1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 57 ª LEGISLATURA
Comissão do Esporte
(Audiência Pública Extraordinária (semipresencial))
Em 6 de Dezembro de 2023 (Quarta-Feira)
às 15 horas
Horário (Texto com redação final.)
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O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Boa tarde a todos.
Estamos na Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados para uma reunião de audiência pública. Hoje é dia 6 de dezembro de 2023. Na pauta, estão projetos esportivos de inclusão social.
Conforme acordado na reunião anterior, determino o aproveitamento das presenças no painel eletrônico.
Declaro aberta a presente reunião de audiência pública, que está sendo realizada em atendimento ao Requerimento nº 63, de 2023, de minha autoria, Deputado Federal Daniel Trzeciak, para debater sobre políticas públicas para o esporte como instrumento de inclusão social de jovens atletas, bem como para apresentar os projetos em execução no Município de Pelotas, no Rio Grande do Sul, meu Estado, que tem obtido resultados e conquistas significantes ao longo dos anos.
Nós temos a alegria de receber na Câmara dos Deputados, para esta audiência pública aqui na Comissão do Esporte, os nossos convidados.
Recebemos o Sr. Rossano Diniz, Coordenador do Projeto Quem Luta Não Briga. Muito obrigado pela presença, mestre Rossano.
Também recebemos, com muita alegria e com muita honra, o Sr. Oguener José Tissot da Costa, Coordenador do projeto Remar para o Futuro. Muito obrigado pela presença.
Também estamos recebendo a Coordenadora do Programa Vida Ativa, a Sra. Caroline Malue, que está conosco de forma virtual.
Muito boa tarde à Caroline e a todos que acompanham, de forma remota, de forma virtual, no País todo, esta audiência tão relevante, tão importante, da qual eu tenho a alegria de ser o autor, para que fique registrada para todo o sempre nos Anais da Câmara dos Deputados a nossa discussão sobre a importância de projetos como esses.
Antes de passarmos às exposições dos nossos convidados, esclareço alguns procedimentos que serão adotados na condução desta audiência pública.
Os convidados deverão limitar-se ao tema do debate e terão 10 minutos para as suas apresentações, não podendo ser interrompidos. Após a exposição, serão abertos os debates. Os Deputados interessados em fazer perguntas ou considerações sobre o tema deverão inscrever-se previamente pelo aplicativo Infoleg. A palavra será concedida, respeitada a ordem de inscrição, pelo prazo de 3 minutos a cada Parlamentar.
Comunico que esta audiência pública está sendo transmitida pelo portal da Câmara dos Deputados e que as apresentações em multimídia serão disponibilizadas para consulta na página eletrônica da Comissão após a reunião.
Antes de dar início às apresentações, eu quero fazer uma breve explanação sobre a importância de debatermos esse tema.
Pelotas, no Rio Grande do Sul, acredita nos jovens atletas. Pelotas, há muito tempo, cria políticas públicas e aposta na inclusão. Lá no Município, nós temos — eu digo "temos" porque não é uma política pública de um governo, mas, sim, uma política colocada há muitos anos, que vem dando muitos resultados — quatro programas ligados à inclusão, ao esporte: o Programa Vida Ativa, do qual a Caroline é a coordenadora; o Remar para o Futuro, uma atividade esportiva importante, que valoriza o fato de Pelotas ser cercada e banhada por águas; o Projeto Quem Luta Não Briga, um importante projeto ligado ao taekwondo, que estimula os jovens a estarem sempre em contato com o esporte e que tem um nome muito sugestivo; e o projeto Magia da Dança, uma política pública do Município de Pelotas ligada ao balé. Essas quatro atividades são importantes.
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Eu tenho certeza de que o motivo desta audiência pública é o Município servir de referência e exemplo para outros Municípios brasileiros, a fim de levar esses projetos ao conhecimento de outros gestores, de outros Prefeitos, de Secretários de Esporte e de Educação, para que, quem sabe, o projeto Remar para o Futuro, o Projeto Vida Ativa, o Projeto Quem Luta Não Briga e o projeto Magia da Dança possam estar em outros Municípios brasileiros a partir desta audiência pública. Essas políticas públicas mudam a realidade da educação, mudam a realidade de famílias.
Nesta audiência pública, nós teremos a oportunidade de conhecer alguns exemplos de atletas que hoje já não moram em Pelotas, mas começaram suas atividades no projeto Remar para o Futuro ou no Projeto Quem Luta Não Briga e já alçaram novos voos e têm uma carreira no esporte.
É importante fazermos a aposta certa. Quando nós apostamos no esporte, apostamos no futuro do nosso País, apostamos nos jovens, nas futuras gerações. Eu fico muito feliz por ser de Pelotas, por estar Deputado Federal representando o Município de Pelotas e a zona sul do Estado e por fazer essa aposta certa ao destinar recursos para essas atividades muito importantes.
Quero passar a palavra ao mestre Rossano Diniz, coordenador do Projeto Quem Luta Não Briga, que tem como foco o taekwondo.
Mestre Rossano, é uma alegria tê-lo aqui na Câmara dos Deputados, no centro da política brasileira, para que esse projeto que tu coordenas muito bem desde 2011 possa ser levado a outros Municípios brasileiros. A palavra está contigo por até 10 minutos ou pelo tempo necessário para que todos saibam mais sobre esse projeto que acredita nos atletas, que acredita no esporte.
O SR. ROSSANO DINIZ - Boa tarde, amigos. Boa tarde, Deputado Daniel Trzeciak.
Eu quero dizer que estou muito honrado de estar aqui hoje e que, desde as tratativas quando eu estava em Pelotas até chegar aqui, fui muito bem recebido pela Comissão. Tudo foi feito com muita competência. Aqui eu estou tendo um tratamento de primeira e estou muito contente.
Eu estou muito satisfeito por estar aqui para falar do taekwondo, esporte que eu pratico desde os 10 anos de idade — estou completando 40 anos de taekwondo —, e dessa iniciativa pública da cidade de Pelotas, da qual sou servidor público. Estamos conseguindo fazer um grande trabalho.
Tu fazes parte disso, Deputado Daniel. Eu quero lhe agradecer.
(Segue-se exibição de imagens.)
O Projeto Quem Luta Não Briga é da Prefeitura de Pelotas, da Universidade Federal de Pelotas, do Instituto de Menores Dom Antônio Zattera, da Universidade Católica, da União Pelotense de Taekwondo e da CUFA do Rio Grande do Sul, mais precisamente de Pelotas.
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Todos os dados aqui apresentados foram publicados na revista Coleção Extensão e Sociedade da Infância Cidadã nº 1, Ano 2018. O artigo se chama Projeto Quem Luta Não Briga: Formando Campeões nos Tatames e para a Vida.
O Projeto Quem Luta Não Briga surgiu em 2011 para tentar diminuir a agressividade em uma escola. Depois de 3 meses, devido à grande demanda que tivemos, a Secretaria de Educação me chamou para que nós fizéssemos sua expansão e pensássemos em como poderíamos trabalhar com mais jovens, além daqueles da escola. Nós já tínhamos um projeto de alto rendimento na universidade, cujo coordenador era o Prof. Fabrício Del Vecchio. Nós começamos a conversar para atender essa demanda e entendemos que, em vez de um projeto dentro de uma escola, seria mais interessante se houvesse núcleos espalhados pela cidade para que alunos de diversas escolas pudessem procurar o projeto. Assim, nós iniciamos, em 2011, os primeiros núcleos em pontos específicos da cidade.
Por que nós resolvemos buscar essa iniciativa para diminuir a agressividade? Nós tínhamos como base estudos prévios em que pesquisadores mostraram que o trabalho com taekwondo tinha um impacto muito positivo na diminuição da agressividade; na promoção da saúde; na formação do caráter, do respeito e da disciplina; e na diminuição do comportamento antissocial. O objetivo do projeto era justamente, através da prática do taekwondo como modalidade esportiva de combate, conseguir atender todas essas variáveis comportamentais, para que houvesse um benefício para os praticantes de taekwondo.
Esta foto é de um exame de faixa. Como podem observar, havia um grande número de jovens praticando taekwondo.
Atualmente, o projeto está com esta formação. Nós temos quatro núcleos atendendo 560 jovens na cidade de Pelotas: Instituto de Menores Dom Antônio Zattera; ESEF/UFPEL; INOVA Guabiroba, que é um bairro que tem uma associação; e Lar da Criança Dona Conceição.
O projeto atende de duas formas. Um grande grupo atende esses 560 jovens e trabalha em iniciação esportiva. Através de trabalhos de detecção de talentos, testes, pesquisas, nós criamos o grupo do alto rendimento. Hoje, cerca de 70 jovens praticam o esporte em nível de rendimento.
Esta menininha nesta foto é a Júlia, do núcleo do instituto de menores. Ela está na fase de iniciação esportiva, ela já participa de competições amistosas, de eventos como festivais. Estamos plantando uma semente.
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O Denner começou a treinar quando tinha a idade da Júlia. Ele foi um dos primeiros alunos do Quem Luta Não Briga e hoje é atleta de alto rendimento. Depois vou falar mais sobre ele, durante a apresentação.
Nós temos um quadro de profissionais atuando dentro do Quem luta Não Briga, através da iniciativa da Prefeitura, da universidade federal e da Universidade Católica. Contamos com um professor doutor, um coordenador, pela universidade; com um mestre em educação física, professor da SMED, que sou eu; com um graduado em educação física, que é o nosso preparador físico; com monitores da área da educação; com faixas-pretas, que trabalham dentro do projeto; com nutricionistas, alunas do curso de nutrição; com um professor da Universidade Católica, que atua com a coordenação da fisioterapia; e com alunos de fisioterapia, que também realizam projeto de extensão dentro do nosso projeto.
Nesse trabalho que estamos fazendo, a área acadêmica tem atuado também. Então, alunos da educação física, da nutrição, da fisioterapia, através do projeto de extensão, têm estudado temas como variáveis comportamentais, exergames, flexibilidade, time-motion, perda de peso, genotipagem, todos os assuntos da área da educação física, tanto no bacharelado quanto na licenciatura, na nutrição e na fisioterapia.
