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O SR. PRESIDENTE (Marcelo Álvaro Antônio. Bloco/PL - MG) - Boa tarde a todos.
Declaro aberta a presente reunião de audiência pública da Comissão de Turismo, que está sendo realizada por determinação do Requerimento n° 13, de 2025, de autoria da Deputada Simone Marquetto, subscrito pelo Deputado Bibo Nunes, com o objetivo de debater o potencial do turismo religioso na valorização cultural e no desenvolvimento local.
Vamos dar início a este momento tão importante, que trata do turismo religioso — as rotas da fé no Brasil.
Ao nosso lado, a gente tem a honra de ter a presença do Ministro Celso Sabino. Antes da chegada do Ministro, eu havia dito o quanto o turismo tem sido importante nessa missão de fazer com que o Brasil possa gerar emprego, renda, sobretudo, oportunidades para os brasileiros que mais precisam de um trabalho digno.
O Ministro Celso Sabino, ao longo desse período à frente do Ministério do Turismo, já demonstrou toda a sua capacidade, a sua competência. Vários recordes já foram quebrados através dessa gestão, que tem realmente sido um diferencial e um divisor de águas na história do turismo brasileiro. Então, é um prazer, Ministro, tê-lo aqui conosco.
Esta reunião está sendo realizada em função da sensibilidade da Deputada Simone Marquetto, que trouxe este tema tão importante. A gente sabe que o turismo tem várias vertentes — turismo de negócios, ecoturismo, turismo rural —, mas o turismo religioso realmente movimenta uma grande parte da nossa população, tendo em vista que o Brasil é um País com quase 90% de cristãos.
Quero reforçar a presença e desejar boas-vindas ao Reverendo Padre Omar Raposo, Reitor do Santuário Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Já estivemos juntos, padre, enquanto eu estava à frente da pasta do Ministério do Turismo. O padre, sempre com muito zelo, com muita capacidade, trata dos assuntos do nosso querido Rio de Janeiro.
Também conosco encontram-se a Sra. Kiara Petillo de Castro e Castro, Diretora da Expocatólica, e o Reverendo Padre Márcio Almeida, Reitor da Basílica de São Miguel Arcanjo, em São Paulo. Sejam muito bem-vindos. É um prazer tê-los conosco.
Contamos também com a presença do Sr. Luiz Américo, o Luizinho, Prefeito de Penha, cidade que abriga o parque Beto Carrero. Ele está ali atrás, mas tinha que estar aqui na frente, tendo em vista a importância da cidade de Penha, que abriga talvez um dos principais parques temáticos do nosso Brasil, se não for o principal. Seja muito bem-vindo, Prefeito.
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A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Primeiramente, uma santa tarde.
Antes mesmo de apresentar os palestrantes e dar início a esta sessão, quero fazer alguns agradecimentos.
Nós contamos com a presença de dois Ministros do Turismo. Então, estamos respaldados aqui hoje. É uma alegria e uma honra tê-los aqui. Nós ficamos muito felizes.
Agradeço também ao Deputado Marcelo, Presidente da Comissão. Como foi bem dito aos nossos colegas Deputados, esta é uma Comissão que tem feito entregas. E é para isso que nós estamos aqui, para discutir políticas públicas, independentemente de partido, mas pensando no Brasil e entregando ao Brasil. A participação de todos os senhores aqui demonstra isso. O Presidente Marcelo tem conduzido esta Comissão de forma brilhante, e o resultado a gente vê em cada audiência que é promovida e aprovada aqui. Então, muito obrigada.
A abertura desta audiência já foi feita pelo Presidente da Comissão. Eu gostaria de informar que ela está sendo transmitida ao vivo.
Quero apresentar novamente os palestrantes, pois é importante mencioná-los: Sr. Celso Sabino, Ministro do Turismo e Presidente do Conselho Executivo da ONU Turismo. Ministro, o senhor vem hoje aqui para de fato fazer valer a pena estar nesta Comissão. A todas as demandas do turismo, a ajuda que os Municípios vêm buscar, com aconselhamentos e encaminhamentos, o senhor tem dado uma resposta. E a sua presença aqui mostra ainda mais o compromisso que o senhor tem com o Brasil e com o turismo. De forma especial, nós pensamos na pauta de hoje, que trata do turismo religioso, que é crescente, em nomes brilhantes para podermos discutir e trazer algumas demandas.
Também quero mencionar aqui o amigo Reverendíssimo Padre Omar Raposo, Reitor do Cristo Redentor. Quero mencioná-lo com carinho, pois ele passou por uma dificuldade muito grande. Nós estivemos juntos em Portugal para buscar a primeira cruz, que foi celebrada na primeira missa no Brasil. Foi o Padre Omar que foi buscá-la e nos deu esse presente, essa peregrinação pelo Brasil. Na volta, ele sofreu um acidente feio, muito ruim, que nos deixou muito preocupados. E agora temos o senhor aqui, de volta, com saúde.
Contamos com a presença também da Sra. Kiara Petillo de Castro e Castro, Diretora da Expocatólica, uma feira católica que tem movimentado não só o Brasil, como também Portugal, Itália e diversos países, que participaram, pegando-a como modelo. Já sei que a Kiara tem sido convidada para ir ao Nordeste.
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O Nordeste quer levar a Expocatólica para lá também, porque, de fato, ela reuniu várias empresas, empresários, padres e paróquias.
Você vai poder falar um pouquinho com a gente também dessa experiência. Obrigada por estar presente.
Presente também o nosso Reverendíssimo Padre Márcio Almeida. Benção, meu querido padre. Padre Márcio é o Reitor da Basílica de São Miguel Arcanjo, no interior do Estado de São Paulo. Eu não sei se vocês sabem, mas nós temos documentado o marco da aparição de São Miguel Arcanjo no Brasil, na Revolução de 1932. Foi lá na cidade de São Miguel Arcanjo. O Padre Márcio vai falar sobre isso depois. É uma alegria tê-lo aqui!
O Sr. Emerson José Sena da Silveira, Professor Doutor do Departamento de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, está nos acompanhando também de forma remota. É uma alegria tê-lo aqui.
O tempo reservado para cada convidado será de 5 minutos, exceto para o Ministro Celso Sabino, que terá o tempo regimental de 20 minutos prorrogáveis.
A palavra será dada aos membros da Comissão, respeitada a ordem de inscrição, pelo prazo de 3 minutos.
V.Exas. somente poderão abordar o assunto da exposição, sendo vedado ao orador interpelar qualquer dos presentes.
Parabenizo a Deputada Simone Marquetto, inicialmente, que preside os trabalhos nesta tarde na Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, pela sua iniciativa de realização desta sessão e pelas ações do mandato de S.Exa., na direção de fortalecer o turismo religioso no Brasil.
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Desde quando nós assumimos o Ministério do Turismo, o Marcelo sempre foi um Parlamentar ativo, um ex-Ministro participativo, que fez tudo para que esta gestão pudesse alcançar os resultados que vem alcançando.
Agradeço também aos membros da Comissão de Turismo, aos Deputados aqui presentes, que já foram mencionados e que, ao longo do nosso pronunciamento, nós vamos mencionar também. Na pessoa da Deputada Fernanda Pessoa, cumprimento todas as mulheres aqui presentes; na pessoa do Deputado Bibo Nunes, todos os homens aqui presentes; na pessoa do Padre Omar, todas as autoridades católicas aqui presentes; e, na pessoa do Deputado Pastor Claudio Mariano, todas as autoridades evangélicas aqui presentes. Na pessoa do Ruthier, quero cumprimentar todos os assessores, servidores, funcionários e trabalhadores da Comissão de Turismo, que passam o ano inteiro apoiando as ações do Ministério do Turismo, todos os assessores Parlamentares, a imprensa presente, o trade que está hoje aqui também participando desta importante sessão, os servidores do Ministério do Turismo, que me acompanham e têm, de braços dados conosco, buscado melhores resultados para a população brasileira, para a geração de emprego e de oportunidades em todo o Brasil, através do turismo.
Nós entendemos, Deputada Simone, que o turismo religioso envolve não só o turismo católico, mas também — faço questão de mencionar isso — outras religiões aqui presentes. Temos uma movimentação muito grande também de fiéis evangélicos, que viajam para outras cidades para assistir a um show de música gospel de um grande artista ou para visitar um templo importante.
