mas os custos são elevados. São tantos quilos de leite e tantos quilos de ração, e vocês entendem muito bem isso.
Eu não quero ferir ninguém aqui, até porque cheguei e já estou saindo — vim prestigiar o meu amigo, o Deputado Rafael, e vim prestigiar o tema —, mas quero dizer que, entre o valor que recebe o produtor e aquilo que o cidadão paga no mercado, tudo isso tem que ser discutido. Ah, mas nós estamos pagando muito, muito imposto, muita taxa. Não há um setor talvez mais visitado por fiscais do que o setor produtivo de leite. Então, há uma série de coisas colocada em cima do produtor. Eu não posso dizer que quem está vendendo lá para o mercado num preço mais elevado faz isso porque quer ou porque no meio do caminho existe um Governo que está xeretando muito, para ser verdadeiro. O que eu sei é que o brasileiro trabalha 162 dias por ano só para pagar imposto e taxa, além de uma série de burocracia.
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Portanto, meu querido Marenilson Batista, eu acho que agora é preciso compreender que a vaquinha amarela que come o capim verde e dá o leite branco no outro dia pode ter outras cores e é preciso começar a inseri-la nessa cadeia, para ver onde está... Por que nós temos que comprar de fora? Por que o nosso produtor não é mais prestigiado? Por que a imensa maioria está quebrando? Por que agora o cidadão está lá mais porque gosta de ser produtor de leite do que realmente porque tem retorno com isso?
E aqui eu termino dizendo que, pelo menos no meu Estado, eu não sei nos dos senhores, basta ver os índices de riqueza das pessoas que mexem com isso. É aquela caminhonete velha quebrando, porque elas não têm dinheiro. Alguma coisa está acontecendo, e a gente precisa dar uma sacudida nisso, no sentido de que o cidadão produza o leite e ganhe o seu dinheiro, e quem depende do leite lá no mercado também o compre, em condições de poder beber o leite a cada dia. E de quem está industrializando vamos ver o nível. O que está acontecendo?
Então, é um debate muito importante, meu querido Deputado Rafael, muito urgente. Aliás, é um debate que nós estamos fazendo meio que para tirar esse paciente da UTI e dar um tempo novo para que ele possa respirar, inclusive rediscutindo dívidas bancárias, porque muitos estão sem condições de pagá-las, porque o lucro está muito pequeno.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Querido amigo, Deputado Eli, quero agradecer-lhe pela sua presença, por prestigiar esta audiência pública sobre um assunto de extrema importância. Só para V.Exa. ter ideia, sabe quanto nós importamos de leite até agora neste ano? Dois bilhões de litros de leite. Dois bilhões. E o nosso produtor está morrendo, à míngua. São coisas que a gente não consegue entender.
Nós caminhamos para o encerramento, mas, antes de terminar, já que o tempo está quase no fim, e o Dr. Evandro vai precisar pegar um avião — Dr. Evandro, muito obrigado pela sua presença —, e V.Exa. incitou o nosso representante do MDA a falar, mas antes de ele falar, eu quero perguntar aos nossos participantes se alguém tem mais alguma colocação, quer fazer alguma pergunta, porque daí eu passo para o Marenilson, e a gente encerra aqui. Alguém quer falar alguma coisa? (Pausa.)
Tem a palavra o Marenilson.
O SR. MARENILSON BATISTA DA SILVA - Inicialmente, eu gostaria neste momento de agradecer a oportunidade que o Ministério do Desenvolvimento Agrário tem de dialogar sobre um tema tão importante, com o qual o nosso Ministro Paulo Teixeira tem se preocupado e nos cobrado diariamente, tanto sobre a transferência de embriões especificamente quanto sobre a cadeia produtiva como um todo.
Hoje pela manhã, nós já tivemos uma reunião com vários setores para discutir a questão das importações, para discutir a rentabilidade dos sistemas de produção. E eu estava pensando aqui, Deputado. Eu nasci em um Município pequeno, que, na época, deveria ter uns 10 mil habitantes. O meu avô era produtor de leite, e o meu alimento de manhã e de tarde era batata com leite ou macaxeira com leite. Isso tudo era o nosso alimento. O leite está em praticamente todos os Municípios do nosso País.