Nós fazemos um trabalho tanto no grupo de iniciação esportiva quanto no grupo de alto rendimento. Nós entendemos que treina melhor quem mais sabe. Quem sabe por que treina e o que treinar treina melhor do que quem treina só porque está sendo instruído a fazer a prática. Ouvimos alguns palestrantes, até internacionais. Com o advento da COVID, nós aprendemos a lidar com a EAD. Ouvimos palestras de uma atleta mexicana, de um professor universitário dos Estados Unidos, de um técnico do Uruguai, do técnico da Seleção Brasileira e dos nossos próprios profissionais, dos que atuam direto com os atletas na promoção do conhecimento, através de palestras, sejam presenciais, sejam on-line.
Eu vou apresentar alguns resultados. Esse quadro é bem grande, mas eu fiz questão de trazê-lo, para todos entenderem a dimensão dos resultados que estamos tendo na área do alto rendimento. De 2011 até 2023, houve diversos medalhistas, nas áreas estadual, nacional e internacional. É possível acompanhar o resultado, que eu acho fantástico, do ponto de vista das conquistas da modalidade. Porque não são apenas essas as nossas conquistas. A medalha é só a cereja do bolo, mas essas medalhas são bastante significativas. Em competições estaduais, uma cidade do interior como Pelotas — atualmente, a nossa equipe é a número 1 do ranking gaúcho — tem 1.500 medalhistas, de 2011 até hoje; em competições nacionais, 86 medalhistas. Antes de o projeto Quem Luta Não Briga existir, não chegávamos a 10 medalhistas na cidade de Pelotas, e hoje são 86 medalhistas. Temos 4 medalhistas internacionais. Não havia nenhuma medalha internacional antes do Quem Luta Não Briga, e hoje temos 4 medalhistas internacionais. Eu estou falando de competições qualificadas pela Confederação Brasileira de Taekwondo e pelo Comitê Olímpico do Brasil e pelo Internacional. Nosso projeto é filiado à Federação Gaúcha e à Confederação Brasileira de Taekwondo. Trago agora o nome de alguns atletas, como a Ana Victória, bicampeã brasileira. Ela foi a primeira atleta a entrar para a Seleção Brasileira, pelo nosso projeto. A Ana Victória foi vice-campeã dos Jogos Sul-Americanos da Juventude, no Chile; foi vice-campeã pan-americana no México, pela Seleção Brasileira, de 2012 a 2017, e foi participante do Campeonato Mundial, no Azerbaijão. A atleta está hoje morando em São Paulo e acabou de se formar em fisioterapia. Ela adquiriu o gosto pela fisioterapia dentro do projeto e foi para São Paulo estudar, tudo por intermédio do Projeto Quem Luta Não Briga. Foi treinar na Seleção Brasileira inclusive.
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Vemos aqui a Camile, a nossa atleta tricampeã brasileira, a atleta que mais tem títulos nacionais, campeã sul-americana, no Peru, e participante do Campeonato Mundial realizado na Coreia do Sul.
A Amanda Caruccio é atleta bicampeã brasileira. Ela também foi atleta da Seleção Brasileira e participou do Campeonato Mundial realizado no Egito.
Está aqui o Denner, o primeiro aluno do projeto, com o qual tenho a maior satisfação. Quando iniciou, ele acompanhou o trabalho dessas atletas todas e de muitos outros, dos 84 medalhistas nacionais. Ele nunca participava de uma competição. Ele era muito pequenininho, gordinho, não se desenvolvia bem na competição, mas treinava muito bem. Depois da pandemia, ele cresceu, continuou treinando e hoje é o atleta número 1 do ranking nacional. Ele recebe o benefício do Bolsa Atleta, pelo Governo Federal, qualificou-se em competições e é um atleta que está em nível universitário. Será outro atleta nosso a disputar competições universitárias. Ele é um dos maiores exemplos, um dos maiores destaques do programa. Temos o maior orgulho dele. Era um menino que morava nas imediações do núcleo da ESEF, num bairro que fica atrás dela, um bairro de vulnerabilidade social. Em vez de estar na rua, estava treinando taekwondo. Mesmo quando todo mundo estava indo competir, e ele, não, ele persistiu e hoje está tendo esse destaque.
O nosso último destaque é o Taylor, que acabou de vir a Brasília. Ele estava aqui há 2 ou 3 semanas. Ele ganhou medalha de bronze e também vai receber Bolsa Atleta no ano que vem, por causa dessa competição para a qual veio aqui. Nossa equipe tinha 3 atletas nessa competição. Eram só 10 atletas por Estado na modalidade de taekwondo.
Aqui eu trago para vocês os resultados mais importantes do projeto, para mim. As medalhas, como eu falei, são a cereja do bolo. Resolvemos estudar como poderíamos saber que o taekwondo influencia a vida dos jovens. Temos o relato das pessoas, mas precisávamos comprovar isso cientificamente. Então, fizemos essa pesquisa, esse estudo. Os professores e os pais respondiam acerca do comportamento dos jovens que praticam taekwondo. Eram feitas as seguintes perguntas, por exemplo, para os pais dos alunos: como os alunos se comportam em relação a respeito pelos mais velhos, pelos irmãos e pelos amigos? Qual o comprometimento deles com as tarefas de casa? Mostram atitudes agressivas, verbais e físicas? Em todos os itens foi salientado que as melhores respostas foram encontradas, o que seria o bom. Eu saliento e destaco a parte que está representada pela cor vermelha, que diz respeito a atitudes agressivas, verbais e físicas, na qual nós vimos o melhor desempenho dos alunos.
Temos as respostas dos professores das escolas, do ponto de vista do desempenho nas avaliações, da participação nas atividades escolares e também das atitudes agressivas, verbais e físicas. O maior número de respostas positivas foi dos alunos do Projeto Quem Luta Não Briga. Isso comprova que houve uma melhoria nas atitudes, no comportamento dos alunos depois que eles começaram a praticar taekwondo. Aqui vemos nossos resultados em competição por equipe no Campeonato Estadual. Essa é a equipe número 1 do ranking gaúcho atualmente, pela Federação Gaúcha. Essa competição é motivo de muito orgulho, porque abrange as equipes dos Estado do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Nos últimos 2 anos, a nossa equipe foi campeã geral. Para quem não sabe, campeã geral é aquela equipe que, numa competição, consegue conquistar o maior número de medalhas de ouro. A nossa equipe, por 2 anos consecutivos, tem se comportado dessa forma, é a equipe que tem o maior número de campeões na competição. Trago agora imagens que comprovam a representação social do projeto para esses atletas. Vemos aqui as nossas duas atletas que foram integrantes da Seleção Brasileira, que tinham acesso, com a nossa Prefeita, Paula Mascarenhas, e com o nosso atual Governador, Eduardo Leite, que conhecem os nossos atletas, têm contato com eles, sabem efetivamente o que está acontecendo e dão uma importância muito grande ao desenvolvimento do projeto.
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Aqui vemos uma foto da reunião que fizemos com os nossos atletas para a entrega da emenda que recebemos do Deputado Daniel. Estavam lá presentes o Vereador Paulo Coitinho, a Secretária Adriane Silveira, dois Secretários do Desporto, o antigo, o Sérgio, e o atual, o Isaque. Lá atrás estão os atletas. Como é importante para um jovem dizer que ele teve contato com essas autoridades, que conversou de perto com aqueles que fazem a tomada de decisões do que ele faz parte e acompanha no dia a dia.
Aqui estão o Vereador Paulo Coitinho e nós, na Câmara dos Vereadores, com os atletas, fazendo parte de uma solenidade lá realizada. Quantos jovens já tiveram essa oportunidade de estar na Câmara de Vereadores, acompanhando o funcionamento do Plenário?
Eu encerro a minha apresentação chamando a atenção para isto: a tua fala, no início, foi muito importante. De fato, quando conversamos sobre os projetos, tanto o Quem Luta Não Briga quanto o Remar para o Futuro e os outros citados, salientamos que, em todos os lugares a que vamos, da forma como nos apresentamos, as cidades, os Estados tomam como referência esses projetos, querem saber como conseguimos fazer. Então, estarmos aqui hoje pode ser o start realmente, para as Prefeituras e os Governos entrarem em contato para discutir e saber como podemos fazer isso.
Mas a maior dica que eu posso dar, o maior conselho que eu posso dar é este: quando instituições como essas que estão fazendo parte do projeto, quanto universidades, Prefeituras, Vereadores e Deputados entendem que é possível fazer um trabalho em que os maiores personagens são os atletas e que eles são os maiores beneficiados, os resultados são certos. Conseguimos chegar lá. Basta ter as pessoas competentes para isso. Os jovens sempre têm muito a ganhar. Esses jovens que estamos mostrando são um excelente exemplo de que, com o poder público, com as pessoas representando, pensando e tomando decisões assertivas, conseguimos ter grandes resultados.
Muito obrigado. (Palmas.)
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O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Maravilha, Mestre Rossano Diniz! Foi uma belíssima explanação sobre uma política pública que começou em 2011 lá no Município de Pelotas, o Projeto Quem Luta Não Briga, que envolve hoje 560 crianças — jovens, na verdade — do Município de Pelotas numa atividade muito boa.
Eu vou aproveitar e já vou de imediato tirar algumas dúvidas, porque eu acho que podem ser dúvidas de quem nos acompanha virtualmente e de quem nos acompanha pela TV Câmara, Mestre Rossano.
Foi colocado que esse projeto atende 560 jovens do Município de Pelotas e que são jovens que têm que estar na rede pública de ensino. Queria tirar essa dúvida contigo, confirmar isso e entender qual é o investimento hoje necessário. Daqui a pouco, alguém que nos acompanha, algum gestor ou algum secretário, pode perguntar: "Quero levar um projeto semelhante ao Quem Luta Não Briga para o meu Município. Qual é o investimento que um gestor tem que fazer?"
Eu quero aproveitar a oportunidade também para mandar um abraço para quem apareceu nas fotos, para a Prefeita Paula Mascarenhas, de Pelotas, para o ex-Prefeito de Pelotas e hoje Governador, Eduardo Leite, e para o Vereador Paulo Coitinho também.
É importante mostrar de forma muito didática e clara que acreditar no esporte, que acreditar nos atletas, nos jovens, é algo possível, e não é só na teoria. Na prática acontece e com bons frutos. As medalhas são importantes, é claro, mas o maior troféu é justamente ver que esses jovens, que muitas vezes poderiam estar nas ruas, que poderiam estar abandonados pelo Estado, de uma forma geral, através de uma política pública com a qual se estendeu a mão a eles, foram acolhidos e mostram o talento que têm.
