3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 56 ª LEGISLATURA
Comissão de Seguridade Social e Família
(Audiência Pública Extraordinária (virtual))
Em 7 de Maio de 2021 (Sexta-Feira)
às 9 horas
Horário (Texto com redação final.)
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O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Declaro aberta a presente reunião com este intuito: eu tenho um lado. O meu lado é: há remédio, sim, para essa doença e também há vacina, mas temos que analisar a segurança, os efeitos colaterais tanto dos remédios quanto das vacinas. Falar de vacina que tem efeito colateral é proibido no Brasil. Por isso eu protocolei requerimento — aprovado nesta semana — de realização de audiência pública para tratar dos prós e dos contras da vacina, dos efeitos colaterais da vacina. Então, nós, que pensamos que temos dois sistemas no cérebro, o tico e o teco, que pensamos um pouquinho, temos que abrir o debate para que a sociedade brasileira e para que o mundo possa enxergar os verdadeiros caminhos e aquilo que for bom para nós.
Não é o médico que tem o poder de decidir qual é o remédio do cidadão, da pessoa. Quem tem que decidir qual remédio deve tomar é o paciente, depois é o médico. Por isso eu tenho sempre este viés: autocuidado. Para que o cidadão tenha autocuidado, ele tem que ter informação, e informação de todos os lados. Não é proibindo alguém que defende o tratamento precoce que vamos construir os remédios para essa doença. Ou já está decretado que não existe remédio e não vamos experimentar as possibilidades? Vamos dar dipirona, paracetamol, e vamos mandar as pessoas para casa?
Ouvi um médico amigo meu dizer: "Uma das coisas que eu aprendi na faculdade é que nós temos que acolher o paciente". Quando você não acolhe o paciente, lhe dá um remédio e diz que não há cura, você o está colocando no vale da morte. Agora, quando você o acolhe e diz que ele pode se curar... E a cura também vem da mente. Eu trabalho no mundo holístico, sou terapeuta também, e acredito muito que os melhores remédios são aqueles que estão na nossa espiritualidade e na nossa mente. Aliás, temos muitos médicos aliados dos temas da espiritualidade e da ciência, que têm que andar lado a lado. Infelizmente, muita gente deu com os burros n'água, porque achava que só a ciência resolvia os problemas da saúde, mas a ciência sozinha não resolve.
É ciência defender remédios para a COVID, ou tem que estar escrito na bula antes de aparecerem as doenças? Eu nunca vi. É a primeira vez na história que remédio tem que aparecer antes da doença. Exige-se que remédio tem que aparecer antes da doença.
Desde abril eu bato nessa tecla. É muito triste acompanharmos renomados profissionais dizerem que se deve fazer tratamento precoce para câncer, para Alzheimer, para Parkinson, pedindo o protocolo do Ministério da Saúde. Para essa doença não existe tratamento precoce e o Ministério da Saúde não pode fazer protocolo. É proibido fazer protocolo. Sabem por quê? Pelos interesses que correm por trás de tudo isso, infelizmente. Mas faz parte do jogo e eu me dou o direito de defender um lado. Eu tenho lado. O meu lado é o do cidadão que pode tomar um remédio bem barato, sem patente, e se curar dessa doença.
09:07
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Pois é, os médicos que estão no pé da cama vão poder falar hoje. Esses são os verdadeiros heróis dessa guerra. Os heróis dessa guerra são os médicos de pé de cama, porque muitos não são pé de cama e ficam falando, falando, falando e falando.
Eu escuto os médicos de pé de cama. Para mim, esses é que devem dizer o que é ou não ciência, ou a ciência não começa com a experiência? Quando remédios no Brasil é lei? Para falarmos em ciência, tem que ser lei. Passou por seis, por sete etapas, virou lei. Para a Terra ser redonda teve que virar lei. Em quantos anos aconteceu isso?
Uma vacina, para virar lei? Se a vacina fosse tão boa, por que os laboratórios não assinam embaixo quais são os efeitos colaterais, e o Governo tem que assumir, o SUS tem que assumir os efeitos colaterais? Ou eles não vendem, não ganham lucro, ou são bonzinhos e entregam as vacinas gratuitamente?
Desculpem-me. Eu tenho lado. Por isso estamos iniciando a nossa audiência pública cujo tema é A importância do tratamento precoce contra a COVID-19 — repito, e todas as doenças.
Eu já passei por um câncer. Aliás, para o câncer não há vacina, para a AIDS não há vacina, mas há remédios. Por que não há vacina contra a AIDS? Porque são mais interessantes os remédios do que a vacina. Por que não discutir remédios e vacinas? Este é o nosso intuito de hoje.
Informo aos Srs. Parlamentares que esta reunião está sendo transmitida ao vivo pela Internet, no site da Câmara e no Portal e-Democracia. Isto, se não cortarem, porque ontem, infelizmente, tiraram todas as publicações do Senador Luis Carlos Heinze, que é um aliado do tratamento precoce. Infelizmente, estamos em minoria nas redes sociais, e em maioria, na sociedade. Mas somos persistentes.
Então, estamos transmitindo pela Internet, pelo Portal e-Democracia, para ampliar a participação social por meio da interação digital. As pessoas vão poder participar desta nossa audiência pública. Informo, ainda, que as imagens, o áudio e o vídeo estarão disponíveis para serem baixados na página desta Comissão logo após o encerramento dos trabalhos.
As inscrições para o uso da palavra serão feitas por meio do menu Reações com emojis do aplicativo Zoom.
Esta reunião de audiência pública foi convocada nos termos do Requerimento nº 43, de autoria do Deputado Giovani Cherini, aprovado por esta Comissão, para debater A importância do tratamento Precoce contra a COVID-19.
Vou aqui anunciar os nomes dos que estavam inscritos antes de iniciarmos esta nossa audiência púbica: Dr. Paulo Porto, médico; Dra. Ilka Boin, professora da UNICAMP; Dra. Raissa Soares, médica e Secretária da Saúde de Porto Seguro; Dra. Roberta Lacerda, médica de pé de cama; Dra. Lucy Kerr, médica; Dr. Francisco Cardoso, médico; Dr. Eduardo Leite, médico cirurgião-geral; Sra. Natália Pasternak, microbiologista bem conhecida da mídia, com muito prazer defensora das vacinas — espero que a Dra. Natália Pasternak comece a defender também remédios; Dra. Lilia Nigro Maia, médica cardiologista e Diretora do Centro de Pesquisa da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto. Ainda há mais médicos. Peço que a assessoria me ajude e me passe os nomes. Em seguida, lerei os nomes também de quem vai participar.
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Comunico aos membros desta Comissão que o tempo destinado a cada convidado para fazer sua exposição será de 15 minutos, prorrogáveis a juízo desta Presidência, não podendo ser aparteados. Os Deputados inscritos para interpelar os convidados poderão fazê-lo estritamente sobre o assunto da exposição, pelo prazo de 3 minutos, após as apresentações, tendo o interpelado igual tempo para responder, facultadas a réplica e a tréplica, pelo mesmo prazo, não sendo permitido ao orador interpelar quaisquer dos presentes.
Dando início aos trabalhos, veremos quem está na sala aqui agora, para que possamos fazer a apresentação de cada um e já iniciar os trabalhos.
Peço que cada um fique estritamente no prazo de 15 minutos, para que possamos nesta audiência pública ouvir a todos que estão na sala a partir deste momento. Eu respeito todos que estão na sala. Peço a paciência de muitos que estarão na sala da reunião. Já estão na sala a Dra. Ilka Boin, a Dra. Carla Chaves e a Dra. Lilia Nigro.
Vamos iniciar pela ordem. Se não me engano, o Dr. Eduardo Leite chegou primeiro aqui na sala de reunião.
Eu vou passar a palavra para o Dr. Eduardo Leite, para que faça a sua apresentação imediatamente. Depois, seguindo a ordem, falará a Dra. Raissa. E assim faremos a nossa audiência pública.
O Dr. Eduardo Leite está com a palavra.
O SR. EDUARDO LEITE - Bom dia, Deputado Giovani Cherini e todos que estão nos ouvindo.
Inicialmente, deixo os nossos agradecimentos pela oportunidade de participar desta importantíssima reunião. Eu digo que é importante, porque quem entende de paciente e quem mais entende da resolução das doenças são os médicos. E é isto que a sociedade precisa ouvir: o debate com médicos. Os médicos que acreditam e que praticam o princípio básico... Eu não digo "acreditam". Digo melhor: os médicos que exercem a medicina seguindo as suas leis básicas e os médicos que, por algum motivo, divergem do seguimento dessa lei básica.
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A qual lei me refiro? À mais importante de todas as leis, do meu ponto de vista, como médico há 46 anos: ao primeiro sinal do sintoma de qualquer doença, procure um médico, e este deverá atendê-lo, acolhê-lo e lhe prescrever, o mais precocemente possível, o tratamento para a doença em questão.
Quando nós médicos nos deparamos com uma nova doença, recorremos aos cientistas para que nos ajudem no que diz respeito a encontrar uma solução para tal. Os cientistas, os farmacologistas, os bioquímicos podem nos ajudar bastante — os virologistas, quando o caso for de vírus, os bacteriologistas —, enfim, o arsenal da ciência no que diz respeito à elaboração, à produção de medicamentos.
O processo de cura — é bom que se diga — é multifatorial. Ele não depende única e exclusivamente dos medicamentos ou vacinas. Eles dependem muito do envolvimento do médico com seu paciente. É importante que se diga que um dos elementos mais importantes do processo de cura é o próprio paciente. É o paciente que, com a orientação médica, poderá disparar o seu próprio gatilho da autocura. É muito importante isso.
É por isso que não entendemos como que atualmente entidades médicas preconizam o que era preconizado 103 anos atrás, quando da gripe espanhola. O que se podia fazer àquela época era: "Lavem as mãos, usem máscaras e se mantenham distantes o máximo possível". Depois de 103 anos, importantes entidades médicas, como a Organização Mundial de Saúde, a Sociedade Brasileira de Infectologia e outras sociedades vão preconizar o mesmo? Não. Baseado em evidências científicas, em trabalhos importantes de renomados cientistas, como Didier Raoult, da França, Marselha, e outros tantos dos Estados unidos do nosso Brasil, conseguimos dispor de medicamentos de baixíssimo custo e de baixos efeitos colaterais, que estão mostrando, através desses trabalhos, através principalmente das observações clínicas de tantos e tantos médicos em todas as partes do mundo... Fala-se muito na Europa, na América do Norte e na América do Sul e se esquece da Ásia e se esquece da África.
A África tem 1,2 bilhão de habitantes. Os 10 maiores países da África, 757 milhões de habitantes, lamentam 54.557 óbitos pelo vírus SARS-COV-2 da COVID-19. A pergunta que se faz: por que a poderosa Europa, os 10 mais populosos países da Europa perfazem 643.188.076 habitantes, lamentam 667.902 óbitos pelo SARS-COV-2, o mesmo vírus que lamenta a morte de 54.557 africanos?
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Os Estados Unidos, com seus 340 milhões de habitantes, lamentam 524.652 óbitos pelo SARS-COV-2. O Brasil, o nosso querido Brasil, com 312 milhões de habitantes, lamenta mais de 400 e poucos mil óbitos por COVID-19.
A pergunta que se faz: por que essa diferença extremamente significativa de óbitos entre a África, Brasil, Europa, os 10 mais populosos e os Estados Unidos? É uma diferença só: tratamento imediato a base de drogas muito conhecidas, de baixo custo e de baixíssimos efeitos colaterais.
O ato de atender o paciente, o processo de cura, como disse, ele é multifatorial. Dizer para um paciente, hoje, em pleno século XXI, com tantos avanços da medicina: "Vai pra casa, se piorar, vai pro hospital". Onde está o médico? Não existe mais médico? Só existe ir para casa, no início de uma doença, contrariando um princípio básico da medicina para um paciente aterrorizado, demonizado por uma imprensa, lamentavelmente, inconsequente e irresponsável, que potencializa esse vírus, que é de baixa letalidade?
Os fatores que levam à depressão, ao temor, eles diminuem o sistema imunológico do indivíduo. Ele predispõe, ele potencializa a agressividade desses grupos. Acolher, amar, respeitar, disponibilizar-se 24 horas por dia — hoje é muito fácil disponibilizar-se 24 horas por dia —, monitorizar os pacientes. Muitos se queixam de que os pacientes fazem tratamento precoce e lotam os leitos de UTI.
Há uma inverdade nisso. Há tratamentos e há tratamentos. Há orientações e orientações. A divergência na medicina é uma lei. É difícil reverter isso. Então, que deixem os médicos prescreverem o que eles acreditam. Eles têm responsabilidade sobre o que prescrevem e também deixem os médicos que não querem prescrever, e eles irão responder por isso. Assim como respondo pelos meus pacientes que eu prescrevo, os meus colegas que não prescrevem também responderão por isso.
Cabe aos médicos decidirem o que fazer, não a um Prefeito, a um Governador, a um Senador, ou a um Presidente da República, ou a um Primeiro-Ministro. Cabe ao paciente aceitar ou não. Cabe ao bom senso eliminar essa outra pandemia, que é muito pior do que a pandemia COVID-19. É a pandemia da estupidez, é o uso indevido das mortes para ganhos políticos ou financeiros. Termino dizendo: deixem os médicos prescreverem, ou não prescreverem, o que eles acharem por bem. Acreditem que doença, paciente é caso médico, não é caso político e não é caso para a exploração do mercado de capital.
09:23
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Mais uma vez, agradeço ao honroso convite, ao qual eu fui submetido.
Fiquem com Deus e com médicos que atendam pacientes no início das suas doenças! Saúde sempre!
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Dr. Eduardo Leite, muito obrigado.
Convido o senhor para ficar conosco nas apresentações. É muito importante depois o ponto e o contraponto. Se as falas foram rápidas, como o senhor está o fez, depois teremos como fazer um bom debate, com qualidade, que é o nosso propósito hoje. Por isso digo: diálogo é conversa que vai, conversa que vem. Quem sabe, construamos um terceiro pensamento.
Hoje, infelizmente, o Brasil é muito Fla-Flu. Eu sou gremista, aqui no Rio Grande do Sul, muita gente é colorado. Agora, como gremista, o meu time pode errar, pode fazer mil besteiras, mas eu vou continuar sendo gremista. Então, infelizmente, hoje, na COVID acontece isso. Há uma disputa de time de futebol, e não de vidas humanas que precisam ser salvas. Há gente que se vangloria cada vez que morrem 2 mil, 3 mil pessoas.
O ser humano está sendo desafiado, Dr. Eduardo Leite, a buscar todas... Estamos em uma guerra. E o que fazemos em uma guerra? Mandamos o soldado para baixo da cama ou mandamos o soldado enfrentar a guerra? Nós precisamos enfrentar essa guerra.
Ouviremos agora a Sra. Natalia Pasternak, microbiologista — todo mundo a conhece. Ela bem conhecida na mídia.
Com a palavra a Sra. Natalia Pasternak. (Pausa.)
Como a Sra. Natalia ainda não chegou, vamos ouvir uma pessoa que tem uma ideia diferente do Dr. Eduardo.
Com a palavra a Dra. Lilia Nigro Maia, médica cardiologista e Diretora do Centro de Pesquisa da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, por 15 minutos.
09:27
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A SRA. LILIA NIGRO MAIA - Por gentileza, eu gostaria de compartilhar a minha tela, porque vou fazer uma apresentação com eslaide. Peço que o meu tempo comece a contar quando começar a fazer o compartilhamento de tela.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Pois não. Enquanto a senhora se prepara para fazer o compartilhamento de tela, quero dizer que estamos hoje fazendo a nossa tão sonhada e tão esperada audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família sobre a importância do tratamento precoce contra a COVID-19.
Dra. Lilia Nigro Maia, por favor.
A SRA. LILIA NIGRO MAIA - Bom dia a todos. Eu vou dar início à minha apresentação.
(Segue-se exibição de imagens.)
Inicialmente, gostaria de agradecer por poder participar desta reunião tão importante, em que uma troca de ideias é sempre muito bem-vinda e muito saudável.
Acho que os pontos de vista diferentes fazem parte da nossa cultura e devem ser assim feitos sem grandes emoções, quando se trata de um assunto técnico.
Primeiramente, nesses 15 minutos, vou fazer uma apresentação explicando quais os critérios baseados na medicina e baseados em evidências que utilizamos em todas as patologias para a tomada da decisão médica.
Esses critérios são exatamente os mesmos, desde o final da década de 80. Eu vou utilizar aqui como exemplo a COVID-19, mas eu poderia estar falando do infarto, poderia estar falando da insuficiência cardíaca, e assim por diante.
O nosso processo de decisão terapêutica evoluiu desde o empirismo, até chegar, no final da década de 80, a um processo em que fazemos uma junção entre a experiência clínica do médico e o embasamento em estudos científicos de boa qualidade, que visem avaliar a redução de morbimortalidade.
E isso vem de um longo aprendizado em que vimos que, quando fazemos estudos menores, que não são capazes de visualizar os eventos clínicos dos pacientes, muitas vezes, estamos totalmente enganados, somos dirigidos para o lado errado, fazendo medicamentos que possam fazer mal ao doente. Esse processo já tem mais de 40 anos e vem se aperfeiçoando cada vez mais.
E existe uma hierarquia, quando se fala de estudos de terapêutica. Qual é essa hierarquia? Ela nos mostra que todos os estudos são válidos, mas, à medida que você progride nessa hierarquia, você vai para estudos que têm menos vieses. Portanto, menos capacidade de errar. E esse estudo aqui de coorte, randomizado, duplo-cego, placebo-controlado, é, sem dúvida nenhuma, o tipo de desenho de estudo capaz de nos trazer o mais próximo da verdade.
Mas a pandemia da COVID-19 tirou o nosso chão. É como se fizéssemos uma viagem no tempo e todo o nosso conhecimento acumulado não valesse para nada, porque não tínhamos experiência clínica, que é superimportante, não tínhamos evidências científicas, não tínhamos nada. E passamos a depender, então, de relatos de médicos da China, de Wuhan, que estavam lidando com esses pacientes na linha de frente, e passamos a usar uma série de medicamentos para tentar fazer o uso compassivo, para tentar fazer alguma coisa pelo paciente.
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Esse processo vem evoluindo ao longo tempo. Estamos numa longa curva de aprendizado e chegamos a um ponto em que temos agora algumas respostas. E temos muito, muito ainda a aprender sobre essa doença.
Um dos principais problemas que dificulta muito a avaliação de terapêutica de medicamentos corretos a serem usados contra a COVID-19 é a evolução natural da doença. Se não houver o cenário normal, onde não há colapso de saúde, 15 dias depois da doença, 80% dos pacientes estarão muito bem, obrigado, independentemente do que você fizer com esse doente. Você pode não fazer nada, e ele ficar bem, em 80% dos casos; e, em 20%, não. Não sabemos exatamente por que isso acontece. Em 20% dos casos, eles serão hospitalizados e menos de 5% desses pacientes vão morrer.
Então, é muito difícil para o médico, no seu dia a dia, sem ter um grupo controle, para que ele possa comparar o que ele está fazendo, afirmar que aquele medicamento que ele deu foi benéfico para o paciente. Por quê? Porque como ele pode afirmar que o paciente iria evoluir mal, se não tivesse dado aquele remédio.
Esse é o primeiro problema que tem transformado o debate. E o problema também é o seguinte, a medida que a doença começou, surgiram ene estudos, uma enxurrada de estudos, uma coisa nunca vista antes na história da medicina, com uma velocidade muito grande. Hoje passamos de 400 mil estudos publicados e estudos em preprint. Esses estudos são dos mais diferentes tipos, desde estudos experimentais, estudos iniciais, até estudos de coorte, estudos randomizados.
Nesse processo, 90% das publicações são de baixa qualidade ou sem aplicação clínica imediata. Então, nesse cenário, é muito útil utilizar a ferramenta da medicina baseada em evidência, que tem critérios objetivos para julgar o quanto que um estudo pode ser decisivo na nossa tomada de decisão.
Esses princípios são três: a validade, se podemos confiar na informação; a aplicabilidade e a importância.
Esses três parâmetros, eu precisaria de 3 meses mais ou menos para explicá-los. Eu tenho um curso de pós-graduação em que eu falo, mas estou tentando falar o mais rápido que eu consigo.
Em relação à COVID-19, vamos colocar esse cenário, primeiro falando dos estudos in vitro. Esses estudos são extremamente válidos. Por quê? Porque pegaram vários remédios que já existiam, remédios baratos, antiparasitários, antimaláricos, e assim por diante, e tentaram utilizar para ver se eles conseguiam matar o vírus. E o que aconteceu? Nesse cenário, eles conseguiram matar o vírus, a cloroquina, a hidrocloroquina e a ivermectina. Mas esses mesmos agentes também in vitro, nas células do tipo Vero, obtidas de rins de macaco, lá no laboratório, eles também matam o vírus da raiva, da poliomielite, das hepatites, da Influenza, do Chikungunya, da dengue, da zika, do Ebola, do HIV, mas não utilizamos esses remédios nesse cenário. Não usamos nenhum deles. Por que não? Porque esses remédios só atuam no laboratório. Eles não atuam no corpo humano, o que é um longo caminho a percorrer. Aliás, tem lógica fazer isso. Por quê? Porque, no desenvolvimento de um medicamento, a Big Pharma, a indústria farmacêutica leva de 10 a 15 anos de trabalho e gasta cerca de 800 milhões de dólares. Se fosse possível avaliarmos a eficácia de um medicamento apenas com estudos em animais e em estudos no laboratório, nossa, meu Deus, para que eles gastariam todo esse dinheiro? Não é verdade? Na pandemia da COVID-19, temos aqui o corte de 1 mês. Podem ver que, na base da pirâmide, as publicações são opinião de experts, estudos em animais ou in vitro. Esses estudos não trazem realmente informações relevantes e informações confiáveis. Eles são, sim, muito válidos, mas eles são o começo de uma longa etapa. Então, por aí já fica fácil percebermos como iremos direcionar nosso raciocínio.
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E os preprints? O que são preprints? Simplesmente são publicações feitas em alguns sites, principalmente nos medRxiv e SSRN. Esses dois sites e muitos outros publicam os estudos científicos sem passar por uma revisão, sem nada. Com isso, eu posso criar à noite no meu computador um estudo que não aconteceu. Eu invento esse estudo, coloco ali e ninguém vai me questionar, porque esse estudo não passou por revisão pelos pares. Quando se vai para um estudo publicado numa revista indexada, ele tem revisores que vão pedir os dados brutos, vão pegar as planilhas, podem ir ao seu centro avaliar se é verdade, se não é uma fraude, etc.
Então, o preprint é um início de um debate com a comunidade científica, mas ele não pode ser tomado como verdade. Eu tenho visto neste debate que virou um Fla-Flu, como bem disse o Deputado Giovani Cherini, muita gente citando exemplos de estudo em preprint, como se fosse evidência científica, mas não é. Ele simplesmente é uma troca de ideias, mais nada. A partir disso, só podemos avaliar realmente estudos que sejam submetidos a peer review, que é essa revisão, e daí, sim, aplicamos esses três critérios.
O que é importante nesses três critérios? Que haja um grupo controle, que o estudo seja randomizado, que os pacientes recebam tratamento similar, porque, por exemplo, no estudo citado pelo Dr. Eduardo Leite, aquele estudo de Marselha, o que aconteceu? Ele pegou um grupo e o outro grupo controle estava em outro hospital. Então, quem garante que o grupo que tomou a cloroquina foi melhor, porque foi a cloroquina que fez a diferença? Pode ter sido porque ele recebeu outro tipo de tratamento. Todos os pacientes têm que ser contados no resultado final. Por exemplo, dos 20 pacientes que entraram no estudo do grupo cloroquina, do Dr. Didier, na França, de Marselha, ele tirou seis doentes: três que tinham morrido e os dois que tinham ido para a UTI. Ele não contou esses doentes. Depois, ele mesmo admitiu que isso pode ter enviesado os resultados. E os dados têm que ser confirmados em outros estudos.
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Aqui estão os estudos randomizados feitos em tratamento precoce com hidroxicloroquina. Nós temos três. Os três seguem todos esses critérios de confiabilidade de que eu falei para os senhores, mas nenhum dos três mostrou benefício com o uso da cloroquina — nenhum.
A mesma coisa acontece com a ivermectina, embora, com a ivermectina, tenhamos menos estudos ainda. Temos, na verdade, graças a Deus, vários estudos em andamento. Então, eu tenho muita esperança de que vários desses estudos possam vir a dar um bom resultado, mas, por enquanto, esse resultado não existe.
Na verdade, temos estudos finalizados, a maioria de muito baixa qualidade. E os estudos randomizados que existem são pequenos, do tipo 16 doentes, 24 pacientes. E vários estudos estão em andamento. Vamos aguardar, porque, talvez, eles possam nos dar uma esperança.
Eu finalizo mostrando o requerimento de convocação desta reunião, que busca reavaliar o protocolo de tratamento precoce da doença e cita alguns medicamentos, e eu gostaria de comentar um a um rapidamente.
Sobre o antiviral, quero lembrar os senhores que o único antiviral aprovado pela ANVISA para uso no País é o remdesivir, que é estritamente para uso hospitalar. Então, da lista citada pelo Deputado Giovani, temos que excluir o antiviral, porque ele não é aprovado e não podemos usá-lo.
Sobre o anti-histamínico, só existem estudos in vitro. Ele está sendo testado para ver se ele reduz a carga viral. Se o paciente estiver com uma coceira, tudo bem, ele pode usar, mas para tratamento não tem nenhuma evidência.
Anti-inflamatório: este é um problema muito sério que está sendo visto muito naquele kit COVID. O pessoal está dando dexametasona desde o início da doença, o que é muito perigoso, porque nessa fase tem replicação viral e todo anti-inflamatório pode aumentar, porque ele estimula o processo de replicação viral. Isso está acontecendo. Felizmente, não usam o mAb com todos, porque não são disponíveis fora de uso hospitalar. Mas a dexametasona só tem indicação e só foi testada no cenário hospitalar, quando o paciente está com pneumonia pela COVID.
Quanto ao antiparasitário, como eu já disse, nenhum deles tem evidência científica e a própria ANVISA já disse que não é para utilizá-lo.
Anticoagulante é a pior de todas as opções. É assustador. Quando eu vejo as receitas... Eu sou médica também de linha de frente, trabalho na prática clínica e vejo muitas receitas de pacientes com o anticoagulante. Esses anticoagulantes têm que ser usados sempre com muito cuidado, sempre com o paciente acompanhado de perto. Ele tem baixo perfil de segurança, efeitos colaterais graves e ele tem indicação precisa. O paciente precisa estar na chamada fase inflamatória para começar a elevar o D-Dímero e ter uma indicação de uso. Então, não é possível utilizarmos. E, principalmente, há os riscos do kit COVID, — eu tenho certeza que nenhum dos senhores defende —, que é um saquinho com todos os medicamentos para todo mundo, igual, independentemente do peso do paciente, independentemente da idade do paciente. E isso, na minha opinião, não é acolher o paciente; é jogar o paciente numa situação em que se junta um coquetel muito perigoso. Vamos ter um doente de baixo risco, que teria 80% de chance de ir bem, se você não atrapalhar com fármacos de eficácia não comprovada, uso off label, uso generalizado, porque estamos falando de tratamento populacional, interação indesejada entre múltiplos fármacos desnecessários, sendo que, na realidade, eu tenho visto receitas em que o pessoal está misturando ivermectina com cloroquina. Os senhores têm visto paciente que procura em desespero uma farmácia, e usa 3 ou 4 vezes mais a dose de ivermectina que está descrita na bula. E há a indução à automedicação por vídeos e tudo o mais, que rola nas redes sociais, o que é um processo extremamente perigoso para qualquer doença, quando o paciente se automedica.
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Finalizo dizendo o seguinte: quando se acolhe o paciente com doença, o fato de não prescrever para ele um remédio não comprovado não quer dizer que ele não esteja sendo acolhido. Há muita coisa a ser feita. Eu e meu marido fazemos esse acolhimento por telefone, todos os dias, voluntariamente, e tratamos de muita gente.
Eu tenho um banco de dados de 5 mil pacientes, e de todos esses que foram internados no Hospital de Base, 80% deles usaram todos esses tratamentos defendidos pelos senhores, e todos eles foram internados do mesmo jeito, e foram para a UTI, e morreram com a barriga cheia de ivermectina e de hidroxicloroquina.
Muito obrigada, pela oportunidade. Desculpem-me por ultrapassar um pouco do tempo.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Muito obrigado, Dra. Lilia Nigro Maia pelas informações. É isso que eu digo: temos que conhecer todos os lados.
Em respeito a todos que estão na sala, vou ser muito rígido no tempo.
