2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 57 ª LEGISLATURA
Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial
(Audiência Pública Extraordinária (semipresencial))
Em 7 de Agosto de 2024 (Quarta-Feira)
às 14 horas
Horário (Texto com redação final.)
14:13
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A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Declaro aberta esta audiência pública da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial em que iremos discutir a neuroarquitetura.
Este evento decorre da aprovação do Requerimento nº 6, de 2024, de minha autoria, Deputada Erika Kokay.
Antes de darmos início e chamarmos a nossa Mesa, eu gostaria de fazer uma breve autodescrição para as pessoas cegas ou de baixa visão.
Eu sou mulher branca, com cabelos curtos e muitos fios grisalhos. Estou vestindo uma camisa branca e um blazer preto. E nós estamos na sala da Comissão de Direitos Humanos, Plenário 9. Eu estou no centro da mesa.
Eu gostaria de informar que este plenário está equipado com tecnologias que conferem acessibilidade, tais como aro magnético, bluetooth e sistema FM para usuários de aparelhos auditivos.
Esta audiência está sendo transmitida pela página www.camara.leg.br/cdhm.
Nós teremos participações virtuais e também presenciais nesta audiência.
Anuncio que os Parlamentares membros desta Comissão podem registrar sua presença no posto de registro biomédico deste plenário.
Anuncio também que os Parlamentares que fizerem uso da palavra por teleconferência terão suas presenças registradas.
Nós vamos trabalhar com um tempo de 7 minutos para cada um dos expositores e expositoras. Após esse prazo, nós iremos escolher sugestões de inscrições, se porventura houver.
Eu gostaria de chamar para compor a nossa Mesa o Sr. Ricardo Meira, Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo — CAU-DF; a Sra. Catharina Macedo, arquiteta, Mestre em Sustentabilidade do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários — ANFFA Brasil e fundadora do Instituto de Design Biofílico do Brasil; Mônica Blanco, arquiteta e Conselheira do Conselho de Arquitetura e Urbanismo — CAU do Brasil; Nikson Dias de Oliveira, Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Roraima — CAU de Roraima; Júlia Teixeira Fernandes, Doutora em Sustentabilidade, fundadora do Instituto de Neurobiodesign.
Informo que pelo ambiente virtual nós teremos a participação do Lori Crizel, arquiteto e urbanista, Presidente da ANFFA no Brasil; e Glaucus Cianciardi, professor do Instituto de Pós-graduação e Graduação — IPOG.
Portanto, nós vamos seguir a seguinte ordem previamente acordada: Mônica, Lori, Nikson, Catharina, Glaucus, Ricardo Meira e Júlia Teixeira.
Então, dando início à nossa audiência, eu vou passar a palavra para Mônica Blanco.
14:17
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A SRA. MÔNICA ANDRÉA BLANCO - Boa tarde a todos.
Meu nome é Mônica Blanco. Sou arquiteta urbanista formada nesta cidade.
Quero agradecer, em primeiro lugar, a oportunidade que nos foi dada pela Deputada Erika Kokay. Em uma conversa informal falávamos sobre arquitetura, sobre seus meandros e especificidades, e eu toquei no assunto da neuroarquitetura. Conversamos um pouquinho, e ela se empolgou.
Eu vou fazer um breve resumo sobre a exposição de hoje para que os meus colegas que vieram aqui falar sobre vários temas ligados à situação possam fazê-lo.
Nós saímos de uma pandemia. O que ocorreu na pandemia? Na pandemia as pessoas tiveram que trabalhar em casa, em ambientes residenciais. E aí eles se deram conta de que seus ambientes residenciais não estavam adaptados às suas necessidades de trabalho, tiveram que fazer adaptações, às vezes nem sempre muito adequadas.
Passou-se o tempo, eles se acostumaram. Voltamos da pandemia para os nossos trabalhos. O que aconteceu com as pessoas? Aconteceu que elas, ao chegarem aos seus ambientes de trabalho, não sentiram mais que esses ambientes lhes pertenciam. O que mudou?
Paralelamente, as neurociências começam a disputar cada vez mais um espaço dentro da pesquisa, dentre elas a neuroarquitetura. No que se refere à neuroarquitetura, esses ambientes, que agora já não nos servem mais, por isso estamos buscando um lugar ao sol, não estão adaptados às nossas necessidades sensoriais, sentimentais, ou seja, não houve, por parte da pessoa que criou esses ambientes — os arquitetos são criadores de ambientes, sejam eles ambientes construídos, sejam eles ambientes abertos —, naquele momento, o reconhecimento da empatia do arquiteto pelo usuário. E foi aí que começou, então, a se difundir o conceito de neuroarquitetura — a arquitetura ligada ao indivíduo, ao usuário, a arquitetura concebida para o usuário.
Hoje, como estamos em uma casa em que se preocupa pelo lado macro, pelas cidades, pelos espaços, pelos ambientes, nós vamos, cada um de nós aqui presentes, falar um pouco das cidades, dos espaços, principalmente dos espaços abertos. Em um mundo em que muitas coisas estão acontecendo, em que a acessibilidade e a inclusão social e educacional a cada dia estão mais fortes, mais necessárias e se perpetuam cada vez mais, cada um desses senhores e dessas senhoras aqui falarão para vocês como a cidade pode voltar a ser acolhedora, a ser empática, como devem ser as nossas cidades de agora para diante. O que está faltando?
É isso. Obrigada, Sra. Deputada.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Nós que agradecemos.
Tem a palavra o Lori, Presidente da ANFFA no Brasil, que vai participar de forma virtual.
14:21
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O SR. LORI CORREA CRIZEL - Boa tarde a todos.
Inicialmente, gostaria de dar boa tarde a todos os presentes.
Gostaria especialmente de agradecer à Deputada Erika Kokay por nos proporcionar esta oportunidade de tratarmos de um tema de suma importância que tanto eu quanto os colegas aqui presentes traremos, principalmente no âmbito social. Quando falamos social não nos referimos apenas a uma causa que abraçamos no Brasil. Essa causa vem acontecendo mundialmente, que é o universo da neuroarquitetura.
Meu nome é Lori Krizel e sou arquiteto. Hoje, eu presido, no Brasil, a Academia de Neurociência para Arquitetura, uma entidade mundial que reconhece o Brasil como um grande celeiro, onde a neuroarquitetura vem se estabelecendo de forma muito ética e, acima de tudo, muito social.
Temos grande prazer em dizer que todos os colegas que estão presentes participarem também dessa entidade como grandes colaboradores.
A minha participação neste nosso diálogo de hoje é trazer um embasamento inicial para que cada um dos colegas depois possa trazer ramificações específicas sobre o que Mônica tratou agora conosco.
Para que se torne compreensível a todos do que estamos falando, ou, e conhecimentos científicos, a respeito dos mecanismos de funcionamento do cérebro humano para que possamos aplicar isso em projetos nos espaços construídos. Podemos falar de qualquer edificação, uma edificação pública, nessa aí na qual todos se encontram, uma edificação residencial, corporativa ou comercial. Podemos falar também em âmbito urbano, onde abraçamos a sociedade como um todo, ou seja, tudo aquilo que é projetado, tudo aquilo que nasce através de um planejamento pode ser feito, veiculado especificamente para que se promova cada vez mais e de forma mais positiva e qualificada qualidade de vida para os usuários. Podemos pensar física, mas também psíquica e emocionalmente.
Esse conceito vem sendo abraçado por inúmeras áreas no mundo inteiro. Dentro do conceito da neuroarquitetura há algumas divisões. Um que cabe muito falarmos aqui, até mesmo porque falaremos não apenas do espaço construído interno, mas também do espaço urbano, do espaço público, é a questão do design salutogênico.
Esse conceito vem da área da saúde. Percebe-se que o ambiente, o espaço é um configurador comportamental capaz de auxiliar as pessoas no processo de cura. Portanto, hoje é amplamente abraçado por grandes e renomadas redes de hospitais mundo afora. Mas esse conceito evolui também para uma segunda segmentação, na qual o ambiente não apenas pode ser partícipe desse processo de cura, mas também pode ser um grande colaborador para um processo de não adoecimento. Aqui, ele passa a ser abraçado por órgãos ou por entidades extremamente voltadas a essa preocupação.
Atualmente, falamos muito do meio escolar. As escolas estão muito preocupadas principalmente com a qualificação da aprendizagem dos alunos. Falamos de espaços corporativos que buscam uma entrega cada vez mais qualificada e positiva, não apenas como uma demanda de performance, mas também como uma condicionante de vivenciar efetiva e prazerosamente o ato de trabalhar em si. Outros campos vêm abraçando essa causa e essa segmentação cada vez mais.
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Hoje falamos muito, por exemplo, sobre neurodiversidade. O conceito de neurodiversidade, em um primeiro momento, chega tendo uma visão, uma perspectiva muito voltada a questões patológicas. E aqui nós podemos falar de TEA — Transtorno do Espectro Autista, de TDAH — Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, de demência, de Alzheimer.
Hoje o conceito de neurodiversidade coloca todos nós diante da possibilidade de que, em algum momento pontual ou momentâneo, também tenhamos uma condicionante neurodiversa. Refiro-me ao estresse, à ansiedade, à depressão. Nunca falou-se tanto sobre burnout, e isso atinge todos os trabalhadores da sociedade brasileira. Percebemos o quanto o ambiente pode ser um elemento de contribuição para isso, não apenas o interno, mas também o externo.
Aqui trazemos, por meio da neuroarquitetura, o que nós chamamos de design inclusivo. Fico muito feliz quando a Deputada abre esta sessão comentando sobre todas as mobilidades de inclusão que a própria Câmara nos apresenta durante esta plenária. Percebemos que esse ato é não apenas um ato social, mas acima de tudo um ato de respeito. Hoje há grandes celebridades que levam isso à sociedade de modo geral. Cito, por exemplo, o artista global Marcos Mion, que traz essas condicionantes e faz com que a sociedade entenda, de uma forma muito mais facilitada, o que está acontecendo e dê a devida importância a isso.
Nessa mesma segmentação, percebemos que grandes marcas, grandes empresas mundialmente famosas, como Apple, Google, trazem essas condicionantes de ter em seus espaços de trabalho o design inclusivo efetivamente ocorrendo. E aqui no Brasil também, felizmente, já temos grandes empresas fazendo da mesma forma.
Essa mesma condicionante, como colegas aqui já citaram, também se faz presente no meio urbano. No neurourbanismo, o próprio conceito de smart cities, que é o conceito que nasce como as cidades inteligentes, já tem um aspecto totalmente voltado à experiência humana dentro do ambiente urbano, considerando o design inclusivo, como falamos agora, e o design salutogênico, que é voltado à saúde. Vamos percebendo que essas condicionantes se fazem extremamente presentes.
O mundo da construção civil, de um modo geral, vem se modificando em prol dessas condicionantes. O reconhecimento em âmbito mundial no meio da arquitetura e da engenharia comumente ocorre por meio de selos. O mais famoso deles, o mundialmente mais conhecido, chama-se LEED — Leadership in Energy and Environmental Design, que é um selo basicamente voltado às questões de eficiência energética, reaproveitamento de materiais, uma condicionante muito consciente da construção civil. Este selo, que até então tratava de dados apenas técnicos da arquitetura e da engenharia, hoje já lida também com aspectos qualitativos em relação à experiência do usuário dentro dos espaços, o que torna a qualificação do selo ainda mais valorosa, principalmente levando em consideração a experiência humana.