Então, todos esses 560 jovens estão na rede pública de ensino? Qual é o investimento a ser feito para colocar em atividade o Quem Luta Não Briga?
O SR. ROSSANO DINIZ - Temos cerca de 80% de jovens da rede pública municipal e também temos alunos da rede pública estadual e da rede privada.
Bom, o Projeto Quem Luta Não Briga acontece da seguinte forma: a Secretaria entendeu que o projeto era interessante e que valeria a pena. Em vez de eu atuar em sala de aula com 25 alunos, eu atuo diretamente nos núcleos do Quem Luta Não Briga, com 560 alunos. Então, a minha carga horária foi destinada a isso. Hoje já temos mais professores, que, através de outros programas, conseguimos qualificar para serem professores do Quem Luta Não Briga.
As instituições parceiras entram geralmente com os espaços. Por exemplo, a universidade entra com o espaço, o Instituto de Menores, com o espaço, a associação do bairro, com o espaço. Elas contribuem também com os materiais — a Prefeitura também contribui. No caso específico da universidade, não é só uma contribuição com o espaço ou só com as questões estruturais, é uma questão de conhecimento. Eu acho que o maior diferencial que temos no Projeto Quem Luta Não Briga é este: conseguimos aliar o conhecimento científico a um projeto de iniciação esportiva e de alto rendimento. Então, as estratégias saem de um grupo de pesquisa, com o qual o nosso coordenador, o Prof. Fabrício, discute, para que possamos colocar em prática aquilo que já foi testado teoricamente. Isso vem dando certo, com resultados. Conseguimos chegar aonde chegamos através desse trabalho.
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O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Fica muito claro que é a iniciativa, é a vontade de transformar, é a vontade de fazer, é a vontade de executar a ideia que, de fato, consolida isso em algo que é um investimento em pessoas, um investimento em atletas. Não estamos falando apenas em recursos, estamos falando em ter a disponibilidade de um professor da rede, estamos falando da cedência dele para um projeto, do espaço de instituições e da aplicação desse tempo, obviamente com o custeio pela Prefeitura, mês a mês, dos equipamentos necessários.
Esse é um investimento muito pequeno para um retorno tão grande para a sociedade. Não é, Mestre Rossano?
O SR. ROSSANO DINIZ - Com certeza. Precisamos de pessoas que queiram caminhar junto conosco, em vez de ficarem sentadas. Temos que trabalhar, temos que ir atrás.
De fato, há toda uma organização burocrática para que as coisas possam acontecer. Temos que ter o tatame, os materiais — e esses materiais têm que ser renovados —, temos que custear as viagens para os atletas participarem das competições, as taxas de inscrição. A logística é gigantesca. Mas, como tu falaste, é um investimento pequeno perto do resultado que conseguimos.
O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Obrigado, Mestre Rossano Diniz, Coordenador do Projeto Quem Luta não Briga, do Município de Pelotas.
Outro projeto é sucesso no nosso Estado do Rio Grande do Sul e no País. Recentemente, inclusive nesta Comissão, eu fiz menção a uma reportagem nacional, da TV Globo, sobre uma atleta de Pelotas, do sul do Rio Grande do Sul, que iniciou lá no Projeto Remar para o Futuro e hoje atua no Flamengo, no Rio de Janeiro. Ela mora em Pelotas ainda, diz o Oguener. Queremos saber mais como é, como funcionou, como surgiu, os números e os dados do Projeto Remar para o Futuro. O nome é sugestivo no sentido de que é um projeto esportivo de remo, mas que pensa no futuro, nas próximas gerações.
Oguener, quero te cumprimentar pelo trabalho que tu fazes, pela resiliência, pela insistência e por também acreditar, ao lado do poder público, nesse projeto. Sem vocês nós não veríamos esse sucesso que é essa política pública de esporte. Então, Oguener, quero passar a palavra para ti, cumprimentar-te e parabenizar-te pela coragem e ousadia. Esses atletas têm muito pelo que te agradecer, e nós também, porque somos felizes por poder contar com profissionais e seres humanos como tu. A palavra está contigo, para nos explicar um pouquinho mais o Projeto Remar para o Futuro.
O SR. OGUENER JOSÉ TISSOT DA COSTA - Obrigado, Daniel, pelas palavras.
Boa tarde a todos.
Queria, antes de mais nada, agradecer ao Daniel e a toda a equipe do gabinete pelo convite, pela recepção e pela confiança no nosso trabalho. É um incentivo que já vem de longa data.
Também queria agradecer a todos os que estão nos acompanhando e, principalmente, a toda a minha equipe. Temos uma grande equipe de trabalho.
Hoje mais cedo eu conversava com o Rossano e dizia que, por estarmos diretamente na linha de frente, acabamos sendo o rosto, muitas vezes, dos projetos, mas temos uma grande equipe que trabalha do lado, não vou nem dizer atrás, mas do nosso lado. Só assim conseguimos fazer com que esses projetos aconteçam.
Então, já vou apresentar um pouquinho aqui da nossa equipe, agradecendo a todos eles.
(Segue-se exibição de imagens.)
O Projeto Remar para o Futuro acontece desde 2015. Ele tem como realizadores a Prefeitura Municipal de Pelotas, através da Secretaria de Educação e Desporto, o Clube Centro Português 1º de Dezembro, do qual utilizamos as instalações — e é a bandeira que nós defendemos nos campeonatos interclubes —, a minha escola, a Academia de Remo Tissot, e, através da Universidade Federal de Pelotas, a Escola de Educação Física e Fisioterapia, a ESEF/UFPEL. Então, esses são os realizadores do Projeto Remar para o Futuro.
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Ele começou em 2015, quando ainda estava na Prefeitura o Eduardo Leite, o nosso atual Governador. A nossa atual Prefeita, naquela época, era a Vice-Prefeita.
O Projeto Remar para o Futuro faz parte de um programa — nós trabalhamos como projeto, mas, na verdade, é um programa — denominado Programa Vem Ser Pelotas, um programa guarda-chuva, que abrange várias modalidades. Esse programa é responsável por fazer a captação de talentos esportivos. Então, nós trabalhamos muito embasados em ciência, em análise do perfil genético de jovens. O Remar para o Futuro tem apenas 30 vagas, destinadas para os jovens da rede. Nós temos que detectar aqueles talentos que têm o perfil genético mais indicado, comparado ao de finalistas olímpicos. O Programa Vem Ser Pelotas, que é coordenado pelo Prof. Eraldo, também da universidade federal, faz, dentro das escolas, a triagem de mais de 5 mil alunos da rede municipal de ensino, para vários projetos, como os de taekwondo, rúgbi, vôlei e remo.
Nós temos duas maneiras de fazer a detecção. Ou nós vamos para dentro das escolas levar a modalidade que é pouco difundida — o remo olímpico, infelizmente, é pouco difundido —, levamos os equipamentos, mostramos os resultados e todo o cenário do nosso projeto, ou nós acessamos diretamente os responsáveis pelo programa, passamos os gêneros que estamos procurando, meninos ou meninas, as idades, o perfil que queremos, eles nos passam os contatos, e fazemos o recrutamento direto desses jovens, fazemos o convite para as famílias conhecerem o nosso centro de treinamento, para a partir daí partirmos para as aulas práticas.
O nosso Remar para o Futuro tem, desde 2015, como Coordenador-Geral o Prof. Dr. Fabricio Boscolo del Vecchio, que é discente da Universidade Federal de Pelotas, é um cientista do remo, uma pessoa que estuda e pesquisa demais o esporte como um todo e coordena também outros projetos; eu como Coordenador Técnico; e a Verônica Diedrich como Supervisora do Projeto.
Nós temos uma equipe multidisciplinar. Uma coisa que eu gosto de ressaltar é que nós fazemos muita questão de trabalhar a totalidade dos atletas. Hoje nós competimos com grandes clubes do Brasil inteiro. Então, para conseguirmos, na nossa modalidade, que é o remo, disputar com atletas de grandes clubes, nós necessitamos de um suporte, do aporte de uma equipe multidisciplinar, de uma forma muito presente. Nós temos hoje no nosso projeto nutricionistas, fisioterapeutas, professores de ioga, traumatologistas, clínicos gerais, dentistas, massoterapeutas. Uma coisa interessante é que todos esses profissionais são voluntários. Eles acreditam na causa do projeto e trabalham de forma voluntária. No caso da fisioterapia, é uma parceria com a Universidade Católica de Pelotas — ela também é nossa parceira —, e todos os seus alunos, na coordenação da fisioterapia, atendem os nossos atletas. Então, o projeto vem atuando desde 2015 e vem nos dando resultados muito positivos. Eu vou falar um pouquinho do histórico dele. Tem de 7 para 8 anos, quase 8 anos, o Projeto Remar para o Futuro. Mas antes eu queria trazer uma coisa interessante sobre o remo em Pelotas. Ele está presente lá de forma ininterrupta desde 1874. Uma das cidades que começaram a ter essa modalidade no Brasil foi Pelotas. Desde então, tivemos mais de 1 dezena de clubes. Nos anos 50, 60 e 70 havia um maior número de clubes. Se eu não me engano, havia mais de 10, havia 13 clubes na cidade. Não só em Pelotas, não só no Rio Grande do Sul, como também em todo o Brasil, os clubes do interior dos Estados começaram a ser extintos. Um dos grandes desafios que temos na nossa modalidade é a aquisição de equipamentos. O custo dos equipamentos esportivos do remo é muito elevado. Quase todos eles são importados. Isso acabou ocasionando a falência de vários clubes, o término de suas atividades, mesmo em cidades que têm um potencial hídrico fantástico, como Pelotas. Hoje nós vemos atuando competitivamente, em todo o Brasil, apenas 2 cidades do interior, que não são metrópoles, que desenvolvem a modalidade: Pelotas e Blumenau. Pelotas vem alcançando grande êxito, mas é uma das duas únicas cidades que hoje atuam no cenário nacional do remo. Desde 1874, os resultados mais expressivos que a nossa cidade teve na modalidade — e eu acredito que é o interior do Brasil como um todo — foram nesses últimos 8 anos, através do Projeto Remar para o Futuro.