Agora vamos ouvir a Deputada Bia Kicis, que pediu a palavra por 3 minutos. Depois vamos passar a palavra à Natalia Pasternak. Em seguida, vou passar a palavra ao Senador Luis Carlos Heinze, também, por 3 minutos. A seguir, continuamos com os nossos convidados.
Com a palavra a Deputada Bia Kicis.
A SRA. BIA KICIS (Bloco/PSL - DF) - Bom dia, Deputado Giovani Cherini. Quero cumprimentá-lo por essa iniciativa tão valorosa.
Quero cumprimentar todos os presentes, todos os médicos, todas as pessoas que se dispuseram a vir aqui para fazer esse debate. Já não era sem tempo, Deputado.
Esse é um debate que precisa ser feito, porque é preciso parar com essa insensatez de ficar tratando aquelas pessoas que defendem o tratamento precoce como se fossem negacionistas, pessoas avessas à ciência. Sabemos que o que estão chamando de ciência... Há cientistas e médicos chamando de ciência fascista, porque se quer ouvir um lado só.
E o que V.Exa. está fazendo hoje, Deputado, é o que deve ser feito: abrir o debate. Vamos ouvir todos os lados.
Sou Parlamentar, não sou médica, não cabe a mim dizer se um remédio é válido ou não. Mas cabe a mim garantir a liberdade de expressão e, principalmente, impedir que quem quer que seja tente obstruir o trabalho dos médicos, para que eles não possam decidir, no momento em que estão com o seu paciente, pelo tratamento que irão usar.
Quero deixar muito claro que a vacina não é tratamento. Vacina é válida. O Brasil deve ter vacina para todos que queiram usá-la. Só não pode ser obrigatória. Mas, é preciso que entendamos que são coisas diferentes. Uma coisa é o tratamento; outra coisa é a vacina.
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E aquelas pessoas que defendem a vacina como a única solução estão politizando esse tema, de uma forma muito vil, de uma forma que vai atrapalhar milhões de brasileiros que confiam em seus médicos, que buscam o tratamento. Os médicos têm que ter liberdade para trabalhar com seus pacientes; e o paciente tem o direito de optar pelo tratamento, também, que quer receber.
Eu não vou me alongar mais. Eu só quero parabenizá-lo e dizer que conte comigo sempre para o bom debate e para a luta pela garantia de direitos e garantias individuais.
Muito obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Deputada Bia Kicis, eu quero também agradecer a sua participação e dizer que nós vivemos a maior ditadura da história do mundo. Nós estamos lutando contra tudo e contra todos. Os gigantes dizem que quem defende o tratamento precoce é negacionista. Essa é uma palavra terrível no nosso vocabulário, para uma doença dessas que mata tanta gente.
Nós temos é que abrir o coração das pessoas, abrir a mente das pessoas. Como a Deputada Bia Kicis disse, vacina não é tratamento. E qual é a cientificidade das vacinas? A vacina é experimental. Por que os laboratórios não assumiram com o País os efeitos colaterais da vacina? Por que será? Se a vacina é comprovada cientificamente, randomizada, etc, etc, por quê? Então, o mesmo tratamento que se dá à vacina, tem que se dar também aos remédios.
Deputada Bia Kicis, muito obrigado pela luta. Hoje, parece que nós somos poucos, e os médicos e cientistas que defendem o tratamento precoce, às vezes, nos cobram: "O que vocês estão fazendo?" "Sim, mas fazer o quê?" Se nós colocamos alguma coisa na rede que fala em saúde, que fala em COVID, é trancado. Trancam. Uma fotografia que você coloca na rede, dá 10 mil, 15 mil, 20 mil pessoas. E uma ação dessas em relação ao outro lado da COVID, fica 100, 50, trancado, ou censurado, como aconteceu com o Senador Luis Carlos Heinze, a quem eu passo a palavra neste momento.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (PP - RS) - Obrigado, Deputado Giovani Cherini. Um abraço à Bia Kicis. Dr. Francisco, Dr. Eduardo — eu não o conhecia —, Raissa, estamos nos vendo agora pela televisão, pela primeira vez, é um prazer. Demais médicos e cientistas que estão aí discutindo a favor ou contra o tratamento, bom dia. Também já ouvi falar muito da Dra. Lucy Kerr, e eu a vejo agora.
Mas nós estamos trabalhando. Todos os lados que estão aí, Direita e Esquerda, e aqueles que estão nos acompanhando, o que nós não podemos fazer é o que o Deputado Cherini falou e o que no Rio Grande do Sul nós chamamos de "grenalização": Se eu sou Grêmio, e ele é Colorado, já é problema. Aí é o Fla x Flu, no Rio de Janeiro, o Flamengo e o Fluminense; deve acontecer o mesmo com times lá na Bahia, que são adversários.
Infelizmente, para os senhores entenderem, quando Didier Raoult fez essa afirmação no ano passado, logo na sequência o Presidente Trump usou a expressão de que era uma gripezinha que curava com cloroquina. Na sequência, alguns dias depois, o Bolsonaro fala isso. Infelizmente, quando o mundo hoje se dividiu... a ciência se dividiu em Esquerda e Direita, é muito triste, e é lamentável essa posição, assassinando reputações importantes.
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Eu não posso assistir à Natália... Outro dia falei rapidamente, ouvi a fala dela na Comissão em que eu estava. Imaginem Didier Raoult, um cientista que vocês que são da área sabem... Como vou criticar uma pessoa dessas? Poucos no mundo têm a capacidade e o conhecimento que esse homem tem ou já fizeram o trabalho que ele já fez. Satoshi Omura e Luc Montagnier são dois Nobéis de Medicina que estão defendendo uma posição, não são quaisquer pessoas. Nada em desrespeito a qualquer um de vocês. O que temos que entender é isto, que são essas pessoas. Nós estamos buscando estudos randomizados, estudos de padrão ouro. Estou catalogando todos. Gostaria também de ouvir a Dra. Lilia, que falou anteriormente.
Quero saber também, Dra. Lilia, dos contrários. É importante para nós saber isso. O que não se pode fazer, e estou indo atrás de uma pesquisa realizada na Universidade Harvard... Prestem atenção aqui. Esta pesquisa, cientistas brasileiros e o mundo inteiro foram contra.
Deputado Cherini, este cara está aqui, olhe: "Retratado". Imagine fazer um trabalho e ter que se retratar porque foi falso o trabalho que fizeram na Universidade Harvard, não em qualquer universidade.
Eu estou atrás de uma pesquisa feita em Manaus. Essa pesquisa de Manaus é criminosa. Quase 30 pessoas morreram. Vocês que são médicos — da Esquerda ou da Direita, não interessa — imagem: aplicaram uma dose cinco, seis, sete vezes maior do que a dose normal. Isso é letal!
Deputado Cherini, nós sabemos que o remédio, até uma dose, é remédio. Dali para frente ele pode ser um veneno. Imaginem fazerem isso, Dra. Lucy Kerr! Esse trabalho que fizeram lá eu quero criminalizar. Eu vou entrar com representação contra o Ministro Mandetta, o Presidente do CONEP, o Presidente da FIOCRUZ, contra quem quer que seja, não sei. Alguém tem que se responsabilizar. Não podem fazer isso com vidas humanas! Agora vão testar... Vocês médicos sabem disso. Como vão usar, Dr. Eduardo, uma dosagem seis vezes maior do que a recomendada, ainda mais com pacientes de idade e pacientes doentes? Vão testar na vida humana? Não pode. Com essas questões nós temos que parar de fazer isso.
Agradeço a vocês, que estão se empenhando nessa questão. Infelizmente, nós não temos dados. Eu vou juntando o que as pessoas estão me passando. Passei e peguei dados em Rancho Queimado, em Santa Catarina, e estou juntando. Agora minha Assessoria está buscando em 60 ou 70 Municípios brasileiros. Quem estiver nos assistindo, os próprios médicos que têm trabalhos, que têm carteira de pacientes...
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Senador, coloque Taquara também, aqui no Rio Grande do Sul. Havia 300 pacientes. Começaram o tratamento precoce, e hoje não há ninguém. Isso é resultado científico!
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (PP - RS) - O.k.
Em Rancho Queimado, Gramado, Ilha Bela, em São Paulo, Porto Seguro, na Bahia — a Dra. Raissa está aqui —, Floriano, no Piauí, e Porto Feliz. Há 339 mil habitantes nesses 6 Municípios, 46 mil casos de COVID, 501 óbitos. Qual é a letalidade média? É de 1,07%. A letalidade média do Brasil hoje, Dra. Raissa, é 2,8%. Isso quer dizer, Deputado Cherini, que, se fosse essa a letalidade da população brasileira, usando esse tratamento, quem sabe teria havido 164 mil mortes. A tabela que fizemos foi essa. Teria havido 260 mil mortes, e não as 417 mil que houve até ontem.
Esse é o resultado de um trabalho. Essa é uma pesquisa. Eu estou juntando. Quem tiver dados de Municípios nos passem, para que possamos catalogar. O que eu já fiz com 6 quero fazer com 30, 50, 100, quantos houver.
09:55
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Quanto ao protocolo que foi adotado, quando se fala em Esquerda e Direita, eu dou o exemplo do Dr. Pedro Omar, um Coronel Médico da Defesa Civil do Amapá. O Governador é do PDT, contra o Governo Bolsonaro; o Prefeito de Macapá é do Cidadania, também contrário. Juntaram médicos de Direita, Esquerda, do Governo, não interessa, e 16 Municípios do Estado e o Governo Estadual adotaram um tratamento em que há cloroquina nas suas recomendações. São 20 ou 30, você sabe tudo que vão recomendar. Não é um medicamento, são 15 ou 20 medicamentos, mas neles consta esse tratamento precoce.
Então, quer dizer, lá é um exemplo. Quem sabe o Brasil possa fazer isso? Eu torço e trabalho para isso, entendeu? Espero que mais médicos façam esse trabalho e que possamos ter essa determinação e salvar vidas. A nossa preocupação é essa.
Agora, vou dar um recado sobre a vacina. Escrevam o que eu estou dizendo, escrevam o que eu estou dizendo: o Brasil vai produzir a sua vacina. Hoje, o Governo Federal tem dez projetos de vacina. O mais adiantado, Dr. Francisco, é em São Paulo, na USP de Ribeirão Preto. Há projetos no Hospital das Clínicas de São Paulo, na Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal do Paraná e Universidade Federal de Santa Catarina. O mais adiantado é o da USP de Ribeirão Preto. Quem sabe, em 5 ou 6 meses, Deputado Cherini, nós tenhamos uma vacina genuinamente brasileira com recursos do Governo Federal? E mais, nós estamos trabalhando para que quatro laboratórios de medicamentos veterinários, e já aprovamos uma lei, que são seguros, produzam vacina contra a COVID. O IFA de vírus inativado que hoje é usado para aftosa — é outro vírus, é claro — é o mesmo sistema utilizado para o vírus da COVID. Imagine laboratórios nossos produzindo vacina para o Brasil e para o mundo! Podemos fazer 200 milhões, 300 milhões, 600 milhões, além das compras que já estão engatilhadas.
Então, vacina e tratamento preventivo!
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado, Senador Luis Carlos Heinze, pela coragem.
Nós temos, realmente, que nos unir, o meio político, o meio médico, o meio cientista, o meio científico. E como foi muito citada a "Sra. Ivermectina", a Dra. Lucy Kerr, vamos ouvi-la.
Falarão um a favor e um contra, para que haja um debate bem democrático.
Então, doutora, antes de lhe passar a palavra, eu quero dizer que todo mês eu tomo, durante 2 dias, ivermectina; a minha família toda toma ivermectina. E ninguém vai me proibir de tomar ivermectina! E sabe quantos pegaram COVID? Nenhum. Nenhum pegou COVID! Foi por causa da ivermectina? Não sei, mas a minha cabeça também ajudou para que a ivermectina funcionasse, porque a cabeça, o espírito... Saúde é corpo, mente, espírito e emoção.
Dra. Lucy Kerr, sou o seu admirador. A ivermectina está sendo agora adotada na Índia de novo. Haviam tirado, e agora está voltando a ivermectina na Índia. Vamos lá, infelizmente o Ministério da Ciência e Tecnologia pesquisou, pesquisou, pesquisou, pesquisou, e o Ministério da Saúde não aceitou as pesquisas. Mas quero ouvir, durante 15 minutos, a Dra. Lucy Kerr, a "Sra. Ivermectina".
A SRA. LUCY KERR - Pois é, a Índia tirou a ivermectina em janeiro e explodiu o número de casos, não é? Agora, decidiram voltar, de bom senso. Pois bem, eu quero fazer o compartilhamento de tela se possível.
O.k. Vocês estão enxergando? Estão enxergando o compartilhamento? Está perfeito.
(Segue-se exibição de imagens.)
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Então, nós vamos falar um pouquinho sobre prevenção e profilaxia da COVID-19 e vamos falar exatamente daquilo que Dra. Lilia abordou. Há provas hoje e não faltam. Mencionaremos especificamente duas revisões fantásticas de especialistas de peso, que são a revisão do BIRD e a revisão do Dr. Kory, e vamos mencionar um pouquinho como o vírus infecta nossas células, a relação com as fases da doença e como a ivermectina nos protege.
Nesta revisão do BIRD, quero mencionar que a Dra. Tess Lawrie foi quem encomendou todo o processo. Ela é uma especialista em metanálise, inclusive presta serviços para outros profissionais da área de saúde e cientistas. A Dra. Tess fez uma revisão, com o auxílio de muitos médicos que analisaram toda aquela montanha de trabalhos. Separaram muitos que tinham exatamente a qualidade da Cochrane, para serem avaliados. E eles constataram que essa medicação reduz substancialmente o risco de uma pessoa morrer por COVID, de 67% a 92%, de acordo com os dados randomizados, controlados. A ivermectina conseguiu reduzir a gravidade da doença e reduzir as infecções por COVID quando usada em profilaxia entre os profissionais de saúde.
O custo foi outra coisa interessantíssima que ela analisou. O custo da ivermectina é muito menor. Enquanto as doses variam de 6 a 28 libras por dose, o nosso comprimidinho ficou em 0,028 centavos nos Estados Unidos, estimado pela Organização Mundial de Saúde.
E aqui está a revisão do Dr. Kory, da Front Line COVID Alliance, que foi publicado agora, em maio, revisado por pares. Estavam pedindo revisão por pares? Nós já temos 84 referências científicas e todas elas a favor da ivermectina na profilaxia e no tratamento de COVID. As conclusões do Dr. Kory podem ser resumidas da seguinte forma: reduções estatisticamente significativas na mortalidade; tempo de recuperação clínica; tempo de desaparecimento do vírus, na profilaxia, diminuindo significativamente os riscos de contrair a COVID; e, como agente oral, se mostrou eficaz em todas as fases da COVID.
Aqui nós temos a potente ação antiviral da ivermectina nessa revisão da Nature. O que aconteceu? Antes de fazerem os estudos in vitro, os autores procuraram qual era a droga mais potente antiviral. Nesse artigo da revisão, eles mostraram mais de 20 vírus, em que ela demonstrava atividade antiviral. E as pesquisas avançaram tanto que nós sabemos agora quais são as células suscetíveis à COVID. O vírus prefere as células que têm o receptor da enzima conversora da angiotensina 2, e muitas têm, e junto com ela a enzima TMPRSS2. Quando as duas coisas se juntam, o vírus entra. Muitos já ouviram falar, recentemente, da testosterona para tratamento, e é justamente porque ela inibe a TMPRSS2, que é a enzima que ajuda o vírus a entrar dentro da célula.
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Só que não são todas as células que têm essa associação. Menos de 10% respiratórias e intestinais humanas produzem, ao mesmo tempo, a ACE2 e TMPRSS2. Então, temos as células caliciformes do nariz, que vocês estão vendo aqui, que secretam muco; as células pulmonares; o pneumócito II, que eu estou mostrando; e as células intestinais.
Nós temos cinco tipos diferentes de células intestinais, mas são os enterócitos maduros aqueles que têm a capacidade de ter as duas coisas ao mesmo tempo. Vocês vejam: aqui, temos a enzima e, aqui, temos o receptor. Essa outra mucoide não tem as duas coisas. Então, ela tem que entrar por aqui.
Então, vamos entender um pouquinho a replicação do SARS-COV-2 para depois entender a ivermectina.
O vírus entra através do receptor da enzima conversora da angiotensina 2 com o auxílio da TMPRSS2, que engana a célula e faz com que ela leve esse vírus para dentro do citoplasma e libere esse material genético, que vocês estão vendo aqui, essa cobrinha dentro do vírus. Ela vai direto para o citossomas, onde começa a secretar proteínas virais, e tem que ser importada para o núcleo pelas importinas alfa e beta para concluir a produção do vírus e ele sair da célula e infectar outras células.
Pois bem, o que acontece quando ele ocupa esse receptor da enzima conversora da angiotensina 2? Desregula todo o nosso organismo, acaba nosso controle de pressão arterial e faz uma vasodilatação, o encharcamento dos tecidos, e daí aumenta a produção da bradicinina, aumenta a produção de receptores da enzima conversora da angiotensina 2 — pasmem! —, com auxílio do interferon, que deveria estar nos defendendo, e aumento da produção do ácido hialurônico. Em consequência, o ácido hialurônico com aqueles líquidos que extravasaram formam um hidrogel no alvéolo pulmonar, e ele já não está próximo do oxigênio e não consegue fazer as trocas gasosas, muitas vezes, até com auxílio de respirador. Fica uma gosma dentro do alvéolo. Mas ele ataca múltiplos órgãos: fígado, rim, músculo, coração, pulmão.
A infecção pelo SARS-COV-2, gente, faz uma destruição da nossa imunidade a ponto de permitir que os vírus se multipliquem dentro dos linfócitos, que são células que deveriam estar fazendo a nossa defesa. E como é que ele mais destrói nossa imunidade? Ele destrói através, principalmente, de três proteínas hipertóxicas: a 3CLpro, que inclusive aumenta a produção do receptor por causa do interferon; a protease viral PLpro e a proteína não estrutural SUD. Por tudo isso, ele acaba tendo um efeito danoso terrível de destruir a imunidade do nosso hospedeiro.
Todos esses tecidos que vocês veem no eslaide são destruídos, mas eu queria chamar atenção para o cérebro e o pulmão. No cérebro, temos a presença do SARS-COV lá, que, na verdade, está infectando os astrócitos, e nós estamos tendo muitos sequelados com problemas cerebrais. E, quanto ao pulmão, ele simplesmente impede a regeneração normal do pulmão e induz a formação de fibrose, destruindo células epiteliais do pulmão.
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Um dos artigos mais importantes ocorreu em agosto do ano passado. O Dr. Antonio Francés-Monerris concluiu, utilizando estudos de ivermectina, que ela atuava em múltiplos alvos, bloqueando o receptor da enzima conversora da angiotensina 2, dessa vez impedindo todo aquele desencadeamento de problemas que ela acarreta e interação de duas proteases virais, 3CLpro, PLpro, e a SUD. Então, ela impede a entrada na célula, impede as proteínas tóxicas de ativar... Por isso, ele conclui que a droga é ideal! é multialvo! e que deveríamos encontrar outras drogas iguais à ivermectina.
Recordando, o primeiro bloqueio dela impede o spike de se acoplar ao receptor e, dessa forma, impede que entre no citoplasma, aumente a bradicinina, aumente o ácido hialurônico e faça toda aquela asfixia do paciente. Ela também impede a ação das importinas alfa e beta — esse é um conhecimento muito antigo — e ainda bloqueia três proteínas virais hipertóxicas que atacam a nossa imunidade.
Daí veio em seguida, em setembro, um estudo de colaboradores que demonstrou que não eram só 3 as inimigas, mas 52 as proteínas virais... E eu quero mostrar para vocês que, em todas as fases da COVID, a ivermectina atua e favoravelmente, inclusive numa que não está mostrada aqui, que é a fase pós-COVID. Dessas drogas que estão sendo utilizadas atualmente, a única que atua em todas as fases da doença que está aqui em verdinho é a ivermectina.
Quando você deve tomar a ivermectina? Quando você comer, porque aumenta 2,5 vezes a absorção pulmonar.
Quais são as ações da ivermectina que são utilizadas quando nós fazemos a prevenção e o tratamento da COVID? Ela tem muitas ações, não é? Mas a ação antiviral, a antibacteriana, a anti-inflamatória e a moduladora da imunidade são as principais.
O protocolo profilático que nós defendemos é este que já foi mencionado. Vai ficar aqui para vocês utilizarem.
Realmente, adicionamos a vitamina D, a vitamina C e a quercetina, porque aumentam a imunidade, assim como a melatonina.
O uso da ivermectina é perigoso? Essa é uma das maiores falácias que existe atualmente circulando nas redes sociais, porque, tendo sido administrada por 3,5 bilhões de pessoas, somente 4.673 tiveram efeitos colaterais, segundo a OMS. Em 30 anos de uso, somente 16 óbitos, e não foram por causa da ivermectina, mas porque esses pacientes tinham parasitas cerebrais que morreram e liberaram toxinas que mataram as pessoas. Somente quem tem esses parasitas deve temer.
Então, nessa metanálise com 44 estudos, nós tivemos o tratamento precoce, obteve-se a melhora de 82% dos pacientes que adotaram profilaxia e se evitou que até 95% dos pacientes adquirissem a doença.
E a África, gente? Continua poupada da COVID, apesar da pobreza, da falta de higiene. Dos 31 países que tiveram campanhas da Organização Mundial da Saúde duas vezes ao ano, olhem, no eslaide, a "ridiculez" em comparação com quem estava usando outro tipo de parasita e os que não utilizavam, que é uma incidência muitíssimo maior! Esses são os 22 países que adotaram a ivermectina nas recomendações, inclusive recentemente a Índia voltou atrás. Eles tinham tirado a ivermectina e voltaram faz 5 dias a admiti-la como protocolo porque estava dando certo em muitos países e estados. Uttar-Pradesh continuou usando quando a Índia suspendeu e tem o percentual de casos, apesar de ter a mesma população do Brasil, de 6,4% e de mortes apenas 2,68% do Brasil.
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O tratamento tem que ser eficaz e seguro. A ivermectina nos protege numa ação multialvos, impedindo a entrada no citoplasma, impedindo a entrada no núcleo.
A nossa biologia, gente, não sofre mutações nem mudanças constantes, muito diferente do vírus, que o tempo todo se modifica, e as vacinas deixam de fazer efeito. Lembrem-se de que na África do Sul nenhuma vacina funcionou, certo? Eles tiveram que voltar para a ivermectina. Eles tinham abolido e banido a ivermectina e tiveram que voltar.
As vacinas nossas não completaram, todas elas, a fase 4 e muitas delas nem a fase 3. Elas têm hoje muito mais efeitos colaterais do que a ivermectina: 76,5% em fevereiro de 2021 contra apenas 417 da ivermectina.
Conclusão: a COVID pode ser uma doença muito má, muito, muito grave, mas com a ivermectina ela pode ser controlada.
A ivermectina, gente, atua em muitos lugares do nosso corpo e faz uma verdadeira blindagem do nosso sistema celular, na entrada da célula, na entrada do núcleo. Ela ainda inutiliza as 52 proteínas tóxicas, inclusive as 3 maiores, 3CLpro, PLpro e SUD, e é eficaz em todas as fases da doença. Foi concluída como sendo a droga ideal e consegue, de forma profilática, ser muito eficaz e, na forma preventiva, evitando até 93% de óbitos nas pessoas que adquirirem a doença. Na sintomática inicial, ela reduz e cura 82% e, tardiamente, cura de 34% a 63%, mas obviamente nessa fase há sequelas.
Eu queria dizer que ter tratamento da doença sempre foi o ideal, sempre, sempre foi a melhor opção. Alguém se lembra aqui da tuberculose? Alguém se lembra aqui da sífilis? Quando se adquiriu tratamento para essas doenças, que eram um flagelo da humanidade, simplesmente desapareceu o problema, entendeu? Saiu do noticiário. Nós temos tratamento, nós temos cura, e isso é o que nós precisamos para essa doença, que está destruindo muitos lares, muitas vidas. Precisamos parar com isso. Existe tratamento? Existe. A ivermectina é um tratamento fantástico, e nós temos provas randomizadas, controladas.
Tudo que foi pedido pela Dra. Lilia já existe. Falta ler, certo? Falta analisar esses estudos que foram feitos.
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A Dra. Tess Lawrie é uma grande especialista em metanálise e pesquisas científicas. E ela ficou tão convencida disso, que ela fundou o BIRD — British Ivermectin Recommendation Development, e ela recomendou para o Governo da Inglaterra que fizesse a introdução da ivermectina como método de tratamento.
Gostaria aqui de terminar a minha participação e deixo essa informação importantíssima para todos: já existe ciência, já existe comprovação; só está faltando boa vontade para adotar esse tratamento que vai diminuir as mortalidades para todas as pessoas.
Todas as nossas referências estão no nosso portal e posso encaminhá-las, quando quiserem, ao Deputado Giovani Cherini.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado, Dra. Lucy Kerr. Fico muito feliz com sua apresentação. Aqui, no Rio Grande do Sul, diríamos que a senhora matou a cobra, mostrou o pau e o bicho estaqueado ali do lado, porque muita gente não lê e quando lê não quer compreender, porque há um interesse por trás disso. Infelizmente, o ambiente universitário brasileiro não aceita esses estudos. Por isso digo “médico utilizando pé de cama”.
Gostaria, Dra. Lucy Kerr, que a senhora encaminhasse para nossa Comissão a sua apresentação, porque é muito importante termos estes registros para quem quiser ler, porque muita gente não gosta de ler, não quer ler, não quer aceitar que existe tratamento, prefere morrer do que usar em ivermectina, porque ivermectina faz mal. Mas paracetamol é bom para a COVID? Dipirona também cura a COVID? Muitas pessoas perguntaram aqui qual é a comprovação científica de dipirona, quando o médico dá dipirona e manda para casa, ou paracetamol, como aconteceu aqui em inúmeros casos. E, aí, tive que ir atrás de médicos que dão tratamento precoce para poder salvar as pessoas. “Ah, mas 80% se salvam.” Mas você vai confiar em que você está nos 80%? E se você estiver nos 20%? Qual o problema, se você estiver nos 80% e tomar os remédios indicados pelos médicos que dão tratamento inicial ou tratamento precoce?
Quero agradecer muito à Dra. Lucy Kerr pela sua apresentação.
A Dra. Roberta Lacerda pediu a palavra. Em seguida, vou ler aqui as perguntas, as colocações. Gostaria que todos continuassem, porque estamos sendo rigorosos no controle do tempo e vamos poder cumpri-lo para que todo mundo possa ter, depois, uma réplica das suas apresentações.
Gostaria que o ambiente universitário brasileiro levasse seu estudo para dentro das universidades, Dra. Lucy Kerr, porque o maior inimigo hoje do tratamento precoce, infelizmente, está dentro das universidades federais do Brasil. Infelizmente, os maiores inimigos do tratamento precoce estão dentro das universidades federais do Brasil, no ambiente universitário, infelizmente, talvez, pela politização; mas o seu estudo não tem política, seu estudo não tem lado, está do lado do ser humano. Então, parabéns mesmo.
Vamos ouvir a Dra. Roberta, de quem também tenho assistido muito o trabalho.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Deputado, perdão. Eu não pedi a palavra agora não. Pode ficar à vontade.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Não? Ah, então, está bem.
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Vamos ouvir uma posição contrária agora. Tem a palavra a Dra. Ilka Boin, Profa. da UNICAMP, de São Paulo — não é nada pessoal, viu? Vamos assistir à exposição dela, que é contrária ao tratamento precoce.
A SRA. ILKA BOIN - Bom dia a todos.
Primeiro, como o Dr. Eduardo Leite falou, o espaço de tratamento, onde fica o paciente e onde fica o médico, é sagrado. O Conselho Federal de Medicina já se posicionou sobre isso várias vezes, falando que o médico vê o seu paciente, analisa os dados dele e prescreve o que ele acha que é conveniente para aquele paciente. O paciente tem o direito de aceitar ou não essa prescrição. Algumas medicações nós consideramos que são de uso off label, como as do tratamento que aqui está sendo questionado, justamente porque não têm uma indicação formal. Se houver alguma coisa, o paciente pode entrar contra aquele tratamento.
Então, o que sempre recomendamos é que, se você opta por fazer o tratamento, certifique o seu paciente do que ele está tomando, de que a eficácia do tratamento não é comprovada nem pela Sociedade Brasileira de Infectologia, nem pela Sociedade Brasileira de Imunologia, nem pelo Conselho Regional de Farmácia, nem pelo IDSA, que seria a sociedade de infectologia dos Estados Unidos, nem pela sociedade europeia, internacional, de indicação de fármacos. Não há aprovação da nossa ANVISA — eu já falo, aqui, de antemão, que a ANVISA é o órgão mais sério que eu conheço, dentre todas áreas do Ministério da Saúde de que eu já participei; ela é muito importante. Não há aprovação da nossa CONITEC — Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, que periodicamente faz essa verificação. Em nenhuma dessas instâncias, isso foi aprovado. Mas esse espaço sagrado entre o médico e o paciente tem que ser respeitado.