Boa parte desses mecanismos, tanto no interno quanto no externo, é traçada por uma área que nós chamamos de design biofílico, que é uma das grandes vertentes da neuroarquitetura e que traz essa condicionante de valoração da vida, da experiência humana para dentro dos espaços. Os colegas, muito apropriadamente, falaram sobre todos esses temas.
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Então, trazer essa condicionante da neuroarquitetura especificamente para um congresso, pelas mãos e pela voz de uma Deputada como a Deputada Erika Kokay, deixa-nos muito felizes e muito representados aqui, não apenas como defensores dessa bandeira, mas acima de tudo como contribuidores que esperamos poder ser em todo esse processo. Isso faz com que nós brasileiros e profissionais, que temos um juramento junto à sociedade brasileira, possamos efetivamente fazer uma entrega qualificada das cidades, dos ambientes, dos espaços a toda a nossa sociedade.
Fica aqui o meu agradecimento à oportunidade aberta, em especial à Deputada Erika Kokay, por trazer voz ao tema.
Fico à disposição para qualquer esclarecimento ou dúvida.
Muito obrigado pela gentileza e pela atenção de todos.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Nós que agradecemos ao Lori Crizel, que é arquiteto urbanista, Presidente da ANFA no Brasil.
Vamos passar agora a palavra para o Nikson Dias de Oliveira, Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Roraima — CAU/RR.
O SR. NIKSON DIAS DE OLIVEIRA - Muito boa tarde a todos.
Antes de começar a minha fala, gostaria de fazer um agradecimento especial à Deputada Erika Kokay, que é amiga da arquitetura e do urbanismo do Brasil. Sempre que o CAU solicita ajuda, socorro, a Deputada Erika Kokay tem estado presente nos atendendo. E agora está nos dando o privilégio de falarmos de algo ainda mais sensível e necessário.
Na pessoa da minha colega a Conselheira Federal Mônica, que provocou todos nós a estarmos aqui hoje falando de neuroarquitetura, saúdo todos os arquitetos do Brasil.
Em nome do meu colega Ricardo Meira, Presidente do CAU/DF, cumprimento todos aqueles que estão nos assistindo e prestigiando este momento importante.
Este é o marco inicial, Deputada Erika, sobre o tema da neuroarquitetura, de forma pública, de forma transparente, para darmos continuidade às políticas necessárias para que algumas minorias, conforme está na pauta desta Comissão, possam ser atendidas.
O meu nome é Nikson, como a Deputada disse, sou pai do Miguel e do Bento, e isso já resume grande parte do que eu sou. Nas horas vagas, sou arquiteto, professor da Universidade Federal, Presidente do Conselho, esposo, filho e tudo mais. Nesse conjunto de atividades, recebi a missão de cuidar do Miguel, que é uma criança autista.
O meu trabalho se chama ASTEA, que é um trabalho de doutorado. ASTEA significa Acessibilidade com Sensibilidade para o Transtorno do Espectro Autista.
Peço que coloquem a apresentação, por gentileza.
(Segue-se exibição de imagens.)
Por muito tempo, temos caminhado de forma progressiva, falando de forma métrica, tamanhos de cadeira, tamanho de passeios, calçadas, rampas, para diversas sensibilidades. Entretanto, com o passar do tempo, com os diagnósticos, com o acesso à saúde, nós nos deparamos com um crescimento gigantesco quanto à quantidade de crianças autistas.
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O meu primeiro filho, o Miguel, no caso, é autista. Eu percebi, quando criança, no brincar na praça, no participar das brincadeiras, que o autismo me mostrava algumas sensações, algumas reações que eram incômodas para todos, mas que, no caso dele, chegavam a causar dores físicas — calçadas desconexas, algumas questões relacionadas a cores, texturas, sensações, toques, formas, relações de espaços — e o impediam de participar desse espaço, de provocar trocas, de acessar a cidade, de ter direito à cidade.
Observando esses problemas, na praça ou no parque perto de casa, fui corrigindo esses processos, essas conexões, essas sensações. E isso foi possibilitando a ele o acesso. Nisso, houve também uma possibilidade de promover condições melhores para muitas crianças autistas. Com o diagnóstico dele, observei também a evolução em consultório, na terapia ocupacional. Vi que a psicologia avançou bastante, o direito avançou em muitas coisas, mas que o sucesso que acontecia no consultório poderia partir da escala do arquitetônico e ir para o urbanismo.
O bloquinho poderia se tornar um blocão, aquele acesso que ele tinha com a terapia ocupacional poderia se estender a outras crianças, que poderiam se comunicar com ele, para haver essa troca. E o meu trabalho caminhou para isso, entendendo a infância autista e a forma como eu poderia inserir essa criança. Eu me dediquei a isso.
Essa foi a motivação do meu trabalho durante os últimos anos. Fui escrever sobre isso, fui tentar entender isso, a forma como a psicologia tratava o tema, o que nós já tínhamos de direito, o que nós já tínhamos de proposta e como eu poderia abarcar todos esses processos e transformá-los em políticas que pudessem tocar essas crianças e dar a elas cidade e cidadania — direito de opinar, de votar, de transformar, de participar, de fato, da sociedade.
Aí entra a psicologia ambiental, que fala de todas essas relações da neuroarquitetura, o modo como o ambiente pode nos transformar, dando-nos a sensação de segurança, de conforto, seja conforto térmico, seja conforto lumínico, o lugar onde devemos colocar esses equipamentos públicos, o local onde a praça deve estar, onde a escola deve estar, longe de ruído, longe das vias arteriais, mas com conexões, funcionalidades e tudo o mais. E fui caminhando por isso aí.
Durante esse trabalho, Deputada Erika, eu procurei levantar tudo quanto se houvesse dito sobre o assunto, como compromissos na ONU, na própria América Latina, no Brasil, o que já tínhamos de arcabouço legal, o que já tínhamos de compromisso feito com outros países. Fui levantando tudo isso e, por um momento, percebi que não faltavam mais compromissos.
Todo mundo já sabia que nós estávamos aqui, que os autistas estavam aqui. E o que faltava era partir para a prática, pegando tudo isso — esses compromissos, esses entendimentos, essa lei — e inserindo na política, nos planos diretores das cidades para, quando se pensar em parque, praça, escola, posto de saúde, considerar a neuroarquitetura, algo que vem surgindo.
Aí surge o meu trabalho chamado ASTEA — Acessibilidade com Sensibilidade para o Transtorno do Espectro Autista, que não é métrico, é sensível.
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Aí isso toca Deputados, Senadores, Vereadores, Prefeitos, Governadores, que têm o start de fazer a política e, em segundo plano, toca arquitetos e engenheiros, sensibilizando-os quanto a essas necessidades, inserindo-os nos projetos e, com isso, atingindo a acessibilidade plena em todos os casos.
Aqui eu fiz um cronograma de todos os compromissos já feitos, desde a Declaração de Genebra até os nossos planos diretores, inclusive, como bem citada pelo colega Lori Crizel, até a Lei Romeo Mion, que trata da identificação.
Então, já temos um start e agora falta transformar isso em política, em prática. Apesar de estarmos falando em uma Comissão que defende minorias, quando se vai olhar para a estatística de forma crua, hoje nós somos 1 a cada 36. Uma parcela significativa da sociedade está descoberta dessas políticas.
Vou caminhar para o fim da minha fala.
O trabalho busca essa relação do brincar, que é a forma como a criança acessa a cidade, e isso se transforma em política para a primeira infância principalmente, que é onde se detecta esse diagnóstico, onde se percebe que será um cidadão que vai ter dificuldades de se relacionar, ter trocas, acessar a política, acessar os espaços.
É importante garantir esses equipamentos e os espaços livres da cidade para essas crianças. Não precisamos somente de torres de pavimentação, de ruas, de rodovias, de estradas. Precisamos de parques, de ambientes livres dentro da cidade.
Finalizando, de fato, eu lhes agradeço a oportunidade de tentar sensibilizar esta Comissão sobre a importância de criarmos políticas e leis, destrinchando esses compromissos já feitos, inserindo-os nos planos diretores da cidade.
A Acessibilidade com Sensibilidade no Transtorno do Espectro Autista — ASTEA precisa estar presente para cuidarmos dessas crianças. Eu acredito que a minha pesquisa não para por aí. Ela pretende ainda caminhar para buscar a AsDown — Associação Down, a APPC — Associação dos Portadores de Paralisia Cerebral e demais necessidades. Acho que são passos que vamos dando: o Estatuto do Idoso, o Estatuto da Criança e do Adolescente e agora a Acessibilidade com Sensibilidade.
Agradeço, encerro e espero, muito em breve, Deputada Erika, que a senhora me convide novamente para detalharmos as políticas que nós vamos promover neste País para que as crianças autistas tenham direito à cidade.
Obrigado.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Obrigada, Nikson Dias de Oliveira, Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Roraima.
Vou passar agora para a Catharina Macedo, que é arquiteta, mestre em sustentabilidade, membro da ANFA Brasil e fundadora do Instituto Design Biofílico do Brasil.
A SRA. CATHARINA CAVALCANTE DE MACEDO - Olá, boa tarde a todos.
Gostaria de cumprimentar a Deputada Erika Kokay por essa grande oportunidade de estar junto aos colegas do conselho.
Obrigada, Mônica, por fazer toda essa provocação sempre.
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Obrigada, Ricardo, Presidente do CAU-DF.
Também cumprimento todos da Mesa, a Júlia, colega do instituto, o Lori, o Glaucus, que vai falar daqui a pouquinho.
A minha presença hoje, embora eu esteja muito honrada e orgulhosa de abordar o tema de neuroarquitetura, é para tratar especificamente do design biofílico, que são estratégias de design que estão debaixo desse guarda-chuva da neuroarquitetura, sobre o qual o Lori fez uma introdução — e, como sempre, foi muito didático.
Agradeço a oportunidade de, na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial, estar tratando desse assunto e conectando cada vez mais a arquitetura e o design a questões relacionadas à saúde e bem-estar, de onde vamos sempre buscando entender a importância dessas nossas ações, até então técnicas, tornarem-se cada vez mais conectadas às políticas públicas.
Então, é importante percebermos que estamos enfrentando uma crise silenciosa, mas devastadora. Dados recentes revelam um aumento alarmante dos casos de estresse crônico e transtorno mental da população mundial. Trago aqui alguns dados da Organização Mundial da Saúde. Aí é importante que eu leia para passá-los corretamente.
(Segue-se exibição de imagens.)
Dados recentes da OMS — Organização Mundial de Saúde mostram que sofrem depressão aproximadamente 300 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, são 11,7 milhões de brasileiros, o que corresponde a 5,8% da população. Ainda assim, a OMS mostra que o Brasil é o país com maior índice de depressão na América Latina.
Essa situação não só afeta a saúde das pessoas, mas também sobrecarrega o nosso sistema de saúde pública, resultando em bilhões de reais gastos com tratamento, o que poderia ser evitado. Além disso, como o Lori comentou anteriormente, esse é um problema que atinge diversas classes sociais, e não só adultos, mas crianças, como sabemos. Em se tratando de trabalho, essa é a terceira maior causa de afastamento no Brasil.
Aqui eu trouxe um estudo que veio também da OMS, que é o Plano de Ação Integral de Saúde Mental 2013-2030, um planejamento que pretende se executar até 2030 e que convoca os países a acelerarem a implementação de três caminhos. Desses três caminhos, nós, arquitetos e designers, podemos focar o terceiro, que é remodelar ambientes que influenciam a saúde mental, incluindo lares, comunidades, escolas, locais de trabalho, serviços de saúde e áreas públicas.
