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O SR. PRESIDENTE (Romero Rodrigues. Bloco/PSC - PB) - Declaro aberta a audiência pública para debater o tema A importância dos ativos da cultura negra como alavanca para o turismo.
A presente audiência pública teve origem no Requerimento nº 12, de 2023, de autoria do querido Deputado Bacelar, do PV da Bahia. Além de ele ser um Deputado estudioso do assunto do turismo — isso está no DNA da família, porque o irmão dele, que parece até gêmeo, é do setor do turismo no Estado da Bahia —, o Deputado Bacelar é um Deputado muito querido por esta Comissão, um Deputado que tem histórico e que tem história nesta Comissão de Turismo do Parlamento brasileiro.
Presidente Marcelo, eu gostaria de dizer publicamente, como Presidente desta Comissão — e tenho toda a independência para fazer isso, porque não estou aqui fazendo nenhuma fala partidária, mas sim um reconhecimento por dever de justiça —, que você está realizando um belíssimo trabalho, um trabalho idôneo, um trabalho de fato e efetivamente em defesa da EMBRATUR, com simplicidade, com humildade, procurando Deputado por Deputado, como fez aqui recentemente, tentando fortalecer a EMBRATUR do ponto de vista orçamentário.
Não se faz turismo sem recursos, sem que se possa fazer promoção e divulgação. E todo mundo que se aprofundar um pouquinho no tema vai observar que, de fato, a EMBRATUR até então é um órgão que não dispõe de recursos para fazer os investimentos necessários para a promoção do turismo. Nesse sentido, eu estou aqui publicamente reconhecendo, não apenas em nome desta Comissão, mas também no meu nome, na condição de Presidente desta Comissão e de Deputado, o belíssimo trabalho que você tem feito, plantando semente a semente para construir uma instituição melhor que possa efetivamente atender os anseios da população brasileira. Parabéns pelo trabalho! E estou falando, repito, de forma absolutamente isenta de qualquer questão partidária. É uma honra recebê-lo nesta Comissão.
Quero também dizer, claro, que nós estaremos lá em Campina Grande com o maior São João do mundo, na nossa terra, para recebê-lo. Já há previsão de data para você ir a Campina Grande. Eu vou estar lá para recebê-lo e abraçá-lo. Você vai, claro, ao São João de Campina e também vai ao São João de Caruaru. E eu tenho certeza absoluta de que, quando você retornar, vai chegar aqui com toda a consciência de que Campina, de fato, faz o maior São João do mundo. Será um prazer recebê-lo. Caruaru também é uma terra fantástica e realiza um superevento. Essas coisas se completam.
Nós aprovamos, Presidente Marcelo Freixo, um requerimento nesta Comissão para debater o São João no Nordeste. Isso, sim, é um tema fundamental para fortalecer a nossa cultura. Todo mundo sabe a força cultural que têm os eventos juninos no Nordeste inteiro. Então, nesse sentido, eu acho que um complementa o outro, um fortalece o outro. O tema do São João do Nordeste é muito fértil, é um ambiente fantástico e só fortalece o turismo brasileiro.
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Eu gostaria de convidar à mesa também a Sra. Anna de Oliveira Modesto Leal, Coordenadora-Geral Substituta de Produtos e Experiências Turísticas da Secretaria Nacional de Planejamento, Sustentabilidade e Competitividade do Ministério do Turismo (palmas); a Sra. Melina de Lima, Coordenadora da Diretoria de Articulação Interfederativa da Secretaria de Gestão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial — SINAPIR, do Ministério da Igualdade Racial (palmas); a Sra. Tania Neres, Coordenadora de Diversidade, Afroturismo e Povos Originários da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo — EMBRATUR (palmas); o Sr. Carlos Humberto da Silva Filho, Diretor-Executivo e cofundador da empresa Diaspora.Black (palmas); e o Sr. Antonio Pita, Diretor de Operações e cofundador da empresa Diaspora.Black.
O tempo reservado para cada convidado é de 10 minutos, podendo esse prazo ser prorrogado por mais 5 minutos, não sendo permitidos apartes. A palavra será dada ao autor do requerimento e aos membros da Comissão, respeitada a ordem de inscrição, pelo prazo de 3 minutos, dispondo o convidado do mesmo tempo para as respostas. Serão permitidas réplica e tréplica pelo prazo de 3 minutos, improrrogáveis. Os Deputados somente poderão abordar o assunto da exposição, sendo vedado aos expositores interpelar qualquer dos presentes.
O SR. PRESIDENTE (Bacelar. Bloco/PV - BA) - Boa tarde.
Meu grande amigo e Parlamentar de enorme qualidade, comprometido com a democracia brasileira, Deputado Bacelar, com quem tive a honra de conviver em um mandato que exerci aqui, na defesa da educação, do turismo e de tantas pautas importantes, obrigado pelo convite. Falo em nome da equipe da EMBRATUR.
Hoje quem vai falar pela EMBRATUR aqui não sou eu, será a Tania Neres, que é a Coordenadora de Diversidade, Afroturismo e Povos Originários. Colocaram um nome tão grande na Pasta da Tania que eu tenho até preguiça de ler. A Tania é a responsável por toda a política de afroturismo, e nós a colocamos ali com uma alegria e uma convicção muito grande.
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Quero agradecer, antes de qualquer coisa, ao meu amigo Presidente desta Comissão, o Deputado Romero Rodrigues, que conduz esta importante Comissão com um nível de democracia, de participação, de escuta que é exemplar. Obrigado pelas suas palavras. Nós temos um compromisso comum de criar uma política pública na EMBRATUR.
A EMBRATUR era uma empresa muito desconhecida, apesar de grandes nomes terem estado à frente da autarquia — já estiveram lá o Flávio Dino, o Dória, a Jeanine, o Eduardo Sanovicz e tantos outros com muita competência. A EMBRATUR deixou de ser uma autarquia, durante o ano de 2019, virou uma empresa de serviço social autônomo com um problema crucial e estrutural, a ausência de orçamento. Isso, de alguma maneira, demonstra a falta de compromisso com a política pública do turismo. E o que nós fizemos lá, Deputado Bacelar, foi montar uma equipe técnica absolutamente qualificada e pertinente aos temas do século XXI. Então, nós criamos uma gerência sobre responsabilidade climática e sustentabilidade, criamos uma gerência específica sobre inteligência de dados e qualidade da informação, porque sem isso não existe política pública em nenhuma área, e nós sabemos disso — essa gerência nunca existiu, e nós já estamos colhendo frutos com ela —, e criamos, o que é mais importante, neste momento, a gerência de afroturismo.
Eu agradeço, em especial, já saudando os componentes da Mesa, aos companheiros da Diaspora.Black, que foram os primeiros a nos provocar, dentro da EMBRATUR, para a nossa responsabilidade com a questão da memória, com a questão da África, com a questão racial neste País.
Eu estive no gabinete da Ministra Anielle Franco, Melina, a quem eu saúdo — e todos sabem da minha relação afetiva com a Anielle, uma das primeiras Ministras que visitei —, e ali nós nos comprometemos a fazer na EMBRATUR uma política para o turismo que nos criasse uma identidade ou que nos revelasse uma identidade.