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Como eu falei, realizamos processos de seleção. Já foram realizados mais de dez processos de seleção em escolas públicas. Ramificamos as escolas mais próximas do nosso clube, do Centro Português, que fica no Bairro Recanto de Portugal, às margens do Arroio Pelotas. Ramificamos as escolas próximas e buscamos oportunizar vagas para os jovens que moram em locais que têm certa proximidade com ele, até por questão de logística.
A divulgação da modalidade já foi difundida para mais de 2 mil jovens da rede municipal de ensino. Mais de 300 jovens tiveram acesso direto à modalidade. Anualmente, temos em média de 20 a 30 novas vagas ofertadas.
Como o remo é um esporte praticado na água, ele demanda toda uma questão de segurança. Então, sempre temos uma lancha na água. Existe toda uma logística para fazer o ingresso desses jovens na modalidade. Não conseguimos trabalhar com uma grande massa, com um grande número. Então, temos que selecionar os jovens de forma bem qualitativa em relação a perfil genético e a partir daí ofertamos, em grupos pequenos, a modalidade, por se tratar de uma modalidade em meio aberto, na água. O nosso processo seletivo anual é dessa média de 25 a 30 jovens.
Como o Prof. Rossano bem colocou, trabalhamos com vários profissionais: da educação física, da fisioterapia, da nutrição. Já temos mais de 20 artigos publicados nos últimos 8 anos, pelo menos nestes 3 cursos: nutrição, fisioterapia e educação física. Atuamos diretamente com publicações acadêmicas em revistas bem qualificadas inclusive. Capacitamos também profissionais da área para conseguirem atuar na modalidade.
Um dos grandes problemas, um dos grandes desafios do nosso esporte hoje é ter profissionais capacitados, qualificados, para trabalharem com a modalidade. Um programa idealizado pelo então Secretário Nacional de Esportes Lars Grael, há 1 década mais ou menos, o Projeto Navegar, oportunizava vagas para jovens nas modalidades de canoagem, remo e vela. Esse projeto veio a ser finalizado, não teve o sucesso esperado. A principal alegação, na época, foi a de que o projeto não deu certo pela falta de profissionais aptos, qualificados, que proporcionassem segurança e todas as condições necessárias para os jovens, para que pudessem ter segurança na modalidade e desenvolvimento pleno. Hoje nós também ofertamos a disciplina de remo para os estudantes do curso de educação física e formamos mais de duas dezenas de profissionais qualificados para atuarem como estagiários e como futuros treinadores, tanto no nosso projeto quanto em outros centros de treinamento também. Como eu falei, há mais de 20 artigos científicos publicados na área. Em relação a títulos, nesses 8 anos nós obtivemos mais de 40 títulos nacionais. Conquistamos 4 títulos e 15 medalhas em campeonatos sul-americanos, mesmo com a pandemia, quando as competições foram suspensas. Quinze atletas já foram convocados para representar o Brasil em campeonatos sul-americanos e campeonatos mundiais. Tivemos a convocação de 13 atletas do projeto e minha, como treinador da Seleção Brasileira, nos anos de 2016 a 2023, e a convocação para participação em 3 campeonatos mundiais. Então, mais de 70% dos atletas da Seleção Brasileira em 2021 eram do Projeto Remar para o Futuro, 50% dos atletas da Seleção Brasileira de base em 2022 e 60% da Seleção Brasileira de base em 2023 eram provenientes de Pelotas, treinam e residem em Pelotas, através do Projeto Remar para o Futuro. Para nós, isso indica um grande êxito. Uma cidade do interior, que está fora de grandes centros, tem investimento e incentivo, mas, se comparado com o de grandes centros, de grandes clubes, principalmente clubes de futebol que tiveram sua origem no remo, é um investimento muito aquém.
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Mas nós conseguimos alcançar resultados muito positivos dentro da modalidade. Neste ano nós tivemos a participação de dois atletas do projeto nos Jogos Pan-Americanos. Alguns atletas ainda estão disputando vaga para participar dos Jogos Olímpicos, o que ainda é o nosso ideal. A nossa atleta Shaiane foi a quarta colocada na competição com barco a oito e a quinta colocada na competição com barco quádruplo. O nosso atleta Pedro Xavier, que hoje também é atleta da Marinha do Brasil, foi convocado, a partir deste ano, através do remo. Ele é sargento da Marinha, foi o quinto colocado na competição com barco duplo e está buscando uma vaga nos Jogos Olímpicos de 2024.
Algumas reportagens saíram na mídia sobre a quantidade de atletas, sobre o percentual de atletas de Pelotas que vêm integrando a seleção nacional. Como o Deputado Daniel falou, no programa Esporte Espetacular, algumas semanas atrás, vimos uma matéria sobre a nossa atleta Helen Belony, que hoje representa o Flamengo, mas ainda mora e treina conosco em Pelotas. Foi uma matéria de mais de 8 minutos que mostrou a história de vida dela. O fato interessante é que ela hoje está cursando fisioterapia na Universidade Federal de Pelotas, recebeu uma bolsa de mais de 100 mil dólares por ano para integrar uma universidade em Miami, nos Estados Unidos, e vai participar do time de remo da universidade.
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Então, são muitas as bolsas universitárias ofertadas para jovens da América do Sul, não apenas no remo, mas também em outras modalidades. Esse hoje é um caminho que buscamos par os nossos atletas, para que sigam o seu pleno desenvolvimento nas categorias adultas.
Essas são algumas dezenas de matérias que mostram um pouquinho dos nossos resultados em várias competições estaduais, das quais temos retornado invictos. Levamos entre 15 e 20 atletas e voltamos com 100% de medalhas de ouro. Todo mundo ganhou disputas com atletas de grandes clubes. Como eu falei, Flamengo, Vasco, Botafogo, Corinthians, clubes que hoje têm como seu principal esporte o futebol, tiveram sua origem no remo e mantêm as suas equipes relativamente fortes também no remo. Nós conseguimos, mesmo sendo de uma cidade do interior, bater de frente com essas grandes potências.
Vou falar mais um pouco dos nossos resultados. Os nossos atletas começam a remar no projeto com 12 anos ou 13 anos — a idade de ingresso no projeto — e permanecem conosco até os 18 anos de idade. Dos nossos atletas que fazem pódio nacional, mais de 20 já tiveram acesso ao Bolsa Atleta, o que nos últimos 8 anos representa também um incentivo financeiro. Nós temos mais de 8 atletas contemplados com o Bolsa Atleta da categoria internacional — são valores distintos —, mais de 10 atletas foram contemplados com o Bolsa Atleta da categoria nacional e mais de 15 atletas foram contemplados com o Bolsa Atleta da categoria de base. Se somarmos isso à renda familiar, nos últimos 8 anos já devemos ter colocado verba federal, através do Bolsa Atleta, em valor próximo de meio milhão de reais na cidade de Pelotas, agregando-a à renda da família e incentivando esses jovens a permanecer na modalidade, haja vista que temos uma grande evasão hoje, por causa de dificuldades financeiras. Os pais têm que colocar os jovens no mercado de trabalho. Um dos grandes desafios que temos hoje é o de conseguir manter no esporte esses jovens de 15 anos e 16 anos de idade. Quando eles ainda não conseguem conquistar uma medalha nacional, ter acesso ao Bolsa Atleta, essa é a nossa dificuldade. É cabo de guerra muitas vezes com a família, para fazer com que ela compreenda esse processo de longo prazo que desenvolvemos com eles.
Essas são algumas demandas que ainda temos. Hoje, mesmo contando com o poder público, com o apoio da Prefeitura Municipal de Pelotas, com algumas emendas que o Deputado Federal Daniel Trzeciak já destinou para nós, ainda temos grandes demandas: passagens aéreas, estadia, alimentação. Como o Prof. Rossano colocou, essa é a nossa grande demanda hoje, o nosso orçamento, para conseguirmos sustentar e manter o projeto na crescente em que vem nos últimos 8 anos. Além disso, precisamos adquirir barcos. Como eu falei, é muito alto o custo dos equipamentos, para mantê-los. Hoje nós temos uma garagem completa, com todos os barcos de que necessitamos para treinos, mas ainda buscamos a aquisição de barcos importados para competições, para conseguirmos manter algumas categorias sub-23 atuantes, representando genuinamente a cidade de Pelotas.
Eu encerro aqui e fico à disposição para perguntas e dúvidas.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Parabéns, parabéns, Oguener! Que bom ver essa tua explanação, essa manifestação coerente e que mostra, de fato, números que nos orgulham, por vermos que esse projeto há 8 anos vem transformando vidas. Obviamente, também vemos que podemos espelhar tantos outros Municípios através desse projeto.
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Eu tenho algumas dúvidas, alguns questionamentos a fazer, para entendê-lo um pouco melhor. Ouvi, muito claramente, o orçamento para 2024, o ano que vem. Já me senti até provocado, digamos assim, a colaborar, a seguir colaborando para o projeto, o Remar para o Futuro. Como é que tu percebes — é uma pergunta muito pessoal, talvez —, como especialista da área, como é que tu percebes a mudança na vida desses atletas, na vida dessas pessoas, que muitas vezes saem do interior do Rio Grande do Sul? Por mais que Pelotas seja uma cidade de médio a grande porte, esses atletas não tinham acesso até então a viagens de avião para chegar a uma grande cidade como o Rio de Janeiro, para chegar a um grande clube como o Flamengo. Enfim, como tu percebes essa transformação na vida pessoal desses jovens?
O SR. OGUENER JOSÉ TISSOT DA COSTA - Isso é gratificante demais, é sempre emocionante para mim até falar disso.
Para acompanhar o processo de formação de jovens que começam, nós vamos para dentro das escolas, muitas vezes, apresentamos a modalidade para jovens que nunca a viram, vendemos um sonho para eles. Então, hoje temos um programa denominado O Remo vai à Escola. Eu faço questão de ir e apresentar. Temos algumas apresentações prontas sobre o projeto, mostramos resultados e vemos os olhos brilharem, de jovens que sequer conhecem a modalidade, que não sabiam até então que ela existia. Como eu disse, é uma modalidade que não é muito difundida no nosso País. Conseguimos ofertar isso de forma gratuita para vários alunos, que, muitas vezes, vêm de uma vulnerabilidade social, estão no meio das mazelas da sociedade. Conseguirmos fazer esse resgate, trazê-los para dentro de um projeto, proporcionarmos para eles alimentação, passagens, competições, uniformes, acesso a bons equipamentos, elevarmos a autoestima deles através de um treinamento bem orientado, com uma grande equipe multidisciplinar dando essa atenção, esse cuidado, fazê-los se sentirem pertencentes a uma instituição, a um esporte, isso não tem preço. E o principal é isto: conseguimos trazer também a família para dentro do projeto. Dizemos que, quando eles começam no projeto, eles começam a ser o orgulho da família. Imagina a família da Helen, uma família super-humilde, vendo ela em cadeia nacional de TV, no programa Esporte Espetacular. Ela não acredita ainda que está indo para os Estados Unidos, que vai receber uma bolsa. Isso é algo inimaginável para nós, no primeiro momento, quando começamos o projeto.