Para termos uma noção um pouco melhor do que estamos falando, acreditamos que a neuroarquitetura e o design biofílico são essa luz no fim do túnel. Sabemos que existem estudos emergentes — o Nikson nos trouxe o doutorado dele — que conectam a neuroarquitetura e o design biofílico a questões relacionadas à saúde e mostram que esse ambiente em que vivemos, trabalhamos e nos curamos tem impacto profundo no nosso bem-estar mental e físico.
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Então, esse tal design biofílico, que está conectado com a neuroarquitetura, promove a saúde e a satisfação dos ocupantes, integrando elementos naturais aos ambientes construídos, criando uma conexão profunda entre o ser humano e a natureza.
Como aqui nem todos são arquitetos e designers, achei importante trazer uma grande referência de arquitetura nacional e mundial, que é o Hospital da Rede Sarah, do Lelé, do grande arquiteto João Filgueiras Lima, que nos representou, um arquiteto humanista, que conseguiu aplicar, de uma forma incrível, essas técnicas das quais estamos falando, num espaço extremamente complexo, que é um hospital, em função das normas que ele tem.
Imaginem-se entrando num hospital todo branco, frio, sem cor, sem vegetação. Imaginem a sensação. Podemos imaginar o oposto quando entramos no Sarah, um hospital banhado de luz natural. E essa luz natural vem com qualidade, não é qualquer luz natural. Ela é colocada no local de forma a reduzir a carga térmica, ou seja, é conectada com o clima daqui de Brasília. Temos conexão com o lago, temos conexão com vegetação, temos cores atrativas e ambientes convidativos.
Então, essas pesquisas sempre nos mostram, com embasamentos científicos, que esses ambientes humanizados e com aplicação do design biofílico podem, sim, gerar mais cura e bem-estar.
Eu gostaria que vocês imaginassem o impacto positivo que podemos causar ao aplicarmos essas técnicas, transformando os espaços públicos, sejam internos, sejam externos. Podemos trabalhar com escolas, hospitais, escritórios, áreas urbanas, como o Nikson comentou anteriormente, para promover a saúde e o bem-estar de todos.
Com essas mudanças, poderemos não só melhorar a qualidade de vida da população, mas reduzir custos com saúde pública em longo prazo. Então, acredito que esta é uma oportunidade única. E todos aqui caminhamos juntos, inclusive, no nosso instituto, sobre o qual a Júlia vai comentar um pouco mais. Temos uma oportunidade única de liderar uma transformação que priorize, sim, o bem-estar das pessoas em todos os espaços que habitamos. O que queremos aqui é provocar uma discussão e, quem sabe, uma transformação para que os espaços sejam realmente mais humanizados.
Então, o design biofílico nos oferece uma ferramenta para criar um futuro mais saudável e mais humano. Eu acredito que cabe a nós e também à Comissão — aí eu falo em nome da Deputada Erika Kokay — ampliar essa discussão, para que tomemos decisões que realmente transformem vidas.
Obrigada.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Agradeço à Catharina de Macedo, arquiteta, mestre em sustentabilidade, membro da ANFA Brasil e fundadora do Instituto Design Biofílico.
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Agora vamos escutar o Glaucus Cianciardi, professor do IPOG — Instituto de Pós-Graduação e Graduação, que vai se comunicar conosco virtualmente.
O SR. GLAUCUS CIANCIARDI - Boa tarde a todos. Eu preparei minha fala com base em uma sequência de eslaides. Seria possível, quando eu levantasse o dedo, que fizessem a troca dos eslaides, sem que eu ficasse pedindo toda hora?
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Você é que vai fazer a mudança.
O SR. GLAUCUS CIANCIARDI - Ah, eu faço a mudança aqui.
Então, boa tarde a todos.
Gostaria de agradecer à Deputada Erika Kokay o convite. Agradeço à minha querida Mônica Blanco e ao Ricardo Meira a oportunidade de estarmos aqui.
Podemos conversar mais uma vez sobre as questões neuroarquitetônicas inseridas no espaço público.
Então, eu gostaria que pusessem os meus eslaides.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Você tem que compartilhar a sua tela.
O SR. GLAUCUS CIANCIARDI - Opa, obrigado.
Vou compartilhar então.
(Segue-se exibição de imagens.)
Vamos lá. Design urbano salutogênico. Existe uma dissonância cognitiva muito grande entre a cidade sonhada pelos usuários e aquela ofertada pelas políticas públicas. Viver em grandes cidades é uma coisa bastante complicada, porque existe uma interface de acontecimentos que nos deixa desnorteados perante o caos que se estabelece.
Mais do que isso, existe uma insalubridade no que tange questões sonoras, visuais e auditivas, chegando ao momento de ficarmos completamente estressados. A falta de políticas públicas e de vias planejadas de acordo com a demanda do dia a dia faz com que boa parte do tempo que usaríamos para desfrutar de nossas famílias, descansar e repousar se perca dentro do sítio citadino.
Tudo isso vai gerar estresse, que leva a depressão e crise de ansiedade. E o único agente estressor é o planejamento das grandes cidades. Então, quando se pensa em design arquitetônico, em neuroarquitetura inserida no sítio citadino, tem que se imaginar justamente um grande problema no design das cidades, que é a patogênese projetual, ou seja, os projetos são doentes porque não são pensados de forma holística para os seus usuários.
Hipócrates já dizia: "Diga-me onde moras que te direi do que padeces." Assim, o sítio onde a pessoa habita faz com que haja uma demanda de doenças inseridas nesse contexto. Mais do que isso, quando se pensa em design urbano salutogênico, é preciso responder a uma questão: o que é homeostase? É um equilíbrio entre as questões físicas e mentais dos usuários, fazendo com que o dia a dia seja muito mais prazeroso e muito mais proveitoso para eles.
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O cérebro humano, ao longo de 300 milhões de anos, foi projetado para três coisas: segurança, conexão e satisfação. E o design urbano tem que atender a essas três dimensões: segurança física e psíquica; conexão entre as pessoas que moram naquele mesmo sítio, com a eliminação de muita dopamina; e muita satisfação aos seus usuários.
Uma das coisas mais importantes num ambiente urbano é a emoção que ele nos causa, porque é justamente a emoção que nos faz ter a conexão com o sítio citadino, com a topofilia, ou seja, o amor que eu tenho pelo espaço e como me enxergo nele em termos da minha identidade e do meu pertencimento.
Nós moramos obviamente em grandes centros, onde existe caos urbano. E esse caos urbano acaba por nos causar uma série de inconvenientes. Nós precisamos de algum elemento neuroarquitetônico que nos leve a suprir essa demanda dos problemas, para podermos nos aliviar, tendo uma coisa que nós chamamos, em neuroarquitetura, de distração positiva, ou seja, um grande evento numa cidade. Por exemplo, há o réveillon e o carnaval no Rio, houve o show da Madonna. Isso faz com que, dentro de um espaço adequado, planejado, haja um momento de alívio dos problemas do dia a dia.
Mais do que isso, é preciso haver alguns momentos no dia a dia, na semana, onde se promove o savoring. O que é o savoring? É o prolongamento do prazer das pessoas para aliviar o estresse do dia a dia. Por exemplo, uma noitada na Lapa ou ainda, depois de um dia de trabalho duro, curtir um final de tarde, relaxar numa praia. Em resumo, seria voltar ao genetic savoring, ou seja, o prazer de conviver com a natureza, porque foi dela que nós saímos.
Há dados de que 1% da existência humana está fora da natureza. Em alguns espaços específicos, resgata-se essa situação biofílica, como bem colocou a Catharina, em que novamente o homem está relacionado à natureza. Quando há essa conexão, consegue-se promover alívio e aumentar em 100% as atividades do sistema nervoso parassimpático, que é justamente o que nos alivia do estresse do nosso cotidiano.
Respondendo a uma pergunta do chat, nós temos os jardins regenerativos, que primeiramente foram inseridos em hospitais, onde há uma maior cura dos pacientes e um tempo reduzido de internação. Experiências em Nova Iorque mostram que jardins regenerativos ajudam a reduzir a violência dos bairros, tornando-o um argumento bastante interessante para um plano diretor, de modo que esse problema seja minimizado nas grandes cidades.
A Naomi Sanches diz: "Quando olhamos para uma cena agradável, nossos sentidos são envolvidos positivamente." Aí nós vamos tanger as questões da psicologia positiva. Mais do que isso, nós seres humanos temos necessidade de nos localizarmos no espaço, esse é um dado biofílico. Então, pontos referenciais, de ordem geográfica ou de ordem arquitetônica, como a Torre de São Marcos, a Torre Eiffel, na França, ou ainda o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, se fazem necessários para que nós possamos ter essa localização e nos sentirmos mais seguros dentro daquela área.
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Ainda há a questão da iluminação natural, ou seja, é preciso rever o gabarito da cidade e pensá-la em função da luz, porque sabemos que nós precisamos entre 800 e mil lux para produzirmos os neurotransmissores, que são fundamentais para que possamos ter o ciclo circadiano funcionando como deve dentro do nosso organismo. E os neurotransmissores também podem ser fomentados dentro da cidade através de algumas práticas. A serotonina, por exemplo, nos traz prazer, e precisamos de áreas para tomar no sol, áreas de referência de natureza, espaços para exercícios. E a ocitocina melhora a conexão entre as pessoas. Então, precisamos de espaços para meditação. E para promover o bem-estar das pessoas precisamos de equipamentos públicos que promovam o cantar, o dançar, o hobby, os esportes e ainda equipamentos públicos que possibilitem exercícios que podem ajudar a produzir a endorfina, que nos traz felicidade para o dia a dia.
Mas, mais que isso, não podemos esquecer que o ser humano fica por volta de 90% dentro de espaços fechados. Sendo assim, precisamos pensar nos equipamentos urbanos dentro dos conceitos neuroarquitetônicos para melhorarmos a qualidade de vida das pessoas. Dessa maneira nós vamos entender que essas práticas trazem um equilíbrio entre a mente e o corpo e fazem com que as pessoas tornem os seus dias muito mais tranquilos e muito mais felizes.
Quando eu penso na arte do design urbano, na arquitetura e no design de interiores, eu penso que todos devem contribuir para a maior de todas as artes, que é justamente a de viver.
Então, eu agradeço mais uma vez a todos pela possibilidade de participação e gostaria imensamente de poder destrinchar isso em outra oportunidade.
Muito obrigado.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Agradecemos ao Glaucus Cianciardi, que é professor do IPOG, Instituto de Pós-Graduação e Graduação.
Vamos passar agora a palavra para o Ricardo Meira, que é Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo aqui do Distrito Federal.
O SR. RICARDO REIS MEIRA - Muito boa tarde.
Quero agradecer à Deputada Erika pela iniciativa. V.Exa. é uma Parlamentar que tem sempre um olhar muito crítico e carinhoso com a cidade, com o espaço público de modo geral, em particular com a nossa amada Brasília, que é farta em espaços públicos. Muitos deles não são tão apropriados como deveriam, mas se há um lugar onde podemos aplicar isso, de fato, é em Brasília, uma cidade que já foi criada para ser precursora de vários conceitos, várias ideias. E eu vejo a nossa cidade como um cenário ideal para que isso que estamos discutindo, de fato, seja implantado para promover essa alteração, essa mudança de pensamento dos gestores públicos também, não só dos criadores dos espaços, mas dos próprios gestores, para trazermos formas práticas, objetivas e nem sempre caras para implantar esses conceitos. E é um pouco sobre isso que vai ser a minha fala.