Não é possível mais, no século XXI, nós convivermos com tamanhas manifestações racistas pelo mundo. Só que nós precisamos fazer mais do que discurso. E eu acho que hoje o que vem acontecendo no Ministério da Igualdade Racial é um exemplo contundente do que é possível fazer.
Quando criamos uma gerência, uma coordenação, um investimento no afroturismo é porque mais do que não ser racista, mais do que não tolerar o racismo, nós temos que fazer da igualdade racial um produto, uma identidade, um discurso, uma visão que nos traga emprego, que nos traga crescimento, que nos traga desenvolvimento. Nenhum país pode buscar desenvolvimento convivendo com o racismo. Então acho que nós colocamos o turismo no lugar do seu compromisso com a história do povo.
É muito potente o que podemos fazer no afroturismo, seja no Rio de Janeiro, seja em Salvador, não é, Deputado Bacelar, seja no Maranhão, seja em Minas Gerais, seja onde for. Não existe história do Brasil sem passarmos pela história da África e pela nossa relação com isso.
A Tania está indo agora, se eu não me engano, para a África do Sul, onde temos uma relação direta com tudo o que se está pensando na África sobre a relação do turismo no mundo e o combate ao racismo. Então, turismo é mais do que lazer, é mais do que férias, é mais do que uma viagem. O turismo é um modelo de desenvolvimento econômico e social gerador de emprego, gerador de renda, compatível com aquilo que nós queremos ver no século XXI.
O turismo é a grande atividade econômica do século XXI, porque quanto mais os nossos biomas
estiverem preservados, quanto mais nós criarmos políticas de enfrentamento do racismo, quanto mais enfrentarmos a desigualdade social, mais gente vai querer visitar o Brasil. E mais gente vai querer visitar o Brasil em que nós queremos viver. O Brasil jamais será um país bom, não é, Anna, para quem visita o Brasil, se não for um país bom para quem mora no Brasil.
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Se nós fazemos uma política de turismo que revele o País em que nós queremos morar, o País em que nossos filhos vão ser criados, é esse País que queremos que seja visitado. Então, o turismo é a grande ferramenta para isso. Nem todos entendem isso ainda, mas o mundo, em boa parte, já entendeu. Boa parte do mundo já investe no turismo como uma atividade econômica decisiva.
Hoje o turismo representa 7,8% do PIB brasileiro. Deputado Romero Rodrigues, 7,8% do PIB brasileiro vêm do turismo, com toda a precariedade das políticas públicas que nós temos. Então, pode ser muito mais do que isso. O turismo é uma atividade econômica que gera emprego, preserva o meio ambiente e faz com que nós nos relacionemos com o mundo de uma maneira contemporânea.
Então, com muita felicidade estou aqui. E eu não poderia deixar de vir aqui, primeiro pela minha relação fraterna com esta Comissão, pelo respeito que eu tenho ao Parlamento — eu fui Parlamentar durante muitos anos —, pela minha admiração pelo Deputado Bacelar e por todo o trabalho que ele faz aqui no Congresso Nacional, e o irmão dele faz na Bahia, assim como pelo respeito por todas as entidades aqui presentes e pelos Ministérios aqui representados.
Eu acho que nós hoje damos um passo muito importante ao trazer o tema do afroturismo para um debate sobre desenvolvimento e identidade deste País.
Obrigado, Deputado Romero Rodrigues. A EMBRATUR está à disposição de vocês. E hoje a Tania é quem conduz o nosso trabalho e é quem pode e deve falar sobre isso.
O SR. PRESIDENTE (Bacelar. Bloco/PV - BA) - Agradeço a colaboração inicial ao Presidente da EMBRATUR, Marcelo Freixo. Chamo a atenção para o fato de que a presença do Presidente da EMBRATUR é uma sinalização de que o Governo Federal, o Presidente Lula e a EMBRATUR consideram a cultura negra como fundamental para alavancar o turismo no Brasil.
Na medida do possível, vou fazer aqui registros de presenças. Registro agora a presença do Deputado Estadual da Paraíba Tovar Correia Lima. Seja bem-vindo! Também está conosco Petra Perón, Coordenadora de Regionalização e Promoção do Turismo LGBTQIAP+ da Secretaria de Estado de Turismo da Bahia.
Convido inicialmente, para sua exposição, o Sr. Carlos Humberto Silva Filho, Diretor-Executivo e cofundador da empresa Diaspora.Black e um dos inspiradores desta reunião. Foi a partir de artigo dele publicado no jornal Folha de S.Paulo, com o título
Valorizar patrimônios da cultura negra pode ser alavanca para o turismo no Brasil, que tivemos a inspiração para requerer a realização desta audiência pública.
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O SR. CARLOS HUMBERTO DA SILVA FILHO - Antes de mais nada, quero saudar o Presidente desta Comissão, o Deputado Romero Rodrigues. Quero saudar também o Deputado Bacelar, que vem fazendo um trabalho extraordinário nesta agenda e abre espaço para fazermos esta reflexão aqui. E saúdo todos os colegas da Mesa também: a Melina; a Anna; a companheira Tania Neres, que é uma grande parceira na EMBRATUR; e o Antonio Pita, que vem liderando a nossa operação, sobre a qual ele vai falar um pouco mais.
Eu me chamo Carlos Humberto e sou um dos fundadores da Diaspora.Black, que hoje é uma das maiores empresas em atuação no setor de afroturismo no País. Nós operamos em 18 países, com sede também nos Estados Unidos, e vimos fazendo essa reflexão com o mercado de turismo muito para que fique evidente que, quando falamos de afroturismo, estamos falando de oportunidade de crescimento no turismo nacional.
Eu queria começar reforçando que cada um dos senhores e das senhoras sentados a essas mesas, ouvindo cada uma das falas, está participando de um momento histórico. Este é um momento histórico porque nós estamos olhando para um futuro potencial de desenvolvimento econômico do País a partir do turismo. E esse futuro está nos nossos diferenciais.
Quais seriam os grandes diferenciais brasileiros? Quais seriam as nossas grandes referências de identidade de cultura que poderiam atrair visitantes do mundo inteiro por aquilo que temos de melhor? Todo esse legado está relacionado à herança da população negra, que está presente em todas as cidades deste País, em diferentes manifestações culturais e políticas e em diferentes manifestações religiosas. Esses são grandes atrativos.
Eu quero voltar um pouco e fazer uma provocação, para compreendermos o tamanho desse mercado e de que mercado nós estamos falando. Eu quero convidar cada um de vocês a pensar em algo. Quando falamos de África, vocês sabem qual é a população do continente africano? Na África, hoje, em todo o continente, são mais de 1,2 bilhão de pessoas. Só na África Subsaariana, que é a África preta, negra, há mais de 1 bilhão de pessoas. Mas por que o Carlos Humberto está trazendo esse número? Qual é a relação que isso tem com o afroturismo? Nós somos os maiores herdeiros desse mais de 1 bilhão de pessoas residentes naquele continente. O Brasil é o segundo país mais negro do mundo. O primeiro é a Nigéria. O Brasil tem o maior potencial de desenvolvimento dessa agenda, porque somente a população preta deste País, somando pretos e pardos, soma mais de 115 milhões de pessoas.