Sou natural de Belém, e lá foi criada a primeira igreja evangélica, a primeira Assembleia de Deus do planeta Terra. A chamada Assembleia de Deus Igreja Mãe tem uma grande catedral no centro da cidade. Todas as Assembleias de Deus e outras denominações pentecostais do mundo surgiram a partir dessa igreja, que está com 111 anos.
Também na cidade de Belém é realizada a maior procissão religiosa do País, que é o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, que vai acontecer no próximo final de semana — sem ser esse agora, no outro —, mas já iniciaram as festividades. São 2 semanas em que a cidade fica lotada. Em algumas procissões, nós temos mais de 2 milhões de pessoas na rua, em uma única procissão. É uma festa belíssima. Para quem ainda não conhece, já fica aqui o meu convite pessoal para que participem do Círio de Nazaré, que acontecerá no outro final de semana, na cidade de Belém do Pará.
Quando o Deputado e ex-Ministro Marcelo Álvaro Antônio assumiu o Ministério do Turismo, quando eu assumi o Ministério do Turismo e quando os Deputados que fazem parte desta Comissão passaram a atuar nessa atividade, eu não tenho dúvida nenhuma de que todos, ou quase todos...
Quero saudar também o meu querido amigo pastor, o Deputado Raimundo Santos, que, além de Deputado, é músico e também cantor gospel. Ele toca sanfona e canta muito bem. Ele é da Assembleia de Deus Igreja Mãe, que eu estava citando há pouco.
Mas, voltando ao que eu estava dizendo, Pastor Davi, quando nós começamos a atuar todos nessa atividade, uma máxima sempre nos perseguia, Ruthier. As pessoas diziam assim: "Como pode o Brasil, com tudo o que tem o nosso País — todas as belezas, a gastronomia, os parques, os monumentos, a história, a cultura —, receber menos visitantes do que recebe a Torre Eiffel?"
Vocês já ouviram as pessoas dizerem isso? Como é que a Torre Eiffel recebe 7 milhões de visitantes e o Brasil não recebe nem 7 milhões? Isso nos incomodava sempre a todos, e todos nós estávamos nos empenhando ao máximo para melhorar os resultados.
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Mas é importante, padre, que a gente faça a comparação correta. A Torre Eiffel é um aparelho turístico, e não quer dizer que quem visita a Torre Eiffel são todos turistas internacionais. Vão muitos franceses, vai muita gente das províncias próximas. Vamos comparar com um ponto turístico religioso no Brasil, que é a Catedral de Aparecida, na cidade de Aparecida, em São Paulo — a Deputada Simone Marquetto briga aqui, com unhas e dentes. No ano passado, em 2024, a Torre Eiffel recebeu 6.300.000 visitantes, e a Catedral de Aparecida recebeu 9.050.000 visitantes. Isso mostra o quanto o turismo religioso movimenta o País. Eu conheço, sei da história, e confirmo para todos que um empresário que queira investir em turismo na cidade de Aparecida pode construir hotel, pode construir pousada, porque os que a cidade tem ficam, durante o ano todo, como a gente fala, com a casa cheia.
O turismo religioso tem grande relevância não só em Aparecida, em Belém do Pará e na cidade de Trindade, aqui em Goiás, com a procissão e a festividade do Divino Pai Eterno, mas em todo o País. Eu destaco aqui três cidades muito importantes do Nordeste, que ficam numa região muito rica nesse setor do turismo religioso: Crato, Santana do Cariri e Juazeiro do Norte.
Eu tive a oportunidade de ser apresentado à cidade de Crato pela Deputada Fernanda Pessoa, que é do Ceará e atua no turismo religioso no Estado. A cidade de Crato possui um grande monumento em alusão, em referência, em homenagem à Nossa Senhora de Fátima; na cidade de Santana do Cariri, estão terminando de montar um grande monumento em alusão, em homenagem à Menina Benigna; e, na cidade de Juazeiro do Norte, a homenagem, como todos sabem, é ao Padre Cícero. Essa última é a principal e mais movimentada. Mas as outras duas têm um grande estacionamento para ônibus, comércio pujante, hotéis, restaurantes, bares, lanchonetes, que ficam lotados o ano todo. Vemos ônibus chegando e saindo, das mais diversas localidades do Brasil.
Esse é o turismo religioso, que tem impulsionado a atividade econômica, gerando emprego e ajudando o Brasil a virar a chave desse setor tão importante, Deputado Bibo.
Quero aqui, mais uma vez, fazer referência à contribuição do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados e desta Comissão de Turismo. Temos feito um esforço conjunto. Eu sempre digo que o turismo tem essa característica de aproximar as pessoas.
Em um momento de muita divisão política, de extremismo, o turismo faz com que um cidadão brasileiro que pensa ideologicamente muito à esquerda, às vezes, sente-se, num ônibus, ao lado de um cidadão que pensa radicalmente à direita. Ali eles vão falando das paisagens, da gastronomia, do prato, do hotel, e talvez esse seja um dos poucos momentos na sociedade em que aconteçam esses encontros e não se entre em discussão política. Os turistas de esquerda, de direita e de centro viajam no Brasil hoje. Muitos deles são empreendedores, têm pousada, têm hotéis, têm restaurantes. O turismo tem esse papel.
Esta Comissão tem sido exemplar no debate em prol do Brasil, em favor da economia e da geração de emprego.
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Graças aos Deputados desta Comissão da Câmara e aos Senadores, no Senado, nós aprovamos, no ano passado, a Lei Geral do Turismo, que estava há quase 10 anos tramitando no Congresso Nacional. A Câmara, inclusive, votou o projeto por unanimidade, um projeto longo, com muitos capítulos e centenas de artigos. Esse projeto trouxe segurança jurídica e estabilidade para hotéis, bares e restaurantes.
Na semana retrasada, inclusive, nós assinamos uma portaria que regulamenta as diárias nos hotéis. Todo mundo ficou feliz — os consumidores e os proprietários dos hotéis. Essa lei trouxe, por exemplo, a possibilidade de o produtor rural que produz queijo, vinho ou que faça outra atividade relacionada ao turismo explore a atividade turística só com cadastro de produtor rural, sem precisar abrir uma nova inscrição, um novo cadastro, e sem pagar mais imposto. E esse produtor rural ainda pode se cadastrar no Cadastur e ter benefícios, como, por exemplo, acesso ao Fungetur.
Essa lei, portanto, foi um marco e tem ajudado muito esta Câmara, esta Comissão e o Senado Federal, de forma muito diligente.
Um acordo internacional foi aprovado de forma muito célere, o acordo entre a República Federativa do Brasil e a Organização Mundial do Turismo para implantação, no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, de um escritório descentralizado da ONU Turismo. Só existem dois escritórios regionais fora de Madri, onde está a sede: um em Riade, na Arábia Saudita, e o outro no Rio de Janeiro, que já está funcionando. Este escritório foi criado para tratar não só do turismo no Brasil, mas também do turismo nas Américas do Sul, do Norte e Central e no Caribe, e já está apresentando grandes resultados.
Esta Comissão, a Câmara e o Senado têm sempre estado presentes nas discussões importantes para o turismo. Daqui a pouco, vai ser votado aqui o projeto de reforma do Imposto de Renda, e ele tem muita coisa do turismo. Há Deputados muito sensíveis com as emendas, com os destaques que podem ajudar a atividade, e eles nunca nos faltam.
Também está tramitando um projeto sobre a regulamentação dos programas de fidelidade, que envolve a milhagem das companhias aéreas. Esta Câmara, esta Comissão e o Senado têm sido muito sensíveis para que essa atividade tenha segurança jurídica e, ao mesmo tempo, ofereça garantia aos empreendedores e consumidores.
Isso tem nos permitido um avanço significativo na prestação dos serviços públicos necessários a impulsionar o setor. Nós criamos a primeira Escola Nacional de Turismo.
Hoje, enquanto nós estamos aqui reunidos, mais de 30 mil alunos estão sentados em bancos de escolas fazendo cursos de qualificação e capacitação profissional na área do turismo, dos mais diversos, de motorista turístico, camareira, gerente de hotel, operador de pousada, de bar, de restaurante e garçom a cursos de línguas, como inglês, espanhol, francês.
Nós criamos programas como o Conheça o Brasil Voando. Todos vocês já devem ter ouvido falar, dentro de uma aeronave, sobre esse programa Conheça o Brasil Voando e todos vocês já devem ter visto aeronaves plotadas com atrativos turísticos, inclusive com o Cristo Redentor. Nós temos aeronaves plotadas.