Para o que nós procuramos chamar atenção? Eu sou professora titular de cirurgia, especificamente na área de transplante de fígado, atualmente, na Universidade Estadual de Campinas. Sou docente há 40 anos da universidade. Não tenho ideologia política nenhuma. Sou avessa a isso, inclusive. Mas o que eu quero, como fui chamada a esta Comissão, é deixar a minha opinião aqui. Estou ouvindo gente contra e gente a favor disso. Eu acho inclusive que esta discussão é salutar. Em termos de COVID, nós temos coisas que nós não sabíamos, temos coisas que nós aprendemos, temos coisas que nós refutamos, temos coisas que acabamos incorporando e melhorando.
A vacina não é tratamento. Ela é profilaxia de uma doença. Graças à vacina, nós não temos mais sarampo, e a varíola praticamente desapareceu no mundo. Nisso o Brasil tem um papel primordial no mundo, com o seu Programa Nacional de Imunizações — PNI, que só é comparável ao da Índia — é claro, a Índia com 1,5 bilhão de pessoas, e o Brasil com 212 milhões de pessoas. Mas o nosso tratamento é fantástico em termos de controle. Nós somos exemplo mundial em qualquer ambiente universitário.
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Eu só vou querer fazer um contraponto, aqui, à apresentação da Dra. Lucy Kerr. Já há várias posições científicas do ambiente universitário, Deputado Giovani, de que essa meta-análise da ivermectina não contém dados que possam ser apreciados. É um trabalho preprint: você joga uma publicação que você acha de uma revisão que você fez. Toda meta-análise tem que ser baseada em critério científico, porque ela é o pico da evidência científica, hoje, no mundo. E ele foi considerado quase uma fake news em todos os ambientes universitários — é só procurar na Internet —, inclusive pelo Conselho Federal de Farmácia, que diz que "é necessário que se obedeça a critérios para inclusão e exclusão no estudo (...), pois aparentemente foram utilizados artigos que não foram publicados em revistas científicas (por exemplo, preprint), o que significa não terem sido avaliados (...)". Então, esse é o primeiro pecado mortal de uma meta-análise a ser feita.
Há outra meta-análise recente sobre a cloroquina, que é esta aqui. Foram feitas 7.151 publicações, preprint, tudo. Quando as analisamos, vemos que somente 83 artigos têm base científica correta para serem analisados. Inclusive neste artigo aqui, que o Senador Luis estava pedindo, é citado o estudo brasileiro com a cloroquina, e a dose não foi essa que foi citada aí. A dose que foi aplicada aqui no Brasil foi semelhante à dose citada em todos os outros estudos que usaram a cloroquina em determinada fase da doença. Aí cabe, então, a interrupção, numa análise interina do estudo, vendo-se que, para aquela função, ela não funcionava. Então, o estudo foi abortado. E ele foi referenciado. É um artigo de peso. É um artigo benfeito, que foi referenciado nessa análise, agora, da cloroquina.
Uma das coisas de que eu quero falar é o direito da prescrição, que é do médico. O médico pode prescrever o que ele quiser. Mas nós estamos assistindo... Em toda a pandemia eu trabalhei em UTI, mas não dentro da UTI de COVID. Eu fiquei na UTI não destinada à COVID, por causa dos pacientes imunossuprimidos. Eu trabalho com UTI há 30 anos. O que nós vimos é que a quantidade de remédios que foram colocados... Começaram só com a cloroquina, e o paciente tomava 400 miligramas duas vezes por dia. No estudo, foi mencionada a dose de 900 miligramas — a única diferença foi essa. Até aí não tivemos grandes problemas. Aí se associou... A cada medicamento, falavam: "Ah, pode ser". Como foi muito bem mostrado pela Dr. Lucy, alguns medicamentos tiveram a sua fase in vitro, como foi mostrado pela Dra. Lilia...
Há várias fases de um estudo: eu estudo a segurança, na primeira fase, com animais; eu estudo a eficácia; eu estudo a eficiência; e eu estudo a efetividade. No estudo da efetividade, eu só vou poder falar dos efeitos colaterais quando eu tiver milhões de pessoas que usaram o medicamento. Por exemplo, para câncer de próstata, houve um medicamento muito importante que foi usado durante 4 ou 5 anos. Todo mundo achava que ele melhorava a doença. Quando se foi estudar a efetividade dele, viu-se que ele não tinha feito absolutamente nada. Então, nós temos que respeitar essa fase dos estudos que estão sendo feitos.
No estudo, duas questões muito importantes no mundo foram: por que a Índia, com 1,5 bilhão de pessoas, e por que a África, com tanta gente, com tanta pobreza e com a falta de organizações de saúde, tinha pouco. Uma das coisas levantadas pela OMS foi a subnotificação — a testagem é muito baixa. Outra é a baixa circulação entre áreas, porque os povoados são diferentes. Além disso, ninguém se interessa muito pela África. A gripe espanhola chegou aqui de navio, depois da Segunda Guerra, mas a COVID chegou de avião. A globalização, com a facilidade de transporte, fez com que ela se estendesse pelo mundo mais rapidamente.
10:27
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E há outra coisa, 85% das pessoas com COVID — fala-se em 80%, mas para mim são 85% — não vão ter absolutamente nada, nenhum sintoma. Das pessoas que têm sintomas, 5% vão acabar indo a óbito. Dos meus transplantados, 50% vão a óbito, por causa da sua baixa imunidade, devido ao medicamento que eles tomam. A porcentagem é maior se o paciente passou por transplante de rim, é menor se passou por transplante de fígado.
Um dado muito importante é que a idade média de sobrevida na África não passa de 30 anos. Se a doença ataca uma população mais velha, não vai haver uma incidência. A incidência de COVID em pacientes abaixo de 30 anos no Brasil é muito baixa. Então, isso tem que ser levado em consideração também.
Uma pessoa muito mais antiga que nós, que é Hipócrates, diz que primeiro não se deve fazer mal ao paciente. O kit COVID começou com a hidroxicloroquina. A ivermectina veio mais para junho e agosto, quando houve a subida de 557% na sua venda. Teoricamente, se foi usada bem mais, a quantidade de casos teria que ser bem menor, mas não foi. A base é de 70 mil casos por dia. Dessas 70 mil pessoas, 5% vão morrer daqui a 30 dias. Isso é matemática, isso é epidemiologia.
O kit não é tão barato. O kit mais baratinho e mais curtinho fica 105 reais por mês para o paciente, que recebe hoje um auxílio bem baixo. Então, ele não é barato como se propala, e nem todo o mundo tem acesso a ele. Eu perdi 112 pessoas conhecidas por causa da COVID, sendo seis parentes, e todos usavam o kit. Mas isso é evidência e é opinião pessoal, como foi dito, é pé de cama, é a minha experiência.
Estamos observando que os pacientes que chegam em estado mais grave fizeram uso principalmente de anticoagulante na hora errada e de dexametasona em hora errada. Como foi mostrado pela Dra. Lucy e pela Dra. Lilia, a fase inflamatória acabou sendo muito maior, foi exacerbada pelo uso não adequado desses medicamentos. Sabemos que todos esses medicamentos existem no arsenal terapêutico com indicação para sua doença.
Por que há pouco efeito colateral reportado? Porque não era usada alta dosagem. O uso de dois comprimidos de ivermectina não cria problema. Eu uso nos meus pacientes antes dos transplantes, para que eles não tenham exacerbação da estrongiloidíase no pós-operatório, porque ainda existe estrongiloidíase no Brasil. Mas, quando o paciente começa a tomar quatro comprimidos, seis comprimidos a cada 15 dias, durante 4 ou 5 meses, em vez de dois comprimidos, há um risco muito grande de infertilidade, que foi reportado pelo pessoal da África no tratamento de filariose. O paciente que fizer uso de ivermectina por muito tempo vai ficar infértil, vai ter reduzida sua capacidade de produção de espermatozoides em 30% a 40%. Isso é mostrado em estudos na África. E os espermatozoides produzidos serão disformes: ou com duas cabecinhas, ou com dois rabinhos, ou com perda da motilidade. Esse é um efeito colateral muito importante. Precisamos ter cuidado para não gerar infertilidade em nossos jovens ou em crianças — a ivermectina não deve ser administrada em altas doses para crianças com menos de 15 anos. A dosagem certa deve ser administrada. Então, eu não sou contra a prescrição, mas contra o uso abusivo e contra a não apreciação dos efeitos colaterais, sim. Tenho dois pacientes em lista de transplante por uso exacerbado de ivermectina. Não é só da ivermectina, mas é dela também. Ela é a única que sabemos que, em uma dosagem maior, aumenta as enzimas hepáticas. Usualmente, estão sendo prescritas altas doses por tempo indeterminado. Aí, já não é culpa do médico. O paciente usa e, como ele inicialmente não tem nada, vai repetindo o uso de ivermectina, hidroxicloroquina, Annita, Xarelto e AAS. O AAS é usado numa quantidade de 600 miligramas por dia, que é uma dose muito alta. O Xarelto, para um paciente idoso ou para um paciente que tenha uma doença de base e não saiba ou não esteja sendo tratado, pode ser fatal. Corticoide é usado inadequadamente. A dose preconizada de vitamina D é de 5 mil unidades por dia para quem tem deficiência dessa vitamina. Estão prescrevendo 300 mil unidades por dia. Isso é o que chega para as pessoas que pegam alguns pacientes com efeitos colaterais. Nós estamos tendo relatos de ginecologistas que fazem exame de rotina nas pacientes e descobrem que elas estão com características de hepatite medicamentosa, com enzimas aumentadas em 10 a 20 vezes. Então, é com isso que precisamos ter cuidado. Não somos contra a prescrição, porque isso pertence ao médico e ao seu paciente, mas devemos ter cuidado com a associação indevida e com os efeitos colaterais que esses pacientes podem ter.
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É preciso ter cuidado também com a análise de artigos. Não é suficiente saber ler, é preciso saber como ler. Se eu tenho onde, tenho quando, tenho por que e tenho por que analisar isso, eu tenho que oferecer ao cidadão brasileiro o que for melhor para ele. Para isso existe a CONITEC.
Um estudo que talvez... Tenho uma grande esperança na Annita, a nitazoxanida. Há um estudo correndo com trial que parece estar dando bom resultado com esse medicamento, cujo tratamento custa 60 reais. Esse provavelmente está vindo.
A ivermectina usada in vitro foi ótima. Só que a dosagem dela para medicação e para apreciação só consegue reter na área necessária — as maiores são pulmão e enterócito — 10% da medicação necessária. Por isso, a dose de ivermectina para tratamento de COVID supera em 10 a 20 vezes a dose ideal preconizada em bula para tratamento de qualquer doença. Isso vai aumentar a chance de efeitos colaterais e efeitos deletérios para esse doente. É isso que precisamos conhecer.
O que eu queria trazer para vocês era isso, era um outro lado, o lado do efeito colateral, que eu acabo pegando como hepatologista na área.
Muito obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Muito obrigado, Dra. Ilka Boin, pela sua exposição. O nosso propósito é realmente discutir os dois lados, porque o desequilíbrio hoje é muito grande. Só escutamos um lado. Nós queremos ouvir os dois lados.
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Ainda estão na sala a Dra. Raissa Soares, que está no lugar mais lindo do mundo; a Dra. Roberta Lacerda; o Dr. Paulo; e o Dr. Francisco Cardoso. Nós vamos ouvir agora a Dra. Raissa Soares, Secretária de Saúde de um dos lugares mais lindos do mundo, que é Porto Seguro. Todo cidadão que vai a Porto Seguro tem vontade de se aposentar e morar lá. Depois vamos ouvir o Dr. Paulo Porto, que também é contrário ao tratamento precoce, fazendo esse equilíbrio. Aliás, ele não é contrário, não. Acho que já esgotamos a lista de palestrantes contrários. A Sra. Natália Pasternak não está. Então, não nós vamos seguir sequência. Vai ser bem tranquilo. Vamos poder ter depois o contraponto, com certeza, pela rapidez com que estamos fazendo a nossa audiência pública.
Dra. Raissa Soares, um fã seu aqui vai lhe assistir agora. A senhora tem a palavra.
A SRA. RAISSA SOARES - Bom dia a todos.
Muito obrigada, Deputado. É um prazer estar aqui. Obrigada, colegas, pelas explanações até o momento. Acho que este momento é de troca de experiências mesmo.
Eu faço minhas as palavras de várias falas escutadas aqui. Precisamos defender a autonomia médica, começando pelo que falou o Dr. Eduardo. Precisamos defender essa relação médico-paciente. Precisamos dar a clareza para o paciente de que nós estamos lidando, sim, com medicações que não têm no seu bulário a indicação para a COVID.
Quando nós prescrevemos o tratamento da COVID, o paciente tem o conhecimento de que ele está usando medicações numa linha de tratamento. Sempre falo para o paciente que existem dois grupos médicos hoje no Brasil. Eu faço parte de um grupo que acredita que a COVID-19 é uma doença que tem tratamento.
Só para termos uma memória histórica rápida, lembro que, quando a doença começou, como disse a Dra. Lilia, não tínhamos estudos, não tínhamos experiência. Nós fomos aprendendo com a doença, tratando caso a caso. Nós fomos aprendendo com a doença, trocando experiências.
O meu primeiro paciente internado no hospital aqui em Porto Seguro, que é um hospital de 14 leitos, sem terapia intensiva, já tinha 50% de pulmão doente, com necessidade de oxigênio. O que eu ia fazer com aquele doente? Fiz ligações para colegas de São Paulo, ligações para vários especialistas, aprendendo com a doença.
O nosso enfrentamento à doença, tête-à-tête, colocando a nossa prática médica, o raciocínio, entendendo... Aí, os estudos foram começando. O conhecimento da doença apareceu. Aquela necrópsia da Itália trouxe a lucidez de que nós estávamos tratando de uma doença imunotrombótica, a tempestade citoquímica.
Vocês podem ver, até nas fotos utilizadas nas apresentações desta audiência, que nós estamos falando de materiais publicados e de fotos do mecanismo de ação do vírus de julho, de março de 2020. Hoje nós conhecemos o vírus, sabemos os seus mecanismos de ação, o seu mecanismo de entrada nas células, sabemos qual é o caminho que ele faz. Mas nós ainda vamos ter surpresas, eu tenho certeza disso. Os estudos vão avançar. Os nossos colegas cientistas vão nos ajudar a compreender exatamente qual é... Ainda há algo que não foi descoberto. A TMPRSS2 foi descoberta recentemente, inclusive com ajuda dos estudos de Manaus. Isso é importante para podermos saber, por exemplo, que antiandrogênico e medicações que bloqueiam a ação da testosterona vão evitar inflamação e que nós vamos ter pacientes com 40% de pulmão doente sem necessidade de oxigênio, sem hipóxia, nem silenciosa.
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Então, os estudos vão continuar. Onde esse vírus vai desaguar, como será o nosso futuro próximo ainda é uma incógnita para todos. Como será a questão da vacina, a que a vacina está correspondendo, o que ela está trazendo de proteção para a população o tempo vai nos dizer.
Mas o que é importante neste momento? E eu queria trazer isto para todo mundo. A medicina baseada em evidências se fez necessária, ela se tornou uma cadeira importante na medicina. Eu me formei em 1994, não estudei medicina baseada em evidências na faculdade. Temos o curso de medicina baseada em evidências, talvez de 10 anos, 15 anos para cá, com um incentivo grande, aulas, congressos. Antes tínhamos o quê? Tínhamos aquela pessoa que fazia a prática e tínhamos aquela pessoa que estudava a doença. Então, precisava-se encontrar o equilíbrio entre quem estuda e quem faz. Hoje a medicina baseada em evidências... Em pleno 2021, com pandemia, com quase 500 mil mortes no País e milhões de mortes no mundo, nós temos uma discussão, como traz o Deputado Giovani, que é o Fla-Flu na medicina, porque nós temos o grupo que trata e o grupo que estuda.
Nós estamos na linha de frente da COVID. Eu trato de paciente com COVID desde março de 2020. Eu continuo com o mesmo discurso. Nós não mudamos. A Dra. Lucy Kerr está com o mesmo discurso, não mudou; o Dr. Eduardo Leite está com o mesmo discurso, não mudou. São pessoas que estão lidando com a doença e que colocaram a sua prática médica na frente, aprendendo no caminho da doença, lidando com os pacientes — e não é com telemedicina; é ao vivo e a cores, é auscultando o pulmão, é conversando com o doente, é lidando com o paciente frente a frente. E o número de pacientes não é pequeno, não. Até dezembro de 2020, nós chegamos a 2.100 atendimentos em uma unidade onde eu atendi.
Essa é uma questão que nós discutimos nos bastidores. Nós que tratamos de paciente com COVID não estamos preocupados em gerar produções científicas para contestar os que são defensores da evidência. Se todos os colegas hoje que têm mais de 3 mil casos já tivessem publicações na CONEP colocando para a ciência, para o mundo científico quais são os nossos resultados, não haveria mais essa discussão. Mas nós que estamos na linha de frente trabalhando não somos da ciência; nós somos da prática. Nós trabalhamos 10, 12, 14 horas por dia atendendo pacientes.
Seguindo essa lógica aí que nós escutamos de uma matemática perfeita, segundo a qual 5% morrem, se Porto Seguro teve 18 mil casos de COVID até agora, 900 pessoas deveriam ter morrido nesse Município. Houve 153 óbitos, infelizmente.
O Senador Luis Carlos Heinze traz as cidades que tratam da COVID, porque nós fomos tratando dos pacientes, e o raciocínio é que ele foi ficando convicto do que fazemos. Colhemos resultados. Quando os colegas que estão na terapia intensiva veem pacientes que usaram medicações... Aqui eu venho falar em nome do grupo que trata da COVID-19, nas várias frentes no Brasil hoje, como Médicos pela Vida, Brasil Vencendo a COVID, Força Médica Nacional. Nós hoje somos inúmeros médicos, e o nosso lema não é o kit. Isso, na verdade, é uma fala incorreta de muitos. Nós não defendemos um pacotinho único para todo mundo; nós defendemos a linha do tratamento da COVID-19 com raciocínio médico, com a clínica médica sendo soberana, com uma lógica para cada paciente, com as suas medicações, as que são usadas. O que nós fazemos com cada doente? Usamos, sim, substâncias sobre as quais temos vários estudos.
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E, na hora em que colocamos isso numa análise científica... Nós temos um documentário muito bem redigido por três grandes colegas que produzem ciência: o Dr. Francisco Cardoso, que vai falar daqui a pouco; a Dra. Rute Costa, que tem pós-doutorado em Harvard, uma biomédica de excelência; e o Dr. Rabelo, da área da psicologia, que é cientista. Essas pessoas escreveram um documento para o Ministério Público de Goiás sustentando, inclusive com crítica, os estudos, quais eram os contrapontos, os pontos a favor e os contra. Nada na medicina é 100%. O que nós vemos hoje são colegas que dizem simplesmente que não existe evidência, que isso não pode ser feito, que isso não pode ser liberado.
E aí eu volto ao discurso para dizer o seguinte: nós que fazemos o tratamento temos o pilar da bioética. A bioética é um pilar da nossa prática, no sentido de ter a equidade, de dar mais para quem precisa, de ser justo, dar acesso às pessoas e de ter o princípio básico da beneficência e não malevolência.
Quanto aos mais de 3 mil pacientes que eu tratei em Porto Seguro, quanto aos 18 mil casos atendidos em Porto Seguro, não há descrição de insuficiência hepática ou lista de transplante hepático. Houve infelizmente óbitos. Hoje o que nós estamos investigando em nossa linha de pesquisa... Nosso trabalho é divulgar para a população a possibilidade do tratamento.
Na grande maioria dos casos — e isto está sendo investigado — das pessoas que evoluíram para óbito, houve uma razão. E foram a óbito por quê? Sobre isso eu falo com a Dra. Ilka, que coloca a questão das doses, pois se trata de uma questão de manejo. Nós precisamos treinar os nossos colegas.
E aí a experiência, ao longo desse 1 ano e 2 meses, vai sendo acumulada: como eu faço o manejo, em que momento eu uso cada medicação para impedir a progressão da doença.
Nós temos as convicções da nossa fala, e os nossos discursos são os mesmos há 1 ano e 2 meses porque vivemos essa labuta, nós vivemos os dados. O que hoje Porto Seguro faz como política pública, enquanto Município? Lá, o gestor maior, eleito, o Prefeito, se submeteu ao tratamento, concorda com o tratamento. E hoje, por ordem da autoridade da saúde, foi implantada uma política pública no Município que é o terceiro destino turístico de maior presença no País. Nós temos uma população flutuante de 150 mil a 450 mil pessoas/mês; a cidade tem 150 mil habitantes. Nós tivemos, em abril, um menor número de casos da doença, comparados a março e fevereiro, mesmo com a cepa P1 circulando pelo País afora.
E eu alerto os colegas no Brasil, porque, para identificar a cepa P1, deve-se pedir o Swab, que é a técnica de coleta com cotonete, e mandar o material para o laboratório para fazer isolamento genômico. E aí dizem: "A cepa P1 está em Porto Seguro". A cepa P1 provavelmente está no País inteiro, mas as autoridades não estão pedindo investigações e, então, não a descobrem.
Hoje, quando o paciente tem um comportamento de doença com dor de garganta, com ativação mais precoce da cadeia de coagulação, com um D-dímero mais elevado, já sabemos que esse é o perfil da cepa P1. Provavelmente, hoje ela circula no País inteiro.
Com o que fazemos hoje, nós conseguimos o controle da doença. Nós usamos a estratégia política das cinco armas em Porto Seguro: fazemos a profilaxia pós-contato com Ivermectina para todos os pacientes, assim o fazemos com todas aquelas pessoas do entorno do paciente, intradomiciliar e intratrabalho. E usamos aquilo que temos de prática.
Nós usamos Ivermectina na rede hoteleira em dezembro, quando 9 mil funcionários usaram Ivermectina nas semanas que antecederam a entrada dos turistas, em dezembro e janeiro, e não houve adoecimento em 9 mil pessoas. Então, se isso não é um resultado observacional importante... Não se transformou publicação científica, mas nem por isso vai ser desmerecido.
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Portanto, Deputado e demais colegas, quando o que nós, que estamos enfrentando a pandemia com horas de trabalho, fazemos não é levado à publicação pela CONITEC ou por aprovação, isso não pode ser desmerecido. Pessoas que estão publicando estudos têm os seus vieses de interpretação, porque a publicação está ali e muitas pessoas falam dos resultados baseadas na conclusão.
Hoje, no nosso mercado brasileiro de médicos e cientistas, dentre aqueles que fazem ciência, há profissionais que entendem de medicina baseada em evidência. Mas o importante é você não achar ou tirar a sua interpretação pessoal daquilo que você tem interesse.
Então, eu estou falando aqui de um campo prático, de um campo de execução e de um campo de resultado. Eu estou falando aqui de um campo de acúmulo de horas de trabalho de vários colegas.
Hoje, em Porto Seguro, nós temos mais de 30 colegas que têm liberdade de tratar seus pacientes, como temos outros 40, talvez outros 30, que não queiram tratar e que não são obrigados a fazê-lo. Enquanto política pública, enquanto liberdade dos nossos colegas, trazemos os colegas e falamos: "Olha, essa é a publicação. É isso que nós vivemos hoje, é isso que nós estamos fazendo". Fazemos discussões clínicas, presenciais e on-line, com os colegas para discutir os trabalhos existentes, para discutir o que nós estamos fazendo.
Quem começa a tratar COVID — Eduardo, você deve estar vivendo isso, assim como a Lucy — sabe que temos tanto resultado positivo que nós vamos nos convencendo no caminho.
O Dr. Flávio Cadegiani, que é um dos pesquisadores brasileiros que mais publica sobre COVID hoje no Brasil, um profissional endocrinologista, editor-chefe da revista Nature, entrou na pesquisa do tratamento precoce para comprovar que não funcionava, e hoje ele é um defensor.
Eu não posso ter nenhum viés para entender A ou B, eu tenho que ser neutro, mas eu tenho que preservar a vida. Nós que defendemos a vida a defendemos independente da ciência, que está aí lutando.
Nós estamos vendo essa CPI do Senado acontecendo com opiniões diversas. Do que nós precisamos é entender o seguinte: enquanto muitos discutem e vão chegar à randomização dos trabalhos, nós estamos tratando doente. Eu não tenho coragem de abrir uma pesquisa aqui em Porto Seguro e colocar um grupo-controle que não vai tratar COVID versus outro que trata, porque eu já sei que isso seria criminoso com o meu doente, que vou infringir a ética do doente. Eu não tenho coragem como médica, se eu hoje me tornasse pesquisadora, de colocar para população: "Olha, nós vamos fazer uma grande pesquisa nacional, você quer entrar no grupo que não vai tratar COVID, porque este aqui eu vou tratar?" Seria antiético!
Então, como é que se quer hoje fazer trabalhos científicos, deixando a população sem tratamento? Isso seria absolutamente desumano para uma doença que mata muito!
Para finalizar minha fala, Deputado e demais colegas, o que eu quero dizer é que a mortalidade em Porto Seguro hoje é uma das mais baixas no Brasil, porque nós defendemos as cinco armas: a profilaxia; o tratamento imediato nos primeiros sintomas; o monitoramento do paciente a cada 2 dias, 3 dias; a qualificação dos profissionais, pois nós fazemos treinamento das equipes; e a vacina, que nós acreditamos ser mais uma ferramenta que está aí para combater a doença.
Hoje, na nossa realidade, em um Brasil que tem uma taxa de mortalidade de 2,8%, Porto Seguro tem uma taxa de mortalidade de 0,9%, isso em uma cidade com baixíssimo recurso tecnológico. Nós hoje temos uma política pública que está equipando a cidade de Porto Seguro, porque, ao longo dos últimos 15 anos nós aqui tivemos Governos do PT funcionando. Temos uma cidade em que o hospital municipal foi fechado há 3 anos. Nós somos um Município que, hoje, tem hospitais da rede privada e um hospital estadual que estaria atendendo 600 mil habitantes.
Hoje há um projeto de saúde para Porto Seguro, ampliando maternidade, ampliando casa de parto, ampliando o centro de COVID, ampliando leito clínico, inaugurando novas policlínicas, dando à população hoje, no Governo Jânio Natal, condição realmente de ter segurança, tanto a quem mora quanto a quem vem passear neste paraíso, como diz o nosso Deputado. Muito obrigada pelo tempo e pela palavra. Nós estamos aqui defendendo e esse nosso discurso vai se tornando cada vez mais forte, porque, na nossa linha de construção do conhecimento que a própria doença nos traz, cada vez mais, nós nos tornamos convictos de que a COVID-19 é uma doença que tem tratamento e ninguém mais precisa morrer por causa disso. Muito obrigada.
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O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Muito obrigado, Dra. Raissa Soares.
Eu fico muito feliz ao ouvi-la, porque, na realidade, parece que o Fla-Flu se instalou naqueles que estão na linha de frente que não têm tempo para pesquisar, porque têm que salvar vidas, e os que realmente estão fazendo pesquisas e gostariam que as pessoas ficassem esperando o resultado da pesquisa para depois serem tratados. Por isso que eu disse que há o médico "pé de cama''. Na verdade, a ciência deveria ouvir essas pessoas, porque o melhor conhecimento científico é o resultado do médico que está ali atendendo o paciente, como eu já disse hoje, no pé da cama.
Parabéns pela coragem, Dra. Raissa! Ontem o Dr. Francisco me passou uma mensagem dizendo que o Ministério da Saúde estava querendo retirar, inclusive, o protocolo de tratamento precoce. Seria a coisa mais inédita do mundo, porque todas as outras doenças têm tratamento precoce, menos a COVID-19, considerando, quem sabe, ser uma doença fácil de se resolver. Falou-se no Remdesivir, que custa 18 mil reais. No mercado negro, custava 200 mil reais, e foram feito testes em oito pacientes.
Estou abrindo esse discurso para passar a palavra ao Dr. Francisco Cardoso, que também me ensinou muita coisa. Convido a todos para continuarem na nossa apresentação, porque, no final, eu gostaria de ouvir a réplica de todos, com o tempo de 3 minutos ou um pouco mais para cada um.