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Não é possível que esse total de pessoas não traga referências para a nossa cultura, para os nossos patrimônios materiais e imateriais. Não é possível que esses mais de 115 milhões de pessoas não sejam consumidores no mercado. E é disso que nós estamos falando. Não estamos falando apenas do consumo da população negra, que é cerca de um terço do PIB nacional. Nós estamos falando do potencial de desenvolvimento econômico nas atividades culturais, nas atividades religiosas, nas atividades produzidas pela herança africana neste País, uma herança que está presente em todas as cidades.
Falamos da capoeira, por exemplo. O País leva mais capoeiristas para fora do que retém aqui dentro. Em qualquer lugar do mundo, há uma roda de capoeira. O que isso significa? Nós estamos perdendo potenciais atrativos, que saem do País para produzir heranças africanas em outros países.
Ainda falando do mercado do turismo, o Brasil, hoje, comparado com a América Latina, é o país que concentra mais de 91% da população negra, mas não é o que retém maior desenvolvimento econômico na agenda do afroturismo.
Se olhamos para o Caribe, verificamos que a soma de todo aquele território é igual ao Estado de São Paulo ou menor. O Caribe recebe mais de 35 milhões de visitantes. O que esses visitantes vão buscar no Caribe? Nós temos um litoral continental. Mas as pessoas não buscam o Caribe só pelo litoral. Elas buscam o Caribe também pela cultura, pela gastronomia, pela musicalidade. Nós recebíamos menos de 7 milhões de visitantes antes da pandemia. No ano passado, a expectativa era recebermos 4 milhões de visitantes.
O que isso quer dizer? Isso quer dizer que nós temos um grande potencial econômico, que não foi visto como um ativo até aqui. Só que nós estamos num outro momento do mundo, em que o mercado de turismo está olhando para experiências. Não quer mais retratar um turismo no padrão europeu, no padrão norte-americano. Hoje, o movimento no turismo busca experiências genuínas, o que há de diferencial em cada lugar.
Eu faço esta pergunta a cada um dos senhores e das senhoras: o que há de diferencial em cada uma das regiões deste País? Quais são os nossos grandes diferenciais culturais? É preciso entender, como potencial alavanca para o mercado de turismo internacional, que este País tem várias belezas naturais, tem várias belezas culturais e que essas belezas estão vivas. Mas, para aquecermos esse mercado, precisamos de alguns fatores: investimento, preparo, infraestrutura — isso no campo de ações para fomentar o turismo. Olhando para uma série de agências, uma série de lideranças de afroturismo que já estão produzindo, que já estão trabalhando, neste momento, eu poderia citar várias organizações Brasil afora.
Vou citar algumas que estão atuando e potencializando a agenda em várias regiões do País: Guia Negro, em São Paulo; Afrotours, na Bahia; Rota da Liberdade, em São Paulo; Afroturismo Hub, em São Paulo; Sampa Negra; Ernesto Turismo Rio, no Rio; Conectando Territórios, no Rio; Afrotours, em Cuiabá, Mato Grosso; Rio Encantos, no Rio de Janeiro; a USP, que vem produzindo algumas ações em afroturismo; Afrotrip, no Rio de Janeiro; Etnias, no Rio de Janeiro; a Secretaria Municipal de São Luís também vem produzindo um trabalho extraordinário de fomento a esse mercado; Brafrika, em São Paulo; Florencios Tour, no Rio; o núcleo de turismo comunitário Rota da Liberdade; Aláfia, em Pernambuco. Enfim, eu poderia ficar horas falando de profissionais e agências que não tiveram nenhum preparo, nenhum estímulo, mas estão incentivando a economia em suas regiões. Eu poderia falar de regiões como, por exemplo, a região de Juiz de Fora, que tem um roteiro que está crescendo cada vez mais, para contar a história negra da cidade e está atraindo pessoas de todo o Estado de Minas para aquela região.
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O grande potencial de desenvolvimento da agenda do turismo neste País está relacionado às heranças africanas, que são os nossos diferenciais competitivos, que são os nossos grandes diferenciais de identidade, de cultura, com grande probabilidade de atrair visitantes para experiências que só nós podemos produzir.
O SR. PRESIDENTE (Bacelar. Bloco/PV - BA) - Agradecemos a colaboração inicial ao Sr. Carlos Humberto Silva.
O SR. ORLANDO SILVA (Bloco/PCdoB - SP) - Como o povo de lá diz, não é para me gabar, não, mas eu sou baiano.
(Risos.)
O SR. PRESIDENTE (Bacelar. Bloco/PV - BA) - O Presidente da Comissão está aí ao lado de V.Exas., puxando as atenções para a Paraíba, por causa das festas juninas, Deputado Orlando.
O SR. ANTONIO PITA - Boa tarde. Agradeço à Comissão e ao Deputado Bacelar o convite. Quero saudar todo mundo que está na Mesa e os colegas.
Ao falarmos de afroturismo, como o Carlos bem disse, estamos falando de desenvolvimento econômico. Eu quero trazer um pouco das nossas referências, daquilo com que vimos trabalhando na Diaspora.Black aqui no Brasil. O Carlos apresentou um pouco esse panorama do mundo, especialmente na comparação com o Caribe, o tamanho do mercado que estamos perdendo. Mas aqui no Brasil esse mercado está crescendo a cada ano. Com a Diaspora.Black conseguimos mensurar a dimensão desse crescimento, a partir do tráfego, a partir dos acessos e dos países dos que estão navegando pela plataforma, a partir do volume de pessoas cadastradas que estão anunciando, comprando ou reservando as atividades que nós mobilizamos e reunimos dentro da plataforma.
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(Segue-se exibição de imagens.)
A Diaspora.Black trabalha com a missão de promover o conhecimento sobre lugares, pessoas e histórias da cultura negra. Então, vamos mapeando diversas organizações em todo o País que realizam esse trabalho de afroturismo. São griôs que estão transmitindo um pouco da memória da cultura negra para todos os visitantes, para todas as pessoas que queiram se aproximar dela e conhecê-la. Há um caráter pedagógico nesse tipo de turismo, para conhecermos um pouco mais esse legado que está em cada pedaço do País.
Nós estamos hoje em mais de 145 cidades, em 18 países, conforme o Carlos mencionou. São 47 mil pessoas que, a cada mês, estão se engajando e acessando as nossas plataformas, que têm a missão de promover esse conhecimento e de fomentar esses atrativos e a inclusão das manifestações culturais negras na agenda do turismo no País.
Aqui temos os números. Depois da pandemia, tivemos um crescimento de 30 vezes na demanda de público consumindo essas atividades e reservando as experiências em todo o País. Então, saímos de um momento de muita incerteza durante a pandemia, que afetou muitos dos empreendedores que trabalham nesse segmento, mas, depois desse período, a demanda explodiu, porque as pessoas querem justamente as experiências autênticas.