Hoje temos mais de 10 atletas formados que já estão em grandes clubes, como o Clube de Regatas do Flamengo, com o qual mantivemos uma parceria durante 5 anos. Hoje esses atletas moram no Rio de Janeiro, residem lá, têm também todo o respaldo de um grande clube.
A parte mais emocionante é conseguir o que conseguimos: em 2021, fomos para Praga, na República Tcheca, com 6 atletas de Pelotas representando o Brasil. Em Varese, na Itália, em 2022, tínhamos 2 atletas, o Pedro e a Ana Júlia. Agora em 2023, na França, em Paris, estávamos com a Ana Júlia e a Brenda. Todos eles são atletas nossos, formados no projeto. Quando começaram no projeto, sequer imaginavam que conseguiriam chegar tão longe.
Então, isso é muito emocionante, é impactante demais na vida deles. Quando conversamos com as famílias, elas compreendem hoje a importância disso para os jovens, a nossa perseverança para fazer com que eles se mantenham. O calendário de viagens é bastante intenso. Quem é do esporte sabe como é. De segunda-feira a sábado, os jovens entram, em média, às 2 horas da tarde e ficam até as 6 horas, até as 6 e meia da tarde treinando nas nossas instalações. Eles têm que aliar isso à escola e ainda têm agenda com nutricionista, com fisioterapeuta e com psicólogo. Quer dizer, é uma semana muito cheia. Quando viajam, os colegas de turma, os representantes de turma mandam os materiais, para que eles consigam estudar mesmo estando fora da cidade — e eles têm que tirar notas boas. Vemos hoje atletas ingressarem na universidade federal, como é o caso do Davi, um atleta nosso que já está cursando educação física; da Helen, que está cursando fisioterapia; e da Shaiane, que está cursando nutrição.
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Então, conseguir mostrar esse caminho para eles, conseguir acompanhar eles na carreira de longo prazo, para que consigam chegar aonde estão chegando, é incalculável. Não existe investimento, eu acho, que pague essa lição de cidadania que eles acabam nos dando.
A contrapartida dos jovens, dos atletas do projeto, como o Rossano bem disse, não são as medalhas, é essa contrapartida social que eles trazem para a nossa sociedade, principalmente sendo exemplos para as novas gerações.
O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Muito obrigado, Oguener. Quero te agradecer mais uma vez. É muito bom ouvir quem vive isso todos os dias, quem está na ponta atendendo e mostrando a importância do esporte, que é uma janela para o mundo, é uma janela de oportunidades.
Há vários exemplos, como no taekwondo e no Remar para o Futuro, de atletas que saem da periferia, que saem do interior de um Estado e ganham o mundo. Obviamente, ganham também o reconhecimento da sociedade e são orgulho para as famílias e para todos nós, porque isso nos estimula, isso nos incentiva a seguir investindo tempo, energia e recursos. Eu sou fã do esporte e do trabalho que vocês fazem.
Aproveito a oportunidade para mandar um abraço a toda a equipe da Secretaria de Educação de Pelotas, a toda a equipe do desporto, na pessoa do Isaque, na pessoa do ex-diretor da equipe do desporto, o Sérgio Ferreira. É um trabalho coletivo. Para estarmos aqui hoje, nesta audiência pública, para que Pelotas seja vitrine e referência, foi necessário um trabalho de longo prazo, seja desde 2011, quando começou o Projeto Quem Luta Não Briga, com o taekwondo, seja desde 2015, quando começou o Projeto Remar para o Futuro. É um trabalho de persistência naquilo em que acreditamos com muita convicção. Então, parabéns a toda a equipe da SMED, a toda a equipe do desporto de Pelotas!
Quero agradecer ao Lélio Falcão, o Presidente do Conselho Municipal do Idoso de Pelotas, da nossa terceira idade, pela sua presença aqui.
Agradeço pela presença a todos os que aqui estão e também aos que estão nos acompanhando de forma virtual.
Quero passar a palavra, para que saibamos mais de um projeto que existe há 10 anos, que estimula a qualidade de vida e o exercício físico, que chega aos bairros do Município de Pelotas e que também serve de inspiração a todos nós, à Caroline Malue, a Coordenadora do Programa Vida Ativa. Ela está conosco nesta audiência pública de forma virtual e vai usar a palavra para nos falar mais a respeito do Vida Ativa, um sucesso também como política pública no Município de Pelotas.
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Boa tarde, Caroline. A palavra está contigo.
A SRA. CAROLINE MALUE HUCKEMBECK - Olá, Daniel.
Boa tarde a todos.
Queria primeiramente agradecer o convite para estar aqui e dizer que é uma honra representar o Programa Vida Ativa.
Aproveito a oportunidade para parabenizar os colegas Rossano Diniz e Oguener da Costa. Trabalhamos de forma próxima e conhecemos o empenho deles para fazer os projetos chegarem aonde chegaram.
Eu vou falar um pouco do projeto que eu coordeno, o Programa Vida Ativa.
Eu posso compartilhar uma apresentação?
O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Pode compartilhar.
A SRA. CAROLINE MALUE HUCKEMBECK - Certo.
(Segue-se exibição de imagens.)
O Programa Vida Ativa é um programa de esporte e lazer executado pela Diretoria de Desporto e Lazer da Secretaria Municipal de Educação e Desporto — SMED do Município de Pelotas. Ele ocorre há mais de 10 anos, e seu objetivo é propor à comunidade pelotense a iniciação esportiva em diferentes modalidades, o exercício físico, as práticas corporais e o lazer ativo, com foco no benefício e na qualidade de vida para crianças, jovens, adultos e idosos. Então, nós trabalhamos com uma faixa etária bem extensa.
Para as aulas desse programa, são utilizados espaços da Prefeitura e também espaços da comunidade que são cedidos para o programa.
As atividades buscam fomentar a prática de hábitos saudáveis para toda a população pelotense.
O Vida Ativa se dá de duas formas: com atividades que chamamos de "sistemáticas", que são as aulas que acontecem no que chamamos de "núcleos", e também com atividades assistemáticas, que são os eventos em que são dadas aulas de ritmos, de ginástica laboral, em que são disponibilizados brinquedos infláveis, além de outros eventos dos quais falaremos mais para a frente.
Para o Vida Ativa acontecer, hoje temos 5 coordenadores de núcleo, 22 agentes e 2 coordenadoras-gerais — eu e a Larissa. Esses cinco coordenadores são todos profissionais de educação física, e, desses 22 agentes, 19 são profissionais de educação física, 2 são professores de taekwondo e um é professor de dança.
Aqui eu mostro as atividades sistemáticas do programa e os eventos, como o Aulão do Dia das Mães, a Semana da Criança, a Colônia de Férias. São eventos realizados pelo Vida Ativa. Além disso, há os eventos apoiados pelo programa, como por exemplo o Ruas de Lazer, que é um evento da Prefeitura de Pelotas, juntamente com a universidade federal; o evento do CADÚNICO, que é uma parceria do Vida Ativa, da SMED, com a Secretaria de Assistência Social. Acontecem diversos outros eventos, também apoiados pelo VA. Ainda há eventos realizados pela comunidade, como as festinhas de Natal que acontecem no bairro. O representante do bairro pede apoio, e nós vamos lá com aulões, com brinquedos infláveis, para fazer a promoção do lazer ativo. Então, há esse tipo de trabalho também.
Em 2022, nós realizamos 137 eventos. Em 2023, já realizamos 113 eventos. Isso somou um montante em torno de 10 mil pessoas até o ano de 2023.
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Para as aulas, nós temos diversas modalidades, tanto práticas esportivas como práticas corporais e exercícios físicos. O Vida Ativa transita em todos os domínios do esporte: o educacional, o de participação e o de rendimento. Estamos iniciando no rendimento. Como o nosso foco é principalmente social, nossas atividades se encaixam mais no esporte de participação.
O Vida Ativa se distribui em 53 núcleos, com 117 turmas. O núcleo é um local onde pode haver mais de uma turma.
Aqui embaixo estão os bairros da cidade. Estamos em todos os bairros, porque nosso objetivo é descentralizar, para que possamos atender o interesse da comunidade local. No Bairro Três Vendas nós temos 16 núcleos; no Areal, 12 núcleos; no Fragata, 11 núcleos; no Centro, sete núcleos, onde se inclui o ginásio municipal, um centro que concentra diversas atividades; na zona rural da cidade de Pelotas temos quatro núcleos; no Bairro São Gonçalo, dois núcleos; e no Bairro Laranjal, um núcleo.
Quem são os nossos alunos? É importante reforçar que o Vida Ativa é feito de pessoas. Há um apelo muito grande, uma propriedade da comunidade sobre o Vida Ativa. O Vida Ativa não é da Secretaria, ele é das pessoas que praticam a atividade do Vida Ativa, tanto que, quando saímos pelas ruas aqui de Pelotas, vemos camisetas nossas em todo lugar.
Em termos gerais, é importante ressaltar que a maioria dos nossos alunos são mulheres com 45 anos ou mais. Por que essa informação é tão importante? Porque, como nós sabemos, estatisticamente a ciência mostra que quem pratica mais exercício são homens mais jovens e com renda mais elevada. Essas duas informações mostram o quê? Mostram que nós atendemos mais mulheres, e de uma faixa etária em que normalmente não se praticam mais exercícios físicos e esportes. E, se olharmos para a renda, veremos que boa parte ganha até três salários mínimos — estamos falando de renda familiar, não estamos falando de renda individual. Segundo o IBGE, em 2022 a média de moradores por residência em nosso Município é de duas pessoas. Deveríamos, então, dividir no mínimo por dois esse valor. Isso ratifica que o Vida Ativa está chegando realmente a quem mais precisa e que possivelmente não teria condição de pagar uma academia, um local onde praticar sua atividade.