Para finalizar a minha fala, quero dizer que nós temos uma parceria com a Embrapa. Desde 2023, nós estabelecemos uma parceria com a Embrapa que nós chamamos Rede Ater Leite. Hoje ela está em cinco Estados, e nós queremos chegar a 24 Estados, exatamente fazendo toda a transferência de conhecimento que existe na minha Embrapa — porque eu também sou pesquisador da Embrapa, na área de algodão. É para chegar aos mais diferentes recantos do País, a exemplo do que o Marcos falou, desde transferência de embrião, cultivares de capim e leguminosas, até laticínio e agroindústria. Essa parceria tem sido muito exitosa.
17:34
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Nós vamos ter uma reunião agora lá em Juiz de Fora para fazer um balanço das atividades do ano. Nós também temos feito vários cursos de forma on-line, em EAD, como o Produção de leite de qualidade na agricultura familiar, feito pelo pessoal da Ater Leite. E agora nós estamos construindo um novo, o de passo a passo da transferência de embriões, porque nós entendemos que, quanto mais conhecimento, fica muito mais fácil para os produtores terem atitude.
Quero parabenizá-lo, porque, para mim, hoje foi mais um dia de aprendizado. Parabéns, Deputado Rafael!
O MDA está à disposição.
O SR. PRESIDENTE (Rafael Simoes. Bloco/UNIÃO - MG) - Muito obrigado, Marenilson.
Eu vou responder a V.Exa., Deputado Eli. O leite que entra hoje entra através dos varejistas. Os supermercados estão indo lá comprar direto. Antes a gente falava mal da indústria, e aí o Governo foi lá e trancou a porta da indústria, e piorou muito, sabe por quê? Porque agora o varejista está indo lá comprar. E está comprando que leite? Nós não sabemos que leite está chegando aqui, mas o dumping há, porque eles estão vendendo leite para nós aqui abaixo do custo de produção deles lá.
O que está importando nesse momento, a meu ver, e eu posso estar cometendo uma injustiça aqui, é a comida barata, porque a eleição está chegando. E aí vem aquele velho ditado: geladeira cheia, eu voto com quem? Com o Governo. Se é geladeira vazia, eu voto com a Oposição. Ocorre que, em 2027, essa geladeira vai estar até desligada, porque nem energia vai ter do jeito que nós estamos indo.
Então, é hora de a gente fazer política de responsabilidade, essa é a grande realidade. A boa vontade de todo mundo é importante, mas é preciso efetivar a boa vontade em realidade. Se a gente quiser resolver toda a cadeia de uma vez, a gente não vai resolver, não. Se a gente começar: "Não, nós precisamos melhorar os pastos, nós precisamos melhorar a comida, nós precisamos melhorar a sanidade", nós vamos morrer, e vai ficar desse jeito aqui. Nós temos que ter um ponto de partida. Em vez de o cara ter dez vaquinhas, que ele tenha duas vacas que produzam pelas dez vacas. Ele vai ter mais pastos, ele vai ter mais condições inclusive de fazer o tratamento sanitário desses animais. Não adianta ter volume que não produz nada.
Portanto, a gente precisa organizar isso. Eu acho que está na hora de todos os Deputados... A gente sabe que na Casa somos 513 Deputados e cada grupo defende um segmento, mas esse é um assunto que une todos, até porque todos nós temos origem num dado momento lá na roça.
E eu posso dizer a vocês que hoje o produtor, da porteira para dentro, está fazendo o que pode. Ocorre que ele não tem estrada. O cara fala: "É para buscar o seu leite, 50 litros, aí? Esquece. Vê se arruma outro, eu não vou. Se eu for buscar, é 1 real", porque tem que pagar. A Tetra Pak hoje ganha uma fortuna porque tem que fazer aquelas caixinhas. Então, primeiro, vamos pagar a indústria da caixinha e, depois, vamos ver o produtor de leite. E, quando o leite sobe, a grande imprensa já vai lá numa fazenda e mostra o produtor: "O grande vilão da história está aqui, o produtor".