Nudge é uma expressão em inglês que significa empurrãozinho, cutucão, um conceito vindo da economia comportamental que traz pequenas alterações ambientais ou sensoriais para promover mudanças comportamentais ou sensoriais de forma muito simples, rápida e não proibitiva.
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São incentivos para determinados comportamentos ou para aprimorar a percepção das pessoas sobre determinadas informações ou determinados espaços.
Então, qual é o nosso problema? Espaços de qualidade em que as pessoas queiram ficar, queiram estar, permanecer, utilizar e cuidar é muito raro nas nossas cidades brasileiras, eu diria que na imensa maioria dos nossos mais de 5 mil Municípios. Isso acaba gerando falta de uso, falta de interesse, e a consequente degradação desses espaços públicos, o que traz problemas de segurança, problemas de limpeza, de manutenção, de conservação, impactando até financeiramente no custo de manutenção e gestão das cidades como um todo. E uma das principais causas é a falta de engajamento e de apropriação, pelas próprias pessoas da comunidade, desses espaços.
E por que elas não usam esses espaços? Será que elas não usam porque eles são mal cuidados ou eles são mal cuidados porque ninguém usa? É o dilema "Tostines" do espaço urbano.
Como é que uma pessoa escolhe passar por um caminho e não pelo outro? O que faz com que ela escolha se sentar no banco ou não, pisar na grama ou não, jogar o lixo no chão ou na lixeira? Podemos falar que é por causa da educação, cultura. Sim, mas isso pode ser incentivado e aprimorado com pequenas alterações nos elementos, nos objetos, nos equipamentos urbanos, nos próprios espaços para incentivar determinados comportamentos.
E nós da arquitetura e urbanismo sabemos que a interferência no contexto ambiental pode influenciar o comportamento. Espaços muito iluminados geram um determinado comportamento, espaços pouco iluminados geram outro comportamento, e assim por diante.
E aí vem o conceito do nudge, que é um empurrãozinho, um cutucão, que é uma forma de incentivar as pessoas a tomar certas decisões que são do seu melhor interesse, para o seu benefício, sem que haja uma coação ou uma limitação. Por exemplo, se eu colocar uma plaquinha numa praça e nela estiver escrito: "Proibido pisar na grama", isso não é um nudge, é uma proibição; "Sujeito a multa", isso não é um nudge. Mas eu posso criar condições para que o caminho ao redor da grama se torne mais convidativo e mais interessante. Eu sou partidário de que deveríamos pisar em toda grama, porque a grama é feita para pisar, de preferência, descalço, evidentemente com o devido cuidado.
Então, para ser um nudge, a liberdade de escolha deve ser mantida. Quando eu coloco um caminho numa praça e eu cerco esse caminho para que a pessoa tenha que passar por lá, isso não é um nudge. E quando nós seres humanos nos deparamos com alguma limitação, proibição ou barreira, nos sentimos ou acabamos sendo coagidos a nos comportar de determinada forma. O nudge vai para outro caminho. Ele incentiva, promove e faz com que as pessoas desejem passar por determinado caminho, ter determinado comportamento, porque elas se sentem melhor fazendo aquilo, mais seguras, mais confortáveis, mais felizes, enfim.
Esse é um exemplo de um nudge social. O que é um nudge social? São influências sutis que nos levam a agir com base em determinadas normas, ou regras, ou costumes, ou proposições, como, por exemplo, não jogar bituca de cigarro no chão. Eu trouxe um exemplo muito interessante em que fizeram um quadrinho com dois recipientes e a pessoa tem que responder: quem é o melhor jogador do mundo, Ronaldo ou Messi? Aí a pessoa se sente motivada a participar dessa enquete e joga ali a bituquinha em um dos dois para poder fazer a votação dela. E se torna até divertido, a pessoa joga o lixo no lugar certo e acaba sendo incentivada e se divertindo ao fazer isso.
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Esse é um outro exemplo de um nudge social, de um comportamento proposto em função da própria segurança do usuário no metrô. O metrô de São Paulo tem isso. Na imagem, não é o metrô de São Paulo, é de uma cidade do exterior, é da Alemanha, se não me engano. Um simples direcionamento com seta faz com que as pessoas deem a preferência a quem está saindo do vagão, em vez de ficar todo mundo acumulado ali, todo mundo no mesmo local, atrapalhando quem está saindo e dificultando quem está entrando. Então, é um simples desenho no chão. Ninguém é proibido de ficar ali, mas há um incentivo para que a pessoa se posicione um pouco ao lado para priorizar as pessoas que estão saindo. É diferente daquelas gradezinhas do metrô de São Paulo.
Esse é um jeito lúdico de fazer com que as pessoas, crianças, e não só crianças, mas adultos também, possam separar o seu lixo de maneira adequada, ao mesmo tempo brincando e se divertindo também. Dá até vontade de jogar lixo no lixo para poder brincar de basquete aí.
Esse outro exemplo é uma ecobag, uma bolsa ecológica. O próprio feitio, a construção dela já é algo que incentiva o uso de materiais mais ecológicos, recicláveis. Mas a simples menção ao objetivo disso incentiva o uso desse tipo de objeto: "Salve os oceanos, os mares e os rios". Então, se coloca ali uma mensagenzinha para a pessoa entender o porquê de ela estar adquirindo essa bolsa.
Esse desenho deveria estar em toda escada rolante, em qualquer cidade do mundo. O desenho ali do pezinho parado à direita e o pezinho em movimento à esquerda incentiva as pessoas a ficarem à direita, para que as pessoas com pressa passem à esquerda. Não precisa ter texto, não precisa ter ordem, mas o desenho dos pés já nos deixa no mínimo sem graça de ficar à esquerda ali parado. E isso facilita a mobilidade das pessoas e a própria segurança.
Um outro jeito lúdico de incentivar as pessoas a jogar o lixo no lugar certo é esse desenho de uma amarelinha na calçada.
Esse é um desenho no chão feito em forma de um caixão e nele está escrito assim: "Área designada a fumantes". É um incentivo bastante eloquente para as pessoas pararem de fumar. Vai jogar o cigarrinho ali no cinzeiro e vê o desenho de um caixão.
O nudge cognitivo é uma influência que nos leva a pensar sobre coisas de formas diferentes. Um exemplo muito prático é a descrição nutricional nas embalagens. Algo que é bom registrar, o Brasil é exemplo para o mundo na maneira como tratamos nas embalagens as informações nutricionais. Mérito para a nossa grande ANVISA.
Esse é um nudge cognitivo interessantíssimo para incentivar a economia de energia. Foi feito um trabalho na Inglaterra em que eles simplesmente colocavam um ranking de consumo do usuário, da residência, em relação aos seus vizinhos. Só que aí o que eles perceberam? Quando a pessoa via que ela estava consumindo menos do que o vizinho, ela consumia mais e acabava aumentando o consumo. Aí o que eles fizeram? Colocavam uma carinha feliz quando a pessoa consumia menos do que os vizinhos. Uma carinha feliz já fez com que ela reconhecesse esse hábito de consumir menos energia como sendo um hábito mais positivo. O ser humano é muito competitivo. E se ele puder aparecer: "Olha, consumi menos energia do que os meus vizinhos", e tem uma estrelinha ali, uma carinha feliz, ele já se sente mais motivado a cultivar bons hábitos.
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Por fim, nós temos os nudges comportamentais, algo que foi muito explorado e pesquisado, sempre foi, mas agora de forma mais intensa a partir da pandemia.
Esse aqui, por exemplo, é um "X" feito com fita adesiva num assento de ônibus. A pessoa poderia se sentar ali, porque não tem nada dizendo "Proibido sentar", mas ela entendia que ali ela não deveria se sentar, para poder manter a distância saudável entre as pessoas.
Esse exemplo é até bastante famoso, desenhou-se teclas de um piano numa escada para incentivar as pessoas a usarem a escada em vez da escada rolante, para promover a atividade física no nosso cotidiano, no nosso dia a dia: subir e descer escada, ir a pé em pequenas distâncias. Se quiser, a pessoa usa a escada rolante, mas como tem esse aspecto lúdico, houve um aumento significativo de pessoas que utilizavam a escada.
Um outro exemplo, também na Alemanha, é um desenho simulando uma pista de corrida para as pessoas poderem se sentir mais motivadas a usar a escada também. Uma curiosidade é que as crianças adoram a escada rolante, mas nesse caso elas queriam ir pela escada física e aí os pais e mães acabavam seguindo os filhos também.
Isso pode ser ampliado por espaço público. Aqui um exemplo já muito famoso na Times Square, em Nova York, em que houve, não tão recentemente, mas também não faz muito tempo, um trabalho de intervenção urbana para aumentar o espaço dos pedestres. E é um trabalho muito interessante, de níveis, em que o motorista passa pela rua, mas ele sente que ali ele é um intruso, que o espaço é prioritariamente dedicado ao pedestre. Mesmo que não haja faixas de pedestres ou semáforos, ele acaba se sentindo como: "Com licença — se não tiver nenhum pedestre —, vou passar por aqui".
Um outro exemplo é a pintura de um trecho que não é uma faixa de pedestres, mas é um trecho numa cor diferente do asfalto — eu não vou falar a cor porque eu sou daltônico, Deputada, e tenho medo de errar, mas eu acho que é azul — e isso já faz com que as pessoas se sintam compelidas a seguir pelo caminho correto.
Esse é um dos exemplos de que eu mais gosto, são linhas transversais ao longo de uma rodovia — imagine isto aqui na EPTG —, não tem saliência, não tem desnível, mas o desenho da linha na transversal já faz com que os motoristas reduzam a sua velocidade média em quase 10 quilômetros por hora, simplesmente por ver esse desenho na transversal ao longo dessa pista.
Bom, nós podemos usar esse conhecimento de arquitetos, de urbanistas, para aprimorar e melhorar os espaços do mobiliário para torná-los mais humanos.
E como Presidente do Conselho —— eu estou aqui com o meu colega Nikson, do CAU de Roraima —, faço um apelo aos gestores públicos, aos membros da Casa Legislativa e também do Executivo para que promovam e criem oportunidades para que arquitetos urbanistas possam contribuir nas Prefeituras, nas Câmaras, com o nosso conhecimento, para aprimorar os espaços e torná-los cada vez mais saudáveis, utilizáveis, humanos e inclusivos. No final das contas, tudo isso acaba tornando o espaço mais aberto e possível de ser utilizado por mais pessoas. A arquitetura tem esse poder, essa capacidade.
Estamos à disposição.
Obrigado, Deputada.
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A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Gostaria de agradecer ao Ricardo Meira, Presidente do CAU, Distrito Federal.
Registro a presença dos servidores e servidoras do Ministério do Meio Ambiente. E quero hipotecar a nossa solidariedade à luta e o nosso reconhecimento, na vida concreta, no direito concreto, da importante função que exercem em todos os aspectos.
Nós estamos discutindo a neuroarquitetura, que é a arquitetura e o urbanismo humanizados. Inclusive os espaços e as escalas em Brasília têm a escala bucólica, a relação com o meio ambiente, e tudo isso é absolutamente fundamental para as nossas existências na sua plenitude.
Mas sejam bem-vindos e bem-vindas e manifesto a nossa solidariedade ao movimento que desenvolvem. (Palmas.)
E passo a palavra para a Júlia Teixeira Fernandes, doutora em Sustentabilidade e fundadora do Instituto de NeuroBioDesign.
A SRA. JÚLIA TEIXEIRA FERNANDES - Boa tarde, Deputada. Boa tarde a todos.