Aqui, algumas fotos de parcerias que nós temos. A foto com os colchonetes azuis é de uma parceria com a Faculdade Anhanguera. Ali em cima, a igreja. O Instituto Nossa Senhora da Conceição, ao lado.
Aqui, estamos indo um pouquinho para o rendimento, com o nosso jovem grupo de dança, o grupo de jazz, que já está tendo ótimos resultados. Temos um ótimo coreógrafo. Turminhas de dança e de ginástica.
Essa turma que aparece na sala de musculação é também de uma parceria com a Faculdade Anhanguera, mulheres em tratamento de câncer de mama, na Colônia Z-3, no Bairro Corujas, e alguns outros exemplos.
O taekwondo também aparece.
As atividades nos núcleos mostram quem são os alunos do Vida Ativa. Essa é a cara do nosso programa.
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Aqui, uma turma bem grande, e as camisetas que eu disse que se encontram por todo local aqui.
No Bairro Getúlio Vargas, atividades de boxe.
Aqui, algumas competições em que os nossos alunos participaram, no JEPEL.
O Vida Ativa é um programa guarda-chuva, porque os profissionais que trabalham nele propiciam a expansão de outros projetos que acontecem dentro da Diretoria de Desporto e Lazer, como, por exemplo, o Quem Luta Não Briga, que o Rossano já comentou; o Ginástica Artística; o Sacada Cidadã, de fomento a iniciação no vôlei; o Atletismo Pelotas, que fomenta o atletismo; e o Paradesporto Pelotas, que fomenta as atividades de paratletismo; além de todos os eventos que acontecem no âmbito da Diretoria de Desporto e Lazer.
Aqui, alguns exemplos de publicações relacionadas ao Vida Ativa, estudos que foram feitos dentro do projeto, um modelo lógico de como ele funciona, de como se estrutura a organização do Vida Ativa, de como os processos acontecem, do impacto que o Vida Ativa tem no estilo de vida da população pelotense.
Esse é um estudo que foi feito durante o período de COVID e que nós o mais breve possível trocamos pelo formato on-line, para continuar o atendimento das pessoas, porque entendemos que o exercício físico e o esporte são um meio para o alcance de diversos benefícios. A saúde mental é muito importante, então nós adaptamos o trabalho para que pudéssemos continuar atendendo durante a pandemia.
Existe um livro chamado Projeto Vida Ativa - Pelotas em Movimento, que conta principalmente como se deu o início do projeto. Ele veio de uma dissidência do PELC, que é um programa federal que a Prefeitura acabou abraçando e depois expandiu. Nesse livro há diversas informações de como se deu esse processo inicial do Vida Ativa.
Eu sempre comento com os meus colegas que dão aula, com os agentes, com os coordenadores de núcleo que nós devemos fazer sempre o nosso melhor. Como diz Cortella, "faça o teu melhor na condição que você tem, enquanto você não tem condições melhores para fazer melhor ainda!"
O Vida Ativa é um projeto de muito orgulho para nós e essa é a nossa apresentação sobre como ele se estrutura e como ele funciona. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Muito obrigado, coordenadora do nosso Vida Ativa de Pelotas, Caroline Malue, pela apresentação dos números. Pelotas é uma referência no esporte, é uma referência em políticas públicas.
Temos quatro projetos. Aqui apresentamos três deles: o Quem Luta Não Briga, de taekwondo, com o Prof. Mestre Rossano Diniz; o Remar para o Futuro, com o Oguener; e o Vida Ativa, coordenado pela Caroline. Também temos um projeto ligado a balé, que é o Magia da Dança, um convênio da Prefeitura Municipal de Pelotas com a Escola de Ballet Dicléa.
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Coordenadora Caroline, eu vou aproveitar a sua presença virtual para tirar uma dúvida e fazer um questionamento.
Eu vi os números da faixa salarial e do público que mais procura a atividade. O Vida Ativa é uma política pública que incentiva as pessoas a fazer atividade física, a sair do sedentarismo. O projeto está distribuído em todos os bairros, como foi bem colocado. Com que frequência a atividade é levada para as pessoas? Talvez o público que está nos acompanhando queira saber se é como ir à academia, três vezes por semana. As pessoas usam o Vida Ativa como ferramenta gratuita para atividade física com qual frequência?
A SRA. CAROLINE MALUE HUCKEMBECK - Na forma sistemática, que são as aulas, na maior parte dos núcleos as aulas são duas vezes por semana, aulas de 1 hora, porque o mínimo preconizado pela OMS são 75 minutos de atividade moderada por semana. Nós buscamos garantir isso, na tentativa de diminuir o sedentarismo e de melhorar a qualidade de vida, para promover a saúde da população.
O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Muito obrigado, Caroline. Agradeço a sua manifestação. Fique conectada conosco, porque podem vir algumas sugestões.
O nosso mandato também tem um compromisso com o esporte, por óbvio, tanto que estamos nesta Comissão. Levaremos esses projetos ao Ministério do Esporte. Nós sabemos como funciona a distribuição de recursos no País. Boa parte fica concentrada aqui em Brasília, as políticas públicas também, então precisamos levar ao conhecimento do Ministro André Fufuca todos esses projetos que acontecem pelo Brasil, nos mais de 5.500 Municípios brasileiros. É importante que levar esses projetos realizados com êxito no Município de Pelotas ao conhecimento do Ministério do Esporte, do Ministro André Fufuca, para que ele aporte recursos e coloque no cronograma de investimentos do Ministério do Esporte mais prioridades como essas. Muitas vezes parece, quando falamos em esporte, que o foco é futebol, futebol, futebol, mas nós temos muita coisa para mostrar para o Brasil, políticas públicas ligadas a diversas modalidades.
Eu quero agora abrir a palavra a quem desejar se manifestar. Já temos um inscrito.
Vou passar a palavra ao Vereador Diogo Latini, do Município de Macuco, Estado do Rio de Janeiro. Sei que o Vereador irá receber uma honraria do esporte. Agradeço sua presença nesta audiência.
Vereador Diogo Latini, seja bem-vindo à Câmara dos Deputados e a esta audiência pública da nossa Comissão do Esporte, que hoje se dedica a políticas públicas de inclusão no esporte.
A palavra está com o senhor.
O SR. DIOGO LATINI RODRIGUES - Obrigado, Deputado Daniel Trzeciak e todos que compõem a Mesa.
Saúdo o Secretário Lindberg.
É um prazer enorme participar deste encontro da Comissão. Sou testemunha dos benefícios do esporte. Milito no menor Município do interior do Estado do Rio de Janeiro, onde tive a oportunidade de, por três mandatos, estar à frente da Secretaria de Esporte do Município. Nesse período, chegamos a colocar 40% da população para praticar atividade física.
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Isso mostra a importância da ferramenta que temos na mão para transformar a vida das pessoas. Hoje, vejo muitos jovens do meu Município já praticando, por esse Brasil afora, futebol ou até outra modalidade, graças aos trabalhos desenvolvidos no nosso Município.
Quero aqui parabenizar a Comissão. Valorizar o esporte é valorizar a vida, é incluir, é unir e, acima de tudo, é trazer uma grande vitória na formação de cada cidadão.
Quero parabenizar todos os responsáveis pelos projetos que discursaram aqui. Eu acho que, independentemente do Estado, o esporte é o mesmo, e nós gostamos — eu particularmente sou da área de educação física —, militamos, lutamos para que venham dias melhores e para que possamos fortalecer essa área tão importante no nosso País.
Mais uma vez, parabéns a toda a Mesa, à Comissão, a todos que falaram aqui. Parabéns pelos projetos. É muito importante valorizar também as outras modalidades diferentes do futebol.
O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Muito obrigado, Diogo Latini, Vereador do Município de Macuco, no Rio de Janeiro. Parabéns pela manifestação.
Está chegando à nossa audiência pública o Presidente da Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados, meu amigo Luiz Lima, Deputado Federal de segundo mandato, nadador medalhista olímpico. Que alegria tê-lo aqui nesta audiência pública que debate, encontra solução e mostra para o Brasil políticas públicas realizadas no interior do Estado do Rio Grande do Sul! Muito obrigado a S.Exa. pela presença.
Acabou de usar a palavra o Vereador Diogo Latini, do Município de Macuco, da área de educação física. Agradeço a sua manifestação.
Eu sei que a agenda é intensa aqui. Nesta semana especificamente, de forma muito especial — digo isso aos nossos convidados —, nós estamos trabalhando de forma virtual. Por isso, talvez haja um quórum menor nas próprias Comissões, na própria Câmara dos Deputados, no próprio plenário. Mas é importante que mantenhamos esse debate vivo e que a Comissão do Esporte faça esse trabalho de forma exemplar.
Meu caro Deputado Luiz Lima, eu já lhe passo a palavra. Não sei como está a agenda de V.Exa.
Quero aqui convidar a Sra. Márcia Buscariol, Presidente da Câmara Municipal do Município de Alto Taquari, em Mato Grosso.
Seja muito bem-vinda à Câmara dos Deputados, Vereadora Márcia. É uma alegria tê-la aqui conosco nesta audiência pública e poder ouvi-la agora a respeito da inclusão do esporte na vida da nossa sociedade.
A SRA. MÁRCIA BUSCARIOL - Obrigada, Deputado. É uma honra para mim estar aqui hoje nesta audiência com V.Exas. vendo o projeto do Rossano, do Oguener. Estou também com o Vereador Sarapó, da minha cidade, Alto Taquari, em Mato Grosso.
Alto Taquari é um Município pequeno, de apenas 11 mil habitantes, onde há a nascente do Rio Taquari. Nós temos um lago de 33 hectares de espelho d´água, onde já fizemos um campeonato de canoagem. Na minha gravidez, remei até os 7 meses, enquanto eu pude.