Nós criamos o Conheça o Brasil Realiza, em parceria com o Banco do Brasil e com a Caixa, financiando pacotes turísticos de até 20 mil reais, em até sessenta parcelas, para os correntistas do Banco do Brasil e da Caixa. Criamos o Conheça o Brasil Cívico, para levar para cidades importantes, como a Capital Federal, estudantes secundaristas de todo o Brasil, para aproximá-los do conhecimento em relação à nossa democracia, à nossa República.
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Criamos um programa, no início do ano, que está em vigor, por 1 ano, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Hotéis, que está concedendo 15% de desconto nos hotéis para mulheres que viajam sozinhas e que está concedendo 15% de desconto nos hotéis para professores da rede pública.
Nós criamos um programa estratégico para atrair novas companhias aéreas para voarem para o Brasil, chamado PATI — Programa de Aceleração do Turismo Internacional, investindo recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil. Conseguimos, já no ano passado, ampliar em mais de 18% o número de assentos disponíveis em aeronaves que trazem turistas do exterior para o Brasil.
Nós investimos também na aviação doméstica. O Governo brasileiro — não só o Ministério do Turismo, mas toda a equipe de Governo do Presidente Lula — tem feito um grande esforço, através do PAC 3, para reformar as nossas rodovias federais, o que tem dado resultado, porque as pesquisas mostram que houve uma grande evolução nas avaliações “bom” e “ótimo” das rodovias federais, e também para reformar os aeroportos. Os aeroportos de quase todas as capitais brasileiras passaram ou estão passando por uma grande ampliação ou grande reforma.
Também conseguimos aumentar em mais de 20% a oferta de assentos disponíveis dentro das aeronaves na aviação civil doméstica.
Nós ampliamos a promoção dos destinos turísticos nacionais para os brasileiros. Nós temos pesquisas, que vão ser divulgadas agora na próxima semana, que mostram que o brasileiro nunca antes quis viajar tanto dentro do seu País como agora. Uma pesquisa da Folha de S.Paulo, acho que do ano passado, só na cidade de São Paulo, colocava os destinos turísticos brasileiros em segundo lugar na preferência dos paulistas, sendo que o primeiro era um destino turístico norte-americano. Na pesquisa deste ano, isso se inverteu. Os paulistas hoje estão preferindo viajar dentro do Brasil a viajar a qualquer outro lugar do mundo.
Esse é o resultado das ações que foram feitas. Eu vou parar por aqui, porque senão eu vou ficar os 20 minutos falando só das ações. Mas vou só acrescentar mais uma, senão o Carlos Henrique vai brigar comigo. Nos últimos 2 anos e meio, foram investidos mais de 2 bilhões de reais, através do Fundo Geral do Turismo — Fungetur, para ampliação, reforma, construção, compra de equipamentos e modernização de bares, hotéis, pousadas, restaurantes, transportadores, agências, operadoras. O pagamento desse recurso financiado pelo Ministério do Turismo deverá ser feito em até 12 anos, com carência de 5 anos e com taxas anuais que variam de 6% a 8%.
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Isso resultou no quê? Os dados do ano passado, de 2024, mostram que o brasileiro viajou de forma recorde. Só de avião foram 118 milhões de passagens aéreas voadas. E a pesquisa do Instituto Nexus nos aponta que apenas 29% dos brasileiros utilizam modal aéreo. Ou seja, a grande maioria viaja de carro, carro alugado, van, ônibus, trem, barco, cruzeiro. Portanto, apenas 29% corresponderam a 118 milhões de passagens voadas. O número de turistas estrangeiros que veio para o Brasil no ano passado foi de 6 milhões 780 mil. Esse foi o número recorde da história do Brasil, segundo a Polícia Federal. Nem quando ocorreu a Copa do Mundo, quando vieram 32 seleções completas, com equipe técnica e principalmente com os torcedores, nem quando vieram as Olimpíadas, com todos os esportes, todos os atletas, todas as delegações, todos os torcedores de todos os países do mundo, o Brasil recebeu tanto turista quanto recebeu no ano passado.
E houve um agravante ano passado. Os principais turistas que nos visitam hoje, em primeiro lugar, são os argentinos, em segundo, os norte-americanos. E o principal lugar de acesso dos argentinos no Brasil é o Estado do Rio Grande do Sul. E o Deputado Bibo Nunes sabe o que aconteceu no Estado do Rio Grande do Sul no ano passado, e todos nós sabemos, ficou fechado. Não havia hotel funcionando. O aeroporto não estava funcionando. Não havia como acessar o Rio Grande do Sul. Apesar disso, nós batemos o recorde de turistas estrangeiros, com 6 milhões 750 mil turistas estrangeiros. O Brasil nunca tinha alcançado essa marca de 6,8 milhões.
O Brasil, que nunca tinha chegado a esse número, vai encerrar o ano de 2025, segundo a projeção dos nossos técnicos, com o número de 10 milhões de turistas estrangeiros entrando em seu território. Segundo a ONU Turismo, o Brasil foi o segundo país do mundo que mais cresceu no turismo este ano. Isso vai colocar o Brasil, pela primeira vez na história, em quarto lugar entre as potências do turismo nas Américas. Nós vamos ficar atrás, no começo do ano que vem, Padre Omar, só atrás dos Estados Unidos, do Canadá e do México. Todos os outros países da América e do Caribe vão ficar atrás do Brasil.
E o que isso significa na prática? O que isso significa na prática para o povo brasileiro do Rio, do Rio Grande do Sul, do Ceará, do Pará, do Paraná, da Bahia e de todos os Estados do Brasil? Isso significa oportunidade de trabalho. Isso significa oportunidade de emprego e dignidade para as pessoas. O turismo empregou novos trabalhadores. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados — CAGED, entre todos que foram contratados e todos que foram demitidos, houve um saldo positivo, nos últimos 2 anos e meio, de mais de 520 mil novos postos de trabalho com carteira assinada. Hoje, o turismo emprega quase 8 milhões de brasileiros em todo o País.
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Além disso, segundo dados da Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo, Fecomércio, esse ano nós devemos faturar praticamente o que fatura a soja no Brasil. Porém, a soja emprega 1,5 milhão de pessoas, o turismo está empregando quase 8 milhões. Isso significa oportunidade de negócio, de lucro para aqueles que acreditam e querem trabalhar. Algo ocorreu no ano de 2024 no Brasil. Quando você vai abrir uma empresa, você tem que levar a certidão de nascimento da empresa, que é o contrato social, ao registro mercantil, à junta comercial, para registrar. Lá, você tem que informar qual é a atividade, o código da atividade econômica, o CNAE — Classificação Nacional de Atividades Econômicas, para mandar para a Receita Federal, para tirar o CNPJ.
O ano de 2024 foi o ano em que mais empresas com código de atividade do turismo foram abertas no Brasil. Isso significa oportunidade para quem quer ter empresa e quem quer trabalhar com seriedade, ter lucro, ter renda e empregar mais pessoas. Vou pegar só um grupo econômico e seus dados do ano passado como exemplo. Vocês têm observado isso, quando vocês chegam aos aeroportos? Há um tempo atrás, você tinha a Localiza, a Movida e outras empresas de locação de veículos. Hoje, quando você chega ao aeroporto, você vê a Movida, a Localiza. Isso é o tamanho do pátio. Vocês têm observado o quanto tem aumentado o tamanho do pátio com os veículos?
Nunca se alugou tanto veículo para brasileiros e estrangeiros no Brasil como se alugou no ano passado. Segundo a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis — ABLA, no ano passado o faturamento do setor foi superior a 52 bilhões de reais. A Fecomércio apresenta números ainda mais positivos e superlativos sobre o faturamento da atividade turística, superando todos os recordes já alcançados no nosso País que aferem essa atividade econômica.
Há outro resultado importante em relação ao turismo internacional, aos gastos dos estrangeiros no nosso País. Só o que os estrangeiros gastaram no ano passado no Brasil, cerca de 42 bilhões de reais, equipara-se às nossas exportações todas de algodão, ou às nossas exportações todas de café, que é um dos principais produtos da pauta de exportação do Brasil. Eu não tenho nenhuma cerimônia ou nenhuma reticência em falar que o Brasil vive hoje o melhor momento que o setor do turismo já viveu em toda a sua história. Nós viramos a chave, alcançando este ano a marca de mais de 10 milhões de turistas estrangeiros. O desafio no ano que vem vai ser superar 10 milhões de turistas estrangeiros. Vamos buscar alcançar 11, 12, 13 milhões.