A Natalia Pasternak parece que não está presente. Nós tivemos muita dificuldade para encontrar pessoas para falar contra o tratamento precoce porque, hoje, na realidade, estão dizendo na mídia que não é eficaz, não é eficaz, e defendendo, quem sabe, tomar paracetamol ou dipirona e mandar para casa, de forma irresponsável, inclusive assustando o paciente dizendo: ''Você não tem cura. Vá para casa morrer! Depois você volta''.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Presidente Giovani Cherini, gostaria que V.Exa. me inscrevesse quando for abrir para os Parlamentares, por favor.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Se V.Exa. quiser, pode falar agora.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Eu posso aguardar o convidado.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Deputada Jandira Feghali, V.Exa. é muito bem-vinda a esta audiência pública.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Depois do Dr. Francisco, eu passo a palavra para V.Exa. Pode ser?
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Claro, Presidente. Eu espero.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Combinado.
Eu gostaria que cada um fizesse uma autoapresentação: nome, profissão, onde trabalha e tal. É importante essa autoapresentação para quem estiver acompanhando, para que todos saibam quem são as pessoas convidadas hoje.
Concedo a palavra ao Dr. Francisco Cardoso.
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O SR. FRANCISCO CARDOSO - Bom dia a todos! Meu nome é Francisco Cardoso e sou médico infectologista. Trabalho na Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo como infectologista e médico de UTI. Também sou perito médico federal do INSS. Desde janeiro de 2020, venho estudando, militando, junto aos colegas o avanço do conhecimento sobre a COVID e tratando também, sempre que possível, os casos que chegam à nossa porta.
Eu gostaria de aproveitar a presença dos nobres Deputados e dos colegas da sessão para justificar algumas coisas que têm sido faladas. Primeiro, nenhum de nós aqui defende o kit COVID, ainda mais um kit COVID composto por azitromicina, corticoide e anti-inflamatório. Isso é kit sinusite, e não kit COVID. Quem prescreve isso nos postos de saúde e nos prontos-socorros de hospitais universitários e de hospitais da ponta daqui de São Paulo — eu vejo muita receita com esse tipo de tratamento — está ajudando a matar paciente com COVID. Não se dá corticoide para paciente infectado por COVID na primeira semana, muito menos a azitromicina de forma isolada. Há estudos que mostram que a azitromicina, de forma isolada, aumenta a mortalidade de pessoas com COVID, e o corticoide também. Quem prescreve isso está totalmente por fora do tratamento da COVID. E não somos nós.
Realmente, é preciso parar de tentar associar esse tipo de comportamento a quem defende, de fato, um tratamento eficaz e efetivo, com drogas comprovadas em estudo científico. O kit COVID não é conosco.
E o tratamento de COVID está muito além da cloroquina ou da ivermectina. Nós temos cerca de 14 drogas atualmente estudadas, com estudos em ensaios clínicos randomizados em sua maioria, comprovando que elas são capazes de reduzir a carga viral do coronavírus dentro do organismo humano. E a redução da carga viral do vírus no organismo é o segredo de combate efetivo de qualquer infecção viral no ser humano, seja a AIDS, seja o chikungunya, seja a dengue, seja o coronavírus. Quanto menos vírus estiver circulando e atacando o organismo, melhor será a resposta clínica, melhor será a taxa de cura, menor será a taxa de hospitalização e menor será a taxa de óbito. O HIV é um modelo disso, tanto que nós fazemos o controle de sucesso do tratamento do HIV medindo a carga viral.
Então, nós temos, sim, ensaios clínicos randomizados e observacionais que mostram que certos medicamentos reposicionados reduzem, sim, de forma drástica, inclusive, a carga viral nos pacientes que são submetidos a esse tratamento. Não é apenas a cloroquina. A cloroquina — e vou até além — nem é a droga mais eficaz atualmente, diante de drogas tão mais poderosas, como a própria ivermectina, como já foi falado, e outras drogas que têm surgido no mercado, que estão sendo testadas inclusive pelos americanos, como a nitazoxanida estendida, os antiandrógenos, a flutamida e outras drogas que estão tendo esse poder de análise de redução da carga viral. Anticorpo monoclonal também, para não falar de drogas novas, mas não remdesivir. Remdesivir é uma droga inútil. É tão inútil, que a própria Organização Mundial da Saúde recomenda o seu não uso na COVID.
A ANVISA, que é um órgão sério, como já foi dito aqui, tem que dar uma explicação para os brasileiros. Por que ela aprovou o remdesivir para o tratamento da COVID, baseada em um estudo cujo único desfecho secundário foi uma redução de quatro dias de internação para um grupo muito seleto de pacientes em UTI — não chegava a 5% dos pacientes —, sendo que não serve para o tratamento dos pacientes ambulatoriais, não serve para o tratamento dos pacientes intubados e não tem a recomendação de uso em ensaios clínicos randomizados feitos de maneira extensa. O Solidarity da OMS reprovou o remdesivir, mas a ANVISA o aprovou. Enquanto isso, há drogas como a ivermectina, a própria cloroquina, a Anitta, e uma série de outras drogas que têm ensaios clínicos randomizados muito mais poderosos que o do remdesivir. Na própria metanálise viva da British Medical Journal, a cloroquina tem resultados em redução de desfecho, de resultados clínicos, de sintomatologia melhores que o remdesivir, e a ANVISA não se posiciona.
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Isto é algo que a ANVISA precisa explicar à população. Qual é o critério que está usando? É o preço da droga, por exemplo, que está influenciando nisso? Estou falando isso como uma crítica séria, porque é inaceitável a ANVISA ter aprovado o remdesivir. Ou, então, estamos copiando os americanos, porque só os americanos aprovaram o remdesivir até agora; é uma droga de lá.
Quanto à questão das evidências, precisamos tomar muito cuidado com o que falamos, porque, como já foi dito pelos colegas, evidência é uma pista, é uma possibilidade de que tal intervenção leve a um resultado favorável. Isto é diferente de ser conclusivo. Conclusivo é aquilo que é irrefutável, é aquilo que não se consegue contestar. E, na medicina, trabalhamos com 90% dos tratamentos e procedimentos baseados em evidências moderadas, médias ou até fortes, mas que não são conclusivas. Apenas 10% dos tratamentos e procedimentos médicos atualmente disponíveis nos guidelines da sociedade americana das especialidades são considerados evidências conclusivas. Então, nove de cada dez procedimentos médicos não são baseados em estudos ou ensaios clínicos randomizados, duplo cego, controlados por placebo e multicêntricos, que seria o topo do estudo científico de excelência. Isso não desmerece os 90% de estudos que servem para embasar os outros tratamentos, inclusive na cardiologia e na infectologia, que é a minha área, que são as especialidades mais avançadas em relação à medicina baseada em evidências.
E aí há outra confusão que alguns colegas têm feito. Medicina baseada em evidência não é a busca do ensaio clínico ideal, que demanda décadas para se conseguir provar uma tese. A medicina baseada em evidência é o uso da melhor evidência disponível no momento, aliada à experiência clínica, em prol do paciente, senão não vamos ter, Deputado, medicina baseada em evidência, nós vamos ter a evidência baseada em medicina. E é essa confusão, é essa inversão de valores que está sendo feita na COVID: nós estamos querendo colocar a evidência acima da clínica, e isso tem bloqueado a discussão sobre intervenção e propostas terapêuticas para o tratamento da população. Isso tem levado à morte, ao contrário do que algumas colegas já colocaram.
Fiquei impressionado com uma colega que falou que tem uma experiência de cinco mil óbitos. Penso que, se eu juntar todos os colegas que eu conheço que tratam COVID de maneira inicial, todos, todos, e somar todos os óbitos deles, não chego nem a quinhentos. E a colega tem cinco mil óbitos de experiência. É realmente assustador como varia a experiência de médico para médico.
Precisamos deixar bem claro que a ausência de tratamento adequado precoce é o que mata na COVID. E isso inclui o kit sinusite, que está sendo chamado de kit COVID pela imprensa. Ninguém aqui prescreve corticoide na primeira semana. Isso é um erro. Aliás, isso, sim, deveria estar sendo denunciado pela imprensa, mas não está. Focam na ivermectina, focam na cloroquina, mas não falam: “Parem de dar corticoide na primeira semana da doença, porque isso comprovadamente aumenta o risco de óbito”. Ficam plantando fake news de que ivermectina causa hepatite. Isso é mentira, até porque — isto está farmacologicamente, patologicamente descrito —, nas raríssimas vezes em que a Ivermectina causa elevação de enzima hepática, ela não atinge as canalículas, não causa elevação de bilirrubina, ou seja, é uma hepatite sem colangite, é uma hepatite sem icterícia, a pessoa não fica amarela. Ela não evolui para a hepatite fulminante. Isso é uma mentira. O que está dando hepatite fulminante na COVID é o Paracetamol, é o Tylenol, remédio comprovadamente causador de hepatite fulminante, destruidor de canais (ininteligível). Foi descrita numa matéria que foi ao ar recentemente nos jornais a destruição do fígado das pessoas que estavam indo para o transplante. Isso, sim, causa hepatite. E o Paracetamol está sendo prescrito, sem nenhum controle, como tratamento de COVID, em vez de estudarem as drogas que sabemos que reduzem a carga viral.
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Vou tentar o meu roteiro, por causa do tempo.
Na nossa observação — eu, por exemplo, tenho mais de mil casos tratados —, tenho três óbitos de pacientes acima de 85 anos. Uma tem 79 anos. Todos morreram tardiamente e tinham tomado prednisona na primeira semana.
Eu desafio um médico aqui a provar e publicar que os pacientes que estão morrendo na UTI fizeram uso de tratamento imediato adequado antes de irem para a UTI. Não fizeram ou, quando fizeram, fizeram errado. Tomaram Ivermectina uma vez a cada 15 dias, tomaram corticoide, fizeram uso não guiado por médicos. Eu trabalho em UTI, e UTI do SUS. Eu sei do que estou falando. Posso provar o que estou falando.
Então, está na hora de começar a botar no papel (ininteligível) e publicar, porque, aí sim, vai ter relevância. Falar: "Todos os meus pacientes tomaram ivermectina e foram para a UTI" é mentira! Eu falo que é mentira, porque não é possível que aqui em São Paulo estejamos vendo uma coisa e, no resto do Brasil, haja outra! Ou não é possível que só os médicos do Brasil estão descrevendo hepatite por ivermectina! Em nenhum lugar do planeta está-se descrevendo hepatite por ivermectina ou cardiotoxidade por cloroquina, o que é outra falácia. Os estudos que mostraram efeitos cardíacos arrítmicos ou graves com cloroquina são os estudos que usaram a cloroquina em doses muito superiores à recomendada na bula, tanto no tratamento tradicional para a malária e tal, quanto no tratamento recomendado para a COVID.
Eu cito o Coalizão, estudo brasileiro que usou 5,6 gramas de hidroxicloroquina. Não foi a dose usual, ao contrário do que a colega aqui falou. Permita-me discordar. Isso é o dobro, às vezes até o triplo, da dose usual preconizada no tratamento para COVID. O Solidarity, da OMS, usou 10 gramas. O Recovery, do Peter Horby, usou 10 gramas. O estudo do (ininteligível), do British Medical Journal, usou 10 gramas. O Coalizão II, do Furtado e colegas, também usou a pílula de 8 gramas de cloroquina na dose total. Esses estudos, sim, acharam efeitos cardíacos com cloroquina, mas eles usavam doses tóxicas. Houve, principalmente, o estudo de Manaus, que é o grande estudo assassino da COVID, que matou 40% do braço estudado. Deram 10 gramas de cloroquina para pacientes idosos com cardiopatia, em Manaus. O estudo foi publicado no JAMA, de Borba, Lacerda e colegas. E esse estudo "causou", porque toda (ininteligível), numa meta-análise, puxa a curva da toxicidade da cloroquina. Sobre esses estudos que citei, eu digo que são os (ininteligível) dos estudos assassinos da COVID. Eles só provam uma coisa: quando você dá doses tóxicas de cloroquina, você tem efeitos tóxicos da cloroquina.
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O tratamento previsto com cloroquina para a COVID usa, no máximo, 2 ou 2,4 gramas de cloroquina na dose total. Nenhum estudo que usou essa dose viu efeito colateral cardíaco relevante algum. Inclusive, dos dez — não são três, são dez — ensaios clínicos randomizados e publicados sobre cloroquina até o presente momento, nenhum deles avaliou e viu efeito colateral grave.
Então, isso é para desmascarar um pouco a outra fake news da ausência de evidência. Existe evidência, sim. Podemos discutir a qualidade da evidência, mas dizer que não há evidências, que tratamento precoce não existe, é mentira. E nós temos que deixar bem claro que é uma mentira, porque não dá mais para aceitar esse discurso calado, porque isso está matando gente. Isso está levando pessoas ao autotratamento; está induzindo médicos a não tratarem direito, a darem kit sinusite nos postos; e isso está atrasando o combate à pandemia, que não é feito só com vacina. Pandemia nós combatemos com medidas profiláticas não farmacológicas, como distanciamento social, luva, álcool em gel, lavagem permanente, higiene, ventilação dos ambientes, que é algo que no Brasil está sendo ignorado — os transportes coletivos continuam lotados, por exemplo; medidas profiláticas farmacológicas, vacinas; e medidas terapêuticas com os que estão enfermos. Inclusive, aqueles que tomaram vacinas ficaram enfermos.
Eu nunca vi, numa pandemia, recusar-se a dar remédios a doente ou querer um estudo de ouro, que leva anos para ser feito, para poder aplicar em um doente. A maior prova dessa atitude errada é o corticoide. Durante muito tempo, o corticoide era tratado pela turma da universidade pari passu com a cloroquina. Quem dava corticoide era charlatão. Há depoimento do Presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, o Sr. Clovis Arns, em maio do ano passado, dizendo que não era para dar corticoide, que matava, que isso era ruim, que fazia mal. Dois meses depois, saiu um estudo do Recovery que, apesar de ser um estudo ruim, mostrou que o corticoide tinha benefícios. Tão bom o corticoide é, que se mostrou benéfico até num estudo ruim. Depois vieram outros estudos, até um estudo brasileiro, o CoDEX, que é um estudo muito melhor que o Recovery. Mas, como temos "síndrome de tupiniquim", preferimos valorizar o estudo inglês, que é um estudo que usa uma dose menor, e não valorizamos o nosso estudo, que usa uma dose maior e é muito mais bem feito que o estudo inglês. A partir daí passaram a usar corticoide. Contudo, Deputado, quem usou corticoide matou 50% a menos do que aqueles que não usaram corticoide.
Eu tinha muito mais coisa para falar, mas eu queria encerrar dizendo que as evidências existem; que os efeitos adversos do (ininteligível) são fake news; que, na nossa observação, quem usa o tratamento precoce morre muito menos; e que não dá mais para com politização no tratamento, em relação a usar ou não usar.
Deixem os médicos em paz! Lugar de tratamento é no consultório, não é no Congresso Nacional.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Muito obrigado, Dr. Francisco Cardoso. O senhor tem sido um grande mestre para nós, nas informações. Eu tenho seguido muito as suas orientações, aliás, de todos que foram convidados hoje para esta audiência pública sobre a importância do tratamento precoce para a COVID-19.
É pena que a apresentadora que está sempre na televisão, na Globo — e nós gostaríamos muito de ouvi-la — não compareceu. Refiro-me à Natália Pasternak, que é microbiologista e que sempre fala contra o tratamento precoce. Nós queríamos muito ouvir a sua opinião nesta audiência pública.
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Mas registro que ela foi convidada, inclusive entrou na nossa sala, e parece-me que não vai participar mais desta exposição tão importante, porque nós queríamos ouvir os dois lados. Até porque, esse é o nosso sentido, é isso o que nós queremos. Nós não queremos ouvir um lado só, como acontece hoje na sociedade.
Quem é o politicamente correto é o contra o tratamento precoce, e o politicamente incorreto é o a favor do tratamento precoce. Eu gostaria que todos fossem corretos, porque, na verdade, essa é uma doença que estamos ainda vivendo, estudando. Precisamos salvar vidas imediatamente, quando as doenças acontecem, até porque a vacina não foi inventada antes da doença também. Inclusive, a vacina está em fase experimental. Nós não sabemos os efeitos colaterais das vacinas. E em breve teremos uma audiência pública sobre efeitos positivos e negativos das vacinas que nós estamos hoje fazendo no Brasil.
Aqui, para mim, como Deputado, especialista em saúde pública e meio ambiente, não existe conceito e nem preconceito; temos que fazer todos os dias novos estudos, novos pensamentos. E o que vale, realmente, é o estudo, é a clínica, para um dia chegar — quem sabe? — na ciência.
Tem a palavra a Deputada Jandira Feghali, que nos brinda com a sua presença na nossa audiência pública.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Bom dia, Deputado Giovani Cherini, autor deste requerimento!
Bom dia a todas e a todos os convidados!
Deputado Cherini, eu fiz questão de passar aqui porque nós temos tido bastante polêmica neste tema. Eu gostaria de dizer que, inicialmente, esta audiência só tinha os convidados favoráveis ao tratamento precoce no seu requerimento. E só foi possível colocar o debate no contraditório porque eu propus que fossem chamadas pessoas que têm posições diferentes. Aí nós pedimos isso. E quero agradecer a sua anuência por ter aceitado que outras pessoas que tivessem posições diferenciadas viessem.
Não ficaria bem que nós deixássemos aqui a ideia de que alguém fugiu desse debate. Certamente algum problema houve com a Dra. Natália, que chegou a entrar na sala, segundo V.Exa. disse. Eu não vi porque entrei um pouquinho depois do início. Certamente não foi por dificuldade de debater — a Dra. Ilka aí está, a Dra. Lilia está —, certamente ,se a Dra. Natália pudesse ter permanecido, teria falado. Ela deve ter tido alguma emergência, algum problema, e se retirou da sala, se é que ela conseguiu entrar. V.Exa. está dizendo que entrou, então eu acredito que algum problema deve ter havido para que ela saísse.
Em segundo lugar, devo dizer que é importante que este debate ocorra, porque também acho, Dr. Francisco, que lugar de debater tratamento, de fato, não é na política, muito menos no Palácio do Planalto, de onde emanam receitas para a sociedade brasileira e imposições, muitas vezes, aos Ministros, que já declararam em CPI que saíram do Ministério porque não tinham autonomia para não prescrever ou prescrever protocolos no Ministério da Saúde.
E também acho que não cabe aos microfones do Parlamento brasileiro fazer receitas ou mesmo dizer que tirem máscaras, aglomerem-se ou dizer que as vacinas não funcionam. Isso tem acontecido nos microfones da tribuna do Parlamento brasileiro. Aliás, na minha opinião, isso se constitui crime, crime contra a vida, e assim nós deveríamos encarar o que vem acontecendo na tribuna do Parlamento brasileiro.
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E me preocupa, porque disse a Dra. Ilka o seguinte: "Eu não acho que nós devamos proibir o médico de prescrever o que queira”. O problema é que, quando se fala de forma aberta que um tratamento funciona e que não precisa de receita — todos nós sabemos disso, sabemos que cloroquina, ivermectina, mesmo o Xarelto, um anticoagulante, ou a dexametasona não precisam de receita para serem comprados em uma farmácia... Eu sou médica, sou cardiologista, sou cardiopediatra, tenho 39 anos de formada. Então, não estou falando aqui como leiga. Nós sabemos que as pessoas chegam a uma farmácia e compram, e as pessoas se automedicam. E o que tem acontecido? As pessoas não vão ao consultório, ao posto de saúde ou a qualquer lugar para pedir receita desses remédios. No desespero de uma pandemia, no desespero de medo do vírus e no desespero de parar no hospital, numa UTI ou morrer, as pessoas, sua mãe, seu tio, principalmente os seus filhos, as pessoas compram e tomam, e tomam em doses absurdas. É o que está acontecendo.
Eu tenho visto casos de plano de saúde. Eu recebi aqui uma denúncia de um plano chamado Prevent Senior, para o qual o paciente ligou para pedir uma consulta porque estava com febre e com um pouco de tosse. Ele não sabia se estava contaminado ou não pelo SARS-COV-2. A atendente do plano, antes de marcar a consulta, pediu seu nome, seu endereço, seu contato. Inclusive, é um plano famoso de São Paulo. Ele marcou a consulta. Ela mandou para ele um formulário, pedindo se ele autorizava receber em casa a medicação. Ele disse que sim. No pânico, todo mundo autoriza. E, antes de o médico vê-lo, ele recebeu em casa o chamado kit COVID, assinado por um médico. O médico não o viu. O médico não o examinou. O médico não pediu nenhum teste, e mandou para a casa dele no endereço uma quantidade imensa de comprimidos, dentro de um saquinho bonitinho, com uma receita carimbada, com o kit COVID. O médico não o viu. E como tem uma receita, ele olhou para aquilo e disse: ”Mas eu nem fui à consulta ainda!”, e já estava lá o chamado kit COVID, com ivermectina, com cloroquina, tudo junto para ele tomar nas doses. Fez-se isso sem se ver o paciente, sem ver o tamanho dele, sem examiná-lo, sem teste, sem medir temperatura, nada, absolutamente nada. Não sabia altura, peso, cor; não auscultou seu pulmão, não pediu nenhum teste.
E há algo pior: as pessoas que defendem o tratamento precoce, no geral — no geral, repito — vão junto com este discurso: não precisa usar máscara, pode sair para a rua para trabalhar. E questionam e desqualificam a vacina. E ainda dizem — eu ouvi isto aqui hoje, eu ouvi isto aqui hoje! — que a vacina tem mais efeito colateral do que o tratamento precoce.
Sinceramente, eu estou falando isto aqui com toda a franqueza de quem é médica — eu me formei em 1979 —, de quem é médica, de quem trabalhou em hospital público na ponta do sistema. Eu trabalhei em emergência e trabalhei em UTI por vários anos. Tratei de criança, na prevenção inclusive da febre reumática. Eu não estou falando aqui de quem nunca atuou na ponta, na frente, na linha de frente. Eu acho tudo isso uma grande irresponsabilidade. Eu acho tudo isso criminoso, porque onde nós conseguimos, de fato, resolver de forma coletiva foi onde, de fato, a vacina se fez massivamente.
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Eu preciso me basear naquilo que a ciência me comprova. Não estou aqui questionando os estudos em que vocês se baseiam. Agora, uma coisa barata esta, como é a cloroquina e a ivermectina... Eu não posso dizer que toda a sociedade de infectologia, toda ela, faz parte do lobby da indústria. Todos os cientistas, todos os médicos que não assumem o tratamento, todos eles estão pagos, estão envolvidos pela indústria e pelo lobby? Quer dizer que todos aqui estão baseados no que os americanos querem? Quer dizer que todas as sociedades, os acadêmicos, os ex-Ministros, todo mundo agora aqui virou lobista da indústria farmacêutica? É isso que vocês estão querendo dizer?
Sinceramente, não estou aqui questionando a crença de vocês. Eu acho que cada um defende o que acredita, mas nós precisamos ter cuidado quando acusamos as pessoas dessa forma. Nós temos que ter cuidado!. Se vocês querem, dentro do consultório de vocês, com o receituário de vocês, com o controle do paciente de vocês, dar a dose que vocês acham que é adequada e controlar os efeitos colaterais, controlar os pacientes, ter o follow-up deles, isso é um critério que vocês podem ter dos seus pacientes. Agora, dizer que os estudos são questionáveis, que isso tudo é fake news, desculpem-me, mas isso é questionar também os estudos científicos que outros divulgaram e fizeram. Nós não podemos tratar as coisas dessa forma, porque isso é dizer que tudo que os outros falam é mentira. Isso não é correto.
Com todo o respeito, por favor, tomem cuidado, porque, quando vamos para a rádio ou para a televisão para dizer: "Façam o tratamento precoce"... Eu não estou falando da sua intervenção, Dr. Francisco. O senhor disse: "Isso é um problema de consultório". Se vocês têm capacidade de controlar os pacientes de vocês, isso é uma coisa; contudo, ir para dentro de uma televisão ou de uma rádio, como eu tenho visto muita gente fazer: "Faça o tratamento precoce! Aglomerar pode! Máscara incomoda e não salva! A vacina é questionável!", isto mata. Isto, sim, mata! Então, preocupa-me muito a automedicação, a partir de uma propaganda feita, questionando, inclusive, o uso da vacina.
Eu queria que a Deputada Bia Kicis... A Deputada Bia Kicis está aí?
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - A Deputada Bia Kicis já falou.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Eu vi a Deputada Bia Kicis, que é a Presidente da CCJ, Deputado Cherini, ir para um vídeo tirar a máscara e dizer que a máscara a impede de respirar.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Deputada, eu preciso...
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - A Deputada participou de um vídeo sem máscara, dizendo que não precisa usar a máscara e questionando a vacina. Então, isso me preocupa muito.
Deputado Giovani Cherini, eu agradeço a participação. Obrigada por ter aceitado a presença dos profissionais.
E, se os médicos acham que devem prescrever, por favor, que o façam apenas se tiverem — eu inclusive discordo, porque acho que deve haver base científica — o controle do seu paciente.
Muito obrigada, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado, Deputada Jandira Feghali. Eu tenho muito respeito pelas suas colocações. Eu tenho muito respeito às opiniões contrárias. Jamais vou dizer que alguém que pensa diferente está fazendo algum crime, até pelo seguinte: a automedicação eu não defendo; kit COVID, nós nunca o defendemos. Eu defendo, sim, protocolos, até porque, para todas as doenças, existe um protocolo no Ministério da Saúde. Há protocolos médicos. Quem receita remédio é médico, porém, hoje nós estamos proibidos de debater este assunto, porque estão nos criminalizando, porque nós temos a ousadia de buscar esse conhecimento de médicos e cientistas que estão no pé da cama. E o que nós estamos ouvindo aí são médicos dessa natureza.
11:23
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Então, vou continuar respeitando, sem nenhum preconceito, sem chamar de criminoso nem de genocida ninguém, até porque se diz que, quem sabe tudo neste momento, pode até não saber nada. Nós precisamos respeitar aqueles que estão trabalhando, que estão salvando vidas e que estão realmente trazendo essas experiências, experiências clínicas que um dia poderão ser ciência, se ainda não são. Nós sabermos que já existe muita ciência por trás do tratamento inicial e do tratamento precoce.
Vamos ouvir agora o Dr. Paulo Porto. Depois, falará a Dra. Roberta Lacerda e, ainda, o Dr. Paolo Zanotto. Cada um disporá de 15 minutos. Depois teremos a réplica para todos que quiserem participar.
Por favor, este assunto não é um assunto ideológico ou político, este é um assunto de vida, de salvar a vida das pessoas. E a única coisa que existe para salvar vidas é tratar as pessoas imediatamente, quando elas têm a doença.
Com a palavra o Dr. Paulo Porto, por favor.
O SR. PAULO PORTO - Bom dia a todos, nobres Deputados!
Muito obrigado pelo convite, Deputado Giovani Cherini.
Eu gostaria, primeiramente, de declarar uma coisa que eu julgo de suma importância: eu não tenho nenhum conflito de interesse. Eu não recebo dinheiro, grant, royalty, jantarzinho nem cafezinho de empresa nenhuma, o.k.? Então, isso me dá uma isenção muito grande para falar.
Em segundo lugar, nobre Deputada Jandira ou Dra. Jandira, a senhora tem toda a razão: não, não é toda a Sociedade Brasileira de Infectologia que se coloca contra o tratamento precoce. Afinal de contas, a senhora ouviu, acabou de ouvir um infectologista falar, que foi o Dr. Francisco Cardoso. Se não teve a oportunidade de ouvir, vai ouvir na sequência outra infectologista falando, que é a Dra. Roberta Lacerda. Então, essa história de que toda a Sociedade Brasileira de Infectologia se coloca contra, ela não se sustenta. Ela é montada em cima de um castelo de cartas.
Em terceiro lugar, irresponsabilidade, na minha opinião, é virar para um paciente e falar assim: "Volte para cá só quando o senhor estiver com falta de ar. Vá tomar Novalgina e vá para a sua casa, volte só quando estiver com falta de ar". Certamente a senhora, como cardiologista, sabe que falar para um paciente voltar para o hospital em insuficiência respiratória é meio caminho andado para o óbito. Não é preciso ser muito inteligente para concluir isso.
Em relação a toda essa celeuma de hepatite e de efeitos colaterais, eu vou compartilhar a minha tela aqui, rapidamente, Deputado Giovani Cherini. É uma coisa simples, de acesso aberto, para todos que quiserem, e não é preciso ser médico para acessar isso.
Olhem, vejam aqui o VigiAccess. Este é um site da própria Organização Mundial de Saúde. Então, vamos aos fatos, aos dados, e não à falácia. Vamos ver o que está acontecendo, vamos lá!
(Segue-se exibição de imagens.)
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Ivermectina. Vamos ver o que vai aparecer aqui. Olhem aqui: efeitos adversos das drogas, cadê? Doenças hepatobiliares, há 79 casos registrados pela Organização Mundial de Saúde.