Nós estamos em entressafra, pessoal. Isso aqui é entressafra. Quem estava com gado ao pasto ou teve que suplementar, o que custa caro, ou perdeu o gado, ou teve que vender. E nós continuamos na mesma história, só que nós não estamos naquela fase: "Ah, agora nesse período da entressafra sobe e depois cai". Não, faz quase 3 anos que nós estamos morrendo de fome.
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V.Exa. está falando de UTI, e eu vou dizer para V.Exa. que a UTI está quase vazia. Sabe por quê? Quase todos já morreram. Agora nós temos que dar um jeito de acudir aqueles que estão lá e aqueles que estão na semi-intensiva, para não irem para a UTI, e a única forma de fazer isso é através da política.
E nós temos que sair do discurso e ir para a prática. Eu falo que eu estou aqui hoje como Deputado, mas eu não tirei a roupa de executivo ainda. Eu fui Prefeito, e você estar na Prefeitura, como o Diego está lá, podendo fazer e acontecer é espetacular. E nós que somos caros vimos para cá e fizemos projeto, que sai desta Casa, vai para o Senado e, ao chegar lá ao Senado, vai para debaixo da gaveta, e não votam. Quando votam, o Governo sanciona, e o Supremo Tribunal Federal fala que é inconstitucional. Este é o Brasil que nós estamos vivendo.
Eu quero aqui convidar todos, todos nós que fazemos parte desse segmento, para que estejamos unidos, até porque é a falta de união o que está nos levando para onde nós estamos. Sabe o que acontece, Deputado Eli? Chega o laticínio que vai comprar o meu leite e fala assim: "Para você, eu vou pagar 3 reais. Para o seu vizinho, eu vou pagar 2 reais, mas você não fala nada". E ele fala assim: "Então, está bom". Enquanto nós continuarmos fazendo isso, nós vamos estar nessa situação. Nós temos que estar unidos, mostrando a importância do nosso produto lácteo.
Agora, na Câmara do Leite — eu não pude participar porque estava aqui —, discutiram que estão querendo tornar o leite vegetal leite também. Se é análogo, então pode pôr lá: leite de abacaxi, leite de não sei o quê. E a indústria está batendo palma, porque ela quer ganhar dinheiro, e nós estamos deixando a coisa acontecer, estamos deixando a coisa acontecer.
Então, é hora, de fato, e conto com o apoio de V.Exa., que é um grande líder da Casa, de a gente movimentar as Lideranças partidárias para que esse assunto do produtor de leite se torne prioridade nesse momento.
Eu mexo muito com saúde. Se deu a notícia que morreu, não precisa chorar mais, não. Morreu. Não há mais o que fazer. Morreu, morreu. E a gente não pode deixar o nosso produtor morrer, porque, depois que ele vier para a cidade, ele não volta mais para a roça, não. Ele não volta.
Então, eu agradeço a todos pela presença.
Nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a reunião, às 17h40min, antes convocando-os para reunião deliberativa, com pauta já publicada, amanhã, 12 de novembro, quarta-feira, às 10 horas.
Antes de eu encerrar, quero convidar todos os amigos que são apaixonados pelo leite para estarem, no dia 29 de novembro — coincide com o meu aniversário —, na Fazenda Rancho Alegre, lá em Pouso Alegre. Nós vamos fazer um grande dia do campo, convidando criadores de todas as raças e produtores de leite, para continuarmos a nossa conversa. Então, aqueles que estão nos assistindo pelo YouTube, todo mundo está convidado para ir a Pouso Alegre, no sul das Gerais.
E quero convidar todos os alunos para que venham aqui à frente, porque a gente vai fazer uma foto.
Muito obrigado e boa noite. (Palmas.)
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