Para você ter uma ideia, a nossa meta do Plano de Desenvolvimento do Turismo para os próximos 5 anos era alcançar essa marca depois de 2028, e nós estamos a alcançando agora, em 2025. Nós nunca saímos daqueles 5, 6, 5, 6, 5, 6 milhões. Este ano, nós vamos fechar com 10 milhões. O setor está acreditando no País. Nós criamos pela primeira vez na história, em parceria com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe — CAF e com a ONU Turismo, um guia de investimentos, que foi escrito em todos os idiomas possíveis e imagináveis, que está sendo distribuído em todo o Brasil, apresentando para investidores do mundo todo projetos dentro do País em que eles podem investir. Qual é o resultado prático disso? Ano passado foi o ano em que mais capital estrangeiro entrou no Brasil para ser investido no setor do turismo.
A gente tem vários outros números para comemorar. O Brasil hoje, pela primeira vez na história, ocupa a Presidência da Organização Mundial do Turismo — ONU Turismo, que é uma agência da ONU que existe há 50 anos.
Assim como existe a Unesco, que cuida do patrimônio histórico, material e natural, a Unicef, que trata de criança e adolescente, a Organização Mundial do Comércio e a da Saúde, existe também a Organização Mundial do Turismo, a ONU Turismo. E, pela primeira vez na história, um brasileiro preside essa Organização das Nações Unidas, que é o Ministro do Turismo do Brasil, este que está aqui nesta Comissão. E ele é candidato na eleição que vai ocorrer em novembro. É o único, com o apoio de todos os países que fazem parte da Organização das Nações Unidas voltada para o Turismo.
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Isso mostra que, além do turismo de sol e praia, além do turismo cultural, além do turismo que cresce muito no Brasil hoje, que é o turismo gastronômico, o turismo religioso tem um condão essencial para ajudar a desenvolver ainda mais essa atividade. Cabe a todos nós, agentes públicos — Deputados, Senadores, Governo —, trabalharmos para que esse turismo religioso movimente no Brasil cifras similares às que o turismo religioso tem movimentado em outros lugares do mundo, como em Fátima, como em Roma e como outras cidades que são símbolos, na Turquia e em diversas outras regiões.
Falamos aqui da religião evangélica, da religião católica, e é importante mencionar também a religião espírita, a umbandista e todas as outras religiões, que também trazem e movimentam pessoas relacionadas ao turismo.
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - É sempre uma alegria ouvi-lo, Ministro. E é importante que tenhamos esses números e façamos esta discussão, justamente para que a gente possa apresentar, em âmbito nacional, o que acontece nos interiores de São Paulo, de todos os Estados brasileiros, e o senhor também possa enxergar um pouquinho daquilo que nós temos buscado como Parlamentares. É uma grande alegria.
Antes de passar a palavra ao reverendíssimo Padre Omar Raposo, o Reitor do Cristo Redentor, do Rio de Janeiro, eu queria mencionar a presença do Sr. Fábio Teixeira de Castro, que é sócio proprietário da Promocat Promotora Católica.
Mais uma vez, quero mencionar aqui o Flávio (ininteligível). Quero mencionar também aqui o Prefeito de Pilar do Sul, Clayton Machado, um querido amigo.
Menciono também Ronaldo Fratello, Diretor de Esportes de Atibaia; Eudes Abreu Junior, Diretor de Relações Institucionais de Atibaia; Professor Renato, Vereador de Mairiporã; Padre Gerson, que recentemente inaugurou o Caminho do Rosário, na cidade de Iaras, no interior do Estado de São Paulo. E nós vamos mencionar também aqueles que forem chegando.
A SRA. FERNANDA PESSOA (Bloco/UNIÃO - CE) - Deputada, eu gostaria de fazer uma entrega simbólica da estátua da Menina Benigna, da nossa santa.
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Por favor, Deputada.
(Procede-se à entrega da estátua e do livro.)
(Palmas.)
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A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - O livro do Padre Márcio trata da maior estátua católica do mundo, de São Miguel Arcanjo. Ele vai falar um pouco mais sobre isso.
O SR. CARLOS HENRIQUE GAGUIM (Bloco/UNIÃO - TO) - Peço 1 minuto.
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Pode falar, Deputado.
O SR. CARLOS HENRIQUE GAGUIM (Bloco/UNIÃO - TO) - Quero parabenizar o Ministro, que vem transformando o turismo no Brasil, principalmente o religioso.
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Foi provocado, hein, Padre Omar? Já começou a audiência com uma provocação.
O SR. BIBO NUNES (Bloco/PL - RS) - Nós temos o Cristo Redentor de Encantado, que está tendo uma repercussão e um turismo religioso muito além do esperado.
Eu quero dizer também que o turismo religioso é o que mais cresce. As pessoas vêm para pedir uma graça e voltam para agradecer.
E eu, felizmente, estou construindo a maior cruz do mundo, com 97 metros de altura, em uma área de 20 hectares, dois elevadores, com uma estrutura incrível. Inclusive, é uma cruz totalmente voltada a todas as religiões, sem nenhuma preferência. Ela é ecumênica. À frente, há um lençol d'água gigante, porque quem mais faz turismo religioso são os evangélicos. Só a Marcha para Jesus, se for levada para alguma cidade, trará um turismo que não será qualquer cidade que suportará.
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Todos nós.
O SR. BIBO NUNES (Bloco/PL - RS) - Coisas da política.
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - O Ministro traz para nós os dados do Ministério do Turismo: só o turismo religioso gera 15 bilhões de reais ao ano.
O SR. MURILLO GOUVEA (Bloco/UNIÃO - RJ) - Boa tarde, Deputada Simone Marquetto.
Inicialmente, eu queria parabenizar V.Exa. pela atitude, por ter apresentado este requerimento.
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Quero parabenizar também o Ministro Celso Sabino, um amigo, companheiro que luta mesmo pelo turismo; e o nosso Padre Omar, colega, companheiro, amigo do Estado do Rio de Janeiro e de todo o Brasil.
Celso, eu quero lhe falar sobre o primeiro Cristo coirmão do Cristo Redentor, o Cristo Redentor de Itaperuna. O ex-Prefeito Alfredão, o Deputado Murillo, quando Secretário, e o Padre Omar promoveram este belíssimo presente. Hoje, Padre Omar, a gente já vai dar início à obra, com recurso nosso. Junto com o Ministro do Turismo, a gente pediu, a gente trabalhou, e a Caixa já vai liberar recursos — já houve licitação — para a gente reformar o Cristo Redentor de Itaperuna, o primeiro Cristo coirmão do Cristo Redentor.
Parabéns ao Celso! Parabéns a toda a equipe do Ministério do Turismo! Parabéns a todos os colegas que estão aqui, Deputados, padres, pastores!
O turismo religioso é o que nós temos que alavancar. Outros tipos de turismo estão crescendo muito no Brasil, mas o turismo religioso traz aquela paz, aquela energia positiva.
É difícil falar do Ministro Celso, um Ministro que atende a todos com igualdade. A equipe dele ali no Ministério do Turismo é diferenciada. Eu torço muito para ele levar essa história a todo o mundo, porque o que está acontecendo aqui no Brasil é muito pela grandeza do Ministério do Turismo. Sem desmerecer outros Ministérios, digo que o Ministério do Turismo realmente tem se destacado no Governo, e a gente fica muito feliz por isso.
Pode contar com este amigo Parlamentar aqui, Celso. Pode contar com os seus amigos na Câmara, que têm o maior carinho e sabem da sua luta. Você tem o apoio da sua família, porque não é fácil ser Ministro e se dedicar ao trabalho como você se dedica. Então, parabéns!
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Tem a palavra o Padre Omar.
O SR. OMAR RAPOSO - Ministro Sabino, é uma alegria revê-lo. Parabéns pelo seu trabalho, que está muito especial, muito bacana! Espero que você possa sempre, em todas as missões, atuar com a mesma competência estabelecida nesse período.
Houve uma transição. Primeiro, foi a Dani. Depois, o Márcio. Logo depois, o senhor, nesse tempo todo. Inclusive, na abertura dos Jogos Olímpicos, ano passado, estivemos juntos em Paris, para ali estabelecer uma relação, um compromisso especial.
Simone, Deputada querida, eu sei que tenho pouco tempo, então vou aproveitar esse tempo para fazer uma anamnese rápida de tudo aquilo que significa esse turismo, um turismo de que eu posso falar com muita propriedade. Estou há 20 anos à frente do Cristo Redentor, e a história praticamente se confunde com a criação do Ministério do Turismo.