Para não dizerem que eu estou usando dois parâmetros, ou dois pesos e duas medidas, pois pau que bate em Chico bate em Francisco: paracetamol — o Tylenol, para quem não conhece —, efeitos adversos: há 13.037. Não sou eu quem está dizendo, está registrado. O acesso é de hoje, está bem?
Depois, se quiserem, nós podemos explorar mais isso, porque é bem instrutivo. E não sou eu que estou dizendo, volto a repetir.
Eu gostaria de deixar muito claro, pessoal, que a história costuma ser implacável, Deputado Giovani Cherini. A história é implacável. O tempo é o senhor da razão e a verdade, a sua filha pródiga. E tem sido assim desde o início dos tempos. Essa história de que 80% dos pacientes, após 15 dias da doença, estavam livres e de que iriam se livrar com ou apesar do médico, isso é uma verdade que, como várias outras verdades na medicina, demonstrou-se transitória. Era uma verdade lá de março do ano passado, porque hoje abundam os estudos que demonstram que pacientes que foram assintomáticos lá atrás e que, portanto, não se trataram ou não usaram medicamentos para reduzir a carga viral possuem sequelas cognitivas, respiratórias e até cardíacas. É isso que nós estamos vendo hoje.
Há um estudo recente, publicado no periódico The Lancet, que mostra que 80% desses pacientes acabam com algum tipo de redução nas suas habilidades cognitivas e executivas. E isso vai ter um preço, porque não são 80% de economicamente inativos, são 80% com grande parcela da população economicamente ativa. Então, não dá para simplesmente negligenciar essa parcela da população. Da mesma forma, há uma nítida correlação de que, quanto mais se demora a instituir o tratamento, maior é o risco de esse paciente evoluir com alguma sequela cognitiva, pulmonar, cardíaca, neuropática, periférica ou o que quer que seja.
O segundo aspecto que eu gostaria de abordar é essa história de que o preprint não tem valor científico. Pessoal, vamos lá! Ciência tem que ser algo translacional, algo que tem aplicação na prática, porque, se for para ficar só discutindo dentro de banco acadêmico, nós vamos ver a população mundial ser extinta e vai continuar esperando o estudo duplo cego randomizado. O preprint tem uma função principal: submeter aquela pesquisa a um escrutínio público antes de ela ser publicada. Então, na verdade, o que o preprint faz é ampliar a possibilidade de críticas, e não restringir esse artigo a ser criticado apenas pelos pares que são revisores contratados geralmente pelas revistas ou pelos periódicos científicos. E não é verdade que eu posso dormir hoje à noite, inventar um trabalho, submeter a um repositório, que ele vai acordar, no dia seguinte, publicado no site do repositório. Qualquer um que já tenha submetido um artigo a um repositório sabe que não é assim. Se você submeter fora das normas do repositório, ele não é sequer considerado. Ele tem que ser visto, tem que ter parecer de Comissão de Ética.
Recentemente, por exemplo, eu e um grupo de colegas passamos meses aguardando a tradução de um parecer da Comissão de Ética para que ele pudesse sair ao ar num repositório.
Então, vamos colocar as coisas como elas realmente são, sem falácia, sem "ouvi dizer", etc. Querem falar que eu sou negacionista ou que alguém é negacionista, podem falar. Falar, até papagaio fala! O que me interessa é o que o meu paciente fala, não é o que a mídia fala. E o meu paciente, senhores, ele pode falar, sabem por quê? Porque ele está vivo.
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A exemplo do Dr. Francisco, que tem uma mortalidade baixíssima, eu conto nos dedos de meia mão os pacientes que eu perdi. Sabem por quê? Porque, como diz a Dra. Roberta Lacerda, que vocês vão ouvir daqui a pouco, esse é um vírus estúpido, que mata, mata forte e mata rápido. Ou seja, ele vai ganhar a luta. Não dá para brincar com essa doença, não dá para mandar para casa com Novalgina e mandar voltar quando está morrendo. Nós não fazemos isso com nenhuma doença! Nós não fazemos isso com gripe, não fazemos com câncer, não fazemos pneumonia, não fazemos com disenteria, e vamos fazer com COVID? Pelo amor de Deus!
Vejam os dados da Dra. Raissa! Vejam os dados aqui de Porto Feliz, com mortalidade de 1%! Ou seja, nós teríamos hoje, se seguíssemos os exemplos que nós temos aqui no Brasil, um terço das mortes que estamos tendo. E esse é um cálculo matemático besta. Se a mortalidade nacional é 2,8%, e a mortalidade desses Municípios é 1%, logo se conclui — é uma regra de três simples, que qualquer aluno de 5ª série faz — que a mortalidade seria um terço. Nós teríamos perdido dois terços a menos de brasileiros. Para quê? Perdemos dois terços de pacientes a mais, para ficar ouvindo besteira, baboseira de lado: se fulano é do "Cloroquina Futebol Clube" ou não? Vamos parar com isso!
E digo outra coisa: evoluam, parem com essa asneira de ficar falando só de cloroquina! Isso aí é de janeiro, de fevereiro do ano passado. Hoje nós já temos mais de 10 drogas, são 14. Hoje já temos o brilhante trabalho do Cadegiani, falando de antiandrogênico. E vocês ainda estão nessa de falar de cloroquina e de corticoide, de falar que não se usa corticoide?!
Puxa vida, Dra. Lilia, eu fiquei abismado com a sua mortalidade de 5 mil pacientes! Olhe, fique à vontade, conte com a minha solidariedade médica. Eu, o Dr. Francisco e o Dr. Eduardo lhe oferecemos gratuitamente o nosso protocolo, o protocolo que vários colegas usam, de como usar o corticoide em casa, na hora certa. Eu lhe garanto que a senhora vai ficar muito mais confortável e não vai ter essa mortalidade impensável que a senhora está tendo e tornou pública aqui na sua fala. Juntando os meus, os óbitos Dr. Francisco, do Dr. Eduardo e da Dra. Roberta, o número não dá uma fração dos óbitos que a senhora afirmou que teve. Não dá para ficar perdendo paciente assim, não dá! Nós temos que ver o que realmente está funcionando, o que realmente faz diferença na vida das pessoas.
E há outra coisa: é preciso aplicar na hora correta. Se eu for tratar uma pneumonia na hora errada, não vai funcionar: o paciente vai morrer. Há essa história: "Ah, porque 80% dos óbitos na minha UTI foram de pacientes que estavam usando o tratamento precoce!" Jura? Eu acho que 95% dos pacientes que estão infartados numa unidade coronariana usavam anti-hipertensivo. Isso quer dizer que remédio para pressão alta faz a pessoa infartar? Concluir isso é um erro primário de epidemiologia e se chama viés do observador. O ponto que a senhora está observando está errado, porque, quando a senhora diz que 80% da sua UTI é de pessoas que usaram tratamento precoce, a senhora não está vendo a enorme maioria que não foi parar na UTI. E é por isso que a senhora tem essa impressão errada. Isso é um erro metodológico. Então, por favor, vamos colocar as coisas no seu devido lugar.
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Por último, Deputado, eu gostaria de trazer um conceito bastante interessante de ser analisado, que aprendemos lá atrás, no primeiro ano da faculdade de medicina, na cadeira de Epidemiologia, e que se chama NNT. O que é isso? É o número necessário para tratar. O que é o número necessário para tratar?
Imagine que nós temos algumas empresas, e essas empresas estão querendo lançar um produto no mercado. O indivíduo quer vender o seu produto. Ele faz uma ação de marketing. Nessa ação de marketing, em que o senhor investiria mais? Em um marketing pelo qual, se o senhor fizesse sete anúncios em horário nacional, conseguiria a sua venda; ou em um marketing em que o senhor precisasse fazer esse anúncio 22 vezes para conseguir vender o seu produto? Esse é o NNT. Traduzindo de uma forma mais científica, é o número de pacientes que eu preciso tratar para salvar uma vida que não seria salva caso eu não usasse aquela medicação.
Vamos aos números? O NNT da dexametasona, defendida como o corticoide que salva, é 22, ou seja, a cada 22 pacientes que trato com dexametasona, eu salvo uma vida que não salvaria caso não usasse dexametasona. O NNT da metilprednisolona, que pode ser usado em regime ambulatorial, é 7. A partir de sete pacientes tratados, eu salvei mais um. Está bom isso? Está bom. O NNT das estatinas, ou da Aspirina, amplamente usadas pela nossa população para doenças cardiovasculares, está ao redor de 100, ou seja, preciso tratar cerca de 100 doentes, noventa e poucos, para que eu consiga salvar um que não salvaria se não usasse essas drogas. Sabe quanto é o NNT da famigerada ivermectina? Na mais recente metanálise que vai ser publicada pela Dra. Tess Lawrie, é 4. A cada quatro pacientes, eu salvo mais um.
Então, por que eu preciso achar lindo usar Aspirina para a prevenção cardiovascular, que tem um NNT de 100, e acho feio usar a ivermectina, que tem um NNT de 4? Eu estou ouvindo aqui um monte de coisa: "Ah, porque ivermectina causa hepatite". Desculpe-me, esse não é o dado que está registrado na OMS, não é o dado que eu vejo na minha prática clínica. "Ah, porque a ivermectina pode causar infertilidade." Vamos de novo aos dados? Acho que isso é muito interessante. Vamos de novo aos dados. Entrando aqui no VigiAccess, sobre a ivermectina, há: problemas de gravidez, puerpério e condições perinatais, 11 casos registrados. Vamos ver mais? Sistema reprodutivo e desordens na mama: 40 casos publicados, para uma medicação que tem bilhões de comprimidos já utilizados na humanidade — bilhões. Não são dois ou três.
Por último eu gostaria de enfatizar algumas coisas que já foram ditas pelos meus antecessores. Não se trata de vacina ou tratamento; trata-se de vacina e tratamento, e distanciamento, e máscara, e álcool gel, e higiene. Higiene, máscara e álcool gel vêm desde a época de Lister; tem 2 séculos. Preciso falar disso ainda?
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Pelo amor de Deus! Vamos falar então de vacinas e de tratamento? Vamos. Está dito pelos fabricantes de vacina que, mesmo entre os vacinados, uma porcentagem destes vai adoecer, porque a eficácia da vacina não é de 100%; ou seja, precisamos do tratamento, e ele está aí.
O segundo ponto é que o tratamento para redução da carga viral, com as medicações que foram reposicionadas, promove uma menor probabilidade de surgimento de cepas mutantes. São tratamentos complementares. Se fôssemos depender só de vacina, ia estar morrendo gente de HIV igual acontecia em 1980. Sabem por que não estamos vendo isso acontecer? Porque tratamos — com coquetel, seja com o que for.
Não vou exceder meu tempo, Deputado.
Muito obrigado pela oportunidade.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Dr. Paulo Porto, só queria uma apresentação de onde o senhor trabalha, da cidade onde o senhor está. Gostaria muito que cada um dissesse, para que os nossos internautas, o pessoal que está acompanhando, saiba com quem estamos falando.
O SR. PAULO PORTO - Pois não.
Sou neurologista. Tenho título de especialista em neurologia, neurocirurgia e medicina de urgência e sou pós-graduado em liderança cirúrgica, que, dentre outras coisas, aborda gestão de crises e epidemias, pela Universidade de Harvard.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Onde o senhor está agora?
O SR. PAULO PORTO - Estou em São Paulo.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Na cidade de São Paulo, mesmo?
O SR. PAULO PORTO - Sim, senhor.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - É importante sabermos, porque precisamos passar os telefones dos médicos que estão salvando vidas, para o mundo inteiro saber. Isso nós precisamos muito.
O SR. PAULO PORTO - Agradeço a oportunidade, e agradeço sua visão de que é da discussão que nasce o consenso.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - É da discussão que nasce a luz.
O SR. PAULO PORTO - Exatamente.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado por sua ajuda e por sua participação.
A SRA. LILIA NIGRO MAIA - Deputado Giovani, sou a Dra. Lilia.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Não tenho como passar a réplica agora, porque temos que ouvira a Dra. Roberta Lacerda, o Dr. Paolo Zanotto, e depois faremos a réplica, porque estão todos na sala esperando. Se eu abrir a réplica agora, aí vamos desrespeitar...
A SRA. LILIA NIGRO MAIA - Eu sei. Só quero, por gentileza... É porque ele falou um dado que até compromete a minha reputação.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Sim, mas a senhora vai ter tempo, em seguida, para poder falar.
A Dra. Roberta Lacerda, por favor, está com a palavra. (Pausa.)
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Deputado Cherini.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Estou ouvindo.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - A Dra. Lilia só quer corrigir um dado, porque isso pode interferir na intervenção dos outros Deputados. Ela só quer corrigir um dado, e acho que é importante.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Tudo bem. Só tenho uma preocupação...
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Pode prejudicar as outras intervenções.
A SRA. LILIA NIGRO MAIA - Sabem o que acontece? Este mal-entendido está se prorrogando. Todos os palestrantes estão entendendo que eu disse que tenho 5 mil mortes aqui no hospital. E, se disse isso, eu troquei as bolas, porque não é isso. Eu tenho 5 mil pacientes num banco de dados dos pacientes que foram tratados, da qual a mortalidade é 3%. Pelo amor de Deus! Então, não tenho 5 mil mortes, eu tenho um banco de dados de 5 mil pacientes que foram internados em nossa instituição.
Muito obrigada, é só isso que quero esclarecer.
Muito obrigada, Deputada Jandira. Se não esclarecesse, o próximo palestrante poderia, de novo, dizer: “Coitada você... coitados dos seus pacientes. Venha aqui que eu ajudo a tratar, porque você não sabe, você está matando todo mundo”. É só isso.
Não é real, entendeu? Está esclarecido?
Muito obrigada pela oportunidade.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Doutora, eu acho que é importante este esclarecimento, até porque eu tinha ouvido que a senhora tinha falado 5 mil mortes, mas é bom fazer esse esclarecimento.
A SRA. LILIA NIGRO MAIA - Se eu falei, quero deixar muito claro que — pelo amor de Deus! — não foi isso que eu quis dizer. São 5 mil pacientes em banco de dados, só isso.
11:43
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O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Está bom. Feita a correção.
Dra. Roberta Lacerda, por favor, faça sua apresentação.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Olá, pessoal. Bom dia — quase boa tarde.
Estou tentando aqui abrir a tela da minha apresentação. Estou um pouquinho atrapalhada. Não estou sabendo onde consigo achar aqui no banco de dados que ele me pede. Quero ver se consigo puxar da minha área de trabalho para cá.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Se a assessoria estiver ouvindo, peço, por favor, que ajude a Dra. Roberta Lacerda.
Mas a senhora pode ir falando.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Vou começar me apresentando, como o senhor pediu. Acho que sou um das caçulas aqui e uma das grandes críticas nessa pandemia. Parece que vem aos jovens, como se o conhecimento tivesse idade, e, principalmente, algum tipo de elite acadêmica pudesse ser suplantada por outra em uma doença tão nova e desafiadora quanto essa.
Mas tenho 39 anos, sou médica infectologista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com residência em infectologia reconhecida pelo MEC. Fiz o meu título de especialista. Sou titulada pela Sociedade Brasileira de Infectologia, da qual muito me orgulho. Gostaria de deixar isso bem claro. Trata-se de uma sociedade muito presente na nossa vida. Ela nunca foi tão demandada como agora.
E, neste exato momento, eu me coloco aqui como infectologista que sou, como titular que sou, como pagadora de boletos também — sou prestadora de contas. E as pessoas que "estão" representantes — e é bom que se diga isso de nota — ou que estão representando a Sociedade Brasileira de Infectologia têm um posicionamento, mas não podemos nunca dizer que esse é o pensamento da maioria dos infectologistas, haja vista a discussão que se tornou essa pandemia.
Eu gostaria só que o senhor pudesse contar o tempo a partir do momento que eu conseguisse o compartilhamento. Ninguém ainda entrou em contato comigo.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Pode ficar bem à vontade, porque a senhora tem o tempo necessário para fazer sua apresentação.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Quero só fazer uma correção: por uma dificuldade de agendas e por compromissos de ordem pessoal, o Dr. Guili Pech e a Dra. Nise Yamaguchi não puderam comparecer. Eu gostaria de fazer uso dos 15 minutos deles para fazer as colocações a respeito das evidências científicas, porque é muito importante que se diga — e acho de extrema importância o que a Deputada Jandira Feghali disse — sobre o respeito ao contraditório. E, como bem o senhor falou, Deputado Giovani Cherini, foi muito difícil encontrar colegas que pudessem debater conosco sobre o ponto de vista de que não há evidências científicas em relação à abordagem precoce, haja vista que existe, inclusive, essa dificuldade de as pessoas entenderem e nos rotularem — e ao nosso tratamento, a nossa abordagem — como médicos do kit COVID. Eu não assumo esse rótulo.
Como bem disse também o nosso colega Dr. Francisco Cardoso, é o kit sinusite, é o kit dipirona para casa com corticoide na primeira semana que tem verdadeiramente aumentado a letalidade nos pacientes. Se todos nós, dentro da nossa coorte de UTI observamos os pacientes que foram a óbito e fizermos uma história clínica minuciosa, vamos encontrar corticoide na primeira semana, mais até porque é vendido indiscriminadamente.
Tenho essa empatia com a colocação da Deputada Jandira Feghali e me preocupo muito com a automedicação. Mas colocaria aqui, como um primeiro ponto de contraditório, que, se os pacientes se automedicam, é porque verdadeiramente não existe uma política de saúde pública dentro do SUS que integre, aborde integral e precocemente o paciente.
11:47
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A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Ai, ai, ai...
A SRA. ROBERTA LACERDA - A senhora está com seu áudio ligado. Eu entendi muito bem o seu suspiro.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Eu estava desligando. Desculpe-me.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Mas acho que você tem que me dar direito a falar primeiro, para depois fazer a sua colocação. As réplicas são depois.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Eu não vou aceitar a sua provocação, não. Desculpe-me. A senhora é uma convidada...
A SRA. ROBERTA LACERDA - Não, eu tenho que fazer a minha colocação. Estou aqui no meu direito de fala...
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Por favor, eu peço à Dra. Roberta...
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Eu só iria perguntar ao Deputado Giovani Cherini qual é o tempo para a sua intervenção, porque a senhora não pode ter 45 minutos. A senhora tem o seu tempo.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Eu tenho direito à réplica e tenho direito à colocação pelo horário dos meus colegas...
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Claro, a senhora vai fazer sua colocação no seu tempo, mas aqui existe uma regra regimental, Dra. Roberta. E a senhora vai respeitá-la — desculpe-me.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Dra. Roberta, eu peço que a senhora se atenha à sua apresentação, que é muito importante para nós. Por favor.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Certo. Mas eu não vou admitir esse tipo de colocação nem esse tipo de abordagem agressiva...
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - A senhora vai controlar meu suspiro agora? Se a senhora for controlar o meu suspiro, aí fica difícil...
A SRA. ROBERTA LACERDA - A senhora vai continuar interrompendo a apresentação? Eu posso começar?
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Não. Eu só estou perguntando ao Deputado Giovani Cherini qual é o seu tempo. A senhora vai falar o que quiser. São 15 convidados falando, e a senhora só precisa se ater à sua apresentação. A senhora se preocupar com o meu suspiro, eu acho um pouco demais. Desculpe-me.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Eu acho uma falta de educação.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Eu estava fechando o meu áudio, e aí a senhora interrompeu.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Pessoal, estamos perdendo tempo. Eu peço que a convidada respeite a Deputada Jandira Feghali, que tem todo o direito de se opor às colocações.
Mas eu gostaria de ouvir a Dra. Roberta Lacerda, dentro da sua apresentação. E que os suspiros sejam também livres, para que cada um possa suspirar na nossa audiência pública.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Infelizmente, estou com dificuldade de disponibilizar a minha apresentação em tela. Eu gostaria que algum técnico ajudasse.
(Falas paralelas que não fazem parte do contexto do debate.)
11:51
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A SRA. ROBERTA LACERDA - Enquanto isso, eu vou adiantando, apresentando aqui.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Vamos marcar, então, 15 minutos a partir de agora.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Um minuto, por favor, deixe-me primeiro encaminhar o e-mail. Não fomos avisados para enviar antes a aula. Eu acho que poderia, da próxima vez, fazer isso, porque seria interessante.
Dra. Lucy, seu e-mail, por favor? Pode enviar pelo chat?
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Estamos apresentando audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família, esperando a apresentação em tela da Dra. Roberta Lacerda. Em seguida, temos ainda o Dr. Paolo Zanotto e depois as réplicas e as tréplicas, para que possamos encerrar esta audiência pública.
Então, certamente vamos ter ainda a participação de cada um por 3 minutos, para fazermos o nosso encerramento.
A Dra. Roberta Lacerda vai ter 15 minutos, depois que iniciar a sua apresentação, e o Dr. Paolo Zanotto, também, mais 15 minutos. E aí, nós vamos para o final porque não podemos extrapolar o tempo de cada um.
Agradeço muito a todos que estão em sala desde que se iniciou a reunião, como o meu querido amigo Eduardo Leite, que está desde o início da apresentação. Ele é um médico de 46 anos de pé de cama e que nos orgulha muito. Ele já fez a sua apresentação. Agradeço também a todos que fizeram sua apresentação.
Em seguida falará a Dra. Roberta Lacerda, que vem lá do Rio Grande do Norte. E nós estamos aqui no Rio Grande do Sul. Então, atravessamos todo o Brasil.
Está conseguindo, Dra. Roberta?
A SRA. ROBERTA LACERDA - Estou, vou só anexar aqui.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - A sua apresentação é muito importante para nós, como a do Dr. Paolo Zanotto. Em seguida, então, vamos ouvir as considerações finais de cada um, certamente aquelas coisas que cada um gostaria de ter dito, mas que passou, até porque, em toda a apresentação, sempre fica aquela coisa: "Puxa vida, esqueci de tal assunto tão importante". Ou, em virtude de ouvir os outros, também fica aquela vontade de dizer mais alguma coisa.
Nós gostaríamos que a CPI do Senado estivesse ouvindo esses médicos, essas médicas que estão aqui se apresentando, e que não virasse a CPI da cloroquina. Gostaríamos que a CPI do Senado fosse realmente uma CPI para analisar as mortes a partir do não-tratamento, porque tratamento é uma coisa, vacina é outra. Temos até que ver os efeitos colaterais da vacina.
Eu também vou pedir uma audiência pública sobre o uso da máscara, a eficiência do uso da máscara. Em muitos casos, nós temos que discutir se, em praça pública e em ruas, as pessoas devem utilizar a máscara ou não. É muito importante que se discuta isso — por que não?
A SRA. ROBERTA LACERDA - Deputado.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Pois não, Dra. Roberta Lacerda.
11:55
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A SRA. ROBERTA LACERDA - Eu posso pedir ao Dr. Paolo Zanotto que encaminhe logo a palestra dele enquanto eu anexo a apresentação?
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Sim.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Muito obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Com a palavra o Dr. Paolo Zanotto, por favor. (Pausa.)
Dr. Paolo Zanotto? Já saiu? (Pausa.)
A Deputada Bia Kicis também já saiu? (Pausa.)
Agora, só falta...
A SRA. BIA KICIS (Bloco/PSL - DF) - Não, Deputado. Eu estou presente.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Ah! V.Exa. está presente.
A SRA. BIA KICIS (Bloco/PSL - DF) - Deputado Cherini, eu estou presente, ouvindo atentamente todas as exposições. Muito boa esta audiência pública — maravilhosa!
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - É que V.Exa. foi citada antes. Então, no final, gostaria que V.Exa. falasse também.
A SRA. BIA KICIS (Bloco/PSL - DF) - Com certeza.
Obrigada, Deputado.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Então, Dra. Roberta, a senhora é a última palestrante. Se não conseguir botar a apresentação na tela, a senhora a fornece para nós, que a apresentamos na Comissão, e a senhora faz a fala sem a apresentação na tela, por favor. (Pausa.)
Agora ela não está conseguindo fazer sua apresentação. Está com o microfone desligado.
Então, eu vou tocar para frente a nossa audiência pública, porque nós não podemos ficar aqui...
A SRA. ROBERTA LACERDA - Eu estou aqui presente. Estou anexando a apresentação ao e-mail. Eu vou anexá-la ao e-mail.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Então, por favor.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Só preciso de 1 minuto para poder carregá-la no e-mail.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Está bem.
Nós estamos fazendo a nossa audiência pública sobre o tratamento precoce na COVID. Esta semana disseram que nós deveríamos fazer um pedido de uma CPI das redes sociais, porque, quando você fala as palavras "tratamento precoce", em todas as doenças pode, menos divulgar nas redes sociais. Então, nós estamos pensando inclusive em colher assinaturas, porque eu sou defensor da liberdade de expressão, ainda mais no caso de uma doença sobre a qual muita gente não tem conhecimento total para dizer que sabe tudo.
Nós estamos vivendo um momento em que as pessoas precisam de tratamento, precisam de vacina, precisam se cuidar, precisam usar máscara nos locais adequados, precisam usar álcool gel, precisam fazer higiene, é tudo isso que nós pregamos. Mas, como disse o Dr. Paulo Porto, temos que botar o "e", não o "ou": tratamento e máscara; tratamento e vacina; tratamento e... Devemos sempre colocar o "e", não o "ou", porque, senão, limitamos a possibilidade de salvar muitas vidas, com toda certeza.
Dra. Roberta Lacerda, conseguiu agora?
A SRA. ROBERTA LACERDA - Enviei.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Vamos lá, então. Estamos contando o tempo, de 15 minutos, para a senhora. Em seguida, ouviremos as apresentações finais.
A SRA. ROBERTA LACERDA - A pessoa tem que entrar em "Eventos Câmara". Não é isso?
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Eu não sei. A assessoria que está acompanhando é que pode nos ajudar.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Eu vou fazer uma apresentação que já foi muito facilitada pelos meus colegas, porque, como foi dito...
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - A senhora está sem a imagem da câmera. Por favor, abra a câmera.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Sim. Só 1 minuto.
A minha apresentação foi bem facilitada pela Dra. Lucy Kerr, que gentilmente já introduziu boa parte da fisiopatologia da questão da ivermectina. E o Dr. Francisco Cardoso já falou muito sobre a questão também da metodologia, da evidência de conveniência.
11:59
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Há diversos artigos que foram fraudados, como os do The Lancet e do New England Journal. Em 6 de junho, aproximadamente, esses artigos foram publicados em tempo recorde. E, naquele momento, a medicina baseada em evidências ruiu. Por quê? Dentro desse contexto, dois dos maiores jornais periódicos, científicos e bicentenários mostraram dados fraudados de um grande banco de dados chamado Surgisphere.
O que estranha a nossa percepção como médicos que leem e sabem interpretar um artigo científico é que, em meio à discussão e à publicização — porque não é só publicar o periódico, há a questão hoje da mídia por trás —, houve um grande alvoroço, incensando esses artigos como a pá de cal em cima da hidroxicloroquina.
Mal sabiam eles que um dos autores desse artigo era tão somente um dos donos dessa Surgisphere, que, graças aos poucos jornalistas...
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Essa é a apresentação de V.Sa., doutora. A apresentação de V.Sa. está disponível.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Muito obrigada. Pode colocá-la em tela cheia.
Esse é um ponto importante que colocamos sobre o nosso questionamento aos colegas médicos que estão aqui em relação ao que nós fazemos sobre esses artigos científicos. Não é achismo. Não tiramos isso da nossa cabeça. Mas tão somente é a questão da interpretação correta dos dados.
Vejamos, se é feito um artigo, pegam um banco de dados fraudado e dizem aos cardiologistas que 96 mil pacientes tiveram lesão tóxica — este que é o recado. Aprendam a interpretar os dados. Nesse banco de dados, todos os dados epidemiológicos eram praticamente muito parecidos.
Se não fosse a denúncia do Dr. Carlos Chaccour, um dos maiores investigadores, inclusive de ivermectina, não teria sido investigado pelo The Guardian, um jornal importante de Londres, como também a própria revista não se retrataria, como o fez, retirando o artigo.
O referido artigo levou, inclusive, a manchar a reputação de um grande cardiologista cirurgião vascular autor de um desses artigos e que trabalhava no Brigham and Women's Hospital, em Massachusetts, que, por sinal, era um dos principais hospitais que recebiam verba para a pesquisa com o Remdesivir.
Vamos aos fatos. Esta apresentação foi baseada no nosso simpósio internacional. E o mundo inteiro está discutindo, pesquisando e, praticamente, prescrevendo, desde março do ano passado, ivermectina.
Chama-se BIRD. Foi criado pela Dra. Tess Lawrie, uma das principais médicas especialistas e consultora da OMS, do NIH e do NHS, o Ministério da Saúde, respectivamente, dos Estados Unidos e da Inglaterra. Fazem não só para ela, mas também para outros médicos especialistas em medicina baseado em evidências, solicitações da auditoria dos artigos científicos.