A projeção que fazemos na plataforma é de que, somente neste ano, 1,8 milhão de reais sejam transacionados entre essas iniciativas. São mais de 400 parceiros ativos dentro da plataforma, anunciando, vendendo atividades, roteiros culturais, experiências, visitações guiadas. Para todo tipo de serviços turísticos que são oferecidos no mercado temos uma oferta também dentro do segmento do afroturismo, e esses parceiros estão registrando um crescimento de 400% nas suas receitas ao longo desses anos. Então, são números expressivos, que demonstram o volume de mercado que podemos alcançar, com mais promoção, com mais investimento, com mais treinamento para todo o segmento.
A Diaspora.Black atua nas duas pontas, olhando para os empreendedores — vou falar um pouco do perfil desses empreendedores —, mas também fazendo a interlocução com o mercado e com diversos agentes que estão interessados nesse segmento, pessoas que estão se aproximando do segmento e buscando realizar iniciativas e ações a partir desse olhar de formação que o afroturismo representa.
Dentro dos atrativos, aqui vemos os empreendedores que ofertam esses segmentos. Nós realizamos um laboratório criativo de roteiros justamente para trazer esse estímulo que tanto faltou em todo esse tempo para esses empreendedores. Eles oferecem formações técnicas, mentorias, conhecimento e até aporte de recursos para desenvolverem os seus negócios.
Nós mapeamos que pelo menos 85% das iniciativas são lideradas por mulheres. São mulheres negras que estão ali idealizando, conduzindo, contando as histórias em cada território. É muito importante que essa economia circule entre essas empreendedoras. Este é o ponto central: que essa geração de renda fomente toda uma comunidade no entorno dessas mulheres e que permita ali um desenvolvimento social realmente expressivo.
Entre essas iniciativas, 35% são de microempreendedoras individuais, 30% surgiram há 1 ano, e 50%, há até pelo menos 3 anos. É, portanto, um mercado novo, que está crescendo e que ainda tem um potencial imenso, mas que tem uma geração de renda ainda limitada, justamente porque falta visibilidade, falta acesso às políticas de promoção desses roteiros dentro dos catálogos, dentro das operadoras turísticas, dentro das empresas que podem levar
todo esse atrativo potencial para os clientes, para o exterior, enfim, para cada pessoa que está interessada em conhecer e vivenciar experiências realmente autênticas. É isso que nós sempre frisamos.
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Além do fomento, aqui trago alguns exemplos de iniciativas que foram beneficiadas por esse programa ao longo do ano passado. Vou passar mais rápido, porque o nosso tempo é curto, e há muitas iniciativas. Conforme o Carlos disse, nós poderíamos passar horas falando sobre isso.
Há iniciativas, por exemplo, em Campinas. Nós vemos que não são só as grandes cidades, as capitais, que estão investindo nesse segmento, mas também cidades médias, que têm muita história para contar, histórias de patrimônios que foram invisibilizados, além de personalidades, pessoas, manifestações e festas tradicionais populares que foram invisibilizadas dentro dos roteiros turísticos, mas que estão ganhando proporção. Campinas é um grande sucesso dentro da plataforma. Foi a última cidade a abolir a escravidão, mas tem muitas histórias para contar.
E também há as comunidades quilombolas, que são um ativo importante. É uma forma de geração de renda para essas comunidades o trabalho do afroturismo, porque pode gerar sustentabilidade dentro da comunidade.
Quando olhamos para as parcerias institucionais, para a relação com o mercado, vemos um caso muito interessante que está sendo desenvolvido em Salvador desde 2018, mais ou menos, ou um pouco antes, em parceria com o BID, que é um grande parceiro da agenda de afroturismo no Brasil, está fomentando várias ações em vários Estados e está realizando em Salvador o movimento chamado Salvador Capital Afro. Ao longo dos últimos 5 anos, esse movimento tem desenvolvido diversas ações para potencializar os empreendedores e para construir um posicionamento da cidade a partir desse segmento do afroturismo.
Salvador é a capital mais negra do País, é uma referência mundial da cultura afro-brasileira e está atraindo grandes investimentos, não só para a promoção do turismo, mas também para a qualificação dos agentes turísticos, porque, se estamos atraindo toda essa demanda, sobretudo dos Estados Unidos, precisamos estar preparados para responder a ela, para atender esse público. Esse preparo é um ponto central neste momento, porque a demanda está crescendo. Se nós não tivermos preparo, essa demanda vai procurar o Caribe, vai procurar a Colômbia, vai procurar outros destinos que têm atrativos e que têm investimentos para atender esse público.
Esse treinamento envolve desde os profissionais do segmento até agentes de turismo, pessoal de hotelaria, de aeroportos, de restaurantes, enfim, de todo o segmento de receptivo turístico e de atendimento, que precisa entender quais são as nuanças do racismo, de que forma ele se manifesta e como ele pode impactar a experiência do turista em cada destino. Isso pode causar um estrago muito grande na reputação do País. Como ressaltou aqui o Presidente Freixo, é importante estarmos conectados à agenda do século XXI e oferecer cidades antirracistas e um atendimento antirracista para todos os visitantes, um atendimento igualitário para todas as pessoas que estão usufruindo dos serviços turísticos.
Nós oferecemos esses treinamentos e certificações olhando tanto para aspectos raciais quanto para outros marcadores de gênero. Esse é um convite para que possamos levar essas formações para cada vez mais profissionais, para cada vez mais destinos, a fim de que as pessoas estejam aptas a reconhecer situações discriminatórias não só para o público negro, mas também para o público LGBTQIAP+, para as mulheres, para as pessoas com necessidades especiais.
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Nesse segmento de serviço, é preciso reconhecer a importância de ser bem acolhido, porque isso marca a experiência dos visitantes. Como o Presidente Freixo disse, isso pode levar o nome do Brasil a outro patamar, para atrair mais turistas e celebrar a nossa riqueza. O nosso diferencial está muito ligado — quase 80% — à cultura afro-brasileira.
O SR. PRESIDENTE (Bacelar. Bloco/PV - BA) - Expressamos nossos agradecimentos ao Sr. Antonio Pita pela colaboração inicial.
Eu estou muito feliz por estar aqui representando o Ministério da Igualdade Racial, ao lado desses gigantes. Eu sou da Diretoria de Articulação Interfederativa da Secretaria Nacional de Promoção da Igualdade Racial, do Ministério da Igualdade Racial. Vemos a importância deste momento em que falamos sobre o afroturismo. Estamos num momento de consciência no País, de busca pela igualdade racial. Essa é uma diretriz do Governo atual.
No Ministério da Igualdade Racial, entendemos a importância dessas políticas, porque, pensando transversalmente, é fundamental fazer parcerias. O nosso tema, a nossa pauta é extremamente transversal, porque, afinal de contas, o racismo é estrutural no País, está em todas as esferas, em todos os Poderes. Então, é muito importante dialogarmos com todos para tentarmos de alguma forma promover a igualdade racial e estar presente nessa promoção da igualdade racial, que é o mais importante.
Falando sobre o afroturismo, é importante entender que ele é feito por nós, pessoas pretas. Ter nossa história recontada por nós, ressaltando a beleza, a realeza e a potência do povo negro, é o melhor caminho para preservar a nossa própria história.