É uma honra e uma oportunidade estar aqui encerrando toda essa conversa, essas mini discussões que os meus colegas trouxeram.
Agradeço especialmente à Mônica. Desde várias gestões no CAU/DF, já vimos trazendo essa discussão pós-pandemia de que é necessário que o arquiteto exerça o seu papel social na cidade e para os cidadãos, para o povo de forma geral.
E aí resgatando o que é a arquitetura, há quanto tempo a arquitetura está a serviço das pessoas? Ao longo da história, sempre tivemos momentos em que a arquitetura foi evoluindo e se transformando. Houve momentos em que foi mais técnica, como aconteceu depois da Revolução Industrial, quando era necessário reconstruir as cidades, construir com novas tecnologias, estabelecer normas. E passamos por um processo até ali na década de 70 e 80 em que a técnica era muito presente e muito forte. Mas acontece que no pós-pandemia o mundo recebeu essa chacoalhada, e não podemos, nós, profissionais, engenheiros, arquitetos e designers de interiores, estarmos apenas focados na técnica. É necessário, agora, colocar o ser humano, as necessidades das pessoas. E o Lori geralmente fala que quanto mais entendemos das pessoas, melhor projetamos os espaços.
Eu vou trazer para vocês, na apresentação, a nossa atuação.
(Segue-se exibição de imagens.)
Fundamos aqui em Brasília o Instituto NeuroBioDesign, que é justamente um conceito gratificante para nós, como brasileiros. Isso porque esse conceito traz uma junção de tudo o que estamos aqui falando, a neuroarquitetura, o design biofílico, não como uma profissão, mas como uma ferramenta de transformação dos espaços, em qualquer escala. Então, o designer neurobiofílico vai trabalhar a cidade, vai trabalhar o edifício, vai trabalhar o interior, independentemente de classe social, independentemente de custos. É um direito do ser humano estar sendo influenciado por espaços que fazem bem para ele.
Tradicionalmente, o conceito de sustentabilidade vinha se focando sempre em aspectos técnicos, como redução de energia, preservação da natureza, e em aspectos quantitativos. E culminando no pós-pandemia, percebemos que o conceito de sustentabilidade hoje deu um salto. Falar de aspectos técnicos e critérios quantitativos isso já temos que cumprir, como engenheiro, arquiteto, designer de interiores, não é mais do que a nossa obrigação, e isso já está presente nas normas. Só que agora estamos colocando dentro do tripé da sustentabilidade os aspectos social, ambiental e econômico. O aspecto social sempre foi visto como uma responsabilidade do poder público, na escala coletiva. E agora estamos evoluindo para que a arquitetura e o urbanismo, a engenharia e o design também promovam uma sustentabilidade mais humanizada.
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Como é que eu vou adotar as soluções e critérios de sustentabilidade se esses não fizerem parte da minha vivência? Então, os critérios de sustentabilidade são adaptados para cada um. Nesse sentido, quando falamos do conceito de neurobiodesign — e por isso trazemos essa ilustração —, o neuro está ali justamente focado nas percepções das pessoas, nas emoções e no impacto em comportamentos positivos, como o Ricardo mostrou em grandes exemplos aqui. E como influenciar as pessoas a adotarem aspectos de sustentabilidade ou a terem impactos positivos em relação à saúde, como a Catharina falou aqui? Nós ficamos encantados com os projetos do Lelé e nos perguntamos como ele fez isso. Ele fez porque está ali focado em trazer aspectos positivos. A pessoa vai se sentir bem e vai ter uma melhoria na sua condição de saúde.
Na arquitetura, geralmente falamos, assim, que enquanto os médicos e os profissionais da saúde muitas vezes estão focados na solução de um problema de saúde, a arquitetura e o urbanismo, o design de interiores têm o poder de preveni-los e de trabalhar focado junto com a psicologia, por exemplo.
A arquitetura sempre esteve muito relacionada com a engenharia, porque nós somos profissionais primos que trabalham juntos com a técnica em soluções de espaços construídos. Mas a neuroarquitetura, quando está falando de neurociência, ela está ali abraçando um outro primo que até então era reconhecido por pesquisadores e doutorandos em qualidade ambiental etc. A neuro é justamente o momento em que como arquitetos, como criadores desse espaço, temos o poder de manipular as sensações. Por que há espaços em que nos sentimos bem ou para os quais precisamos ir para melhorar a nossa condição física ou mental? Por que determinados lugares atraem tanto as pessoas? Porque existem aspectos de ligação emocional.
Então, quando estamos falando do conceito de neurobiodesign, o neuro é justamente focado nessas questões da emoção. O bio é um resgate de toda essa história da sustentabilidade, onde nós seres humanos fazemos parte dessa biologia e dessa harmonia natural, instintiva que temos com a natureza. E colocamos o conceito de design, aqui, em resumo, como uma ferramenta. Os engenheiros, os arquitetos e os designers de interiores desenham, ou seja, nós temos o poder — é óbvio, juntamente com toda a sociedade — de ser uma voz, de ser um instrumento de transformação social. Então, o nosso instituto juntou todos esses conceitos para dizer que não estamos falando mais da sustentabilidade de 30 anos atrás, da neuroarquitetura e do design biofílico de 30 anos atrás; estamos falando de agora, do que é o neurobiodesign, num momento inovador, depois da pandemia, e do que temos pela frente, os nossos desafios.
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Aqui, centramos alguns desafios e a missão do instituto, que foi fundado aqui em Brasília, com muita honra e muito orgulho, apoiado pelo CAU/DF e agora também pelo CAU/BR, para ser uma conexão entre os arquitetos, engenheiros e designers de interiores e também uma voz nesse hub entre Brasil e o mundo, ou seja, temos essa grata satisfação. Não estamos atrasados em relação ao mundo nessa discussão de neurobiodesign. Pelo contrário, estamos impulsionando e levando uma adaptação de coisas que são positivas no viés cultural brasileiro.
Quando fiz o doutorado, por exemplo, eu estudei como era a relação do ser humano, visualmente, com a arquitetura na Europa. Uma pessoa na Europa, quando vê um edifício antigo, se apropria da memória afetiva, acha aquilo bonito. Aquilo faz bem para ela, porque ela tem uma memória da tradição daquela cidade. No Brasil, por exemplo, aqui em Brasília, quando eu colocava "avalie uma vista antiga", o brasiliense não se reconhecia. Ele já fala: "Não, não gosto". Ele prefere Brasília, porque se identifica e se apropria da própria cidade.
Então, quando falamos de conceitos que são mundiais, é preciso também fazer essa adaptação local. E aí, com muita honra, através do instituto, estamos sendo esse hub do terceiro setor, entre o setor público e o setor privado, para trazer e carregar essa bandeira junto com vocês. E adaptar, inclusive, as novas habilidades profissionais, porque quem se formou em arquitetura, engenharia ou design há 20 anos, 10 anos ou 5 anos nunca viu o que estamos falando com vocês. Esse é um movimento, acima de tudo — em que o instituto carrega a bandeira do neurobiodesign —, de atualização da própria arquitetura, do design e da engenharia e de integração com outras áreas, como a da medicina, da fisioterapia, da psicologia. Como ele falou, por que não integrar todas as coisas que os psicólogos e psiquiatras fazem aos espaços que nós projetamos?
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O objeto social do instituto, então, é uma grande flor de possibilidades, em que temos alguns eixos principais no desenvolvimento sustentável, na arte e na cultura, porque a arquitetura faz parte da arte e da cultura de cada povo.
Inovação científica e tecnológica. E aí Brasília vem como uma inspiração forte, como a cidade inovadora. Muitas vezes, as pessoas focam apenas a inovação na tecnologia, coisas tecnológicas que vão ser caras. Na verdade, estamos falando aqui de princípios e conceitos de se reprojetarem os espaços, o que não tem nada a ver com custo; tem a ver com a intenção de projeto.
Saúde e bem-estar. Como todos aqui falaram, essa é uma grande bandeira do instituto.
Incentivo à economia criativa. Nós arquitetos fazemos parte dessa indústria criativa. Queremos remodelar a forma como nós atuamos na nossa profissão e levar essa nova proposta de atuação dos profissionais, sempre buscando experiências positivas para as pessoas. Então, a arquitetura, o urbanismo, a engenharia, o design de interiores não podem mais permanecer focados só em normas técnicas e no cumprimento de aspectos quantitativos. Estamos falando agora de experiências e satisfação das pessoas, entendendo que esse é um caminho para os próprios profissionais empreenderem. Então, uma das bandeiras do instituto é: por que eu tenho que agir, ou atuar, como as gerações anteriores? Eu posso trazer um posicionamento diferenciado agora, buscando, acima de tudo, diversidade e inclusão, como temos falado bastante.
Aqui, os eixos temáticos: saúde e bem-estar; experiências positivas; arte e cultura; empreendedorismo; economia criativa; inovação; diversidade e inclusão; e desenvolvimento sustentável. Então, temos várias ações no instituto para trabalhar com todos esses eixos, buscando sempre um impacto social que é transcender a prática integrada dos arquitetos, buscando uma integração dos arquitetos com outros profissionais.
Então, de forma concisa, buscamos, sintonizados com a natureza e a tecnologia, inspirados pela diversidade e pela pluralidade, conectar ambientes e pessoas.
Antes de encerrar, eu agradeço a oportunidade e já apresento para vocês o 1º Congresso Internacional de Neurobiodesign, que vai ser realizado aqui em Brasília, no final do ano, em dezembro. Tivemos a honra de liderar essa iniciativa, que, com muito orgulho, foi abraçada internacionalmente. Virão muitos palestrantes relacionados ao tema, e diversas entidades estão nos apoiando aqui no Brasil, como o CAU. Cito também, por exemplo, a POLI.design, do Politécnico de Milão, que já está nos apoiando e vai vir para o nosso evento, bem como a ANFA — Academia de Neurociência para Arquitetura. No instituto, estamos lançando a primeira revista acadêmica, a primeira publicação acadêmica em neuroarquitetura, em português. Então, essa é uma oportunidade de levarmos o que está sendo produzido aqui no Brasil.
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Em termos de apoio nacional: já estamos conseguindo ser um hub de conexões a partir da UnB, que é a nossa casa. Eu e Ricardo temos um orgulho muito grande de termos nos formado na UnB. A FAU/UnB abriu os braços novamente para levarmos esse congresso para lá.
A Associação Brasileira de Designers de Interiores também abraçou a causa. Ou seja, todas as instituições estão se mostrando muito abertas para essa integração, porque quem ganha com isso são as pessoas, a produção de espaços melhores.
E, para finalizar a minha fala, eu deixo o contato do instituto, por meio do site e do Instagram.
Novamente, convido a todos para participar do nosso 1º Congresso Internacional de Neurobiodesign.
Obrigada.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Quero agradecer à Júlia Teixeira Fernandes, que é doutora em sustentabilidade e fundadora do Instituto de Neurobiodesign.
Pergunto agora se alguém que está aqui conosco deseja fazer o uso da palavra pelo prazo de 5 minutos. Depois nós vamos devolver a palavra aos participantes da Mesa.
Nós temos a inscrição, que foi feita on-line, da Dra. Cibelly Figueiredo, que é professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará e Coordenadora do Laboratório de Neuroarquitetura — Labneurau, da FAU/UFPA.
O laboratório é o único no Brasil que realiza pesquisas acadêmicas no âmbito de pós-graduação sobre o tema em tela e desenvolve pesquisas na Amazônia e também pesquisas voltadas para os neurodivergentes, principalmente as pessoas com transtorno do espectro autista.