Qualquer um que esteja duvidando do que existe nos repositórios do c19study.com deve pensar duas vezes, porque esses artigos estão, sim, em clinicaltrials.gov e naquela lista da OMS. São artigos de ensaios verdadeiramente que existem, que estão cadastrados e que apenas, meramente estão lá publicados como preprint porque estão aguardando revisão por pares ou já foram revisados por pares e estão aguardando apenas a publicação.
A diferença disso é que esse sistema do ResearchGate e do MedRxiv deu autonomia, liberdade e, principalmente, acessibilidade aos dados em pré-análise. Dessa forma, o médico pode fazer, em meio a situações como essa de emergência de saúde pública, um raciocínio clínico e um diagnóstico baseado nos dados que ele está vendo. Então, nesse momento, eles puderam ser para nós o alvissareiro da torre.
12:03
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E aqui eu faço referência ao nosso grande folclorista Luís da Câmara Cascudo, que é o autor do conto dos grandes desbravadores, que fala de homens que ficam lá no alto da torre da igreja balançando o sininho e dizendo: "Olhem o mar! Lá vêm os navios! Preparem-se!"
E foi assim que nós soubemos tudo o que estava acontecendo na Europa, no Oriente Médio e, principalmente, na China e no sudeste asiático, enquanto a epidemia se alastrava. Então, somente em 6 de janeiro, nós tínhamos um sequenciamento genético do agente etiológico SARS-COV-2, vírus de uma família de vírus coronavírus, predominantemente de doença respiratória transmissível por aerossóis, responsável por duas grandes pandemias, uma na província de Guangdong, em 2002, e outra no Oriente Médio, em 2012.
Pasmem: nessas ocasiões, não houve pandemia, eles foram controlados! O que aconteceu de diferente? Houve, necessariamente, uma ação enérgica dos grandes diretores de organizações de saúde pública, que fecharam o espaço aéreo, que fecharam os locais, que foram em cima das primeiras evidências de casos índices. É assim que investigamos surtos hospitalares, por exemplo, com bactérias existentes. Se eu sei que dez pacientes morreram numa UTI provavelmente por causa relacionada a uma bactéria muito resistente, eu fecho aquele serviço, não deixo que ninguém entre e que ninguém saia, para que se façam as investigações.
Somente em janeiro de 2021 a OMS fez uma nova visita para terminar essa investigação. Isso é digno de crítica. Eu não cerceei o meu direito ao pensamento nem à fosforilação das minhas sinapses perante nenhuma sociedade científica, quer seja nacional, quer seja internacional, quer seja o CDC, quer seja a OMS. Eles são representantes e eles são falíveis.
Cito como exemplo o grande escândalo do experimento Tuskegee, desprendido pelo CDC de 1950 a 1972. Durante quase 25 anos, pacientes com sífilis, quando já se sabia que a penicilina tratava essa doença, foram meramente acompanhados, para se ver a história natural da doença. Eram homens negros de comunidades carentes, acompanhados por suas famílias, suas respectivas mulheres e filhos, advindos de uma infecção congênita. Por isso, até hoje esses são os capítulos mais extensamente descritos nos livros de infectologia. À custa de um experimento antiético, tão somente e surpreendentemente parecido com a nossa nova pandemia do SARS-COV, ficaram meramente observando os pacientes adoecerem até terem todas as lesões neurológicas, cardiovasculares e, principalmente, relacionadas ao sistema imune.
E é isso o que está acontecendo nesta pandemia. Estamos aqui denunciando, porque nós estudamos e sabemos como tratar isso. Temos uma série de casos existentes. De quase 500 pacientes que eu tenho acompanhado, apenas 2 faleceram, com mais de 75 anos, mais de 3 comorbidades e, principalmente, com atraso no diagnóstico, porque, a exemplo do que é a sepse, não foi definido por nenhuma sociedade científica nacional ou internacional.
E eu rogo aqui para que o façam, porque, desde maio eu venho, com os nossos gestores, os hospitais onde eu trabalho — Hospital Universitário Onofre Lopes e Hospital Estadual Giselda Trigueiro, referência em doenças infectocontagiosas —, lançando um protocolo primordial para detectar precocemente os pacientes com COVID e evitar surtos hospitalares. Por exemplo, no Giselda, há pacientes com HIV e tuberculose, que já são imunossuprimidos e não podem se contaminar com COVID; nós rapidamente conseguimos evitar surtos, temos uma das menores letalidades nesse hospital, graças ao trabalho de uma equipe multidisciplinar que procurou estudar e reverter isso. E, mesmo no SUS, conseguir esse tipo de estatística é de extrema importância. No Hospital Onofre Lopes, onde eu trabalho, nós temos os pacientes do transplante renal onco-hematológico, e tivemos esse intuito de separar os locais, setorizar e fazer a detecção precocemente. Nós utilizamos, para isso, uma ferramenta simples, que foi publicada no Clinical Infectious Diseases em tempo recorde, entre 5 e 6 de abril: é o call score. Se eu sair daqui apenas explicando para os meus amigos médicos, independentemente de eles aceitarem ou não a proposta terapêutica que nós estamos aqui colocando, peço que estudem esse artigo, para detectar meramente com hemograma, LDH e PCR se o paciente tem ou não 60% de risco de evoluir para a forma grave, sendo ele jovem ou não.
12:07
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Dito isto, eu vou aproveitar para, considerando os direitos autorais e tendo o consentimento da Dra. Tess Lawrie, com quem eu venho conversando, por meio de e-mails e telefonemas, mostrar a apresentação dela sobre as evidências em torno da ivermectina.
A ivermectina já foi aqui descrita muito brilhantemente pela Dra. Lucy Kerr, que falou de toda a fisiopatologia e todo o mecanismo de ação. Inclusive, ela tem ação in vitro, sim, como brilhantemente dito pelas nossas colegas médicas, e tem ação sobre outros RNAs vírus — dengue, zika vírus, febre amarela, west nile vírus. Por isso, pertence à lista de medicamentos essenciais da OMS, de tão segura e eficiente.
Com relação ao mecanismo de ação, sabemos que ela bloqueia a importação das proteínas virais para o núcleo da célula humana, impede a supressão viral da resposta imunológica humana.
Peço cordialmente que estudem, por favor, o que é o fator indutor de hipóxia. É muito importante, porque dentro do mecanismo da fisiopatologia, a ivermectina, a despeito das críticas jocosas de que é um vermífugo... Isso é apenas a crítica rasa de quem não estuda sobre uma droga pleiotrópica, traduzindo, que tem múltiplas ações e que, por isso, atua, como brilhantemente já disse a Dra. Lucy Kerr, na entrada da célula, impedindo a entrada do vírus, porque se liga ao receptor ACE2 da nossa célula e blinda a entrada da porção RBD da proteína spike. Pasmem: não houve nenhum problema em termos de resistência relacionada às cepas variantes. Ela respondeu muito bem em termos de profilaxia, e eu vou provar com um estudo final de Israel feito recentemente, que será publicado em breve.
Essa revisão sistemática da Dra. Tess Lawrie incluiu uma equipe de três revisores, sendo eles economistas também, dois médicos especialistas e um representante do consumidor, bastante diverso. Protocolo de revisão enviado a Cochrane, a nossa grande Meca da medicina baseada em evidências, em 14 de janeiro de 2021 — acho que em homenagem ao meu aniversário. Seguiu toda a Metodologia GRADE, estabelecida pela Cochrane, que é exatamente analisar ensaios clínicos randomizados com qualquer risco de viés e que tivessem algum tipo de evidência. Já foi encaminhado no dia 31 de março e está sob análise de revisões.
Esta é a famosa pirâmide de evidências, como todos já colocamos e conhecemos. Evidência não é preto no branco, tem ou não tem, amarelo, verde, azul, vermelho, direita, esquerda. Medicina não tem partido, não tem ideologia, ela tem apenas um padrão e começa na experiência clínica, que é a base. Desde os tempos hipocráticos nós observamos o ambiente com paciente.
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O Sr. William Osler, um dos maiores clínicos, dizia que conhecia o paciente da porta, com o cheiro do enxofre das câmaras onde ele trabalhava, ou das unhas cheias de cinza dos carvoeiros, quando trabalhavam nas minas. Então, conhecemos um paciente da porta, porque a COVID-19 ninguém engana. Damos um diagnóstico direto até mesmo aqui no jardim, caminhando, como eu fiz com meu vizinho, que não se levantava, professor de educação física, jovem, saudável, sem nenhum fator de risco. Se não fosse a brilhante pesquisa do Dr. Flávio Cadegiani, hoje esse vizinho faria parte de estatísticas. Costuma sempre se sedimentar na cabeça dos jovens que eles serão 80% sem nenhum tipo de doença e que farão formas simples com uma gripe simples. Ele teve uma interleucina-6 de quase 25, quando o normal é até 7. Essa é a citocina inflamatória mais grave da inflamação do pulmão, e ele reverteu com anti-androgênios, dentro de casa, sem que fosse preciso nem sequer se internar, nem com suporte de oxigênio. Se observarmos o paciente, a golden hour seria entre o 5º e o 8º dia para a cepa mutante, sendo 8º ao 12º, na cepa anterior, porque ela está mais virulenta, replicativa e principalmente mais transmissível. Esse é o princípio básico da retrovirologia que aprendemos com o HIV desde 2005. É um vírus estúpido! Bata forte e bata rápido.
Existe um artigo de revisão muito interessante que eu recomendo a todos, principalmente se não forem infectologistas, que mostra isto: "Toda doença infecciosa é proporcionalmente mais virulenta — ou seja, mais agressiva — a depender do número de multiplicação do agente infeccioso, a depender do ambiente e a depender do sistema imunológico". Essa tríade é perfeita. E, quando você estuda fisiopatologia, quando você entende o ambiente e quando você entende como o vírus se processa, você tem como atuar em vários mecanismos de ação. Isto foi o que aprendemos com a hepatite C, com o HIV, com a tuberculose, com a hanseníase: poliquimioterapia. Calem-se com essa história de kit COVID! Isso não nos cabe, e nós não aceitaremos esse rótulo. Isso é mesquinho! Isso é de uma leviandade científica! Se eu fosse os senhores, eu me debruçaria mais sobre os livros, porque vocês pararam de assistir às aulas ou de ler artigos até abril de 2020, naquele momento já começaram as pesquisas e autópsias, mostrando que essa doença é uma doença de vaso, de endotélio. E se se tem medo de heparina ambulatorial, vai haver paciente sendo internado com trombo, com AVC ou até se internando, mas o fazendo muito tardiamente, porque ela impede que o paciente tenha a inibição do que conhecemos da heparina, pois ela, pelo heparan sulfato, imita a glicosaminoglicana, que é uma das principais proteínas da membrana celular — indo ao back to basics da biologia molecular e celular. Ela faz uma ozonização do vírus SARS-COV-2, porque engana a proteína spike. É por isso que nós optamos pela heparina de baixo peso molecular, ainda em nível ambulatorial, se o paciente já tem fatores de risco. E todos os nossos pacientes que fizeram isso ambulatorialmente não evoluíram com internamento, nem com óbito, nem com pós-COVID. Então, nós temos dados, sim. Vamos um dia publicar, mas, no momento, estamos mais ocupados em salvar vidas.
Esta é a avaliação de risco do Cochrane. É só para todo mundo entender como é. O revisor tem que ter ideia da geração de sequência aleatória, ocultação de alocação, tem que fazer o cegamento dos participantes — um participante não pode saber que recebe o placebo; nem o grupo, a intervenção —, e o desgaste, que também está envolvido, se há algum erro ou alguma falha nesses processos, além dos outros vieses.
Esta, então, é a classificação. Como podemos entender a avaliação de uma evidência, que pode ser de alta certeza, moderada, baixa ou muito baixa? Temos aqui uma classificação que diz exatamente o que é cada um desses pontos.
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Quando eu tenho uma análise, o artigo sempre começa o estudo com alta certeza para, depois, com a minha crítica, eu fazer rebaixamentos de 1 ou 2 pontos, como uma prova: o aluno pode ter 10 pontos, mas, a depender dos erros, eu vou tirando pontos. Então, num viés de publicação, como, por exemplo, um conflito de interesses com a indústria farmacêutica ou uma limitação no desenho do estudo, eu pego pacientes internados e ambulatoriais, como foi a revisão da OMS, do Cochrane e da Nature, que a colega mostrou, mas que infelizmente tem crassos erros metodológicos para qualquer um que leia, gerando um peso maior de 95% na análise dos dados para pacientes que estavam tomando dose tóxica de hidroxicloroquina, que é tóxica, sim. Deverão ser ouvidos na CPI da COVID-19, porque essa dose, sim — é verdade esse bilhete —, causa toxicidade, para os colegas cardiologistas que nos ouvem. Há muitos anos se usa para malária a hidroxicloroquina, para lúpus, inclusive em gestantes, sem nenhum tipo de lesão.
Só para sabermos sobre a segurança e o uso da hidroxicloroquina em termos biomoleculares de reposição, recomendo a leitura de um artigo de 2014 em que a hidroxicloroquina atuava na redução das NETs — redes de neutrófilo extracelular, que formam os trombos na COVID como mecanismo fisiopatológico primordial da trombose arterial e venosa. Então, esse artigo de 2014, em câncer de pâncreas, já mostrava que os pacientes que por acaso estavam em uso de hidroxicloroquina tinham esse efeito colateral positivo.
Inconsistência é quando você não consegue precisar muito bem como foram feitos os dados, como o terrível e vergonhoso estudo colombiano JAMA, em que ele coloca pacientes com erro do controle. Naquele momento, na Colômbia, como no Brasil, ele tinha um uso de ivermectina indiscriminado na população, e ele não poderia saber certamente se o paciente estava tomando ou não. Inclusive houve um erro na distribuição do grupo controle, em que pacientes do grupo placebo receberam ivermectina e ainda assim foram contabilizados. Isso sem contar que o grupo controle recebeu mais corticoides e antibióticos, o que falsamente dá uma ideia, junto ao número pequeno de pacientes, de que não haveria diferença entre o grupo controle e o grupo de intervenção. Se eu dou ivermectina a um grupo, dou a outro e, ao mesmo tempo, dou mais corticoides e antibióticos ao grupo placebo, como é que eu vou saber se a intervenção da ivermectina favoreceu o meu outro paciente? Foi equivalente. E foi a conclusão magistral desse artigo, como nos cansamos de ouvir nessas revistas — JAMA, The New England e The Lancet. Eu nunca vi tantas revistas científicas publicarem o que não fazer. Ficamos até sem saber o que está acontecendo com a medicina, baseados em evidências. Mas sabemos.
Só para completar, um risco de rebaixamento de um nível significaria certeza moderada. Se rebaixo em dois níveis, eu diria que estamos, então, com uma certeza baixa. E um rebaixamento de três níveis nos levaria a uma certeza muito baixa. O que isso poderia levar com relação aos artigos? Se eu tenho muito baixa certeza de uma meta-análise, eu digo que estamos muito incertos sobre a estimativa. O estudo é muito ruim, não é? Baixa certeza significa que pesquisas futuras provavelmente mudarão a estimativa do efeito: pode não estar errado, mas eu vou precisar ampliar a minha amostra. Isso foi o que aconteceu com o estudo da Chest, que é outra revista científica muito boa, publicado pelo Dr. Carlos Chateau, mas que não ganhou muito espaço na mídia, porque talvez ele dissesse que havia, sim, um princípio da eficácia da Ivermectina em dose única tão somente, mesmo de bula, para redução de carga viral, mas que não reduziu sintomas. Não sei por que, em muitos artigos científicos, as pessoas estão se apegando tanto a sintoma, porque carga viral é que é proporcional à mortalidade — já saíram vários artigos.
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Com relação à certeza moderada, nós temos pesquisas adicionais que podem alterar a estimativa do efeito. E, na alta certeza, aí é improvável. Pesquisas adicionais não vão mudar a estimativa do efeito, e nós vamos considerar que esse artigo é perfeito, muito bem reprodutível e encara o que a realidade nos diz dos fatos. Não é mero acaso. O que se achou nesse artigo é bacana, é certo e não dá para duvidar, ou seja: 1A de evidência. E, pasmem, nós não temos nenhuma evidência 1A para COVID. Até os corticoides, que são os principais envolvidos na redução de mortalidade e evolução para ventilação mecânica, estão considerados como evidência de certeza moderada. Ou seja, pesquisas adicionais podem alterar a estimativa do efeito.
E aqui fica a crítica para os coleguinhas que ainda estão se apegando ao CODEX e o RECOVERY, que foram bem incensados, obviamente, por serem patrocinados pela OMS. Eu entendo perfeitamente porque a escolha da Dexametasona, pois é uma droga barata, de custo efetivo, pode ser biodisponível para vários órgãos, espalha-se bem no corpo e pode ser trocada por uma opção oral. Então, foi uma escolha inteligente da OMS, como deveria ter sido para outras drogas. Mas, naquele momento, ela queria pegar vários centros de pesquisa e conseguir o máximo de participantes para conseguir terminar o estudo em tempo hábil, que é o correto numa pandemia. E o que ela achou foi digno de nota.
Mas, mesmo ante um estudo em que falta ainda estimar o efeito, o que nós vimos na prática é que o corticoide faz a diferença ambulatorialmente, desde que bem empregado, como manda bem a clínica médica, ao paciente certo, no momento certo e na dose correta. E quem vos fala é uma inimiga de corticoide, porque os infectologistas... Por isso essa demora da nossa SBI em assumir que era um medicamento que poderia ser favorável, porque nós temos muito cuidado com essa questão da automedicação. E eu considero que era uma medicação que deveria ter realmente um risco maior porque pode pegar em qualquer dose. Mas é o kit sinusite que mata verdadeiramente as pessoas.
Então, nesse ponto, o Remdesivir, inclusive, tem uma baixa evidência de certeza. Mas, claro, há aquele ponto que questionamos: por que algumas drogas foram rapidamente liberadas para uso emergencial? A evidência do Remdesivir é tão somente 2B, ou seja, está um lugar abaixo no pódio, inclusive no número de pacientes estudados, até porque só foi estudado em pacientes internados, em relação à Ivermectina e à Hidroxicloroquina, que já são evidência 2A. Ou seja, o degrau delas está acima do Remdesivir, e elas têm menos toxicidade associada e um custo infinitamente menor. E digo isso porque 12 mil reais, convenhamos, não é para todo mundo. E o medicamento é utilizado apenas para reduzir o tempo de internação de 7 para 5 dias. Então, ele não reduziu mortalidade e nem tirou ninguém do tubo.
Com relação à análise da Dra. Tess Lawrie, nós vamos então encontrar algumas inconsistências exatamente nesse argumento de autoridade de que vocês falam tanto, que a OMS é contra, que a OCDC é contra.
Perguntas, então: por que se fez essa revisão sistemática? O que se queria discutir com isso? Será que para pessoas com COVID a Ivermectina, em comparação ao placebo, ou seja, nada, melhora os resultados de saúde? Pergunta nº 2: para pessoas com maior risco de COVID, a Ivermectina, comparada ao não uso dela, melhora os resultados de saúde?
Temos dois pontos: tratamento, para explicar bem o que é, seja precoce, nos primeiros dias, ou tardiamente, é tratamento. A doença já se instalou, eu já me infectei, tenho carga viral. Para pessoas com maior risco, o indicado é a prevenção, é a profilaxia, é agir antes da doença ou imediatamente após, como chamamos profilaxia pós-exposição.
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Já temos isso na medicina. Para HIV, foi o que fez a grande diferença na queda do número de novos casos, porque nós fornecemos para os pacientes que estão sob maior risco e maior vulnerabilidade. Isso já está claro na medicina e na infectologia: quanto mais eu protejo meu paciente... Em uma exposição ocupacional, por exemplo sabemos disso. É caso de um médico que faz uma cirurgia, que se corta e tem um risco de adquirir HIV ou hepatite B. Naquele momento, o médico pode fazer uso de algumas profilaxias, para que ele possa evitar essas doenças. E também é o caso da mãe para o bebê, nós sabemos disso, pela medicação que é tomada durante tratamento, para evitar a transmissão do vírus. E também já existe para o influenza. O Tamiflu, por sinal, o medicamento Oseltamivir, um antiviral que age na replicação viral do vírus, foi liberado pela OMS com 1 ano de pandemia, com evidência C — que é o terceiro lugar no pódio.
Pergunto-lhes: por que não a Ivermectina? Vamos lá tentar responder.
Com relação ao que foi encontrado pela Dra. Tess Lawrie e seus colaboradores, foram 24 ensaios clínicos randomizados, sendo 21 totalmente randomizados, controlados, placebo, e apenas 3, porque não havia o placebo ou o controlado. O total de 21 ensaios eram de tratamento, com 2.668 participantes, e outros 3 eram de prevenção, com 738 participantes. E o tamanho do teste variou entre 24 a 473 participantes — corrigindo os colegas que estão dizendo que foram apenas dezenas de pacientes estudados na amostra. É por isso que precisamos continuar lendo.
O tamanho do teste foi esse, e a maioria dos ensaios foi registrada, autofinanciada e conduzida por médicos, o que demonstra uma grande falha e ausência de conflito de interesses obviamente.
Aqui é que vai ficar melhor. Por que só o Brasil fica falando disso? É uma questão que o mundo inteiro não trata. Ensaios clínicos realizados na Argentina, 1; Bangladesh, 6; Brasil, 1; Bulgária, 1; Colômbia, 1; Egito, 1; Índia, 2; Israel, 1; Irã, 2; Líbano, 1; Nigéria, 1; México, 1; Paquistão, 2; Espanha, 1; Turquia, 1. E de prevenção, na Argentina, 1, e no Egito, 2.
Este é um eslaide que pode parecer complicado, mas eu gostaria que os colegas e os Exmos. Deputados atentassem para o que parece ser um diamante. Esse diamante é o traço que mostra se a intervenção foi favorável ou não. Isso aí é uma lista de todos os ensaios clínicos, o que chamamos de metanálise, que é como se fosse um retrato fiel do que é o estudo e como o analisamos — é como um raio-x, digamos assim. Então, quando esse diamante está à esquerda, vocês vão ver lá embaixo, in english, favours ivermectin. Ou seja, todos os estudos, sejam de tratamento ou profilaxia, favoreceram a Ivermectina.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Dra. Roberta, V.Sa. dispõe de mais 5 minutos antes de encerrar sua apresentação.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Sim, com certeza.
Sessenta e dois por cento de redução de mortalidade. Então, foi uma certeza moderada.
Agora, vamos só passar eslaides.
E os desfechos secundários mostraram que ela, em 25%, melhorava a COVID leve a moderada — que é aquele paciente que ainda não está entubado — e, em 65%, observou-se que o paciente teve menor deterioração, ou seja, melhora no declínio da clínica. Exemplo: se ele estava no cateter nasal, não foi para aquela máscara mais potente; se ele estava na máscara, não foi para o tubo.
E logicamente, houve redução também do PCR, ou seja, do tempo de negativação da carga viral. Isso é muito importante, porque quebra a cadeia de transmissão e faz com que nós possamos, no futuro, reduzir o tempo de isolamento dos pacientes, dos profissionais de saúde e do grupo essencial, já que eles precisam retornar logo ao trabalho, principalmente por conta da economia.
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A certeza é baixa, ou seja, mais estudos são necessários, porque o NNT usado foi pequeno.
Neste gráfico, temos outro daquele desenho que mostra a melhora clínica. Neste caso, o diamante à sua direita favorece, novamente, a ivermectina.
Esta imagem mostra que, em muitos desses estudos, houve significância estatística, ou seja, o resultado não ocorreu ao acaso. No entanto, os desfechos mais importantes foram a negativação da carga viral, a melhora clínica de leve a moderada, a queda da carga viral e a melhora dos sintomas.
Há pouquíssimos efeitos adversos. O que todos estão falando de hepatotoxicidade me faz rir porque, no pós-COVID, a colangite e a elevação das transaminases já são descritas desde os estudos de pacientes da Europa. Portanto, nós já sabemos que, quando o paciente está na segunda ou na terceira semana da doença, se ele apresenta icterícia e elevação das transaminases, isso ocorre por lesão provocada pelo vírus.
Num ensaio com camundongos, entre 5 e 7 dias injetou-se soro fisiológico em 20 deles e injetou-se ivermectina em outros 20, quando foi aplicado a eles o vírus de SARS-CoV. Aqueles que receberam soro fisiológico tiveram mais necrose na biópsia do fígado do que aqueles que receberam ivermectina. Eu peço aos colegas que estudem um pouquinho mais, porque, em 2014, o receptor farnesoide foi estudado pelos chineses como uma das intervenções em que a ivermectina, de forma pleiotrópica, poderia atuar na esteatose hepática? Quando o fígado desses animais foi analisado, também se viu menor aumento das redes de esteatose. Então, ela parece, sim, modificar o metabolismo da síndrome metabólica, que é o grande fator de risco para adultos jovens que não sabem que têm pressão e triglicerídeos altos.
Por que a revisão da Cochrane e da OMS é falha em relação tanto à hidroxicloroquina quanto à ivermectina? A revisão sistemática provou que, provavelmente, a ivermectina reduz o risco de morte por COVID-19 numa média de 62%. Mais pacientes podem melhorar e menos pacientes podem piorar. A ivermectina pode reduzir infecções por COVID em 86%, de acordo com estudos de profilaxia. Além disso, há pouca ou nenhuma diferença em eventos adversos graves.
Seria a ivermectina de custo efetivo? Vamos a uma análise importante para nossos gestores. A Dra. Raissa é mestra em nos dizer o que ela teve de gasto. Sabemos que os custos associados à COVID são muito altos. A taxa de hospitalização pode ser de 5% a 10% em alguns países, e 25% deles vão requerer UTI. No Reino Unido, a diária de um leito custa 4.250 libras; nos Estados Unidos, o custo varia de 7.207 a 33 mil dólares para pacientes graves. Portanto, ela tem, sim, um grande potencial para a economia de custos.
Nós sabemos que a ivermectina é barata, que ela já era indicada pela OMS e que sua patente foi perdida pela Merck em 1991. Isto aqui não é teoria da conspiração: basta ler jornais em inglês, como The Economist, The Guardian, The Washington Post, The New York Times.
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Na New York Stock Exchange — NYSE, a Bolsa de Nova Iorque, em janeiro de 2021, a Merck caiu três pontos, quando duas das suas estratégias, a vacina e o tratamento de COVID com anticorpo monoclonal, fracassaram nos ensaios clínicos. Mas ela está apostando todas as suas fichas — atenção! — no molnupiravir, uma excelente opção para tratamento e profilaxia, que virá rapidamente a ser autorizado pela nossa ANVISA, talvez, porque é uma droga nova, potente e com patente, que não vai ser nada custo-efetiva para tratar nossos pacientes.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Dra. Roberta Lacerda, seu tempo está encerrado.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Tudo bem, eu acho que estou me dando por satisfeita aqui.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - E nós também.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Posso até continuar em outra ocasião.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Eu agradeço muito, doutora, pela sua apresentação.
Nós temos em torno de dez páginas de perguntas feitas por pessoas que nos assistem. Vamos disponibilizar todas as respostas no site e vamos disponibilizar 3 minutos para cada um que está na sala, para fazer suas considerações finais. Vamos começar com o Dr. Eduardo Leite. Quem sabe cada um vai poder responder um pouco as perguntas feitas durante as apresentações. Quem estiver na sala terá 3 minutos para encerrar a nossa audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.
Tem a palavra o Dr. Eduardo Leite.
O SR. EDUARDO LEITE - Muito obrigado mais uma vez. Parabéns a todos os colegas que participaram da audiência.
Para finalizar, quero dizer o seguinte: vemos muito discurso de que não há comprovação científica, de que a entidade tal diz que não há comprovação, como a Organização Mundial da Saúde, a ANVISA e a Sociedade Brasileira de Infectologia.
Logo no começo da dengue, há 25 ou 30 anos, eu ficava sem entender por que a ANVISA dizia que não se podia usar dipirona em caso de dengue com febre, mas sim o paracetamol. Eu fiquei confuso: por que isso acontecia? Eu entendia a situação do AAS muito bem. Mas por que isso acontecia com a dipirona? Pesquisei e fiquei conhecendo a razão, depois que fiz um artigo contradizendo a ANVISA. Eu era cirurgião de uma cidade pequena como Feira de Santana, que ainda era pequena, e estava indo contra a ANVISA. Eu sabia das minhas limitações de expertise em vários assuntos científicos, mas estudei e questionei. Foi aí que eu vi, pela primeira vez, o grande médico Anthony Wong — lamento muito sua ausência agora entre nós —, que, quase da mesma forma, questionava a ANVISA sobre a contraindicação da dipirona, ou Novalgina, no caso de dengue com febre. Ele questionava, como eu, o perigo de usar paracetamol, pela sua grande hepatotoxicidade, e outros anti-inflamatórios, que causavam lesões renais.