Como já foi dito muito aqui, temos uma vida e um protagonismo invisibilizado na produção cultural do nosso País. O povo negro está desde sempre lutando e fazendo parte da construção do Brasil. É importante ressaltar o protagonismo da população negra em várias trajetórias do País. Passamos muito tempo com essa invisibilidade, principalmente com essa desumanização da população negra. Então, eu acho que este é um momento de mudança.
O Ministério da Igualdade Racial tem a diretriz de estar em todos os lugares. Nós ocupamos muitos lugares, e muitos nos perguntam: "O que esta pauta tem a ver com vocês?" Ela tem tudo a ver conosco. Logo que eu cheguei aqui, uma pessoa me perguntou qual era a necessidade de um Ministério da Igualdade Racial. Eu disse para ele olhar em volta para ver quem estava aqui dentro. Nós somos a maioria da população do Brasil.
As mulheres negras integram o maior grupo demográfico do País, mas quase não nos vemos representadas, principalmente nos espaços de poder. Então, é urgente a promoção da igualdade racial.
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É muito importante estarmos neste momento falando sobre afroturismo. O turismo também pode ter essa pegada. Somos culturalmente muito ricos, com as comunidades quilombolas, os povos de terreiro, os povos de matriz africana, as comunidades ciganas. Então, é muito importante ressaltar esse protagonismo.
O Ministério da Igualdade Racial está desenvolvendo programas e políticas em relação à pauta do turismo. Temos conversado muito com o Ministério do Turismo e com a EMBRATUR. Eu acho muito importante estarmos presentes nessas conversas, no debate dessas pautas, fazendo esses programas, essas ações.
Por exemplo, agora o Ministério da Igualdade Racial está desenvolvendo o Programa Rotas Negras, que objetiva a construção e o fortalecimento de circuitos afrocentrados, de rotas afrocentradas, principalmente nos Municípios que estão no SINAPIR, que é o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial.
Dos quase 6 mil Municípios brasileiros, somente 188 estão no SINAPIR, mas estamos expandindo esse número de Municípios, a partir de um trabalho árduo. O Programa Rotas Negras pode ser um chamariz para que os Municípios queiram aderir ao Sistema de Promoção de Igualdade Racial, fomentando a cultura no próprio Município, fazendo com que as memórias e as culturas sejam respeitadas. Podemos explorar turisticamente muitas coisas, mas é preciso entender até aonde se pode chegar. Então, quando o turismo é feito por nós e para nós, é muito mais fácil entender os limites e o respeito que se pode alcançar. O afroturismo é muito importante. O Rotas Negras está aí e vai chegar para explorar mais este importante momento nacional de promoção da igualdade racial.
O SR. PRESIDENTE (Bacelar. Bloco/PV - BA) - Agradeço à Melina Lima a colaboração inicial. A sua presença e a presença do Ministério da Igualdade Racial são fundamentais e importantíssimas. O turismo não cria; o turismo divulga, promove, organiza, mas não cria. A criação está lá também.
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Boa tarde a todos, todas e todes. Eu estou muito feliz de estar aqui. É a primeira vez que eu ocupo este espaço. Eu agradeço o convite ao Deputado Bacelar. Acho que preciso agradecer principalmente ao Marcelo Freixo por ter acreditado em mim e me convidado para fazer parte disso, que eu acho muito importante.
Os meninos da Diaspora.Black, o Antonio e o Carlos, são pessoas de quem eu já me aproximei há alguns anos, porque falamos de afroturismo não é de hoje. Os nossos passos vêm de longe, muito longe.
Antes de qualquer coisa, eu preciso agradecer a quem me trouxe aqui, aos meus ancestrais. Foi preciso que se passassem 400 anos para eu estar sentada neste espaço hoje falando para vocês. Isso é muito importante para mim e para toda a minha família.
Quando falamos de EMBRATUR, é preciso falar de uma EMBRATUR renovada, de uma EMBRATUR que tem uma equipe qualificada, de uma EMBRATUR que foi atrás dos melhores técnicos do Brasil, para cada um cuidar das suas gerências, que têm a responsabilidade de buscar mais pessoas especializadas e técnicas para montar um grupo selecionado.
Para que essa seleção funcione, precisamos contar com todos vocês. Precisamos do Ministério do Turismo, do Ministério da Igualdade Racial, de toda a população, para que todos acreditem que o Brasil que queremos já existe. Agora, ele só precisa ser mostrado, formatado.
Temos certeza de que todos esses resultados, todos esses números de que a Diaspora.Black acaba de falar em relação a sabermos que somos um país continental que está perdendo turistas para o Caribe e outros países menores... Aliás, o Caribe nem é um país, são várias ilhas pequenas. Precisamos entender exatamente esse olhar. E esse olhar é um olhar nosso, como a Melina acabou de dizer, é algo que precisamos reconhecer.
Embora 56% da população seja elegivelmente preta, não nos encontramos em determinados lugares. E o mesmo acontece no turismo. A criação da coordenação dentro desse espaço e a contratação de uma mulher negra para um cargo de gestão são fatores históricos, porque não havia essa coordenação dentro da EMBRATUR. Então, são vários fatores históricos, inovadores e disruptivos dentro do País. Isso vai criar um novo olhar do mercado internacional para o Brasil, ao observarem que uma agência de turismo que vende o Brasil no mundo está preocupada com esse aspecto da realidade nacional.
Os meninos do Diaspora.Black trouxeram muitos números, e eu achei muito importante e legal eles terem falado sobre números para nos sensibilizar sobre a questão econômica e sobre o potencial de desenvolvimento do País. Eu trouxe um pouco mais de sensibilidade ao afroturismo, porque as pessoas ficam meio sem entender o que ele significa. E vou me valer de uma apresentação preparada para este momento.
(Segue-se exibição de imagens.)
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Quando surgiu o afroturismo? Ele surgiu quando se buscou destacar as riquezas do povo negro nos espaços que todos já conhecem. Todos nós já conhecemos e todos nós já fazemos afroturismo há muito tempo. Quando vamos à Bahia, consumimos acarajé, consumimos blocos afro no carnaval, passeamos por determinados lugares. Portanto, já fazíamos afroturismo e não sabíamos. A única questão é que esse afroturismo que fazíamos não tinha a nossa gente como protagonista. Éramos só uma ferramenta de divertimento, vamos dizer assim, para trazer alegria.
Quando se pensa em lugares, em gastronomia e tudo o mais, isso tudo nos traz ancestralidade, amabilidade no desejo, independentemente de sermos brancos ou pretos. Muita gente conhece cantigas de ninar que a mãe branca canta, mas mal sabe que foi uma mulher preta que ensinou a cantiga para a mãe dela, que a levou adiante, e isso chegou aos ouvidinhos de todas as crianças hoje. Então, essa história já está contada, já está traçada, já está pronta. Precisamos apenas trazer o protagonismo desse povo para dentro do turismo. É nesse momento que surge o afroturismo, para que possamos tratar o assunto dessa forma.
Qual a importância do afroturismo no Brasil? Nada mais, nada menos que 56% da população brasileira é negra, e o afroturismo nos traz uma grande diversidade de oferta. Não é pouca coisa. Nós temos uma diversidade de ofertas. Podemos curtir neve em Gramado e, ao mesmo tempo, ir à vinícola de uma mulher preta para tomar vinho com samba. Nós já temos isso.