Eu passo a palavra à Dra. Cibelly. Se alguém mais quiser fazer o uso da palavra, colheremos as inscrições. Depois, nós vamos devolver a palavra aos integrantes da Mesa.
A SRA. CIBELLY ALESSANDRA RODRIGUES FIGUEIREDO - Boa tarde a todos e todas.
Obrigada pela oportunidade, Deputada Erika Kokay. Eu também agradeço aos colegas de Mesa, aos arquitetos, aos colegas que estão participando de forma on-line, na pessoa do Lori Crizel, que trabalha conosco, vinculado ao Labneurau.
O que é o Labneurau? Eu pedi a palavra justamente para explicar o que nós somos. Nós somos o primeiro laboratório de neuroarquitetura do Brasil dentro de uma universidade pública, que é a Universidade Federal do Pará. Trabalhamos com pesquisas voltadas para a Amazônia.
Então, como a colega Júlia falou agora há pouco, nós temos a neuroarquitetura intimamente ligada a esses conceitos ambientais e culturais. Para termos uma base de estudos científicos, pegamos o que vem de fora, estudos americanos, estudos europeus, mas precisamos começar a falar de Brasil e da Amazônia.
Eu pedi a palavra para trazer essa informação para os senhores. O nosso laboratório foi criado recentemente, há menos de 1 ano. Em setembro o laboratório completará 1 ano.
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Com pesquisas voltadas ao TEA, ao acompanhamento da relação do ambiente com os neurodivergentes, vejo que temos essa pauta em âmbito nacional. É muito importante que falemos sobre arquitetura, sobre ambientes, sobre cidades, demonstrando o impacto que isso traz em nível cognitivo.
Essa questão sensorial tem que ser levantada agora. Assim como a Júlia falou, além da acessibilidade física, que já está muito bem delimitada nas normas dos cursos de arquitetura, de engenharia, etc., temos que falar da acessibilidade psicológica, da acessibilidade sensorial. Essa interdisciplinaridade, com disciplinas das ciências humanas e da área da saúde, nos dará subsídios para os nossos estudos em nível nacional e em nível regional, na Amazônia.
Nós estamos focados em pesquisas no âmbito da Ilha de Marajó, que tem uma área maior do que muitos Estados brasileiros.
Eu gostaria de dizer que a Universidade Federal do Pará, por meio da nossa Faculdade de Arquitetura e da nossa pós-graduação, está disponível para trabalhar convosco.
Eu também agradeço à Júlia e ao Lori pelo apoio da realização desse congresso internacional. O Lori entrou em contato comigo. O Labneurau também vai apoiar esse congresso — eu não sei se a logomarca do Labneurau apareceu na apresentação —, levando pesquisas científicas para serem apresentadas.
Era isso o que tinha a dizer.
Muito obrigada, novamente, Deputada e colegas.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Muito bom.
Obrigada pela participação, Dra. Cibelly Figueiredo, que é do Laboratório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará, Labneurau.
Nós recebemos duas perguntas. Eu vou ler as perguntas que foram feitas e depois eu vou devolver a palavra para os integrantes da Mesa, para que possam responder as perguntas e fazer suas considerações finais.
Gabriela Cerqueira pergunta: "Como a neurociência pode ajudar e influenciar no tratamento hospitalar de pacientes, especialmente os pacientes infantis?"
Andriws, de Porto Alegre, pergunta: "Como a neurociência explica a influência das cores, iluminação, sonoridade e design de espaços no desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças na educação infantil? Quais são os efeitos específicos desses elementos sobre a saúde mental, o bem-estar e a psicologia infantil? E como o organismo das crianças responde a esses estímulos nos ambientes de aprendizagem?"
Então, as perguntas foram feitas.
Vou passar a palavra ao Sr. Nikson para responder as perguntas durante as considerações finais, pelo prazo de 7 minutos.
O SR. NIKSON DIAS DE OLIVEIRA - Na minha pesquisa, denominada ASTEA — Acessibilidade com Sensibilidade para Transtorno do Espectro Autista, realizei alguns levantamentos e alguns estudos.
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Nessas observações, por meio de croquis etnográficos, caminhografia e outros instrumentos, eu analisei como se comportavam as crianças com transtorno do espectro autista dentro dos consultórios, durante as terapias, terapias ocupacionais com psicólogos, com psicopedagogos, com pedagogos, com fonoaudiólogos, etc. Percebi que eles tinham uma evolução crescente a cada sessão de terapia e começavam a ter vínculos e possibilidades de comunicação.
Eu percebi que seria possível sair da escala arquitetônica de uma sala e passar para o urbano, entendendo que a cidade, os parques, os espaços livres são espaços de trocas, de convivência e de política, do ponto de vista da construção social.
A partir do momento em que aquele brinquedo de bloquinho no chão com a psicopedagoga se transforma num grande bloco, num grande brinquedo dentro de uma praça, por meio do qual ele interage com outro colega, vínculos começam a ser criados, além do estabelecimento de um tipo de comunicação. A comunicação, que é um processo difícil para algumas pessoas com transtorno do espectro autista, é desenvolvida por essa ligação, por essa necessidade, por essa vontade de estar nos espaços públicos, coisas que para alguns também é uma dificuldade.
Então, vou deixar a minha colega falar sobre a questão da iluminação e do ambiente. A arquitetura buscou, baseada na saúde das pessoas, levar para os espaços públicos esse hub de sucesso que acontece dentro das terapias.
Durante a pesquisa, com o uso dos instrumentos, observamos essas crianças dentro dos parques e verificamos que elas tinham preferência por parques, que eram espaços livres, diferentemente das quadras de esporte, por exemplo, porque elas tinham uma sensação de fuga. Caso elas se sentissem acuadas, caso elas se sentissem oprimidas, caso elas se sentissem cercadas, o parque daria a elas a possibilidade de fuga, com sensação de liberdade.
Então, parte disso a questão da sensação da neuroarquitetura dentro dos espaços livres.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Passo a palavra para a Catharina Macedo, da ANFA no Brasil. (Pausa.)
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Eu perguntei se alguém gostaria de falar...
Vou passar, então, a palavra para Maria Marcia.
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. MARIA MARCIA ALVES DA SILVA ARRUDA - Obrigada.
Boa tarde aos integrantes da Mesa, à Deputada e aos arquitetos que estão aqui.
Eu estou aqui na qualidade de mãe e de cidadã. Não entendo tecnicamente do assunto, mas vivo essa realidade.
Eu vou falar da época em que meus filhos estudavam em escola infantil. Quando eu matriculei o meu filho, a escola tinha um ambiente natural, que fazia muito bem para o meu filho. Ele ia feliz para a escola, chegava feliz, brincava. Ele ia para a escola com interesse maior naquele ambiente natural. Em certo momento, a escola resolveu tirar o ambiente natural e concretar tudo. E o meu filho não tinha mais a mesma felicidade.
Então, eu estou aqui para apoiar essa iniciativa, porque a criança precisa de um ambiente natural. Ela precisa estar em contato com a terra, com a areia, com as árvores, para ela se sentir bem. As nossas crianças estão sofrendo angústia. Os meus filhos já são homens, hoje. Eu já vou ser avó. Mas eu vivi essa experiência de a criança estar num ambiente natural e depois estar no concreto.
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Então, nós temos que lutar para que nossas crianças tenham nas escolas ambientes naturais, no qual elas possam se sentir satisfeitos e felizes.
Portanto, eu parabenizo a iniciativa dos arquitetos, da Deputada e de todos que estão aqui.
O meu nome Maria Marcia Alves da Silva Arruda.
Eu sou da cidade de São Caetano, uma cidade que oferece praças e parques para as pessoas. A cidade é um exemplo, porque as escolas têm esse espaço. Então, a minha cidade oferece isso, mas gostaria que isso fosse levado para todo o País, principalmente para os grandes centros, onde as crianças só têm concreto para ver e vivenciar.
Era o que tinha a dizer.
Muito obrigada pela palavra.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Obrigada, Maria Marcia pela contribuição.
Devolvo a palavra para Catharina Macedo, para responder a pergunta e fazer suas considerações finais.
A SRA. CATHARINA CAVALCANTE DE MACEDO - Eu achei ótimo a minha fala vir depois da Sra. Maria Marcia, a quem agradeço.
É exatamente sobre isso que falamos. No meu caso, eu sou especialista em design biofílico. Temos algumas estratégias para fazer essa conexão da qual o seu filho sentiu tanta falta. Então, ao longo do processo de evolução humana, nós sempre estivemos muito conectados à natureza. E hoje sentimos falta disso. É pouquíssimo o tempo, em relação a esse nosso processo evolutivo, em que nós estamos na cidade. Estamos sofrendo danos mentais e precisamos aprender a lidar com isso.
O design biofílico, já respondendo à pergunta que veio de Porto Alegre, traz uma série de estratégias diretas e indiretas. Teria que ter mais tempo para nos aprofundar no tema. Ele citou algumas estratégias, como iluminação, sonoridade, alguns elementos que fazem com que nos sintamos tão bem em locais abertos, ao natural. Nesse sentido, estudamos a melhor forma de também trazer para locais fechados, sejam espaços privados, sejam espaços públicos, para que as pessoas se sintam bem. E nesse processo de bem-estar elas possam realizar de forma eficiente e coerente suas atividades, sejam elas: aprender, morar, lazer ou até um processo de cura, no caso de ambientes hospitalares, sobre os quais comentamos agora.
Agradeço novamente a oportunidade, agradeço à Deputada. E assim encerro a minha fala.
Obrigada.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Obrigada, Catharina.
Vou passar a palavra para a Sra. Mônica Blanco, que é arquiteta e conselheira do CAU/BR.
A SRA. MÔNICA ANDRÉA BLANCO - Gostaria apenas de dizer que o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil agradece a oportunidade. Eu também agradeço a oportunidade de responder as perguntas. Gostaria de dizer que o Conselho está à disposição, além de todos esses profissionais que vocês estão vendo aqui, que também estão à disposição. De alguma forma, acho que nós conseguimos responder as indagações. Vamos deixar os nossos contatos telefônicos. Se vocês quiserem fazer mais perguntas — o tempo aqui é pequeno —, podem fazer, que nós vamos respondê-las.
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Deputada, muito obrigada pela oportunidade. V.Exa. sempre foi sensível à causa. Esperamos também que os Deputados consigam também se sensibilizar na provocação de novas cidades para as mesmas pessoas.
Obrigada.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Obrigada, Mônica.
Vou passar a palavra para o Lori Correa Crizel, que é arquiteto e urbanista, Presidente da ANFA no Brasil, que está conosco de forma virtual, para que ele possa fazer por 7 minutos as suas considerações.
O SR. LORI CORREA CRIZEL - Inicio a minha fala agradecendo mais uma vez a oportunidade, em nome da Deputada Erika Kokay, que está conosco, além da Mônica, que muito bem fez as articulações para que este momento também fosse viável, além todos os colegas aqui se fizeram presentes.
Ficamos muito gratos, muito honrados e muito felizes de ter a oportunidade de nesta Casa, principalmente nesta plenária, nesta Comissão, trazermos a debate esse assunto que tanto nos é rico, valioso.
Temos certeza de que temos muito a contribuir com toda a sociedade brasileira, por meio dos conhecimentos de todos os colegas que estão aqui — e são grandes pesquisadores. A Cibelly, que está presente conosco nesta reunião, também já traz esse grande propósito dentro de uma universidade federal, que é uma conquista única no nosso País. Então, fico muito grato de fazer parte desse grupo de profissionais que vem se dedicando a isso. Aos colegas que abraçam causas tão nobres e justas, como, por exemplo, o Nikson, que, não apenas pela condição de pai, mas também pela condição de profissional, com o olhar de um pai a outros filhos. Então, fico muito feliz de estar junto com esse grupo.