O que o Deputado Daniel falou é o que eu falo sempre na minha tribuna: esporte não é só futebol. Há um amplo leque no futebol para tirar as crianças da rua, como na minha cidade, uma cidade pequena comandada pelo Comando Vermelho. É entristecedor ver, hoje, as crianças pequenas que eu atendi quando me formei nessa situação. Numa cidade em que há esporte, como Pelotas mostrou, a criança não procura o caminho errado. Ela não tem vazão para o caminho errado, porque, mesmo que bata à sua porta, ela vai falar por que veio e por que a sua porta está aberta para o esporte. O meu menininho tem 4 anos, na quinta-feira que vem, vai trocar o quimono pela primeira vez, no taekwondo, com o Prof. Mestre Marcus, na minha cidade.
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Nós estamos buscando novos projetos. A nossa Prefeita é muito aberta, mas a nossa Secretaria de Esporte ainda está nessa só do futebol. Então, é uma honra para nós. Vamos levar o projeto de vocês, do Deputado, esta audiência para lá, para conseguirmos mais coisas para o esporte de Alto Taquari, mais coisas para o esporte de Mato Grosso.
Meu tio, nós o perdemos agora em junho, foi Presidente da Confederação Brasileira de Canoagem, Darci Oberdan, e do Mato Grosso. Nosso Estado é muito rico, nós temos muitos rios, muitos lagos e podemos oferecer também o que vocês, de um grande centro, oferecem, que é muito mais fácil. Mas nós podemos buscar e nos espelhar e estudar os projetos de vocês e levá-los até lá. E até mesmo levá-los, um dia, para mostrar como foi fundado o colégio, para conhecer o nosso Mato Grosso e a nossa Alto Taquari.
Então, eu quero parabenizá-lo, Deputado, por esta brilhante iniciativa!
A todos que estão aqui hoje nesta audiência, participando desta Comissão, muito obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Muito obrigado, Presidente da Câmara Municipal do Município de Alto Taquari, Vereadora Márcia Buscariol.
Obrigado pela sua presença.
É importante que a audiência pública sirva de troca de experiências e troca de ideias. Que nós conheçamos, seja no Município de Macuco, no Rio de Janeiro, seja no Município de Alto Taquari, no Mato Grosso, as políticas públicas que são feitas lá, assim como nós trazemos esta referência das políticas públicas apresentadas no Município de Pelotas, no Rio Grande do Sul.
O Brasil é um país gigante, tem mais de 5.500 Municípios, e existem muitos bons exemplos espalhados por aí.
Eu quero passar a palavra agora ao Sr. Lélio Falcão, Presidente do Conselho Municipal do Idoso do Município de Pelotas, para fazer uso da palavra nesta audiência pública, que valoriza o esporte e as políticas públicas. Por favor, acione o microfone neste botão.
O senhor está com a palavra.
O SR. LÉLIO LUZARDI FALCÃO - Obrigado.
Eu queria saudar o Deputado Federal de Pelotas e da Região Sul, Daniel Trzeciak, os nossos companheiros de Pelotas — estamos aqui em mais dois, o ex-Presidente do Conselho Municipal de Pelotas e a Diretora Secretária — e um companheiro de Brasília. São muito importantes essas falas de vocês e o trabalho de vocês.
Eu fui remador no Regatas Pelotense quando jovem, um pouco mais, e fui do judô com o Celso Brod. Isso faz tempo, quando ainda não havia o hospital da Católica lá em baixo. Eu acho que essa formação do esporte realmente dá disciplina, dá perspectivas.
Eu queria muito saudar o Presidente da Comissão, que está aqui, e o Deputado de Pelotas, pelas iniciativas que têm feito, nunca esquecendo que a única emenda que o Conselho Municipal do Idoso de Pelotas teve foi a do Deputado Daniel, que, há 1 ano, aportou um recurso para nossos equipamentos, veículos, etc., numa parceria com o Ministério dos Direitos Humanos.
Muito obrigado, Deputado Daniel.
Nós queremos que o senhor continue contribuindo um pouquinho conosco, com os idosos de lá — são 70 mil idosos.
Nós estamos na década do envelhecimento ativo e saudável e temos remadores em Porto Alegre. O Anton Karl Biedermann é um exemplo para todo mundo. Eu acho que o remo começa na juventude, mas ele não precisa terminar ali; adiante, ele pode continuar.
Muito obrigado pelo tempo, eu não vou me alongar.
O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Muito obrigado, Sr. Lélio Falcão.
Importante este tema, porque o esporte tem tudo a ver também com qualidade de vida.
Que esses atletas — quem pratica esporte — cheguem à terceira idade, a melhor idade, com muito mais disposição, energia e com uma vida muito mais saudável! Então, os assuntos não estão isolados uns dos outros, estão sempre ligados e conectados.
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Quero aproveitar e mandar um abraço a quem também nos acompanha virtualmente, lembrando que esta audiência pública de inclusão do esporte da Comissão do Esporte está sendo transmitida ao vivo pelos canais da TV Câmara. Estão conosco a Val Virazoki, elogiando o trabalho dos coordenadores desses projetos, o Gerson Isaac da Luz, o Di Santos, que manda também sua saudação de forma virtual e nos acompanha nesta audiência pública, o meu amigo Jean Pierre, professor de Educação Física, árbitro de futebol, ainda atuando, conhecido nacionalmente e está nos dando boa-tarde, agradecendo este espaço e dizendo que o maior projeto esportivo que temos no Município de Pelotas é o JEPEL, que são os Jogos Escolares de Pelotas. Essa é uma política de Estado que começou há muito tempo. Em 2023, tivemos mais de 10 mil atletas envolvidos e 92 escolas participando. Hoje, inclusive, o Jean Pierre está aqui me dizendo que houve a premiação geral, onde, pela primeira vez, tivemos como campeã a Escola Municipal Arthur de Souza Costa. Foi a 23ª edição do JEPEL. Um abraço ao Jean Pierre e a todos do desporto do Município de Pelotas.
Quero passar a palavra ao Presidente desta Comissão do Esporte, que realizou um trabalho exemplar ao longo de 2023, já que estamos finalizando as atividades do processo legislativo deste ano, faltam 2 semanas. Quero de público agradecer ao meu caro Deputado Luiz Lima, do Rio de Janeiro, em seu segundo mandato, pelo trabalho que faz pelo esporte. Ele o fez muito como nadador, como medalhista olímpico, e o faz muito hoje como político, como Deputado Federal. Nós temos que bater no peito e ter orgulho da atividade que é a política com bons exemplos, como é o seu, Deputado Luiz Lima, que representa tão bem o Estado do Rio de Janeiro, que representa tão bem o esporte. E essa é uma pauta que precisa estar na vitrine, precisa ter visibilidade. O Governo precisa investir recursos.
Nós sabemos que, em teoria, o esporte é acreditar no futuro, na próxima geração, mas temos que acreditar no presente e fazer os investimentos necessários. Cada um de nós é responsável por isso.
Eu disse há pouco que levarei esses projetos ao Ministro do Esporte André Fufuca, em nome da Comissão — e isso é importante —, mas não apenas esses de Pelotas que eu trago hoje a esta audiência pública, mas também os de Mato Grosso, do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina. Enfim, há muito projeto legal, muito projeto bacana acontecendo que precisa ter visibilidade.
Trago aqui, meu caro Deputado Luiz Lima, três projetos: o Quem Luta não Briga, do taekwondo, com o Mestre Rossano Diniz, que traz números que mostram a inclusão através do taekwondo; o Remar para o Futuro, projeto que começou em 2015, em Pelotas, e que hoje tem atletas que ganharam o mundo, literalmente, que estão viajando com bolsa e que já participam através de convênio com o Flamengo do Rio de Janeiro; o Vida Ativa, que é um projeto que visa buscar qualidade de vida, e de que a Coordenadora Caroline participou de forma virtual. Então, é importante que esses projetos ganhem o mundo e ganhem, através do Congresso Nacional e desta audiência pública, essa visibilidade.
16:48
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Eu quero passar a palavra a V.Exa., cumprimentando-o, mais uma vez, pelo trabalho que fez ao longo de 2023 na Comissão do Esporte.
O SR. LUIZ LIMA (PL - RJ) - Deputado Daniel, muito obrigado pelas suas palavras. O tempo voa, não é? Quando nós nos tornamos políticos, parece que a nossa vida corre ainda mais, porque fica muito agitada.
É o meu segundo mandato. É o seu terceiro, não é, Deputado Daniel? (Pausa.)
Segundo também. Nós começamos juntos, então. O tempo passa muito rápido. Nós estamos indo para o nosso sexto ano.
Presidir a Comissão do Esporte foi um presente. Eu tive a oportunidade de falar para o Ministro André Fufuca que realmente é um presente assumir o Ministério do Esporte. É uma pauta suprapartidária em que nós temos o poder de abraçar a todos. É bom para os Secretários Municipais e para os agentes de promoção de esporte dos institutos, como o Projeto Quem Luta Não Briga, do Rossano, como o projeto Remar para o Futuro, do Oguener.
Parabéns por vocês estarem fazendo a diferença!
Aqui ao meu lado, está o Jean Cardoso, que é Secretário de Esporte de Guapimirim, o Diogo Latini, da cidade de Macuco, no Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro, temos 92 Municípios. E são pessoas como essas duas aqui, como vocês, como secretários e representantes do poder público dos Municípios que fazem realmente a diferença. A diferença é feita na ponta. É no Município que se faz toda a diferença. Os Secretários Municipais de Esporte, de Cultura, de Educação têm um poder de intervenção muito maior do que os Ministros da Educação, do Esporte, porque estão diretamente com as pessoas.
Então, essas promoções de inclusão são promoções baratas perto de outros investimentos que se complicam muito. A dedicação do professor, do Vereador, com atenção, ouvindo a criança, o adulto, o adolescente, é o principal ponto. O principal ponto desses projetos é o atendimento. Depois, você vê uma infraestrutura, uma quadra, um ginásio. Mas, se você não tiver uma troca de energia, de conhecimento entre as pessoas, realmente o projeto vai ficar muito longe de alcançar a sua excelência.
Eu sou fã dos projetos esportivos. Nós Deputados aqui, por ano, podemos investir 50% do nosso recurso em qualquer pauta de política pública.
Eu tenho direcionado esse recurso, Deputado Daniel, para projetos esportivos. Além de nós termos um ganho político, que é natural, há uma disputa aqui entre os 513 Deputados, entre os Deputados estaduais, já que existe esse recurso, nós temos que usá-lo de uma maneira assertiva, para que ele seja muito bem empregado, com eficiência.