Eu sempre falei que anti-inflamatório não hormonal tem que ter prescrição médica. Temos que conversar bastante com nossos colegas ortopedistas para que tomem cuidado quando prescreverem esses medicamentos.
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Então, temos que ter cuidado, porque a entidade é uma coisa e quem está no comando dela é outra coisa. Nós falhamos também, nós erramos.
A Organização Mundial da Saúde, que é tão citada: “Ah, porque a Organização Mundial de Saúde...”, cometeu erro crasso no início da pandemia, ao dizer que o novo coronavírus não se transmitia de humano para humano. E não puxou as orelhas da China por ter demorado a avisar sobre o novo coronavírus. A China já sabia do SARS-Cov-2 desde agosto, ou até antes. E a demora em avisar ficou por isso mesmo. Isso não é notificado pela grande mídia e pelos políticos em geral, que, nessa parte, não têm o que dizer.
A Sociedade Brasileira de Infectologia não representa todos os infectologistas. Temos o exemplo de dois brilhantes infectologistas que estão aqui entre nós. Temos aqui uma jovem doutora, tão jovem que eu posso dizer que tem idade até de ser minha filha. Apesar das aparências, eu tenho idade de ser pai dela. É uma menina, tem 40 anos. Para nós que temos 72 anos de idade, quem tem 40 anos é uma criança, é uma menina saída da adolescência. Ela é brilhante. Eu sou fã dessa doutora, porque ela é muito inteligente. Ela diz a verdade e fala da verdadeira ciência, porque falar em nome da ciência sem embasamento é uma coisa, mas falar em nome da ciência com embasamento é outra coisa.
A Sociedade Brasileira de Infectologia responde de uma maneira que vemos que é ideológica. Não sei o que é isso. Tanto é que brilhantes infectologistas fazem tratamento precoce. Aqui na Bahia nós temos um mestre chamado Roberto Badaró — posso citá-lo porque ele está nas mídias dizendo isso — que usa ivermectina para os seus pacientes e para ele mesmo. Ele teve a doença, e teve a forma severa, mas se tratou em casa, precocemente. E foi muito grave. Por pouco ele não foi para o hospital.
Essa mesma Sociedade de Infectologia, que tem muitos integrantes que pagam anuidade e respondem por ela, foi contra o uso de anti-inflamatório na segunda fase da COVID-19. Eu também sou contra kit disso, kit daquilo. Eu sou a favor do acolhimento, do olho no olho, da conversa, da informação, que pode ser também terapêutica.
Mais uma vez, muito obrigado pelo honroso convite para eu estar aqui, um simples cirurgião do interior, de Feira de Santana, junto com tantas pessoas brilhantes, jovens e um pouco mais idosos — não tanto como eu, que, acho, sou o mais idoso entre todos aqui. Eu me sinto muito bem representado por esses meus colegas, pela Dra. Lucy Kerr, por todos, e até pela Oposição, porque eu acho que partido político é para fazer política, mas médico é para tratar paciente. Acho um absurdo um partido político intervir judicialmente no meu direito de prescrever. Jamais conseguirão — jamais!
Fiquem com Deus! Em caso de sintoma de gripe, procurem seu médico, porque nós estamos em uma pandemia, e o tratamento precoce, bem prescrito por quem sabe, por quem entende — porque há kits e kits, há receitas e receitas —, é benéfico.
Fiquem com Deus!
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O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado, Dr. Eduardo Leite, pela sua persistência. O senhor tem um espírito de 18 anos de idade.
O SR. EDUARDO LEITE - De 27 anos. Eu inverti: tenho 72 anos de idade, mas, mentalmente, tenho 27 anos.
A COVID me rejuvenesceu. Dê-me mais 2 minutinhos. Eu voltei a ser um jovem residente R1, aprendendo com cientistas brilhantes como a Dra. Roberta, a Dra. Lucy Kerr, o Dr. Francisco, que eu honro muito, o Dr. Paulo Porto, a Dra. Raissa e tantos outros. Eu sou mais velho do que eles, mas eles são mais cientistas e mais preparados do que eu.
Fiquem com Deus! A todos vocês muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado, doutor, pela sua juventude, pelo seu trabalho.
Eu acompanho, muito atentamente, as suas publicações e as suas lives. O senhor também já foi censurado na mídia, nas redes sociais. Infelizmente, quem fala em tratamento precoce está politicamente errado, inclusive para as redes sociais.
Dra. Lucy Kerr, a senhora tem agora os seus 3 minutos finais.
A Dra. Nise Yamaguchi está na sala? Ela pediu a palavra por duas ou três vezes. (Pausa.)
Eu acho que não está. Então, nós vamos passar 3 minutos para quem estiver na sala. Eu vou seguir a ordem aqui, porque estou ouvindo todos.
O Dr. Alexandre, aliás, o Deputado... Aqui nós somos Deputados. Eu sempre digo que existem Deputados médicos, mas, na verdade, nós somos Deputados iguais aos outros. Então, temos que falar como Deputados, e o médico fala como médico.
Passo a palavra à Dra. Lucy Kerr. Depois falará o Deputado Alexandre Padilha, que pediu a palavra.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Presidente, eu posso falar depois dos convidados e das convidadas, posso falar ao final.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Não, V.Exa. pode falar agora, porque é importante. Numa audiência pública que é a favor do tratamento precoce, finalizar com quem é contra é complicado. Eu acho que é melhor compartilharmos um pouco esse pensamento. Então, seria importante que V.Exa. falasse agora.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Não, eu quero ouvir as convidadas e os convidados, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Está bem.
Vamos lá, Dra. Lucy Kerr.
A SRA. LUCY KERR - Uma das coisas que eu queria enfatizar, Deputado Cherini, é que a questão da hepatotoxicidade está me parecendo uma questão muito, muito, absurda, porque, no caso da ivermectina, somente de 2% a 8% têm de 4 a 5 etapas de metabolização no fígado. O grosso da medicação é eliminado integralmente pelo organismo. Como, ao não passar pelo fígado, ela pode lesá-lo? E ela é formada pela junção de duas moléculas de avermectina, que é uma droga quase natural. Ela não é filtrada pelos rins. Então não pode causar lesões renais. Além disso, ela não atravessa a barreira hematoencefálica e tem comprovada inocuidade na questão hepática.
Lá no FDA, se você entrar nos efeitos colaterais e na hepatotoxicidade, verá que existem dois casos — dois casos! — de aumento transitório das transaminases, um aumento que terminou logo após o término do tratamento. Detalhe: esses dois pacientes tinham uma altíssima carga de parasitas, e provavelmente foram as toxinas dos parasitas que determinaram aquela elevação transitória das transaminases.
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Eu quero comentar com vocês que fizemos um trabalho em Itajaí, do qual já temos análises estatísticas, e observamos o que estava acontecendo. Não foi um estudo randomizado, controlado, duplo-cego, entretanto, uma coisa muito interessante que aconteceu nos pacientes hospitalizados, dos quais tínhamos dosagens de todas as transaminases e vários outros PCRs, indicadores de inflamação e tudo, é que os pacientes que receberam a ivermectina tiveram maior proteção hepática, renal e cardíaca, se comparados com aqueles que não a receberam, porque estes receberam o vírus, que é muito, muito mais tóxico do que a ivermectina. E um detalhe: quem recebeu o dobro da dose de ivermectina — uma parte dos nossos pacientes recebeu o dobro da dose — teve maior proteção hepática ainda do que aqueles que receberam uma dose simples.
Então, eu não sei de onde surgiu essa questão, mas eu me solidarizo com a Dra. Roberta, porque está faltando muito estudo para os nossos colegas. Eles têm que ler. Isso não é possível. De onde eles estão tirando isso? É inacreditável e inaceitável isso.
Eu queria deixar essa mensagem aqui para vocês e dizer também que estamos submetidos simplesmente a uma censura mundial. O Dr. Flávio Cadegiani mencionou que, numa reunião da Organização Mundial da Saúde, todos os colegas que tinham estudos sobre ivermectina fizeram uma mesma reclamação absurda: os trabalhos faziam um bate e volta. Vocês já viram um negócio destes: enviar um trabalho num dia e, no dia seguinte, recebê-lo de volta sem que nada tenha sido feito? Então, nós estamos sendo submetidos a uma censura. Se publicamos alguma coisa que esclarece cientificamente sobre a ivermectina e os seus efeitos benéficos, os nossos vídeos são removidos, as nossas falas são retiradas. E o mesmo não acontece com o lado oposto. Eu nunca pensei que eu fosse vivenciar um negócio desses na minha vida, tendo nascido num lar de cientistas. Nunca pensei que isso pudesse vir a acontecer. A ciência está sendo absolutamente ignorada neste combate à pandemia.
Muito obrigada, Deputado Giovani Cherini. Eu agradeço muito a oportunidade de falarmos e também de expressarmos a nossa indignação com a maneira com que se tem lidado com esse tratamento, em detrimento do paciente, que está sendo o grande prejudicado, porque muitas pessoas infelizmente acreditam na mentira.
Obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Dra. Lucy Kerr, eu quero dizer que nós todos que defendemos o tratamento precoce estamos sendo considerados bandidos e disseminadores de fake news. Essa é a realidade. Se colocarmos nas redes qualquer tipo de assunto dessa natureza, seremos considerados disseminadores de fake news ou bandidos. Infelizmente, é essa a realidade brasileira. Também estou sofrendo muito por isso, porque nem na Câmara conseguimos falar sobre isso. Agora estamos falando nesta audiência pública, mas com muita dificuldade.
Então, parabéns, Dra. Lucy Kerr, pelo seu trabalho! Parabéns aos médicos que têm a coragem — médicos de pé de cama — de utilizar o tratamento precoce com grandes resultados no Brasil inteiro, como vocês estão apresentando aí.
Eu gostaria de ouvir a Dra. Ilka por 3 minutos. Ela está ainda na sala? (Pausa.)
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A SRA. LILIA NIGRO MAIA - Pela sequência seria eu agora.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Pela sequência, então, tem a palavra a Dra. Lilia Nigro Maia. Depois falará a Dra. Ilka.
A SRA. LILIA NIGRO MAIA - Eu gostaria novamente de agradecer por esta importante reunião, agradecer à Jandira pelo convite, parabenizar todos pelas apresentações, mas tenho que dizer que estou me sentindo num túnel do tempo. Eu me formei em 1982 e vivi a época da transição entre a medicina convencional antiga e a medicina baseada em evidências, que veio mais na década de 90. E hoje escutei aqui vários colegas com argumentos que eu não escutava há 40 anos. Por exemplo: "Ah, quem tem tempo de trabalhar não tem tempo de fazer pesquisa". "Seria antiético eu fazer um estudo em que eu negaria a medicação para os meus pacientes", sendo que, na verdade, isso é completamente equivocado. Eu escutei muita coisa bem interessante, porque eu já ouvi tudo isso antes, mas achei que estivesse completamente superado.
Eu percebo que vocês têm muita fé nos estudos mecanicísticos, vocês se baseiam muito no mecanismo de ação dos medicamentos, e a medicina baseada em evidências já demonstrou claramente que muitos medicamentos que têm o mecanismo de ação correto para uma doença, muitas vezes, quando é testado na prática clínica para eventos relevantes, isso não se demonstra verdadeiro. Vocês falam o tempo todo em surrogate endpoints, quando, na realidade, esse não é um bom guia, porque ele não é capaz de medir segurança.
Eu entendo e me coloco no lugar de vocês, que acreditam numa coisa e não conseguem fazer com que a sociedade e o mundo acadêmico pensem igual a vocês, mas eu só faço um pequeno alerta: vocês proclamam tanto pela própria autonomia de falar e fazer o que querem, então vocês têm que dar também a liberdade de nós que não acreditamos como vocês fazermos aquilo em que acreditamos, e não nos chamar de criminosos, de irresponsáveis. Na realidade, vocês têm uma crença, e nós temos outra. Ninguém aqui é criminoso e ninguém quer prejudicar o paciente. Nós apenas temos pontos de vista diferentes. Acho que é muito importante que tenhamos esse cuidado de não nos tratarmos como pessoas que não têm responsabilidade, como escutei de colega aqui dizer: "Dá dipirona e manda o paciente morrer em casa". Vocês têm que ter um pouco mais de cuidado com os colegas de profissão e um pouco mais de responsabilidade mesmo quando falam de quem pensa de forma diferente de vocês. É só isso.
No restante, eu achei uma excelente oportunidade. Gostei muito de ouvi-los, um pessoal jovem, apaixonado. Espero que estejamos algum dia do mesmo lado, porque são pessoas que estão defendendo aquilo em que acreditam. Eu gosto muito de pessoa que defende aquilo em que acreditam. Eu só peço um pouco mais de respeito com quem pensa de forma diferente.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado, Dra. Lilia Nigro Maia. Muito legal a nossa conclusão.
Vamos agora ouvir a Dra. Raissa Soares, diretamente de Porto Seguro.
A SRA. RAISSA SOARES - Muito obrigada, Deputado Cherini. Muito obrigada, colegas.
Eu finalizo, nestes 3 minutos, falando com a Dra. Lilia. Eu não tenho trabalhos publicados, Dra. Lilia, nem por isso sou alguém que não faz a boa prática médica. Eu tenho 27 anos de medicina, uma lisura na minha vida profissional, sempre trabalhei no SUS, sempre defendi trabalhos e sempre fui para a frente. Porto Seguro teve necessidade de ter alguém, um grupo que fosse para cima da doença, porque aqui não tem complexidade hospitalar, não temos leitos de terapia intensiva. Então, o que nós começamos a fazer em Porto Seguro foi baseado na necessidade de cuidar de pessoas.
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Hoje, eu estou fazendo uma discussão nesta audiência pública com pessoas e colegas brilhantes falando de publicações, dando aula de medicina baseada em evidências. Quero dizer que nada do discurso que está sendo trazido, essa dicotomia, eu não entendo que nós vamos em pouco tempo chegar a um consenso. Eu não acredito que nós vamos chegar ao mesmo lado, pois quem não acredita no tratamento tem a sua convicção, mas o que nós defendemos, o que nós fazemos é cuidar dos pacientes.
A sociedade está com quem faz o tratamento precoce. A grande maioria da sociedade está pedindo o tratamento precoce. As pessoas nos seguem nas redes sociais e clamam, e o que eu escuto são pessoas, milhares de pessoas. Eu tenho 750 mensagens não lidas no meu WhatsApp pessoal, gente do Brasil inteiro pedindo socorro, porque os médicos hoje estão oprimidos por lideranças, por sociedades, por gestores que não permitem que o médico prescreva.
Então eu queria usar este espaço da audiência para simplesmente dizer que nós precisamos defender o direito da liberdade prescricional, a autonomia do médico. Por exemplo, aqui em Porto Seguro, que é uma cidade onde passam 2 milhões de turistas do mundo inteiro por ano, nós temos entradas e saídas de milhões de doenças. Nem por isso Porto Seguro entrou em colapso, em nenhum momento houve colapso. Nós estamos com a doença controlada, promovendo uma política pública de proteção às pessoas baseada em tudo o que vocês cientistas publicam, tudo o que vocês cientistas trazem de conhecimento. E nós continuamos aprendendo com a doença.
Eu não tenho interesse em fazer publicações, porque não é o meu foco e nunca foi na minha história acadêmica. Não é o meu foco publicar. Eu estou aqui e vou publicar, sim. Há pessoas que vão pegar os casos de Porto Seguro para transformá-los em ciência.
Nós temos dados, nós temos resultados, e a mortalidade está aí para todo mundo ver. Agora, eu não vou me basear no que a medicina hoje está publicando para decidir o que eu vou fazer agora. Eu estou falando do dia de hoje, do dia de amanhã, daqui a uma semana. O tempo vai nos dizer quem estava certo. O tempo é o senhor da razão, como diz o Dr. Paulo, o tempo é o senhor da razão. Então a verdade vai ser trazida. Mas, da mesma forma, nós pedimos para ser respeitados, porque nós não podemos também ser chamados de negacionistas, de charlatões. Pessoas que são Parlamentares têm nos chamado de charlatões. Então, eu acho que o respeito mútuo entre os colegas tem que existir, dos Parlamentares tem que existir, porque nós estamos fazendo a nossa boa prática. Nós estamos baseados no que nós precisamos no dia a dia, com os recursos que nós temos, da melhor forma possível.
Muito obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Muito obrigado, Dra. Raissa. Parabéns pelo resultado do seu trabalho em Porto Seguro, que nós temos acompanhado! Isto para mim vale mais do que qualquer outro tipo de conhecimento: salvar vidas. Aí, sim, você pode dizer se funcionou ou não funcionou algum tipo de mecanismo. Não é a clínica, não é o remédio escrito na bula primeiro, antes da doença. Então, parabéns mesmo!
Com a palavra o Sr. Francisco Cardoso, por 3 minutos, por favor, para a finalização.
O SR. FRANCISCO CARDOSO - Eu queria agradecer a todos a oportunidade de poder falar.
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Eu queria finalizar a fala lembrando a todos que em relação à crença, não se trata de crença, nem de fé, trata-se de técnica, de ciência, trata-se de medicina.
Então não fazemos um tratamento porque eu acredito no tratamento, porque eu tenho fé. Isso aqui não é um templo, medicina não é religião. Nós fazemos porque temos evidências, porque nós vemos os resultados observacionais, porque vemos os estudos que confirmam os resultados observacionais. Nós sabemos que não precisamos de ensaio clínico organizado duplo-cego controlado por pares de multicêntricos com placebo controle para poder propor uma terapêutica para o paciente. Repito, apenas 10% dos procedimentos e tratamentos médicos atualmente na medicina ocidental têm esse tipo de evidência. Tanto na RENAME do SUS quanto no rol de procedimentos e eventos da AMS, são menos de 10% os procedimentos que possuem tal nível de chancela. Se nós formos limitar a nossa prática a esse tipo de evidência, vamos deixar de fazer praticamente tudo em medicina — tudo!
Outra coisa de que eu queria falar é essa lenda de que 80% das pessoas não têm nada, apenas 20% vão precisar de alguma coisa e alguns vão morrer. Se isso fosse verdade, não precisaria estar tendo campanha de vacinação em massa, vacina obrigatória, lockdown. Por que nós estamos em lockdown por uma doença que mata o mínimo, e 85% das pessoas não vão ter nada?
É óbvio que esse dado não é verdadeiro! Esse dado vem lá do início, da China, dos primeiros estudos chineses, entre fevereiro e março do ano passado. Nós sabemos que hoje em dia existe a síndrome pós-COVID. E eu também como perito médico federal afirmo que o que mais está afastando o trabalhador do emprego atualmente é a síndrome pós-COVID. A COVID é a doença que mais afasta no INSS atualmente. Superou as doenças osteomusculares, superou as doenças psiquiátricas; é a COVID.
Nós já temos mais de 1 milhão de pessoas com síndrome pós-COVID neste País incapacitadas para o trabalho porque não trataram, deixaram a doença correr normalmente no seu organismo. Não podemos deixar isso continuar.
A questão de a SBI ser contra é uma postura ideológica da SBI. A SBI não é a dona da ciência do planeta. Eu discordo da SBI e eu tenho aqui as minhas evidências. Eu já tive a oportunidade de dialogar com o Presidente da SBI duas vezes, e ele não me rebateu em nada, simplesmente se calou.
Eu queria terminar parabenizando a Dra. Raissa por salvar a vida dos baianos de Porto Seguro e se preocupar com a vida desses pacientes, ao contrário do que está fazendo o Governador da Bahia, que se mete onde não é chamado, porque ele não é médico, e fica constrangendo os médicos ao tratar os pacientes no restante da Bahia. Os baianos de Porto Seguro estão sendo muito bem cuidados, e a taxa de mortalidade lá está muito menor que no resto da Bahia e no resto do Brasil.
A observação é o que nos dá a chancela de dizer que o tratamento funciona, a nossa observação e os nossos resultados.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Muito obrigado ao Dr. Francisco.
A Dra. Ilka Boin e a Dra. Roberta Lacerda estão na sala, depois darei a palavra aos Deputados que quiserem falar. O Dr. Paulo Porto também se encontra. Então, Dra. Ilka, Dr. Paulo Porto e Dra. Roberta Lacerda, e algum Deputado que queira falar.
Tem a palavra a Dra. Ilka Boin.
A SRA. ILKA BOIN - Eu só quero fazer minhas palavras da Dra. Lilia. Isso foi um jogo Brasil e Alemanha, colocaram um monte de gente para falar a favor. Não sei se as pessoas também não quiseram vir, porque V.Exa. fez o convite, também se não quiseram fiquem à vontade. Mas não tem problema.
Eu só não sou coleguinha de ninguém. Eu não sou uma pessoa que não lê; pelo contrário, sou professora titular dessa universidade há 40 anos na carreira universitária. Somente 10% das pessoas que foram formadas vão para a carreira universitária, e dessas, 1% vão fazer um doutorado.
12:59
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Então isso é uma coisa normal, porque eu, como professora e docente dessa universidade e formadora de vários gestores de saúde da região, digo que o que nós fazemos é formar médicos para cuidar da nossa população, com conceitos corretos, com ideias corretas, com respeito ao doente, respeito às normas e legislação do País. Isso é o mais importante.
Quanto ao uso de paracetamol, que foi muito citado aqui, o paracetamol sozinho não tem idiossincrasia, ele é dose-dependente, diferente, por exemplo, do diclofenaco, que é usado como anti-inflamatório. Tenho vários pacientes que com um comprimido de diclofenaco conseguiram aumentar muito a sua enzima hepática.
A ivermectina tem metabolismo hepático, sim. Inclusive em termos de bula ela aumenta em 1%, eleva as aminotransferases. Quem achar que deve fazer uso e prescrever está livre para fazê-lo, mas se seu paciente estiver usando durante muito tempo, por favor, faça a vigilância.
Parabenizo a Dra. Raissa e a Roberta também.
Roberta, eu sou do Rio Grande do Norte, da pequena cidade de Nova Cruz, mas valente, firme e forte trabalhando aqui no Sul. Eu acho que uma coisa bem importante que vocês fizeram foi o acompanhamento desses pacientes, por isso eu digo que 80% a 85% deles não vão ter nada.
Eu não posso ser o único país no mundo onde a ivermectina deu certo. Há um estudo correndo, que é o Estudo SAINT desenvolvido na Espanha; e há um outro clinical trial sendo desenvolvido que estamos aguardando. Há tanto para a ivermectina, que é o SAINT, quanto o outro, que tem um número enorme, da Cochrane. Eu não achei esse outro trabalho da ivermectina na Cochrane. Eu procurei, não achei.
Esses dois outros ainda não têm resultados e nós estamos aguardando. São posições que falamos para ter cuidado com a dose excedente, mas o acompanhamento feito do gestor, acompanhando seus pacientes, fazendo testagem e mantendo todas as... tudo bem.
Parabéns para Porto Seguro! Eu acho que deve ser reportado assim por alguém da saúde pública nos Cadernos de Saúde Pública do Brasil, que têm uma importância e um impacto científico muito grande. O Brasil é muito bom nisso.
Então o paracetamol para ser usado precisa ser mais de 1 grama, às vezes 2 gramas. Quando os pacientes que usam chegam com hepatite medicamentosa, não é porque foi 1 comprimido, mas a pessoa tomou 100, 150 comprimidos. Então é balela falar que o paracetamol, que é um dos medicamentos mais usados, vai dar hepatite. Não é assim, é dose-dependente.
A hepatite medicamentosa causada pela ivermectina, de que nós temos aqui dois casos, são quadros histopatológicos completamente diferentes, são hepatites medicamentosas cuja relação causal usualmente foi de ivermectina ou ivermectina associada à azitromicina, que é muito pior. Então a hepatite medicamentosa e a colangiopatia pós-COVID são entidades nosológicas hepáticas diferentes.
Por falar em não haver morte por ivermectina, há, sim. Há dois casos reportados por hepatite medicamentosa e há um estudo feito por Barkwell em 1997, publicado na The Lancet, com 30 mortes por ivermectina. Claro que aí se tem também a patologia que o doente tinha, mas eles associaram ao medicamento, então não é uma coisa lesiva.
Eu não tenho nem em Revmix, nem em PubMed, nem em IPEMED, nem em LiverTox a ivermectina como associada à hepatite medicamentosa porque sempre se usou na dose certa, na dose correta, no momento adequado, com a prescrição adequada. Então, isso nós precisamos ter cuidado para analisar porque eu não sei o que vai acontecer daqui para a frente.
Parabenizo todos os que apresentaram pelo afã, pelo amor e pelo calor, mas eu peço respeito. Eu tenho 68 anos de idade e já participei de mais de 450 bancas no Brasil e no exterior e nunca me senti tão maltratada.
13:03
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Perdoem-me. Obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Muito obrigado, Dra. Ilka. Se a senhora se sentiu assim, o que nós podemos lhe pedir é desculpas, porque, na realidade, não queremos tratar mal ninguém. Bem pelo contrário, nós queremos que a senhora possa fazer os seus estudos, mas queremos que também os médicos que dão tratamento precoce sejam respeitados no seu trabalho de salvar vidas e vice-versa. Então, o respeito tem que ser mútuo e recíproco.
Hoje, se alguém está sendo desrespeitado são os médicos que dão tratamento precoce, porque, infelizmente, não estão tendo espaço nas redes sociais para poder publicar seus trabalhos. Os demais estão sendo respeitados e valorizados. Então, é bom que se diga, o seu trabalho é importante, mas o trabalho dos médicos que dão tratamento precoce também é fundamental.
A SRA. ILKA BOIN - Só um minuto, por favor.
Para todos os que estão lutando nessa hora, todos os profissionais de saúde, do faxineiro ao dono do hospital e até os médicos da linha de frente, meus parabéns! Nós fazemos no Brasil essa diferença muito grande. Nós somos SUS sempre.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Dr. Paulo Porto, por favor, V.Sa. tem a palavra por 3 minutos finais.
O SR. PAULO PORTO - Obrigado, Deputado Giovani, pela oportunidade mais uma vez. Eu gostaria de fazer algumas colocações rápidas.
Dra. Ilka, Dra. Lilia, eu me solidarizo com vocês. Acho que é péssimo nos sentirmos desrespeitados, mas o que eu posso lhes dizer é bem-vindas ao clube, porque é isso que eu e vários colegas estamos sentindo desde o início dessa pandemia. Fomos chamados de curandeiros e charlatães, acusados de não atuarmos no interesse do paciente. Então agora vocês, por uma via que acho que não foi intenção de ninguém aqui, sentiram um pouquinho do que nós estamos enfrentando diariamente há mais de um ano, há 14 meses, para ser exato, e ainda enfrentamos.
Em relação à questão hepática, Dra. Ilka, eu tenho uma visão um pouco diferente a respeito dessa questão da ivermectina, porque já está mais do que comprovado que o coronavírus causa trombose dos microcapilares, inclusive hepáticos. Tanto é que muitos pacientes que não usam ivermectina têm elevação de transaminases, por vezes, por valores até dez vezes superiores ao valor de referência, e nunca viram um comprimido de ivermectina pela frente. É a mesma coisa que falar: "Bom, todo dia que o sol nasce, o galo canta antes, então o sol deve nascer porque o galo cantou". Isso não é verdade, não é? Então, temos que tomar muito cuidado com esse tipo de associação, porque pode ser um fator confusional, a ivermectina pode estar entrando aí num fígado já combalido por microtrombose capilar. E para provar isso, a senhora bem sabe como cirurgiã, teria que ser feita uma biópsia, uma análise histopatológica antes de usar a ivermectina e depois de usar a ivermectina, o que, obviamente, ninguém fez.
E com relação à dose correta ou dose errada da ivermectina ou de qualquer outro fármaco, veja, há 14 meses tratando essa doença, tanta gente tomando automedicação, como todos falaram aqui, em doses até proibitivas, e não temos notícias de mortes abundantes por ivermectina. Pelo tal coronavírus, se eu não me engano, já houve pouco mais de 400 mil. De ivermectina chegou perto? Acho que não. Então, vamos colocar as coisas na sua devida dimensão, que é o quê? Que poderíamos ter um terço das mortes que nós temos hoje. Essa é a dimensão correta.
Em relação à afirmação que eu fiz e repito aqui, Dra. Lilia, isso não foi direcionado à senhora, porque eu tenho certeza de que a senhora não faria isso, não daria dipirona e mandaria seu paciente para casa, porque quem faz uma coisa como essa nem médico é. É alguém que não tem empatia, que não tem compaixão pelo seu paciente. Mas, acredite, existem colegas que fazem isso. Existia um Ministro da Saúde que orientou a fazer, e isso está gravado. Ele desmentiu isso e foi desmentido pelo vídeo, que mostrou a imagem e a voz dele orientando a fazer.