E, mais uma vez, coloco não apenas o Conselho Arquitetura e Urbanismo, mas também os profissionais à disposição desta Casa, para que possamos contribuir cada vez mais para articular, verdadeiramente, políticas públicas que possam trazer cada vez mais a valoração da experiência humana, seja na cidade, seja nos ambientes, para que isso efetivamente traga grandes contribuições, como, por exemplo, a própria inserção desse tema dentro das faculdades de arquitetura e urbanismo, dentro das universidades.
Outrora, nós tivemos a condicionante de que a arquitetura, ao perceber o quanto havia valor no conhecimento sobre o humano dentro dos espaços, abraçou uma área que nós chamamos de psicologia ambiental, ou seja, como que a psique humana se comporta dentro dos ambientes. Em alguns casos, essa disciplina é parte integrativa da grade da formação de arquitetos; em outros casos, ela é parte da formação de conteúdo programático de algumas disciplinas na arquitetura, mas direta ou indiretamente ela se faz presente.
Hoje percebemos que temos uma evolução científica dentro desse tema, que é a chegada da neuroarquitetura. Esperamos, junto com esta Casa, proporcionar a estudantes de arquitetura e urbanismo esse olhar, essa perspectiva cada vez mais empática em relação ao que entregamos efetivamente. Dentro da arquitetura e dentro da engenharia — há diversos colegas que atuam nessa área —, nós somos os profissionais que concretizam, que realizam efetivamente os ambientes que nós vivemos, sejam eles internos, edificações ou até mesmo o ambiente urbano. Então, que possamos todos trazer efetivamente essa grande nova formatação de viver nos espaços urbanos e também nas condicionantes privativas.
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Fico muito grato por essa oportunidade. Mais uma vez, agradeço a todos os colegas aqui presentes e a todos aqueles que nos assistem e deixo a nossa intenção de colaborar cada vez mais. Muito obrigado a todos.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Agradeço ao Lori.
Passo, então, ao Sr. Glaucus Cianciardi, professor do Instituto de Pós-Graduação e Graduação — IPOG, que está conosco de forma virtual também.
O SR. GLAUCUS CIANCIARDI - Inicialmente, eu queria aproveitar para responder a pergunta do chat sobre as questões que tangem crianças hospitalizadas, o benefício que pode trazer a neuroarquitetura para elas. Existe um trabalho muito interessante do Prof. Roger Ulrich em que ele fala justamente sobre isso, a forma pela qual os elementos cognitivos podem contribuir para a melhoria da qualidade do quadro clínico das pessoas. Então, essa é uma dica para a pessoa que perguntou. Os jardins regenerativos — inclusive existem terapeutas paisagistas hoje no mercado, o que é uma coisa bastante nova — nasceram a partir da necessidade de melhorar a qualidade de vida das pessoas hospitalizadas, principalmente crianças e pessoas longevas com problemas de demência. Então, com esses dois pontos, a pessoa poderia procurar saber um pouquinho mais sobre isso. E as pessoas com TDAH, neurodivergentes podem também entender um pouquinho sobre o Snoezelen, que é um processo terapêutico que se utiliza dos sentidos para melhorar a qualidade de vida das pessoas que têm esses problemas.
Mais que isso, aproveitando a presença na reunião do Ricardo Meira, Presidente do CAU, eu aproveito para fomentar a necessidade de se criar uma disciplina obrigatória sobre neuroarquitetura no curso de arquitetura. Isso se faz necessário porque existe uma dificuldade bastante grande dos cursos de arquitetura abrirem um espaço para que se possa colocar isso. Então, peço que o Ricardo, dentro do seu mandato, pense um pouquinho nisso, como podemos fazer para que essa disciplina se torne obrigatória, uma vez que é imprescindível o uso dela na prática do nosso dia a dia.
Então, mais uma vez, eu gostaria de agradecer a oportunidade de estarmos aqui, principalmente junto a pessoas tão expoentes no mercado da neuroarquitetura. Muito obrigado.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Agradeço ao Glaucus Cianciardi, professor do Instituto de Pós-Graduação e Graduação — IPOG.
Passo para o Sr. Ricardo Meira, Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal.
O SR. RICARDO REIS MEIRA - Obrigado.
Meu amigo e meu colega, Prof. Glaucus, a sugestão está anotada, e eu vou encaminhá-la ao CAU/BR para que direcione para a sua Comissão de Ensino e Formação.
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Para encerrar, eu estou aqui como arquiteto e como Presidente do Conselho, mas, quando me apresentei, eu não disse que sou um pai atípico e sou neurodivergente, porque tenho TDAH. E a Deputada acabou de comentar aqui em off sobre acessibilidade sensorial e cognitiva, e eu, como daltônico, enfrento muito isso, porque o daltonismo tem um CID, mas não é considerado uma deficiência per se, apesar de acometer quase 9 milhões de brasileiros — e há 350 milhões de daltônicos no mundo.
Eu, evidentemente, nasci daltônico e me tornei arquiteto daltônico há 25 anos. Então, eu sou há mais tempo daltônico do que arquiteto, mas isso faz parte da minha formação, desde o primeiro momento, como alguém que enxerga o mundo de uma maneira peculiar, por assim dizer, mas também alguém que é responsável por criar espaços, e isso me conferiu um certo privilégio, por ter esse olhar de certa forma sensível a partir das minhas próprias limitações. Portanto, uma preocupação que eu sempre tive, como arquiteto, foi criar espaços cujas cores me fizessem bem, e aí, por consequência, imagino, se quem não vê cor direito se sente bem, quem vê cor certo vai se sentir bem também. Isso pode ser expandido para outras neurodivergências, outras características e outras classificações de PCDs, de pessoas com deficiência.
Acho que isso resume um dos grandes papéis do arquiteto urbanista que é pensar nos espaços para o outro, pensar na forma de tornar o espaço o mais universal possível, o mais inclusivo possível, mais humano. E agora, como Presidente do Conselho, isso é algo que o Conselho leva muito a sério, essa relação institucional entre entes públicos para levar discussões como essa, sempre que possível, para o bem da arquitetura, para o bem dos espaços e para o bem das cidades.
Quero agradecer a oportunidade.
Agora nos dias 3, 4 e 5 de setembro, haverá um evento organizado pelo CAU/DF, em parceria com o SEBRAE/DF. Ele não foi divulgado ainda — estou divulgando-o pela primeira vez aqui. O Neuroarquitetura Summit será um encontro que vai trazer presenças ilustres para discutir o tema de maneira aprofundada. No momento oportuno, vamos dar publicidade ao evento, e estão todos convidados.
Obrigado.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Agradeço ao Ricardo Meira, Presidente do CAU/DF.
Passo para a nossa última convidada, a Sra. Júlia Teixeira Fernandes, doutora em sustentabilidade e fundadora do Instituto NeuroBioDesign.
A SRA. JÚLIA TEIXEIRA FERNANDES - Gostaria de agradecer pela oportunidade a todos, em especial à Deputada Erika Kokay, que abraçou a nossa causa e está-nos dando a oportunidade de divulgarmos a nossa bandeira.
Inclusive, a intenção é sermos exportadores desse conceito de "neurobiodesign" do Brasil para o mundo. Nas pesquisas acadêmicas ou na aplicação na prática profissional, em vez de importarmos o que é feito lá fora, como sempre, agora estamos num momento de pesquisa e num momento oportuno aqui no Brasil de exportarmos o que é "neurobiodesign" para o Brasil, o que funciona para o brasileiro, como podemos criar espaços melhores e significativos para as pessoas. Então, em vez de criarmos situações e projetos padrão, a neurobiodiversidade foca em o que podemos trazer de experiências positivas para aqueles usuários que são diferentes em lugares, em cidades ao longo deste Brasil continental.
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Então, agradeço a oportunidade e coloco à disposição o Instituto, inclusive para estabelecer conexões de parceria com entidades, estamos abertos a qualquer coisa.
A SRA. PRESIDENTE (Erika Kokay. Bloco/PT - DF) - Nós estamos chegando ao fim da nossa audiência, e eu queria agradecer muito a participação de todas as pessoas, agradecer a participação da Mônica Blanco, do Lori, do Nikson Dias de Oliveira, da Catharina Macedo, do Glaucus Cianciardi, do Ricardo Meira e da Júlia Teixeira; da Gabriela Cerqueira, do Andriws Porto Alegre e da Cibelly Figueiredo, que participaram de forma on-line; e da Maria Marcia, que esteve conosco aqui também de forma presencial.
Acho que essa é uma discussão absolutamente fundamental, absolutamente estruturante para o bem viver, para a construção do conceito de cidade. A cidade é o lugar onde nos encontramos, onde nos construímos e construímos as nossas relações, os nossos vínculos. Temos que ter a centralidade da pessoa dentro da construção de qualquer cidade.
E falo isso muito à vontade. Aqui o Ricardo falava sobre a lógica urbanística de Brasília, que tem muitos espaços e tem uma priorização da escala bucólica ou da relação com a natureza. Dizia o Lúcio Costa que teria que ser uma cidade funcional e lúdica, uma cidade onde os meninos e meninas pudessem ser escutados por seus pais — é por isso o gabarito de seis andares —, os espaços coletivos fossem priorizados e também as escolas classe tivessem estruturas pequenas para que os espaços, os equipamentos públicos de lazer e de esporte pudessem ser desfrutados pelo conjunto, uma cidade criança.
Recentemente, nós estivemos em um curso em Harvard, que ainda está em desenvolvimento, terá mais duas etapas. Ali tivemos a oportunidade de conhecer uma experiência de Recife, uma experiência de cidade criança, de como se pensa a cidade para as crianças, de como se pensa a cidade em que todos os cantos dela possam ser cantos acolhedores.
Era isso o que a Mônica aqui falava, a quem eu aproveito para agradecer, porque foi a Mônica quem nos trouxe a discussão sobre a neuroarquitetura e nos fez trazer para esta Casa, para esta Comissão de Direitos Humanos esta discussão para que nós possamos introduzir a neuroarquitetura nas políticas públicas, nas políticas de construção, nas políticas de desenvolvimento urbano, trazer a neuroarquitetura para as políticas públicas, porque isso significa, se a centralidade é a centralidade da pessoa, as diversas dimensões da pessoa.
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E eu acho muito importante o conceito de que nós temos várias acessibilidades, como a acessibilidade arquitetônica. Ou seja, não cabe mais pensar a construção de uma cidade que não tenha um desenho universal. E, quando falamos, por exemplo, de cidade criança, é a cidade das pessoas com deficiência, é a cidade das pessoas idosas, é a cidade do cuidado, é a cidade que, por si só, é construída na lógica urbanística de cuidar das próprias pessoas.
A cidade não pode ser um lugar onde nos perdemos ou onde vivenciamos permanentemente um nível de desigualdade, porque ela não é igual para todas as pessoas. Eu costumo dizer que a cidade é negada para as mulheres durante a noite, a madrugada. A cidade arrancou de nós as nossas próprias praças, porque, quando se arranca as praças, se arranca os espaços, eu diria, não de troca — porque troca pressupõe eu ter alguma coisa e dá-la para outra pessoa, e a outra pessoa tirar alguma coisa dela e me dar —, mas de compartilhamento. Então, se você quer falar de territorialidade, territorialidade é fundamental, é trança, é construirmos tranças.