Temos outras diversidades em Alagoas, naquelas praias paradisíacas. Também existem na Bahia e em outros Estados do Nordeste praias paradisíacas, e ao mesmo tempo existe uma infinidade de quilombos, uma infinidade de territórios indígenas prontos, que permitem fazer o turismo de base comunitária. Temos muita coisa com muita qualidade para oferecer dentro do Brasil. Precisamos pensar e repensar a causa de termos perdido tanto mercado. A quantidade de coisas que temos para oferecer é muito grande.
A nossa Coordenação de Afroturismo, Diversidade e Povos Indígenas tem 30 dias, viu, gente? Vamos com calma! São 30 dias! Mas nesses 30 dias a conversa tem sido, primeiro, sobre requalificação.
O que é requalificação? Requalificação é tratar as questões de racismo dentro da empresa, de forma a treinar e a mostrar quem somos, na EMBRATUR, para depois reverberar isso em todo o resto do Brasil e, automaticamente, sentirmo-nos orgulhosos por sabermos que já não somos mais um País tão racista. Esse é o futuro que desejamos, não é, Melina? Então, temos feito algumas apresentações, qualificações e conexões, convidando pessoas para tratar desses assuntos dentro da empresa.
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Depois disso, temos as conexões de mercados emissores, de que estamos tratando. Como o Freixo disse, eu estou indo para a África do Sul, semana que vem, para tratar com as embaixadas e com os diplomatas dessa importância do afroturismo, que eles já entenderam que é algo muito potencial, e tratar também das questões de malhas aéreas e tudo o mais, porque temos algumas dificuldades na África em relação às malhas aéreas. Mas temos uma gerência especializada e técnica tratando disso, caso a caso, com cada companhia aérea, também para tratarmos dessa mobilidade, de trazer esses visitantes para o Brasil. E nos Estados Unidos, que é o nosso mercado potencial — e não é à toa; os meninos deram os números —: os americanos negros gastaram 109 bilhões de dólares em turismo. Então, já entendemos que existe uma população gigantesca viajando e que precisamos focar também neles e nesse grande interesse que eles têm por reconexões ancestrais. E o próximo, que é um grande divisor de águas dentro da EMBRATUR, para além da contratação da gerência e da coordenação de afroturismo, é o ESG. Estamos focando o social, obviamente, que é a primeira coisa que precisa ser organizada dentro desta Casa, além da governança, porque organizando o social, temos como resultados o sustentável e a governança. Isso tudo, dentro do ESG, vai nos mostrar uma nova conscientização de trabalho dentro do mercado brasileiro.
E em relação às experiências, os meninos já passaram por várias delas. Eu já participei também de algumas experiências e posso lhes dizer que precisamos acelerar, porque as experiências estão aí prontas, como ele disse, de pequenos e médios empresários trabalhando com isso, Deputado, de uma forma tão linda e tão difícil, ao mesmo tempo, por falta de investimento e de visibilidade, porque o racismo invisibiliza. E, assim mesmo, percebemos a grande procura internacional por esses produtos. Isso é algo que precisamos entender. Então, o Brasil precisa conhecer o Brasil, para que ele possa ter autoestima e saiba que todo o resto do mundo vai sentir a mesma coisa que nós sentimos.
Não podemos esquecer que, no Rio, temos o carnaval. É o nosso primeiro produto afroturístico que traz resultados magnânimos financeiros e é uma manifestação cultural afro. E agora, quanto mais eles utilizam religiões de matriz africana, parece que passaram a ganhar mais pontos e estão conseguindo resultados incríveis em relação a isso. Então, precisamos também focar isso.
O Cais do Valongo virou a princesa do negócio e é o que movimenta hoje todo o Rio de Janeiro. Temos conversado com o mercado de Angola, que já focou esse mercado e também o da Bahia. Já, já eu conto isso. Mas Angola está extremamente focada em fazer as pontes do Congo a Valongo, e isso vai acontecer em breve. Inclusive, faremos algumas visitas. Já estamos discutindo isso com a UNIRIO, também com a INFOTUR Angola, com a Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro, entre outras, para focarmos exatamente esse mercado internacional exportativo do Valongo.
E, junto ao Valongo, abre-se todo um leque de opções, hoje chamado "Pequena África" que também tem o Quilombo Pedra do Sal, que todo mundo conhece como o lugar do samba, mas ninguém havia entendido que, antes de tudo, é um quilombo urbano. Então, ele também traz esse resgate da ancestralidade e potencial de visitas. Tanto que o Carlos deu aí acho que mais de dez opções de agências de turismo no Rio de Janeiro, todas fazendo o mesmo produto juntas, ao mesmo tempo, com uma quantidade absurda de turistas. Isso é muito importante lembrar.
Experiências em São Paulo. São Paulo está tratando da ressignificação. Como São Paulo sempre foi pensado como uma área econômica, comercial, parecia que a história não existia mais e que já estava tudo produzido para uma modernidade, para uma contemporaneidade. Ele dá passos para trás ao ver o resultado do Rio, e aí começa a descobrir o Bairro da Liberdade como um bairro negro e que agora vai se chamar Liberdade África-Japão, daqui a pouco mais de 15 dias, e ele foca também personalidades. Quando falamos de personalidades, queremos dizer que o turismo é feito de pessoas, não mais somente de monumentos. "Quem fez esse monumento? Por que o fez e qual foi o benefício disso?" Daí, eles trazem o Tebas, um arquiteto que foi escravizado e que fez a Torre da Praça da Sé, entre outras obras, dentro de São Paulo. E, no interior de São Paulo, fala-se também do Quilombo Cafundó, que é um quilombo aonde uma quantidade absurda de gente tem ido. Inclusive, Angola foi visitá-lo e emocionou-se muito. Lá eles têm tratado e recebido bem os turistas. Gente, são mais de 200 turistas que eles recebem por semana! Então, já entendemos esse produto de São Paulo.
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Experiências em São Luís. São Luís quer virar capital afro-maranhense. Ela está de olho nisso, está focada, já tem gente olhando para ela, que está atrás de investimentos, porque ela vai entrar, primeiro, com a Maria Firmina dos Reis, que ano passado foi homenageada na FLIP — Festa Literária Internacional de Paraty. Ela é uma romancista negra, abolicionista, que escreveu Úrsula. Nós trazemos de volta o Tambor de Mina, porque se está querendo tratar a questão da religiosidade do candomblé, além dos museus, que estão voltando, e estão voltando com força total para trazer a nossa história de volta e resgatar tudo aquilo que foi esquecido.
Experiências em Alagoas. Já falei das praias paradisíacas de Alagoas, e tudo o mais. Olhem que combinação. Temos o parque União dos Palmares, que recebeu, de 2020 para cá, mais de 10 mil pessoas. E ele dá conta de recebê-las? Dá. Ele tem estrutura para isso? Já há empresas bem fortalecidas para isso. E, seguindo esse caminho, descemos ao quilombo remanescente de Muquém, para conhecer um arquivo vivo, que é a Mestre Irinéia.