Eu posso falar que o esporte tem essa magia, tem um ganho fabuloso na educação, na melhoria da qualidade de vida, na relação de pessoas, de crianças, de diferentes segmentos ali do Município. Um menininho é mais pobre, o outro menininho tem uma melhor condição. Um menino estuda num colégio particular, o outro num colégio público. Um menininho não tem pai e mãe em casa, o outro tem. Um menininho tem um ambiente mais saudável, o outro não. Essa integração que o esporte proporciona é muito positiva. Então, todo Prefeito e todo Secretário de Esporte que puderem investir em projetos sociais que unam as pessoas, que sejam os mais diversificados possíveis e com professores de educação física, fazem uma escolha fenomenal.
Deputado Daniel, parabéns pelo seu segundo mandato! Que V.Exa. continue na Comissão do Esporte. Ano que vem, teremos um novo Presidente. É muito bacana a Comissão do Esporte, que, em 4 anos, tem Presidentes diferentes. Quem sabe, V.Exa. se candidata, o seu partido consegue uma vaga na Comissão do Esporte. Para mim, foi muito oportuno, foi muito bacana. Faltam só 2 semanas. Em fevereiro, quando nós retornarmos, assume um novo Presidente na Comissão do Esporte.
16:52
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O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Obrigado, meu amigo, Presidente Luiz Lima.
É muito bom nós estarmos numa Comissão, como bem disse o Deputado Luiz, que é uma Comissão plural. Aqui, nós buscamos solução. Aqui, o debate é para buscar alternativa para que o esporte seja melhor. Aqui, o debate ideológico fica de lado, porque todos acreditam no poder transformador do esporte para uma sociedade melhor, como muito bem colocado pelo Presidente Luiz Lima, porque o esporte é integração. Eu disse isto há pouco: ele é uma janela para o mundo.
Então, é muito bom nós podermos encontrar, nesta Comissão, espaço para debater ideias, espaço para encontrar solução. É muito bom recebermos aqui o Ministro André Fufuca, para poder discutir políticas públicas para o País, o que é concreto, o que não é blá-blá-blá, teoria. Nós precisamos de prática, de resultado. É isso que a população espera de quem está aí para governar, de quem está aí representando a sociedade brasileira. E é isso que nós fazemos.
Já quero aqui, de público também, nesta audiência pública, aproveitar esta ocasião para dizer que, no orçamento do ano que vem, de 2024, estarei aportando novos recursos nessas políticas públicas de Pelotas, no projeto Remar para o Futuro, no Projeto Quem Luta Não Briga, no Projeto Vida Ativa, porque são projetos que dão resultado. Se nós aportamos recursos de forma assertiva, como disse o Presidente Luiz Lima, é porque nós estamos vendo o resultado todos os dias.
Mestre Rossano, Prof. Oguener, Caroline, que nos acompanha virtualmente, do Projeto Vida Ativa, é muito bom nós colocarmos recursos. É mais do que a nossa obrigação. Mas é bom quando nós vemos que há um retorno de atletas que fazem a diferença quando levam não apenas suas medalhas, mas também a sua trajetória, a sua transformação de vida para a família. E isso inspira dentro de um ambiente familiar, dentro de uma rua, dentro de um bairro. E é isto que nós queremos: contaminar positivamente com os bons exemplos que nós temos no esporte, assim como fez, com certeza, o Deputado Luiz Lima, como nadador, que incentivou muitas pessoas, muitos jovens a também estarem nadando, estarem praticando esporte.
Eu quero agradecer a todos os convidados.
Abro a palavra para as considerações finais dos nossos convidados, passando a palavra para o Mestre Rossano Diniz, do Projeto Quem Luta Não Briga, para fazer as suas considerações finais desta nossa audiência pública.
O SR. ROSSANO DINIZ - Eu estou muito emocionado de estar aqui. Este momento vem condecorar a minha carreira profissional — desde os 10 anos, estou envolvido com esporte —, vem fortalecer o trabalho dos jovens, os quais eu represento aqui hoje.
Saber que nós vamos continuar contando com um aporte de investimento no taekwondo pelotense, que hoje aqui nós conseguimos influenciar outras Prefeituras, outras iniciativas, que há um interesse, de fato, que isso aconteça em outros lugares é saber que nós estamos conseguindo contribuir com o desenvolvimento de outras localidades em que o nosso taekwondo, o esporte em si vai crescer cada vez mais através de uma iniciativa que nós tivemos, que nós estamos tendo lá em Pelotas e que está se tornando referência para o Brasil inteiro.
Deputado Daniel, muito obrigado de coração. Estou muito grato por poder estar aqui hoje discutindo o esporte e contribuir com o futuro do taekwondo brasileiro, do esporte brasileiro.
16:56
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O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Muito obrigado, mestre Rossano Diniz. Nós é que agradecemos. O Brasil agradece por tantos talentos que o taekwondo tem nos dado através do Projeto Quem Luta Não Briga.
Com a palavra para as considerações finais, Oguener Tissot, do Projeto Remar para o Futuro.
O SR. OGUENER JOSÉ TISSOT DA COSTA - Mais uma vez, também agradeço ao Deputado Daniel todo o incentivo por essa afirmação de que vai haver mais incentivo, que sempre é necessário para o esporte. Quem está na linha de frente sabe muito bem as dificuldades. Costumo dizer que quem trabalha com esporte luta contra toda a sorte das adversidades na nossa rotina diária. Então, é muito bom escutar isso.
Estou envolvido com o esporte remo, há 30 anos, e nunca vislumbrei estar aqui hoje falando para um público tão grande, tendo um alcance tão grande através do esporte. Hoje Pelotas é um celeiro do remo nacional. Como eu falei, nos últimos 5 anos, viemos formando mais de 60% da seleção brasileira de remo. Isso para nós é muito rico, é um momento muito especial estar aqui. Vindo ao encontro do que foi bem colocou, já fomos procurados hoje por duas cidades ao lado de Pelotas, Capão do Leão e Rio Grande, que já demonstraram interesse, foram provocadas a implantar projetos de remo nos seus Municípios. Já nos prontificamos para fazer uma consultoria.
Queremos ser uma sementinha, assim como clubes pequenos que, há muitos anos, não mostravam resultado, em cenários nacionais, através de Pelotas, que começou com um projeto bem pequenininho e hoje tem resultados gigantescos dentro da modalidade. Incentivamos outras cidades pequenas do País a retomarem a modalidade a clubes pequenos, para terem grandes resultados, acreditarem que é possível bater de frente com grandes clubes. Com isso, acho que estamos conseguindo cumprir com o nosso papel. Isto é o que viemos trazer aqui hoje: plantar pequenas sementes.
Nós nos colocamos à disposição. Eu me coloco à disposição para auxiliar cidades pequenas. Onde houver água, haverá remo. Então, quem tiver interesse pode nos procurar, eu vou estar à disposição para poder auxiliar da melhor forma possível.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Muito obrigado, Oguener Tissot. Já fica o recado para a Presidente da Câmara Municipal de Alto Taquari, que tem água. Que alegria! Quem sabe lá não chega o Remar para o Futuro no Município. É importante que troquem telefones, WhatsApp, enfim, para que, daqui desta audiência pública, possamos colher bons frutos no futuro.
Mais uma vez, quero agradecer ao Oguener. Vamos seguir remando sempre por mais investimento, por mais recursos, remando para um futuro melhor através do esporte. Parabéns!
Quero passar a palavra à Caroline, coordenadora do Projeto Vida Ativa. Está conosco de forma virtual.
Caroline, a palavra está com você para as considerações finais da nossa audiência pública.
A SRA. CAROLINE MALUE HUCKEMBECK - Gostaria de agradecer novamente a oportunidade de estar mostrando o Vida Ativa para tantas pessoas. É um projeto que estamos a todo esse tempo construindo. Ele vem se renovando, porque sempre dizemos que o Vida Ativa é um projeto vivo, porque ele é feito de pessoas, com pessoas, para pessoas.
Acredito que boa parte do sucesso que o Vida Ativa, o Remar para o Futuro e o Quem Luta Não Briga têm é a paixão que esses profissionais têm pelos projetos que executam. Trata-se de acreditar realmente no propósito que se tem de fazer isso. Por que estamos fazendo isso? É para a população que estamos fazendo isso. Então, é uma dedicação contínua, não é do dia para a noite, tanto que todos os projetos têm anos de construção de muita gente que passou para chegar ao que estamos hoje. Ainda temos muito que evoluir, o que construir.
17:00
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Fiquei muito contente com as falas que ouvi, principalmente a do Presidente, perceber que a visão de quem está à frente de uma Comissão do Esporte se alinha ao que acreditamos e ao que procuramos praticar no nosso dia a dia. Então, é muito gratificante ver que estamos no caminho certo.
Como comunicação é tudo, quem está nos vendo pode nos contatar também. Temos a rede social @desportopelotas, para quem quiser saber informações de como funciona, respondemos também por meio das tecnologias.
Quero agradecer também pessoalmente a V.Exa., Deputado Daniel, pelo apoio e pela visibilidade que vem dando ao Vida Ativa e por essa parceria. Espero que possamos continuar contando com ela e com tantas outras que são importantes para a qualificação do nosso projeto.
O SR. PRESIDENTE (Daniel Trzeciak. Bloco/PSDB - RS) - Muito obrigado, Coordenadora Caroline Malue. Parabéns pelo trabalho que você e toda a sua equipe também desempenham diariamente!
Hoje estamos nesta audiência pública, mas certamente o Vida Ativa não para, o Remar para o Futuro não para, o Quem Luta não Briga não para. É uma audiência pública para podermos encontrar ainda mais alternativas e solução para o esporte.
Quem sabe, Vereador, não levamos para Macuco, no Rio de Janeiro, um desses projetos, uma dessas ideias?
Quero agradecer a todos aqui presentes. Agradeço de forma muito especial ao Prof. Mestre Rossano Diniz, ao Oguener e à Caroline. Agradeço a todos que aqui estiveram nesta audiência pública.
Cumprimento, mais uma vez, na pessoa da Prefeita Municipal de Pelotas, Paula, toda a equipe de servidores do Município que desempenham esse papel, que acreditam no esporte, para um futuro melhor para todos nós.
Nada mais havendo a tratar, agradeço a presença de todos e declaro encerrada esta reunião de audiência pública.
Muito obrigado. (Palmas.)
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