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Desde 2003, nessa época, eu já estava participando das discussões. A partir da criação do Ministério do Turismo, em 2004, houve o primeiro movimento para o desenvolvimento da segmentação turística. Roteiros foram criados. O programa era voltado para a regionalização, então havia toda uma atuação.
O turismo religioso — é importante que esta informação fique bem fixada — não existia como segmento, ele estava dentro do turismo cultural. E, com uma audiência como esta e outros trabalhos que foram feitos naquele período, a gente conseguiu retirar do turismo cultural o turismo religioso, para que ele pudesse acontecer como segmento. Até então ele era considerado turismo cultural de base religiosa. Era assim que funcionava. Daquele modo, ele não ia ter orçamento próprio nunca, não ia ter força, não ia ter um ambiente de discussão nem mesmo de atenção necessária.
Já em 2007, no final do Governo Lula, para poder consolidar esse movimento, eu coloquei o Cristo Redentor na campanha para disputar o lugar de Sétima Maravilha, para ser uma das novas Sete Maravilhas do Mundo. A Ministra Marta e uma turma boa estavam aqui. Isso se deu em 2007, no quarto ano daquele mandato e de existência do Ministério.
Fizemos um movimento mundial, arregimentamos pessoas de toda a sociedade — acho que muitos devem se lembrar disso — e começamos a ter um primeiro gesto concreto em favor do turismo brasileiro. E, com isso, eu vim trazendo a pauta do turismo religioso, afinal de contas era um padre que estava puxando essa campanha para posicionar não apenas o monumento, mas também o Brasil no cenário internacional. Isso foi nos dando cada vez mais visibilidade.
Nos anos seguintes, e eu digo que até 2013, tivemos esse gap, porque foram anos de desconstrução de alguns segmentos não tão legais, como, por exemplo, o do turismo sexual. Essa era uma imagem — e eu posso dizer isso com propriedade — do Rio de Janeiro, vendida de todas as formas, usando a figura feminina como se fosse um ativo. Fizemos muita campanha e desdobramento para poder retirar as fotos das mulheres dos cartões postais que eram vendidos nas bancas de jornal e posicionar o Cristo Redentor como símbolo, como marco de fato de um turismo acessível, que revelava acolhimento, trazia disposição para o desenvolvimento local e regional e até mesmo impulsionava a internacionalização dos nossos principais ativos de turismo. Então, o Cristo se tornou, naquele momento, uma plataforma, a Sétima Maravilha.
Com isso, surgiu a oportunidade de o Rio de Janeiro sediar importantes eventos, de o Brasil sediar importantes eventos, como Rio+20, Jornada Mundial da Juventude, Copa do Mundo, G20 — eu vou chegar ao G20 —, Olimpíadas, Paraolimpíadas, Jogos Mundiais Militares. A coisa veio crescendo, veio crescendo, veio crescendo. O Rio de Janeiro já começou a se modificar. E a imagem do Cristo Redentor participava desses grandes eventos, pois iluminavam o Cristo e criavam uma convergência dos eventos para ele. O turismo foi avançando, foi avançando. Chegou um momento, no Governo anterior, em que houve uma fusão com a Cultura.
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Eu estou passando essas informações aqui para a gente perceber que é uma trajetória, e que é recente. A gente está falando de 22 anos para cá, quando o Brasil passa a ter um Ministério.
Então, quando a gente pensa em turismo religioso, isso vai ser ainda muito maior. Cada semente plantada por cada um, cada Deputado, cada Ministro, cada pessoa que trabalha no trade turístico, cada investidor, cada evento que a gente recebe no Brasil ou que a gente atrai para cá, isso tem um desdobramento.
É muito importante o nosso trabalho hoje. Hoje ele tem o seu valor. E essa nossa reunião aqui tem um valor extraordinário. É histórico este momento, hoje, aqui — é um momento histórico para nós.
Acredito que a gente vai ter que fazer algumas evoluções, inclusive do ponto de vista conceitual. Vejam: a categoria turismo religioso, em princípio, pareceria ser apenas dedicada ao segmento católico, porque a Igreja Católica estava ali muito presente, ou apenas para o segmento cristão, por causa dos evangélicos, com suas importantes peregrinações. E hoje eu sugiro — já tenho escrito alguma coisa sobre isso —, em algumas instâncias já colocarmos este conceito, que é o conceito de turismo plurirreligioso. Eu vou repetir: turismo plurirreligioso. Isso certamente tem que ser identificado como um avanço, como um novo movimento.
A gente não pode deixar de fora as religiões de matriz africana, com todo o seu legado, como a Festa de Iemanjá. Nós temos aqui o Museu do Holocausto sendo construído em vários lugares. Nós temos outras experiências, não só ecumênicas, que ficariam apenas entre os cristãos, mas inter-religiosas, que se integram com importantes roteiros.
Então, uma vez liberto do segmento do turismo cultural, sendo consolidado como turismo cultural, a gente tem outro movimento agora, de ampliação da construção de redes com outras experiências. Na verdade, o turismo religioso parte do patrimônio religioso, ele parte da observação e da experiência em torno daquilo que é o asset religioso. E a gente precisa, de fato, dentro do segmento, criar os investimentos necessários.
Lá atrás, eu abri mão, para poder fortalecer a turma que estava começando. Eu falei na época: "Eu não quero para o Cristo, não, porque para o Cristo eu vou conseguir trazer outro tipo de recurso".
Lembro-me, por exemplo, da Embratur, quando o nosso Ministro Flávio Dino era Presidente da empresa. Eu criei uma base para que a Embratur pudesse colocar recursos, pela primeira vez, dentro do território nacional, mostrando que aquele pedacinho em cima do Cristo tinha um público, em sua grande maioria internacional. Então, conseguimos recursos para fazer uma ativação lá, até conseguirmos chegar ao segmento e à construção das políticas públicas e da aceitação.
O meu depoimento, hoje, aqui, é para mostrar a vocês a evolução. É um processo otimista, marcado pela esperança. Eu estou acompanhando esse processo desde o primeiro dia e vejo com muita alegria a parte não só da montanha do Corcovado, mas aqui também com vocês percebendo a quantidade de interesse.
Como isso está acontecendo? Com a Igreja Católica fortalecendo a sua pastoral dos santuários; a Igreja Evangélica, ainda mais no turismo, não só emissivo, que sempre fez para a Terra Santa com muita força, mas hoje também no receptivo, criando atrações do ponto de vista cultural, porque existe fé na cultura e cultura na fé. Para isso, a gente tem que organizar o nosso trabalho, tem que organizar internamente essa comunicação.
A Igreja Universal, lá no Rio de Janeiro, tem um museu que reporta a Jerusalém que é uma maravilha. Não há outro igual no Brasil. Então, cada um vai fortalecendo os seus atrativos, transformando-os em case.
E o Cristo Redentor tem procurado se desenvolver também, para fortalecer o turismo religioso, o que o Deputado citou há pouco: essa irmandade entre Cristo Redentor e outros Cristos no Brasil, entre Cristo Redentor e outros importantes santuários e monumentos no Brasil, chamados de geminação.
Já fizemos isso com o Cristo em Portugal, com o Cristo em Maratea, na Itália, com o Cristo na Espanha, e estamos construindo um Cristo que vai para a Terra Santa, que já está pronto e já lhe foi dada a benção pelo Papa, na Itália. Abaixando a guerra, a gente vai para Jerusalém inaugurar esse Cristo Redentor de mais de 30 metros de altura. Enfim, é uma evolução.
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Quero parabenizar a nossa Deputada por criar a oportunidade do debate e o Ministro, que, com tantas atividades, está aqui prestigiando o evento, não só por milagre, como foi dito aqui ainda agora de brincadeira, mas é real. O Ministro Sabino, quando eu cheguei, falou: "Padre, o senhor vai ao Círio de Nazaré comigo". Eu respondi: "Eu vou".
É isto: ele é alguém que participa, e a gente sente firmeza nisso. É alguém que participa, porque turismo é experiência — turismo é experiência. Se não adentrar, não participar, não movimentar o fluxo turístico, na itinerância própria do turismo, a gente não o desenvolve.