A Bahia tem uma quantidade absurda de quilombos! É uma capital com 84% da população negra, que realiza mariscagem com mulheres num quilombo urbano. A Bahia tem a festa da Irmandade da Boa Morte, que traz o mundo inteiro para visitar o Recôncavo Baiano, mesmo sem infraestrutura de hospedagem, Deputado. Há ainda o Caminho dos Orixás, que são vários caminhos feitos lá por todo mundo.
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A Jessica Nabongo é da ONU. Ela é uma mulher negra que conheceu todos os países do mundo. A Jessica já esteve no Brasil por três vezes e diz que o que ela gosta no Brasil é das pessoas.
E o Brasil voltou, gente! O Brasil voltou, e o futuro é ancestral. Nossos ancestrais não estão no passado. Trazemos todos eles em cada detalhe de nosso corpo e espírito. A forma como vestimos, a língua que falamos, a comida que comemos só é possível a partir do trabalho daqueles que nos antecederam.
O SR. PRESIDENTE (Bacelar. Bloco/PV - BA) - Obrigado, Dra. Tania Neres, por sua interessantíssima abordagem.
Chamo a atenção também para o fato de que a cidade de Salvador é conhecida como a cidade das mulheres, e mulheres negras.
Tenho a satisfação agora de passar a palavra para a Dra. Anna de Oliveira Modesto Leal, Coordenadora-Geral Substituta de Produtos e Experiências Turísticas do Ministério do Turismo.
Esses títulos longos são autoexplicativos. Trata-se da falta centenária de políticas. Agora, na hora de um novo Governo, em que o Brasil volta, em que tudo isso só é possível por causa deste novo Governo, para criar esses novos órgãos e ainda em número de terreiros reduzidos, é preciso jogar muita coisa, é preciso ter mais trabalho.
Quero agradecer ao Deputado Bacelar por ter trazido esta pauta e podermos falar um pouquinho disto aqui.
Quero deixar o meu cumprimento aqui ao Deputado Romero Rodrigues, da Comissão, que tem feito um trabalho muito engrandecedor para o turismo.
Cumprimento meus colegas de Mesa, em especial estas duas mulheres espetaculares, guerreiras. Vamos juntas lutar pelo turismo do Brasil.
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(Segue-se exibição de imagens.)
Hoje, quando falamos de afroturismo, vemos que, basicamente, ele é a valorização e o fortalecimento da cultura negra, das tradições, da sua identidade, dos seus saberes e fazeres, da gastronomia. Então, nós estamos, de certa forma, trabalhando o afroturismo em projetos. E aí eu posso citar o projeto que estamos trabalhando neste ano, que é o Experiências do Brasil Original.
Como se trata de um projeto-piloto, nós trouxemos, inicialmente, um recorte de biomas e trabalharemos, agora neste primeiro momento, no ano de 2023, o Bioma da Amazônia e o Bioma do Cerrado. O projeto vai trabalhar comunidades tradicionais, mas, para esse projeto-piloto, vamos trabalhar especificamente com comunidades quilombolas e povos indígenas.
Nesse primeiro momento, no desenvolvimento desse projeto, para avaliar critérios e trazer metas e indicadores, contamos com a participação do Ministério da Igualdade Racial conosco. Já estamos planejando outras parcerias, e, com a fala aqui dos meninos, eu vislumbrei mais algumas parcerias dentro desse acordo de cooperação que pretendemos formalizar.
Esse projeto visa qualificar integrantes das comunidades quilombolas e indígenas, qualificar produtos, qualificar experiências. O nosso trabalho não é criar uma rota ou qualificar uma rota, desenvolver uma rota do zero. Então, um dos nossos critérios foi que as comunidades já tivessem um produto sendo comercializado, que as comunidades já tivessem o turismo de base comunitária sendo desenvolvido. E, no caso das comunidades quilombolas, elas têm que ter o certificado de comunidade quilombola pela Fundação Palmares.
Dentro desses critérios, também estabelecemos como critério o protagonismo das mulheres dentro das comunidades. E aí trazemos um indicador para conseguirmos alcançar um resultado bem legal nisso. Também vamos tentar trabalhar o protagonismo dos jovens, para que eles permaneçam nas comunidades e não saiam, para que eles vejam o turismo como um potencial de renda e de empregabilidade.
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Outro critério que usamos — porque, no momento, era importante para nós — era que as comunidades tivessem também uma rede, acesso à Internet ou alguma coisa assim, e que estivessem a uma distância razoável do aeroporto mais próximo.
Dentro desses critérios, como se trata de um projeto-piloto, escolhemos, então, duas comunidades quilombolas e duas comunidades indígenas, e vamos trazer alguns resultados esperados.
Esse projeto se inicia agora no início de julho. Quanto à metodologia, faremos, num primeiro momento, um diagnóstico, todo um levantamento da situação atual da comunidade. Em seguida, teremos oficinas de experiências e vivências, que seriam mais ou menos uma ação de benchmark. Depois de tudo levantado e mapeado, nós partiremos para a parte da qualificação, em que qualificamos, deixamos os produtos mais preparados para serem comercializados. Por fim, nós entramos com a parte de validação desses produtos e a gestão da comercialização.
O nome desse projeto é Experiências do Brasil Original, em que vamos trabalhar comunidades tradicionais. Num primeiro momento, há esses dois recortes, de comunidades quilombolas e comunidades indígenas, e, num segundo momento, em uma segunda edição, vamos trabalhar com outras comunidades tradicionais. Vamos qualificar as comunidades para experiências turísticas, como forma de valorizar a cultura, fortalecer o turismo de base comunitária, gerar fontes alternativas de trabalho e renda e contribuir para a conservação da biodiversidade.
Pretendemos, com esse projeto, expandir os debates sobre a valorização dos povos originários brasileiros, os povos e as comunidades.
Aqui está a nossa metodologia, que compreende essas cinco fases. E acima está a parte onde fizemos o recorte por biomas.
A partir do cumprimento das metas que foram estabelecidas e da efetivação dos indicadores definidos, nós estimamos estes benefícios para as comunidades: a diversificação da oferta turística brasileira; o aumento da renda nas comunidades quilombolas e indígenas; a aproximação das comunidades e roteiros com receptivos e agências turísticas;
o fortalecimento do mercado turístico interno; a geração de fluxo turístico; a promoção do turismo étnico brasileiro; a minimização dos impactos da sazonalidade; o impacto na geração de renda e empregabilidade nas comunidades e Municípios vizinhos; a manutenção de jovens nas comunidades quilombolas; a valorização das mulheres a partir das atividades turísticas e o seu protagonismo; e a atuação do turismo como alternativa para evitar o desmatamento e a mineração. Isso é o que esperamos alcançar com o projeto.
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Estas são as duas comunidades quilombolas escolhidas: no Bioma Amazônia, a Terra Quilombola África, que fica no Município de Moju, no Pará; e, no Bioma Cerrado, o Quilombo Povoado Moinho, que fica na Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso.
Além do projeto que vimos desenvolvendo, o Ministério, no Conselho Nacional de Turismo, está passando por uma remodelação, por uma revisão, que vai trazer o assento, a palavra para um diálogo, a construção de políticas de turismo que considerem demandas das pessoas negras, dos povos indígenas, das pessoas com deficiências, da comunidade LGBTQIA+ e dos agricultores familiares também. E um dos recortes do nosso projeto é que também trabalhemos a agricultura familiar.