E eu tenho um respeito muito grande pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo, que trabalha com a lógica de trança, de territorializar e de, nesses espaços de território, ter os recortes humanos, porque construímos os territórios a partir da construção dessa trança de saberes, de fazeres, de desejos, enfim, de esperanças. E onde há territorialidade, há resistência, há resistência a toda a lógica que quer calar as pessoas.
Se nós vamos construir uma cidade a partir de um conceito de neuroarquitetura, com todas as acessibilidades, a sensorial, a cognitiva, para além das acessibilidades arquitetônica, atitudinal, enfim, é absolutamente fundamental que as pessoas sejam escutadas, que possamos ser considerados com todas as dimensões que a nossa humanidade, de forma mágica, nos coloca. Nós temos inúmeras dimensões. Já dizia Anísio Teixeira que temos muitas inteligências. Temos a inteligência emocional, a cognitiva, a corpórea, que precisam ser consideradas. E o espaço da cidade é esse espaço.
E a cidade está sendo negada. Eu digo que a cidade está sendo negada porque há uma lógica de empurrar as pessoas para que elas fiquem dentro de casa, como se as casas fossem instituições totais, e para que fiquem ali absolutamente a mercê de todas as influências, em particular as influências mercadológicas, que adentram a sua casa e vão capturando-as em qualquer canto, capturando corpos sagrados, desejos e tal.
Eu lembro muito do então Deputado Nilmário Miranda, que foi o nosso primeiro Secretário de Direitos Humanos e o primeiro Ministro dos Direitos Humanos do Brasil. Em determinado momento, nós fizemos uma visita, eu era Presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa — eu fui Deputada Distrital —, ao CAJE, que era a unidade de internação de adolescentes. E o que disse o Nilmário quando entrou no CAJE? Ele falou: "Isto aqui é um espaço feio, é um espaço sombrio, é um espaço frio". A primeira fala dele, que foi uma fala sensorial e uma fala de emoção também, foi: "Isto aqui é um espaço feio, é um espaço sombrio, é um espaço frio".
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E ali, onde aconteciam várias atrocidades e violações de direitos, o espaço era uma violação de direitos, o espaço que era um espaço frio, um espaço sombrio. Isso deve ter uns 20 anos ou por volta disso, e eu nunca esqueci. Você adentra um espaço e diz: "Aqui é um espaço feio, é um espaço sombrio, é um espaço frio". E nós precisamos de espaços que sejam cálidos, que sejam bonitos, que sejam belos e onde possamos fazer essa estética da vida, que é um pouco a neuroarquitetura. É você se colocar em espaços onde você se coloca em prontidão para a vida, porque ele o estimula à estética da vida, em contraposição à estética da barbárie.
E aí nós vamos ver os espaços que são construídos de forma desordenada, porque há uma necessidade, a premência de viver, a premência de morar, e as cidades vão sendo construídas, em grande medida, de forma desordenada e com muitos desafios.
Aqui em Brasília, nós temos os desafios da especulação imobiliária e da grilagem, ou seja, os espaços sendo ocupados com interesses mercadológicos. E aí vai-se ferindo a concepção de uma cidade de um urbanismo de Lúcio Costa e de Lelé, que é absolutamente humanista. É um urbanismo humanista, um urbanismo extremamente sensível e um urbanismo que nunca tira a centralidade da própria existência humana.
Por isso, eu penso que o conceito de neuroarquitetura precisa ser difundido o máximo possível, e é preciso que possamos, inclusive, emendar a lei de acessibilidade ou de direitos das pessoas com deficiência para incluir a acessibilidade sensorial e a acessibilidade cognitiva também.
Nós vimos aqui, o Ricardo demonstrava, uma série de comunicações, que são comunicações simples, mas que dialogam, dialogam com o ser humano a partir da sua condição de sujeito de transformação e da sua condição de se sentir pertencente, que é a lógica do sentimento de pertença, rompida também. E eu acho que é rompida de forma dolosa, é rompida porque não há interesse que você tenha uma cidade que seja a cidade da criança, que seja a cidade do cuidado, que seja a cidade onde as pessoas têm disposição para a própria vida.
Aqui nós vimos os dados que foram apresentados sobre o nível de depressão, que é um sofrimento psíquico. A sociedade diz: "Consuma para eu respeitá-lo", mas não lhe dá o direito de consumir. Isso traz uma dupla mensagem, duplos vínculos, que vão dilacerando o seu próprio sentimento de pertença dos espaços que você ocupa e das relações que você desenvolve. Portanto, há um nível de sofrimento psíquico imenso, e a função do urbanismo e da arquitetura é absolutamente fundamental num processo de construção democrática a partir da fala e do sentimento das pessoas que ali estão.
Então, acho que deveríamos incorporar a questão da acessibilidade, e dá para fazer um projeto nessa perspectiva sensorial e cognitiva.
Penso que é muito importante o que o Glaucus aqui trouxe de introduzir a obrigatoriedade da neuroarquitetura na formação dos profissionais de arquitetura e urbanismo. E nós nos colocamos à disposição do CAU/DF e do CAU/BR para buscar diálogos com o Ministério da Educação para que haja esse avanço.
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É preciso considerar — e essa discussão que começamos agora tem um espaço imenso para se desenvolver — como será introduzida a lógica da neuroarquitetura dentro de um conjunto de políticas públicas. Estamos falando da condição holística que o ser humano tem. Então, uma cidade tem que respeitar a condição holística do próprio ser humano e respeitar os espaços de trança, os espaços coletivos, sobre os quais o Nikson falava tanto. E os desenhos universais dos espaços coletivos eu penso que têm que considerar especificidades. Nós não conseguimos construir a universalidade ou os desenhos universais sem considerar que há especificidades, que precisam ser percebidas e consideradas.
Então, há pessoas neuroatípicas, neurodivergentes, e eu digo que você tem muita razão ao falar que esse é um conceito que vai para além das expressões das diversas deficiências. A humanidade é diversa, e se não reconhecemos nem a nossa diversidade, não vamos reconhecer a nossa humanidade. E nós avançamos nisso na Lei Brasileira de Inclusão, mas precisamos também, na Lei Brasileira de Inclusão, tentar "adendar" o conceito de neurodiversidade, de neuroarquitetura, de neurourbanismo, para que possamos, enfim, construir o que é uma cidade ou o que deveria ser uma cidade, que não pode ser o lugar onde nos perdemos nem pode ser o lugar, como aqui nós vimos também, com esse nível de estresse.
A cidade é mais lenta para algumas pessoas, é mais doída para outras, é negada para outras pessoas, ela, enfim, não é igual. Ela é necessária para todas as pessoas e ela empurra, como eu disse, as pessoas para dentro dos seus universos particulares. E no próprio universo particular e nas casas há também um isolamento. É uma sociedade da solidão, das concepções de felicidade muito superficializadas, porque é uma sociedade muito fetiche da mercadoria. E o fetiche da mercadoria é um sentimento de prazer que não vem de como você se sente pertencente, de como você tem uma cidade em que você dialogue com a própria natureza, que tem os espaços vazios que nos dão segurança — por incrível que pareça, nos dão segurança.
O fato de termos aqui em Brasília o céu como limite... O céu é o limite, os pilotis representam uma amplitude, o céu é o meu próprio limite, o infinito é o meu limite. Então, não há limites para a minha existência humana dentro dos espaços urbanos.
Portanto, são todos esses os processos que nós podemos desenvolver aqui. Primeiro, a acessibilidade, segundo a LBI, é tentar introduzir no conjunto de políticas públicas o conceito de neuroarquitetura, porque isso significa o resgate de praças e de ruas. E, às vezes, as pessoas dizem: "Queremos tirar os meninos da rua". Não, nós queremos colocar os meninos nas ruas com muita segurança e com muita criatividade para que as ruas possam nos pertencer também, e não serem encaradas como ameaças — as praças como ameaças, as ruas como ameaças, os espaços coletivos como ameaças. O Ricardo falava aqui sobre as praças da W3. Nós precisamos discutir sobre isso também, com mais profundidade. As praças aqui de Brasília, da W3, são praças que não têm a concepção de praças, não representam a praça dos encontros, do compartilhar, enfim, de tudo que é fundamental para as nossas existências.
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Então, mais uma vez, quero agradecer muito, em particular à Mônica, porque ela nos trouxe essa discussão. E agora nós vamos, a partir daí, trabalhar outras iniciativas.
Eu penso — aqui usando um pouco a ideia que foi falada e desenvolvida pela Júlia — que temos que tentar fazer esse diálogo também com a Psicologia, para que possamos... Não dá para desconsiderar o direito à cidade como um direito contemporâneo e estruturante — o direito de ser, o direito de amar. Particularmente, o direito à cidade é contemporâneo e é estruturante, porque nós estamos criando apartações, consolidando e legitimando as apartações de um País que tem profundas histórias de desigualdades e que tem as concentrações e as apartações como sua lógica de construção em uma concepção de elite, que, como dizia Darcy Ribeiro, talvez seja uma das mais cruéis de toda a América Latina, a elite brasileira.
Então, assim, com esses compromissos de continuarmos as discussões, de fazermos novas discussões, de incorporarmos o diálogo com a Psicologia, que penso que é fundamental... Mas não estamos só falando de Psicologia, estamos falando de saúde. Aqui nós vimos o que representa a concepção de saúde das unidades de saúde. A Catharina também falava sobre isto, como é ter uma cidade que te ajuda, unidades de saúde que te ajudam na cura. E aí me lembro muito de Epidauro, na Grécia, onde havia o desenvolvimento na sua completude. Havia todas as expressões humanas dentro de um conceito de saúde, e não uma passividade da pessoa que precisa da atenção à saúde, a passividade, o silenciamento e a objetivização, ou seja, a coisificação da própria pessoa.
Portanto, não apenas para que nós tenhamos a cura ou a superação dos momentos e das patologias, mas para que possamos evitar que elas existam, porque aí há a felicidade. Penso que a felicidade sempre é a melhor forma de nos sentirmos saudáveis. E ela é muito revolucionária. Quando estamos felizes, nós criamos, transformamos e nos abrimos para o outro em uma concepção de urbanismo — isso foi falado pelo Ricardo também — que é pensar a cidade para o outro ou pensar a cidade conosco fazendo parte de um conjunto de expressões humanas.
Então, muito grata pelo momento, muito grata pela participação de vocês. O nosso compromisso é continuarmos esta discussão, das mais variadas formas, e elaborar estas duas proposições, de pronto, que seriam a acessibilidade sensorial e cognitiva e também trabalhar com os conceitos de neuroarquitetura.
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Não sei o que todos acham, mas podemos fazer nova audiência pública e convidar o Ministério da Saúde, o Ministério das Cidades, o Conselho Federal de Psicologia — sem nenhuma dúvida, lembrando que este é o mês dos psicólogos e psicólogas —, o Ministério da Educação e fazer uma discussão com o Poder Público.
Faremos uma nova audiência sobre isso, com a mesma composição, mas também com a participação do Poder Público, para que possamos fazer essas tranças.
Agradecemos a todos a oportunidade de estarem aqui, nesta tarde, e também todas as contribuições.
Não havendo mais nada a tratar, neste dia de hoje, declaro encerrada a presente audiência pública, antes, gostaria de convocar as senhoras e os senhores membros desta Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial para a reunião deliberativa extraordinária, no dia 13 de agosto, na próxima terça-feira, às 15 horas, neste mesmo Plenário 9.
Declaro encerrada a presente reunião.
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