Última informação — e eu sei que ainda teremos um especialista que falará sobre a rede de inteligência no mercado de turismo —: eu encomendei à Fundação Getulio Vargas um estudo sobre o impacto econômico do Cristo Redentor. O monumento sozinho, no Alto do Corcovado, produz um impacto de 1,4 bi por ano para o Estado do Rio de Janeiro, com geração de mais de 300 milhões de reais em tributos, só pelo fato de o Cristo Redentor estar na colina do Corcovado. É um impacto maravilhoso! Imaginem os outros ativos que existem em nossas cidades. E a FGV traz essa perspectiva nova, requalifica o nosso espaço do ponto de vista econômico, cria eixos estratégicos e mostra que existe um potencial imenso para cuidado, e a partir do cuidado com os nossos equipamentos de turismo, de modo especial, voltados para o segmento religioso ou plurirreligioso.
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - É sempre um aprendizado ouvir o Padre Omar e ver o quanto ele, de fato, tem incentivado o turismo. Ele é um professor na área.
Padre, eu queria que o senhor respondesse só a uma pergunta para as cidades que estão aqui, os secretários que estão nos acompanhando e os Prefeitos. Se o senhor fosse lhes dar um conselho sobre essa organização do seu turismo religioso — e vou falar só do religioso, agora —, qual seria o primeiro passo que o senhor acredita: levar eventos a esse ponto, a esse marco da religião, do que o senhor falou agora?
O SR. OMAR RAPOSO - O crescimento tem que ser sustentável. Acho que a gente tem boas opções no Brasil. O Sistema S proporciona muita coisa bacana, como o Sebrae, para que a economia de fato circule, para que a cidade ganhe, não somente a proprietária do monumento ou a propriedade do espaço sagrado que vai ser explorado, e para que todos tenham de fato um crescimento sustentável. É importante a gente procurar ajuda. E não se trata só de dinheiro, mas também de qualificação, como está sendo feito aqui com a Escola de Turismo: qualificar os guias e os agentes. Então, neste momento, trata-se de qualificação. Depois, vamos juntos com o Ministério do Turismo criar uma rede para o fortalecimento disso.
No Cristo Redentor, hoje temos um observatório. Depois que o nosso Ministro trouxe o escritório da ONU Turismo para o Rio de Janeiro, a gente rapidamente se posicionou para criar um observatório a partir do Cristo Redentor, porque é uma oportunidade única — única! Nunca aconteceu isso, e não sei se a gente vai ter outra oportunidade de ter assento, de salvaguardar e bancar essa operação, com a Fecomércio a bancando no Rio de Janeiro. Então, vamos aproveitar. A hora é agora.
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A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - O Ministro vai nos deixar agora, porque tem outros compromissos.
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Claro!
A SRA. KIARA MARILICE PETILLO DE CASTRO E CASTRO - Lembro que, há três edições da ExpoCatólica, você me procurou querendo ajudar, querendo fazer parte do nosso universo.
Vou falar um pouco mais sobre a nossa empresa. Trata-se de uma empresa privada chamada Promocat, uma promotora que atua exclusivamente no segmento católico. Nós realizamos eventos católicos, e não apenas a ExpoCatólica, e há um evento chamado Catequistas Brasil, em Aparecida, que movimenta um pouco mais de três mil catequistas de todo o Brasil que dele participam e aproveitam para fazer turismo religioso na cidade.
A ExpoCatólica nasceu em 2003. Até 2005, a ExpoCatólica era uma feira voltada apenas para produtos e artigos religiosos. Depois, começamos a trabalhar com turismo religioso, muito em razão da minha experiência e também por ter nascido em Aparecida. Eu nasci dentro de um berço do turismo religioso, sem saber até então o que era turismo religioso.
Começamos esse trabalho, em 2013, com a Jornada Mundial da Juventude, que o Padre Omar citou aqui. Tivemos a oportunidade de levar a feira para o Rio de Janeiro, junto com a Jornada. Na ocasião, contamos com o apoio do Ministério do Turismo e de todos os Estados. Foi a primeira vez que houve uma presença tão forte do Ministério do Turismo dentro da ExpoCatólica. Claro que isso se deu por conta da Jornada Mundial da Juventude, mas, depois, por falta de articulação e por mudanças de governo, não conseguimos dar continuidade a esse apoio.
E, agora, como a Deputada pode comprovar, estamos tendo um aumento orgânico do segmento católico e do turismo religioso dentro da ExpoCatólica.
Para vocês terem ideia, neste ano de 2025, a ExpoCatólica contou com a participação orgânica de um pouco mais de onze Estados na feira, com estandes, e um pouco mais de cem Municípios do turismo religioso, quando movimentamos o setor e realizamos um meeting do turismo religioso, fortalecendo a importância da feira.
Eu vejo que capacitação também é não só dar oportunidade aos Estados de estarem presentes na feira mostrando o seu turismo para os peregrinos, para os reitores, para os visitantes da feira, mas também, dentro do meeting do turismo religioso, até pela diferença que encerra o turismo religioso, de oportunizar aos agentes de turismo essa capacitação e de oportunizar às operadoras de turismo conhecerem realmente o turismo religioso local, que é importante. E está havendo um crescimento nesse sentido.
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Também há a importância de apresentar, de profissionalizar cada vez mais e de incentivar o turismo nacional, porque nós temos uma força muito grande no turismo internacional. Todos sabem como é importante o crescimento de uma peregrinação internacional. Se vocês olharem agências e operadores de turismo, verão que cada dez agências divulgam nove peregrinações internacionais, mas quase nada no Brasil. Não é, Padre Márcio? Então, há esta importância também de se incentivar o turismo nacional.
Eu vejo a ExpoCatólica como uma porta que se abre para trazer essa pauta importante para que operadores e agências consigam fazer peregrinações dentro do Brasil, mostrem a importância desses peregrinos, não só os que vêm de fora do País, mas também os peregrinos brasileiros que viajam pelo Brasil, e realizem a capacitação dos agentes receptivos dessas cidades. Eu sou de Aparecida e sei o quanto é difícil promover esse aprendizado e fazer com que eles tenham isso em mente. Então, o nosso trabalho é um pouco mais que isso: é profissionalizar, é fazer com que haja essa união entre os Estados e a igreja, o que é muito importante. Na ExpoCatólica, há a presença de muitos reitores e de muitos padres. Então, trazer essa conversa até os padres e os secretários de turismo é muito importante para nós. Eu acredito nessa ponte que estamos construindo, da forma que a estamos fazendo, por sermos uma empresa privada, e não uma empresa política nem exclusiva do turismo.
E isso é muito bom, porque nós estamos crescendo organicamente, o que é o mais importante. Mas claro que com a ajuda da Deputada e de todos vocês, ao apresentarem o nosso segmento e ao verem a importância de haver um segmento católico na feira.
Eu vou passar um pouco dos números da feira para vocês. Este ano, houve a 18ª edição da ExpoCatólica. Durante 4 dias de feira, estiveram presentes pouco mais de 61 mil pessoas. Então, houve um aumento: ano passado, tivemos 35 mil pessoas; este ano, tivemos 61 mil pessoas. Foi um aumento considerável de visitantes para a feira. O Ministro falou que nós estamos num momento favorável, num momento de comemoração, e eu posso dizer que eu também estou em um momento de comemoração: do crescimento do segmento e do seu profissionalismo, tão difícil de a gente trabalhar.
Isso porque eu comecei em 2003, época em que falar sobre eventos católicos, sobre marketing católico e conseguir essa abertura dentro do nosso segmento era muito difícil. Hoje, a gente tem de comemorar isso.
Um dos nossos produtos é a Revista Paróquias, que é enviada gratuitamente a todas as paróquias do Brasil. Nela eu coloco, pelo menos, dois ou três artigos sobre turismo religioso. De alguma forma, além da ExpoCatólica, que acontece anualmente, nós também apresentamos isso na revista e a levamos até os padres e bispos. Então, de alguma forma, o turismo se faz presente.
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Por último, Deputado, eu queria deixar o registro de algo que eu e o Fábio sempre percebemos e conversamos: o turismo religioso é diferente do turismo secular, porque, no turismo religioso, o fiel vai àquela região tendo ou não estrutura lá. Ele vai lá, ele vai pagar a promessa dele; ele persegue a devoção dele. Se não houver estrada ou se houver estrada de terra, ele vai da mesma forma. Ele não espera o Estado fazer isso. Acho que vocês já devem ter observado muitas vezes, em muitos locais: "Nossa, como é que eles estão indo para esse lugar? Pois há estradas de terra, caminhadas e muitos caminhos de fé".
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Obrigada, Kiara. Parabéns pelo seu trabalho! Eu não sei se todos vocês conhecem a ExpoCatólica. Vale muito a pena os investidores estarem lá mostrando os seus produtos, porque de fato é uma feira gigante. O Nordeste está pedindo que você também esteja lá. Então, parabéns pelo seu trabalho!