Essas são as novas parcerias que estamos desenhando e escrevendo com o Ministério da Igualdade Racial. Mas eu acho que essa pauta do afroturismo merece um diálogo maior entre o Ministério do Turismo, a EMBRATUR, o MIR e outras entidades, como a Diaspora.Black, para que tenhamos um diálogo em comum e trabalhemos políticas públicas em parceria, em forma colaborativa.
(Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Bacelar. Bloco/PV - BA) - Muito obrigado, Anna Leal.
Os últimos exemplos que a Anna trouxe mostram que o afroturismo está presente no Brasil todo. Ela trouxe agora o Pará — ninguém tinha falado ainda no Norte — e trouxe o Centro-Oeste, com Goiás.
O Carlos tinha dito aqui, no início, que este era um momento histórico, e é um momento histórico. Quem não está acostumado ainda com a Câmara pode estranhar isto aqui. Aqui não é a academia, aqui não é um ambiente acadêmico, em que o professor chega e fala aos alunos, aqui não é nem uma repartição pública, onde a pessoa recebe o cidadão e atende. Aqui é uma Casa política: um entra, um sai, um fala, um vai a um lugar. Mas os 500 gabinetes estão recebendo a mensagem.
Se o Deputado está no gabinete, ele está assistindo. E isso cria um fato político, porque os Deputados passam, saem, falam. Às vezes, três ou quatro Comissões funcionam ao mesmo tempo. Isso me incomoda — um chega, fala e sai, e vem outro. Mas o importante é fixar a posição política em relação ao assunto. Isso vocês conseguiram — e conseguiram muito bem.
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Com a pandemia, a matriz do turismo mudou totalmente. Nós que gostamos do carnaval ficamos a imaginar quando é que vamos ver novamente aquelas multidões nas ruas. É muito difícil. Por outro lado, nenhum turista aguenta mais ficar num resort 3 ou 4 dias trancado. O amor acaba, ele não aguenta mais os filhos. As pessoas querem ter contato com a cultura local e com o nativo. O turismo de sol e sal eu gosto, mas existe no mundo todo — no Caribe, por exemplo. Nossas praias são bonitas, a temperatura de nossa água é boa, mas isso existe no mundo todo.
Não existe parque no mundo que consiga superar uma visita, na cidade de Salvador, a um templo religioso como o Ilê Axé Opô Afonjá, numa pequena aldeia africana, com museu, com culinária, com artesanato, com vestuário, com oficinas, com música, com dança e com religião. Nós precisamos incentivar isso.
A Diaspora.Black está de parabéns. Eu estou com a cabeça fervilhando, com muita vontade de chegar amanhã na Bahia para chamar o pessoal, chamar os Secretários e dizer: "Vamos sentar, vamos organizar". O turismo de base comunitária é importantíssimo. Leva renda para pequenas comunidades, faz circular a renda. Como empresários e como cidadãos, vocês estão de parabéns. E vocês, como técnicas e como representantes do Governo, estão de parabéns pela construção disso.
Eu só queria dar uma informação que não consegui passar. As press trips e os famtours, que são feitos pela EMBRATUR, também são pautados na diversidade e na inclusão. Então, todas as vezes que convidamos para o Brasil os jornalistas ou as operadoras, as DMCs — Destination Management Company, eles vão ter que ver, sentir e experienciar o afroturismo, o turismo diverso, as comunidades de povos indígenas. Estamos incluindo isso. Então, mesmo que se repita o destino, não se repete a experiência.
É uma nova experiência, que vai transformar essas pessoas. Vão levar o produto de uma forma muito diferente dessa vez. É muito importante deixar isso claro.
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O SR. PRESIDENTE (Bacelar. Bloco/PV - BA) - Obrigado, Tania.
A SRA. MELINA LIMA - Eu gostaria de reforçar e parabenizar tudo o que foi falado hoje. O debate foi muito importante e muito rico. Nós sempre aprendemos um pouco mais em discussões como esta. Quero reforçar a fala das minhas queridas colegas aqui do lado.
Gostaria, ainda, de agradecer novamente ao Deputado Bacelar, que colocou essa pauta em evidência — é algo muito necessário. Como representante do Ministério da Igualdade Racial, gosto de falar que nós precisamos de uma cultura antirracista. Nós precisamos ocupar todos os lugares possíveis e fazer com que o antirracismo seja a ordem.
O SR. PRESIDENTE (Bacelar. Bloco/PV - BA) - Obrigado, Melina.
A SRA. ANNA DE OLIVEIRA MODESTO LEAL - Agradeço a oportunidade desta fala, neste debate com essa pauta.
Gostaria de dizer que o afroturismo, assim como outros segmentos, traz hoje o que realmente o turista vem procurando, principalmente no pós-pandemia. São experiências memoráveis, transformativas, que é o trabalho que nós vimos fazendo com essas comunidades. Eu acho que o turista hoje tem um outro olhar para o seu momento de viagem, de descanso e de lazer.
O SR. PRESIDENTE (Bacelar. Bloco/PV - BA) - Obrigado, Anna.
O SR. CARLOS HUMBERTO DA SILVA FILHO - Eu quero agradecer novamente à Casa, que traz, pela primeira vez, o tema do afroturismo. Ficou evidente para quem passou por aqui o quanto se torna um potencial grande para o desenvolvimento econômico do País, a partir do turismo, promover essas experiências, promover esses atrativos e promover todo o desenvolvimento dessa comunidade preta que o País tem, que soma a segunda maior população do mundo.
Falei do Maranhão, de Pernambuco, de São Paulo, de Mato Grosso. Falei de ações que estão acontecendo e que estão alavancando economicamente os Estados. Obviamente, os números são pequenos, porque não houve investimento, oportunidades e acesso a ferramentas. Eu não trouxe esses nomes aqui como uma representação dessas organizações, mas para evidenciar o potencial que o mercado de turismo pode ter promovendo o desenvolvimento do afroturismo.
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Eu quero deixar uma mensagem: além desta Casa, muitas outras estão se mobilizando. Na semana que vem, teremos uma agenda com a Vereadora Monica Cunha, no Rio de Janeiro, que está puxando a possibilidade de uma data comemorativa para o afroturismo. Ou seja, estamos no diálogo. Nós somos iniciativa privada, mas, ao lado do setor público, podemos contribuir para o desenvolvimento dessa agenda.
O SR. PRESIDENTE (Bacelar. Bloco/PV - BA) - Obrigado, Carlos.
Eu acho que é importante destacar alguns pontos, sobretudo, como a Anna trouxe, sobre a importância de renovação e reformulação das instâncias. É superimportante que o Conselho Nacional de Turismo trabalhe também a partir da perspectiva do afroturismo.
O SR. PRESIDENTE (Bacelar. Bloco/PV - BA) - Obrigado, Antonio.
Mais uma vez, agradeço a colaboração de vocês. E não posso deixar de registrar, ao finalizar, a qualidade das exposições. Não houve folclore. Tenho todo o respeito ao folclore, no momento certo. Vimos autoconhecimento do segmento empresarial e a competência do setor público. Foram minutos que passaram que não senti.
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