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Que bênção! Parabéns!
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Convido agora o Revmo. Padre Márcio Almeida, Reitor da Basílica de São Miguel Arcanjo, no interior do Estado de São Paulo, onde temos o marco da aparição de São Miguel Arcanjo no Brasil.
O SR. MÁRCIO GIORDANY COSTA DE ALMEIDA - Deputada Simone Marquetto, Presidente desta audiência pública, Padre Omar Raposo, Reitor do Santuário Cristo Redentor, demais autoridades presentes, cidadãos representantes da sociedade civil, é com grande satisfação que participo desta audiência pública para tratar de tema tão essencial e importante para nós do âmbito religioso.
A cidade de São Miguel Arcanjo, em que estou há 15 anos, no interior do Estado de São Paulo, é uma cidade pequena, rural, com 35 mil habitantes, que vem se consolidando como destino religioso de alcances nacional e internacional, graças à força da fé e à mobilização de nossa comunidade em torno da Festa de São Miguel Arcanjo, na Basílica Santuário, da construção da Gruta do Arcanjo e do reconhecimento histórico do marco da aparição de 1932.
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Apesar de centenária, a nossa história com o turismo religioso é recente. Em 2013, a nossa igreja matriz tornou-se santuário diocesano, e, assim, nós começamos essa história no turismo religioso. Com paciência, prudência, mas, ao mesmo tempo, com fé e ousadia, fomos fomentando o turismo religioso, divulgando as atividades do santuário, em especial, a Festa de São Miguel Arcanjo.
Em 2018, recebemos do Vaticano o título de Basílica Menor, a única basílica no Brasil em honra ao Arcanjo Miguel. Isso gerou maior procura por nossa igreja.
Em 2019, tomamos a iniciativa de propor um projeto ousado: a Gruta do Arcanjo. Esse complexo turístico e religioso traz como prédios principais uma estátua de 70 metros de altura em honra a São Miguel Arcanjo e uma igreja inspirada no Santuário de São Miguel Arcanjo do Monte Gargano, na Itália, fora outros espaços devocionais e de apoio ao peregrino, com capacidade geral para 15 mil pessoas.
No ano de 2024, recebemos a doação de um importante terreno, em que marcamos a aparição de São Miguel, que aconteceu no dia 29 de setembro de 1932, no contexto da Revolução Constitucionalista, e que agora se tornou um espaço aberto para visitação. Inclusive, realizamos uma missa, dia 29 agora, segunda-feira, às 16 horas, com presença estimada de 4 mil pessoas.
A Festa de São Miguel Arcanjo, celebrada anualmente de 20 a 29 de setembro, não é apenas um evento litúrgico. Ela se tornou o maior encontro de peregrinos da região, atraindo pessoas de todo o Brasil, com reflexos diretos em nossa economia, cultura e projeção institucional. Para se ter ideia, os números mais recentes revelam esse crescimento extraordinário. Em 2024, a nossa cidade recebeu visitantes de 181 Municípios de 15 Estados brasileiros. Neste ano de 2025, os dados já indicam a presença de 262 Municípios e de 22 Estados brasileiros: um aumento de 44% no número de Municípios e de 47% no número de Estados em relação ao ano interior. Isso significa que, neste ano, mais de 80% do território nacional esteve simbolicamente presente em nossa cidade, por meio de seus romeiros. No dia 29, estimamos a presença de 25 mil pessoas em nossa cidade, que tem 35 mil habitantes.
Esses números não são apenas estatística. Eles representam rostos, histórias, famílias, fé, economia e identidade. Cada visitante que chega a São Miguel Arcanjo carrega o desejo de uma experiência espiritual, mas encontra também hospitalidade, cultura, gastronomia, artesanato e tradição.
Além da dimensão cultural, o impacto econômico é expressivo: restaurantes, pousadas, mercados, lojas, prestadores de serviços, artesãos e agricultores são direta ou indiretamente beneficiados. A cidade conta hoje com 286 leitos de hospedagem, formalizados em pousadas — muito pouco para a nossa realidade —, além das ofertas às plataformas digitais. Estima-se que, com a conclusão da Gruta do Arcanjo, poderemos alcançar entre 1 e 2 milhões de visitantes por ano.
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Como o Ministro falou, Aparecida recebe 9 milhões de visitantes por ano, sendo que 91% vêm da Região Sudeste, ou seja, cerca de 8 milhões de pessoas que vão a Aparecida estão muito próximas da nossa realidade, da nossa região. O nosso Município, em um raio de 200 quilômetros, atinge uma população de 23 milhões de habitantes. Nós temos um potencial turístico enorme, mas tudo isso exige planejamento, políticas públicas e investimento em infraestrutura. Precisamos fortalecer nossa malha viária, garantir sinalização adequada, capacitar profissionais, proteger nossas áreas históricas e ampliar a acolhida aos peregrinos.
Nesse contexto, peço que esta Comissão de Turismo e as demais instâncias competentes reconheçam e apoiem formalmente o turismo religioso como força estratégica para o desenvolvimento local e apresentem caminhos de captação de recursos públicos destinados às instituições religiosas. O exemplo recente de São Miguel Arcanjo nos mostra que fé, cultura e economia podem caminhar juntos, gerando renda, emprego e autoestima para a população.
Nosso sonho é transformar São Miguel Arcanjo em um polo de turismo religioso de excelência no Brasil, com reconhecimento oficial, investimento responsável e apoio institucional.
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Quero parabenizar o Padre Márcio, Reitor da Basílica de São Miguel Arcanjo.
O SR. OMAR RAPOSO - Ainda que o Cristo tenha sido construído como um monumento religioso, a ausência da Igreja e de uma ação pastoral no local deixou aquilo meio misturado. Ninguém sabia quem era o dono. A retomada do processo para recuperarmos o sentido religioso do Cristo Redentor e a autonomia da Igreja ali já dura em torno de 20 anos. É bom lembrar que é uma unidade de conservação federal e que o monumento é tombado pelo patrimônio histórico. Então, temos todo um diálogo.
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - É importante lembrar isso, porque só conseguimos destinar recursos quando já há o patrimônio tombado.
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Eu queria também ressaltar, Padre Omar, a importância de viver em comunidade. Agora eu quero falar como católica, como serva — eu estou como Deputada —, que viver em comunidade faz toda a diferença.
O Padre Márcio inicia o grande projeto dessa estátua e começa a conquistar a cidade inteira, que hoje se desdobra sobre isso. Houve um evento, pela primeira vez, grandioso que já vem conquistando a comunidade ano a ano. O envolvimento dos fiéis, o envolvimento da comunidade, o abraçar a causa, isso faz toda a diferença. E a cidade tem abraçado essa causa.
Esse grande legado que o senhor nos traz e nos envolve faz toda a diferença. Eu testemunho isso. Sabemos das dimensões que são diferenciadas. No caso do Cristo, não há uma comunidade que está ali junto do processo, há pessoas que apoiam, e o senhor está correndo atrás.
Quando a gente fala do Cristo Redentor, logo vem o senhor à nossa mente. O convidado está nos ensinando, mostrando caminhos. O Padre Márcio vem também nos trazer essa vivência de comunidade.
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As pessoas que estão trabalhando na festa — até mesmo os proprietários locais — estão buscando esse desenvolvimento. Como ele disse, nós temos diversas pessoas que podem investir em São Miguel Arcanjo e, ao investirem, com certeza terão seu retorno financeiro, ao mesmo tempo em que promovem a nossa fé. Isto é o importante: caminharmos juntos, caminharmos em comunidade.
Antes de mostrarmos um pouco do vídeo que o Padre Márcio faz questão de exibir, eu queria, Padre Márcio, agradecer ao senhor por estar aqui. Foram mais de 10 dias de festa, fora toda a organização. No dia seguinte, ele pegou o avião e está aqui conosco. Realmente, é um carinho imenso. Eu quero parabenizá-lo, Padre Márcio, porque o senhor, hoje, é um grande exemplo no turismo religioso para o nosso Brasil. A cidade já está no calendário nacional. A Festa de São Miguel já está no calendário nacional do turismo religioso.
Isto também é importante, Padre Omar: incluir essas festas no calendário. Se não estiverem incluídas, não tem como acontecer. A ExpoCatólica também já está incluída no calendário nacional do turismo religioso, porque isso realmente traz reconhecimento.
Eu quero mencionar também a presença, nesses dias, de Dom Marconi, Arcebispo Ordinário Militar do Brasil; Dom Devair, Bispo da Diocese de Piracicaba; e o nosso Dom Luiz, Bispo da Diocese de Itapetininga. Também estavam presentes o Frei Wesley, representando os Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo; e o Padre Emanuel Maria, representando o Instituto Hesed. Quantas pessoas foram mobilizadas, todas sob o comando do nosso amado Padre Márcio!
O Padre Gerson, de Iaras, está aqui. Recentemente, foi inaugurado o Caminho do Rosário. É uma alegria tê-lo conosco. Estivemos juntos em São Miguel Arcanjo.
Quero mencionar ainda o Deputado Federal Luiz Gastão, nosso Presidente da Frente Parlamentar Católica Apostólica Romana; Elias da Ambulância, Prefeito da cidade de São Miguel Arcanjo; e o Vereador Guininha Pereira, Presidente da Câmara de São Miguel Arcanjo.
A Família Silva, o Fernando Almeida — todos no apoio à Igreja e à coroa — nos deram essa grande oportunidade de estar lá, rezando o Rosário de São Miguel Arcanjo, propagando o Rosário.
Quero também agradecer ao Exército, que esteve conosco, Padre Omar, assim como ao General Montenegro, do Comando Militar do Sudeste, e ao coordenador da festa, Jefferson Becker, de São Miguel Arcanjo.
Em nome dessas pessoas, quero agradecer a todos os paroquianos, a cidade viu o comércio se movimentar. O comércio abria às 5 horas.
Eu quero fazer um relato sobre a falta de mão de obra qualificada. Tínhamos o registro de empresários que estão investindo na cidade. No entanto, pela falta de mão de obra, até pessoas aposentadas estão retornando ao trabalho, pois têm qualificação, conhecimento e responsabilidade com seus horários. Supermercados, farmácias e lojas estavam abrindo às 5 horas, junto com a Basílica. A Basílica, de fato, ditou o ritmo na cidade. A hora em que eles estavam lá, a hora em que a Basílica, Flávio, ia abrir, era o horário em que o comércio estava aberto; e também na hora de fechar. Movimentou toda a economia. Estava frio demais em São Miguel Arcanjo, não precisa nem ir para Campos do Jordão, pode ir para São Miguel Arcanjo. Logo apareceram as blusas de frio. Todo o comércio se movimentou.
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A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Por favor, Padre.
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Exatamente. Muitos aposentados voltaram ao trabalho porque, de fato, era uma mão de obra necessária.
Na sequência do vídeo, falará o Sr. Emerson, Professor Doutor do Departamento de Pós-Graduação em Ciência da Religião, da Universidade Federal de Juiz de Fora, que participará de forma remota, trazendo também o seu conhecimento, para que a gente possa ampliar o nosso entendimento a respeito do tema.
(Segue-se exibição de imagens.)
(Palmas.)
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É uma alegria muito grande estar aqui podendo falar um pouco sobre o turismo religioso de uma forma geral. O Padre Omar foi muito feliz com a nova conceituação: turismo plurirreligioso. O Brasil, em sua pluralidade cultural, artística, culinária e patrimonial, religiosa, geográfica, ambiental e histórica, possui uma imensa riqueza turística, que, entretanto, precisa ser mais valorizada e compreendida.
Necessitam-se de esforços para harmonizar e interrelacionar as legislações, as políticas públicas, a atuação dos Governos Federal, Estaduais e Municipais, as comunidades religiosas e os diversificados setores econômicos e as universidades.
No campo do turismo religioso e plurirreligioso delegava a força do catolicismo, em seu legado cultural em festas, igrejas, templos, procissões e caminhos. A barroca cidade de Tiradentes, em Minas Gerais, e o caminho do Padre Anchieta, no Espírito Santo, exemplificam essas forças.
Muitos lugares e eventos, no Norte ou no Sul, recebem intensos fluxos de peregrinos, romeiros e turistas. Santuários tornam-se imensos polos econômicos dos mais famosos, como Aparecida, em São Paulo, aos ainda pouco conhecidos, como Bom Jesus da Lapa, na Bahia.
Mas é preciso ampliar o olhar e incluir no planejamento turístico a riqueza das muitas expressões religiosas, o diverso mundo evangélico, com seus lugares, templos, caravanas, shows e celebrações, o mundo das religiões afro-brasileiras, das religiões orientais, das novas expressões religiosas, das religiosidades da floresta e das cidades esotéricas, dentre muitas outras.
Em minha breve fala, citarei alguns exemplos. O Parque Ecológico dos Orixás, localizado na antiga estrada entre Rio de Janeiro e Petrópolis, é listado como uma das mais famosas plataformas mundiais de turismo, segundo a Tripadvisor. O Dique do Tororó, o único manancial natural de Salvador, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional — IPHAN e possui belas esculturas de Oxalá, Iemanjá, Oxum, Ogum, Oxossi, Xangô, Nanã, obras do artista plástico Tatti Moreno, ambas atraem turistas e devotos. Santuários budistas, como o Templo Zu Lai, em Cotia, São Paulo, e o Templo Budista Chagdud Gonpa Khadro Ling, em Três Coroas, no Rio Grande do Sul, recebem visitações de fiéis e turistas apaixonados pela cultura. Seicho-no-ie, nova expressão religiosa japonesa, está no roteiro da Estância Turística de Ibiúna, em São Paulo. Recebe caravanas de turistas de terceira idade, escolas municipais, escoteiros mirins e devotos.
Não faltam possibilidades, mas é preciso ampliar a visão e superar desarticulações entre o setor público e privado, a universidade, os seus pesquisadores e os entes religiosos. Isso é fundamental.
Somos um Estado laico desde 1891, com previsão constitucional de respeito e não discriminação dos cidadãos e cidadãs em virtude de credo. É preciso, então, levar a sério cada vez mais esse fundamento constitucional, para que, a partir do modelo de laicidade brasileiro, que permite que, na interface entre religião e atividades econômicas, o Estado, em suas vertentes, como a legislativa, atue como colaborador e orientador de legislações e políticas públicas que estimulem o desenvolvimento responsável ligado ao turismo religioso.
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Nós sabemos, por exemplo, dos impactos profundos e negativos do turismo massivo, depredatório, que causa forte reação negativa em cidades como Barcelona e Veneza e que pode, sim, ameaçar lugares como Aparecida. É preciso estar atento aos impactos descontroláveis do turismo.
Outro desafio é a conservação e a ampliação, sem visões estereotipadas, do patrimônio material e imaterial das diversas expressões religiosas, a harmonização entre as legislações, a escuta e o envolvimento das comunidades religiosas, das comunidades sociais. A Deputada Simone Marquetto falou das comunidades religiosas, é importante escutá-las — o seu desejo, os seus anseios, as suas preocupações, especialmente quando o turismo adquire uma dimensão muito massiva.
É importante também o desafio de elaborar planos de manejo que abarquem as religiões em sua pluralidade e a integração do turismo religioso com formas não predatórias de turismo — turismo de aventuras, turismo ecológico, turismo de comunidade.
Outro desafio fundamental é o aprofundamento do diálogo com as universidades, com os pesquisadores, a busca de melhorias nas relações trabalhistas e socioeconômicas e a superação de um problema que tem acontecido, de violências cometidas contra minorias religiosas. Há casos de templos afro-brasileiros depredados. Recentemente, na Paraíba, houve dois templos depredados, dentre outros.
Os problemas devem ser levantados, exaustivamente planificados e postos sob o crivo de uma racionalidade maior, acima das divisões, mais madura, mais compreensiva, mais generosa, que leve em conta os impactos negativos e positivos do turismo religioso e plurirreligioso em suas interfaces com as demais atividades econômicas, com as diversificadas comunidades religiosas, sociais e com o complexo conjunto de instituições e atores envolvidos.
Por fim, abrir-se ao outro na sua pluralidade religiosa, procurar estudar e compreender essa diversidade e pluralidade, levar em conta que o turismo religioso é abrir-se às muitas possibilidades de bem-estar social e individual que esta terra e Nação oferecem por meio das muitas fés religiosas vividas, apesar dos graves problemas ainda não resolvidos.
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Quero agradecer a todos por esta participação. Creio que vai contribuir conosco, principalmente com os Municípios que estão presentes e aqueles que estão nos acompanhando, para que tenham esse incentivo.
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Ele está no meio de nós!
A SRA. PRESIDENTE (Simone Marquetto. Bloco/MDB - SP) - Amém!
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