13:07
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Em relação à crença, eu mudaria essa palavra, eu trocaria o "r" pelo "i": ciência. Fisiopatologia e mecanismo de funcionamento de doença, fármaco, é a base da medicina.
E a senhora tem razão, eu me guio por isso e vou me guiar por isso pelo resto da minha vida, porque eu aprendi isso como base na Escola Paulista de Medicina e cuidando dos meus pacientes.
Obrigado, Deputado.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado, Dr. Paulo Porto, pela sua grande contribuição à nossa audiência pública.
Eu não sei se os Deputados querem falar agora, mas a Dra. Roberta Lacerda, lá do Rio Grande do Norte, tem a palavra para os seus 3 minutos finais.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Pode passar a palavra, Deputado.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Deputado Dr. Alexandre Padilha, V.Exa. tem a palavra.
A SRA. BIA KICIS (Bloco/PSL - DF) - Vamos deixar o Deputado Alexandre Padilha falar, porque ele ainda não falou. Depois, eu também gostaria de fazer a minha fala final.
Bom dia, Deputado Alexandre Padilha.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Tudo bom, Deputada?
Presidente Giovani Cherini, eu já afirmei antes que eu quero ouvir os convidados primeiro. Pode passar a palavra para a Dra. Roberta e depois para os Parlamentares que estão esperando, podemos esperar.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Não tem problema. Depois, se alguém quiser fazer a réplica, nós vamos abrir a palavra igualmente. A palavra final sempre é muito importante numa audiência pública que é para discutir o tratamento precoce, a importância do tratamento precoce na COVID, para que possamos ter as coisas corretamente.
Então tem a palavra a Dra. Roberta Lacerda.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Obrigada.
Eu gostaria de agradecer a oportunidade, porque, como nós dissemos, é muito válido colocar o discurso do contraditório. Durante toda essa pandemia, nós vimos uma narrativa de uma nota só, e o tempo inteiro nós estamos sendo rechaçados, tratados com termos jocosos pela mídia, tachados e rotulados disso e daquilo, de médico do político tal com a nova cloroquina. Até o jornalismo caiu, realmente, numa lama político-ideológica, assim como muitos políticos, como muitos médicos, como muitos cientistas, como muitos envolvidos em toda essa geopolítica em torno da pandemia.
Quando as pessoas querem nos dizer que nós somos apaixonadas, eu me lembro de uma discussão científica que nós fizemos no seio do Departamento de Infectologia da UFRN, pois foi exatamente esse argumento ad hominem de quem não consegue contradizer os argumentos pelo conteúdo e ataca a forma. Então, o meu recado a todos é: paz, serenidade, porque eu fui agredida também em muitos momentos, ainda estou sendo agredida por vários veículos de comunicação, por vários políticos, estou sendo açodada na minha autonomia médica e ridicularizada pelos acadêmicos de universidades. Eu não tenho nada contra, eles estão no local deles fazendo a pesquisa. Eu sou médica da linha de frente, sou médica da beira do leito, e não estou fazendo mais do que a minha obrigação de estudar, tanto quanto todo mundo aqui, porque em termos da COVID todos somos aprendizes de especialistas em tempo real.
E a questão sobre termos, palavras, eu respeito profundamente todos aqui, mas nós não estamos em lados dicotômicos.
13:11
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Não quero saber quem está certo nem errado. Apenas gostaria que as pessoas nos deixassem fazer o nosso tratamento, sem cerceá-lo com ativismos políticos, seja pelo lado do Judiciário, seja pelo lado do Legislativo, seja pelo lado do Executivo. A autonomia médica é algo sagrado.
Estou dentro do meu contexto de aprendizado. Inclusive, a própria OMS e o Tratado de Helsinque me respaldam de que tenho que usar a melhor evidência disponível para tratar o meu paciente. Se for esperar pelos estudos que ainda vão ser publicados, teremos um atraso de 3 a 4 meses, e não tenho tempo a perder. Sei que o que estou fazendo não tem maleficência — princípio número um. E o bem-estar do paciente tem que estar acima dos valores da ciência, por mais que eu a respeite.
É por isso que agradeço a quem continua a pesquisa, mas aqui fica a minha crítica a todas as universidades federais do Brasil, porque sou 100% SUS, trabalho na linha de frente num hospital estadual, trabalho num hospital federal e sou cria da universidade federal. Tenho muito orgulho da minha UFRN, mas me ressinto de que, até hoje, a nossa pesquisa não passou pelo CONEP — Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Faço minhas as palavras da Dra. Lucy Kerr: estamos com um bloqueio e uma limitação na liberação de pesquisa para drogas reposicionadas. Em todo o Brasil, só temos sete estudos envolvendo ivermectina. Pergunto a todos: se uma droga que, há mais de 45 anos, vem sendo utilizada, com mais de 3,4 bilhões de doses, para ter trinta mortes associadas, não é segura, o que seria? Para estar na lista de medicamentos essenciais da OMS, ela tem que ser segura e essencial, tal qual a heparina.
Aí coloco um ponto de crítica a todos que estão recebendo dedicação exclusiva e que poderiam estar estudando drogas custo-efetivas — poderiam, sim. Em Israel, o primeiro lugar do mundo em pesquisa e qualidade de vida — não tive tempo de mostrar, mas pesquisem, por favor —, há a pesquisa do Dr. Eli Schwartz, no site clinicaltrials.gov. Ele já conseguiu provar, com 96 pacientes — e vai ampliar este estudo de ensaio clínico randomizado —, que a ivermectina reduz a carga viral, reduz sintomas e, portanto, pode parar a pandemia.
Trata-se apenas de uma questão de não fecharmos os olhos às evidências, nem continuarmos com essa falácia de que não há evidência, porque estudam baseados no argumento de autoridade de alguém que traduz um artigo científico, mas não leem o suplemento; ou só leem, às vezes, a conclusão, ou ouvem a notícia do jornal.
Não estou me baseando em nenhuma destas sociedades ou guidelines internacionais, porque os meus pacientes me dão o resultado que o William Osler disse: “Acredite no que seus olhos veem e faça da caneta a sua escrava, não o contrário”. Temos que estar verdadeiramente nas enfermarias.
Não estou mais à disposição de conversar no sentido de que não há mais evidências. É o momento de conseguirmos estabelecer pontes e traçar estratégias de saúde pública. O meu apelo é que São Paulo trate os pacientes antes de saturar. Se vacina, lockdown e tratamento internado, com o melhor que há da medicina baseada em evidência, fosse o essencial, São Paulo não teria a maior letalidade do Brasil. O povo clama para ser tratado antes de dessaturar. Vocês podem fazer uso de corticoide e heparina ambulatorialmente, seguindo o paciente.
Obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado, Dra. Roberta Lacerda, pela sua grande contribuição, com seus 39 anos. Deixo meus aplausos ao seu conhecimento e ao seu estudo.
Com a palavra o doutor e Deputado Alexandre Padilha.
13:15
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O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Sr. Presidente, quero parabenizar V.Exa. mais uma vez.
Também quero frisar que não é a primeira vez que este debate acontece na Câmara, desde o começo da pandemia. Na Comissão de Combate à COVID-19, desde o ano passado, da qual sou membro, travamos vários desses debates. Várias das posições apresentadas aqui já foram apresentadas outras vezes na Câmara.
Qualquer tipo de acusação de que a Câmara dos Deputados não tenha aberto as portas para esse debate, para ouvir essas pessoas, ou de que haja qualquer tipo de censura ou mordaça não é uma acusação que possa ser feita na Comissão Especial de Combate à COVID-19. Essa Comissão Especial é presidida pelo colega Deputado Luizinho e é relatada pela enfermeira Deputada Carmen Zanotto, que fez (falha na transmissão).
Eu ouvi aqui de quem defende o uso, por exemplo, da ivermectina um reconhecimento de que não há estudos randomizados, duplo-cego. Eu ouvi isso. Foi dito aqui que se reconhece que não há.
Acho que não se podem fazer acusações às pessoas que questionam. Faz parte da ciência, da academia, o espaço da crítica tentar fazer acusações como foram feitas, dizendo que as pessoas não estudam, não leem, não leram, não leem o conjunto do trabalho, como foi dito aqui, leem um trabalho como se fosse traduzido por outra pessoa, como acabei de ouvir aqui. Acho que é desrespeitoso. Isso é desrespeitoso com a história das pessoas e com a produção acadêmica, o que não leva absolutamente a nada.
Outra coisa, Presidente Giovani Cherini, meus colegas e minhas colegas que estão aqui, vejo em todos e todas aqui, na grande maioria, uma profunda preocupação. Toda essa preocupação só revela que aqueles que dizem que a COVID era uma gripezinha, não era algo grave, ou aqueles que falaram que já tinha passado a pandemia, que a imunidade de rebanho já tinha controlado a pandemia, mostra o quanto que esses fracassaram nos seus diagnósticos. Eles disseram que já havia passado a pandemia, que a imunidade de rebanho já havia controlado a pandemia e vejam quanto deles fracassaram nos seus diagnósticos.
13:19
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A própria mobilização de todos e todas aqui — o que eu respeito — mostra a gravidade da pandemia, a gravidade da COVID. Os seus impactos não são apenas daquilo relacionado à COVID, dos casos de COVID-19, diretamente, daqueles que infelizmente morreram, que tiveram sequelas pós-COVID. O fato é que os hospitais estão lotados, os leitos de UTI estão lotados.
Presidente Giovani Cherini, eu estou Deputado, mas continuo médico e professor. Estou aqui toda sexta-feira, fico o dia inteiro com os meus alunos em uma unidade de saúde na periferia da cidade de São Paulo, acompanhando e cuidando dos pacientes, vendo os impactos, não só da COVID, mas junto a outros problemas de saúde. Como médico infectologista, continuo acompanhando muitos casos da COVID na linha de frente. Além da COVID, há outros problemas represados.
Estou dizendo isso para enfrentar não só o momento atual, mas, como há necessidade de recuperação da saúde do nosso País, vamos precisar de muito diálogo, de muito respeito. Ninguém pode pensar em acusar ao outro. Eu já acusei muitos de charlatanismo, Presidente Giovani Cherini. Não acuso de charlatanismo aqueles vários que estão aqui e defendem seu ponto de vista a partir da observação que fazem, do esforço que fazem. Mas, infelizmente, já ouvi muita gente contando mentiras sobre supostos resultados em determinadas cidades que não se sustentaram com os dados. Isso é charlatanismo. Isso é divulgação de fake news. Isso é propagação de mentira. Observamos várias dessas situações.
Precisamos ter profundo respeito a opinião e a evidências, que podem ser mais ou menos robustas, trazidas por todos aqui. Acho que o respeito é fundamental.
Por último, ninguém questiona a autonomia de prescrição do médico e da médica. Essa autonomia de prescrição é sólida, tem que ser respeitada. Que o médico e a médica assumam a responsabilidade, junto ao seu paciente, daquilo que prescrevem.
O questionamento que faço, Dr. Eduardo, não é sobre a autonomia da prescrição do médico e da médica. O questionamento que faço é quanto dinheiro público — fruto dos impostos do povo brasileiro — gastam o Ministério da Saúde, o Governo do Estado, a Prefeitura, para comprar medicamentos que não têm evidências mais robustas de eficácia, mas, do contrário, têm evidências robustas do quanto agridem o corpo humano e do quanto isso pode significar riscos à saúde das pessoas. Esse questionamento nós faremos, porque este é o papel do Congresso Nacional.
13:23
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Em 2011, o Congresso Nacional aprovou uma lei que estabelece qual é o mecanismo e o rito de incorporação de qualquer medicação ao Sistema Único de Saúde. Trata-se da CONITEC — Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde. Inclusive, eu era Ministro da Saúde na época em que essa lei foi aprovada. Ali tem um rito. Qualquer Ministério, Governo de Estado, Prefeitura que tiver usando recurso público para comprar medicamentos sem cumprir o rito da CONITEC estará exercendo uma prática ilegal e deve ser punido por isso, deve ser investigado por isso.
Parabéns, Deputado Giovani Cherini. Que possamos ter outras oportunidades de tratar do tema, de forma mais equilibrada, respeitando as várias opiniões e posições. Que o Congresso Nacional cumpra com o seu papel, de fiscalizar uma lei que está sendo descumprida, quando o Ministério da Saúde, Governos Estadual e Municipal gastam dinheiro público para comprar medicamentos que não tiveram incorporação definida pela CONITEC.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Deputado Giovanni, eu quero me inscrever.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado, Deputado Alexandre Padilha. V.Exa. tinha 3 minutos. Já passamos mais de 40 minutos do tempo da audiência pública.
A Roberta pediu a palavra. Eu vou pedir encarecidamente...
A SRA. ROBERTA LACERDA - Eu posso esperar todos falarem.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Estou aqui desde às 9 horas, acompanhando a audiência pública. Claro que todos poderão falar. Só vou pedir que falem, no máximo, por 3 minutos, senão não vamos concluir nossa audiência pública.
A Dra. Roberta pediu a palavra. A Deputada Bia Kicis também vai falar. A Deputada Jandira Feghali tem preferência, porque já havia pedido a palavra há mais tempo.
Com a palavra a Deputada Jandira Feghali. Depois, passarei a palavra para a Dra. Roberta Lacerda e, a seguir, para a Deputada Bia Kicis.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Deputado Giovani Cherini, de forma geral, as audiências têm uma regra. Se ficarmos interminavelmente fazendo réplicas e tréplicas, não vamos sair daqui. Eu tenho uma agenda. Vou falar agora e vou precisar sair. Aliás, já era para eu ter saído, tenho que participar de um debate e estão me aguardando há pelo menos 20 minutos. Então, vou falar e sair.
Primeiro, inicio dizendo o seguinte, Deputado Giovani Cherini: liguei para a Dra. Natália Pasternak para entender o que havia acontecido. Ela me disse que não havia entrado na sala em nenhum momento. Ela estava pronta para entrar na sala às 9 horas da manhã, não conseguiu ter retorno do e-mail da assessoria da Comissão, o link não lhe foi enviado. Por isso, ela não conseguiu entrar. A fala dada aqui a colocou em uma situação muito complexa, porque recebeu nas redes agressões, dizendo que ela fugiu do debate. Isso não aconteceu. Inclusive, ela aguarda um pedido de desculpas da Câmara porque, de fato, não fugiu do debate. Simplesmente, o link não lhe foi enviado para que ela entrasse às 9 horas da manhã na audiência pública.
A priori, acho importante que isso seja feito porque é muito ruim que uma pesquisadora como ela seja tratada como fujona de um debate do qual ficou impossibilitada de entrar na sala. Esse é o meu primeiro registro.
13:27
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Agora, eu gostaria de ter os 3 minutos para que eu pudesse dar aqui uma opinião.
Deputado Cherini, em primeiro lugar, eu quero agradecer o fato de que as três pessoas que nós indicamos pudessem ter participado, mas, de fato, a desproporção ficou imensa. No nosso acordo, eram cinco pessoas fazendo a defesa e três com posições contrárias. A desproporção continuou muito grande, porque muito mais de cinco pessoas estão nesta sala fazendo a defesa da posição. De qualquer maneira, não há problema, a audiência transcorreu bem.
Agora, Deputado Cherini, quero dizer algumas questões. Primeiro, a Dra. Ilka tem toda a razão quando se sente desrespeitada nesta audiência. Em determinado momento, acho que a arrogância superou o debate de ideias e o debate de conteúdo. A arrogância, muitas vezes, agride a história das pessoas. Mandar as pessoas estudarem?! Eu não acho que a Dra. Lilia e a Dra. Ilka precisam de comando de ninguém para mandá-las estudar. Também não é necessário chamar de coleguinha, mandar as pessoas se calarem quando têm as suas opiniões ou dizer: "Estudem um pouco mais". Então, esse tipo de comportamento, de fato, gera uma sensação de que estar no debate não é bom.
Todos os estudos mostrados aqui não levaram nenhum país do mundo a assumir oficialmente o uso desses medicamentos. Eu gostaria que fossem citados os países do mundo que assumiram oficialmente protocolos de uso de cloroquina e ivermectina. A OMS não indica o uso, ao contrário, diz para não usar cloroquina e ivermectina ou esse tipo de tratamento precoce.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Os Estados Unidos liberaram para uso off label.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Por favor, a senhora pode falar no seu tempo.
Então, eu fico me perguntando aqui quem é mesmo que pode questionar, neste momento, a Organização Mundial da Saúde, depois de quase 1 ano e meio de pandemia. Eu fico me perguntando: onde é que está definitivamente a ciência?
A SRA. ROBERTA LACERDA - Só não está na OMS.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Deputado Cherini, se eu conseguir acabar...
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Por favor, peço que garanta o tempo. Depois, eu vou abrir para quem quiser falar. Eu tenho todo o tempo do mundo aqui para ouvir todos.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Apenas fiz a mesma coisa que ela fez comigo.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Presidente...
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Deputado Cherini, a arrogância novamente está presente nesta audiência.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Vamos garantir a palavra da Deputada Jandira Feghali, que está falando, por favor.
A Deputada Jandira Feghali está com a palavra.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Presidente, por favor. Existe um Regimento, que estabelece...
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Mas já está sendo cumprido, Deputado Alexandre Padilha.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Não é permitido interromper a fala de qualquer pessoa, só para deixar claro.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Eu já pedi isso. Eu estou coordenando, fique tranquilo.
Reponham o tempo da Deputada Jandira Feghali.
Pode falar, Deputada.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Nós estamos em uma audiência da Câmara dos Deputados. Aqui nós temos uma representação dada pelo voto. Então, eu gostaria que esse respeito fosse preservado.
A OMS indica o contrário, indica o não uso desse tratamento precoce. Então, àqueles que dizem "é um vírus, estúpido!", a essa arrogância, eu digo: é a ciência, estúpido!, porque, na verdade, estamos falando de ciência. E eu, como representação parlamentar, tenho que me basear naquilo que é oficial, no que a ciência me indica, e não na fala de alguns que se baseiam em poucos estudos e acham que podem definir os protocolos oficiais do Ministério, da gestão, do uso da maioria dos profissionais ou mesmo da Organização Mundial da Saúde.
13:31
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Então, quando dizem "é um vírus, estúpido!", eu repito: "é a ciência, estúpido!" Nós precisamos ter clareza, como Parlamentares. Temos que seguir, na legislação e na nossa conduta, aquilo que a ciência nos indica fazer, a partir da Organização Mundial da Saúde, da Organização Pan-Americana da Saúde, que os protocolos formais devem seguir.
Portanto, Deputado Cherini, eu gostaria de agradecer a sua tentativa de cumprir o Regimento aqui. Tenho que respeitar o que as instituições da ciência nos indicam. Quero dizer que a Associação Médica Brasileira recentemente estabeleceu o seu comportamento. Lamento que o Conselho Federal de Medicina tenha se atrasado nos seus posicionamentos.
Peço novamente que V.Exa. oficialmente registre a dificuldade de entrada da Dra. Natalia Pasternak, porque nós tentamos colocá-la na audiência e não conseguimos.
Quero dizer que estou à sua disposição, Deputado Cherini, para que continuemos um debate respeitoso, um debate que nos permita salvar vidas, defender o SUS, repor inclusive o orçamento do SUS, que o Governo retirou, infelizmente, e que consigamos, nos determinantes sociais em saúde, aumentar o auxílio emergencial, que é necessário.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado, Deputada.
Acabou o tempo.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Vou concluir, Presidente.
Eu, como V.Exa., Deputado Cherini, também acredito que a imunidade da cabeça e do corpo e todas as ações que permitam o aumento da imunidade possam favorecer os pacientes. No entanto, quero dizer também o seguinte: é preciso comprovar que esses pacientes que usam essas medicações não melhorariam sem elas.
Muito obrigada, Presidente. Preciso me retirar para ir a outro debate que me aguarda neste momento. Agradeço a presença de todos os convidados, particularmente a da Dra. Ilka e da Dra. Lilia, que, corajosa e respeitosamente, permaneceram até este momento pelos seus estudos, pelos seus trabalhos. E agradeço a presença de todos os convidados que também respeitosamente se comportaram nesta audiência.
Muito obrigada, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado, Deputada Jandira Feghali. Pode ter certeza de que, de nossa parte, nós respeitamos todos. Uma coisa é o respeito, outra coisa é a ideia contrária, que, muitas vezes, as pessoas interpretam como desrespeito. Na realidade, nós discutimos com muita seriedade, não houve acusação nenhuma de ninguém. Então, estamos dentro daquilo que são as relações humanas.
A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB - RJ) - Há conteúdo e forma, não é, Deputado? É isso.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Há gente que só ataca.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Às vezes, não fechamos com as mesmas ideias, mas não quer dizer que isso é desrespeito.
A SRA. BIA KICIS (Bloco/PSL - DF) - Deputado Cherini, eu posso falar agora, então?
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Quem pediu?
A SRA. BIA KICIS (Bloco/PSL - DF) - Deputada Bia Kicis.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Deputada Bia Kicis, pode falar.
Eu tenho reunião de Líderes depois, preciso encerrar. Sei que a Dra. Roberta Lacerda pediu a palavra e o Dr. Paulo, também. Nós vamos garantir a palavra a todos.
A SRA. BIA KICIS (Bloco/PSL - DF) - Eu vou ser breve.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Por favor, pode falar, Deputada Bia.
A SRA. BIA KICIS (Bloco/PSL - DF) - Quero agradecer por esta audiência, agradecer a V.Exa. pela iniciativa, agradecer a todos os médicos que estão aqui até agora conversando conosco — todos, a favor e contrários.
Eu gostei de ter ouvido também algumas posições de médicos que são contrários, mas que disseram: "Nós não somos contrários a que vocês usem nos seus consultórios". Isso é muito bom, porque, infelizmente, temos visto partido político entrando com ação na Justiça para pedir que juiz impeça médico de tratar seus pacientes. Isso é aviltante! Isso é uma violência contra os médicos e contra o brasileiro que quer ser tratado.
13:35
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Então, nós não podemos concordar com esse tipo de coisa, ver a Constituição sendo rasgada por Prefeitos, Governadores e partidos políticos que querem impedir a liberdade a qualquer custo.
Eu quero dizer a essas pessoas que estão reclamando, que estão se sentindo desrespeitadas, que nós não queremos ninguém sendo desrespeitado. Mas há pessoas aqui, há médicos aqui, há Deputados aqui que vêm sendo desrespeitados há muito tempo, que são tratados como negacionistas, que são tratados de forma vil.
Um cientista indiano, de cujo nome não estou me lembrando, infelizmente não pude nem pesquisar, disse que o que está acontecendo agora com as pessoas que invocam a ciência é que elas estão invocando uma ciência fascista que não permite o debate, que não permite o contraditório.
Eu quero parabenizar esses médicos, porque, além de serem pessoas que cuidam dos seus pacientes com muito amor, que se arriscam no trabalho, são pessoas corajosas, porque tudo o que têm feito com esses médicos já era para eles terem desistido dessa luta e dessa exposição. Eles estão sendo tratados de forma violenta, estão sendo perseguidos.
Se a AMB é contra, o Conselho Federal de Medicina é favorável a deixar o médico ser livre para tratar. Então, nós não temos que lamentar que o Conselho Federal de Medicina pensa diferente. O Conselho Federal de Medicina está respeitando os médicos. A AMB mudou de posição com a mudança da sua liderança, nós sabemos disso.
Infelizmente, esse tema está sendo tratado de forma ideológica. Isso é criminoso. Ele tem que ser tratado como medicina, como uma pandemia, como uma doença e deixar que as pessoas procurem o tratamento e não ficar esperando em casa ou se fiar numa vacina, que é experimental.
Alguns médicos estão dizendo que os efeitos colaterais da vacina têm sido piores, os estudos já estão mostrando isso. Não quero dizer que as pessoas não devem se vacinar. Eu acho que tem que se vacinar quem quiser. Temo por uma obrigatoriedade, por essa história de passaporte e vacina, porque estamos lidando com uma vacina experimental que pode trazer riscos, sim.
Tudo isso só o tempo dirá. A ciência não consegue em 2 meses, 3 meses, 1 ano determinar os efeitos. Todas as vacinas precisam de 10 anos para que se conheçam todos os efeitos, a não ser uma ou outra, como a da caxumba, que com 4 anos já foi liberada, com estudos, mas não é o normal. O normal são 10 anos para que se conheçam os efeitos colaterais da vacina. Nem por isso, nós deixamos de dar vacina para as crianças. Sabemos que existe algum efeito colateral, que existem algumas pessoas que reagem à vacina.
Mas ainda há muita coisa a ser descoberta, e os médicos têm de ter liberdade para trabalhar sem serem acusados e acuados.
Parabéns, Dr. Paulo, Dra. Roberta, Dra. Raissa, Dr. Eduardo, Dr. Francisco, Dr. Paolo Zanotto, que acabou não entrando, todos os médicos que têm tido a coragem de se expor e que têm sido ridicularizados. Vocês estão de parabéns! Vocês são verdadeiros heróis, porque vocês não desistem, porque vocês têm amor e compromisso, compromisso que vocês fizeram lá, quando se formaram, compromisso de usar tudo o que estiver ao seu alcance para salvar vidas. Parabéns!
Parabéns àqueles que, mesmo com entendimentos contrários, estão aqui, sendo democráticos. Vocês também merecem respeito. Eu só gostaria que esse respeito fosse dado aos demais no ambiente em que os senhores prevaleçam.
13:39
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Quanto ao que disse a Deputada que me antecedeu, eu agora, como Presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, estou fazendo um debate sobre a PEC 32, e 80% das pessoas que estão falando são contrárias. Mas, nem por isso, há esse desequilíbrio, nem por isso, impediu-se que eu fizesse esse debate. Sabemos que os servidores públicos são muito fortes, mas há pessoas que vão lá — 20%, 30% são a favor — e estão sendo ouvidas também.
Então, deixo um abraço a todos. Vamos lutar por vidas e pela liberdade!
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado, Deputada Bia Kicis. Estamos juntos. De minha parte e da parte de V.Exa., jamais vão ouvir palavras que não sejam para debater o mérito da questão. Quando a pessoa utiliza as palavras "bandido", "genocida" e não sei o que mais, perde a razão. Na verdade, essa é uma doença desconhecida. Nós precisamos de muito debate, muita discussão, muita liberdade para poder chegar realmente a salvar vidas.
Vamos ouvir a Dra. Roberta Lacerda e, em seguida, o Dr. Paulo Porto. Depois encerrarei, porque tenho outra reunião também, e vocês devem estar todos cansados.
Dra. Roberta, por favor, tem a palavra por 1 minuto. Vou conceder também 1 minuto ao Dr. Paulo Porto e depois ao Dr. Eduardo, para encerrarmos mesmo.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Só peço aqui um momento para dar voz a uma denúncia grave, que vai acontecer e repercutir nacional e internacionalmente. Nós, quando somos cobrados a fazer pesquisa, temos nossos trabalhos barrados na CONITEC ou na CONEP. A CONITEC também é um órgão que é aparelhado ideologicamente.
E nós temos, sim, muito receio dessa análise que o Ministério da Saúde promete. A provável ameaça do Deputado, dizendo que não teremos mais dinheiro público sendo jorrado para usar medicamentos sem comprovação científica, eu questiono com exames de custo-benefício.
O que se gasta em Porto Seguro para dar saúde e vida aos pacientes de lá, verdadeiramente, não será o que o Ministério quer e planeja gastar com Remdesivir e o Regeneron, que são medicamentos de alto custo para uso hospitalar.
Parece-me, então, incongruente e antiético que a nossa ANVISA libere medicamentos que não tenham a mesma eficácia...
Vocês estão me ouvindo?
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Sim.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Medicamentos que não têm a evidência de pelo menos 2a, que a ivermectina e a hidroxicloroquina têm, estão sendo liberados para uso emergencial. Isso não é digno de ciência. Existem dois pesos e duas medidas.
Cientistas brasileiros estão sendo perseguidos, a exemplo do Dr. Flávio Cadegiani, que não consegue progredir com sua pesquisa de ivermectina, a exemplo da briga entre Andrew Hill e Tess Lawrie, porque Andrew Hill vai fazer a pesquisa pela OMS. E sabemos o que acontece quando a OMS coloca a mão numa pesquisa com drogas com custo efetivo. Ela diz que não tem eficácia, que não se deve progredir. Isso foi o que aconteceu com a hidroxicloroquina.
Se elas não prestassem, os nossos pacientes não estariam vivos nos dando notícia. Não é mera coincidência que 80% vai melhorar. Em São Paulo, estão morrendo jovens. Isso se deve a erros crassos no entendimento da fisiopatologia desta pandemia.
Peço voz na CPI para os médicos que estão sendo lá inquisitorialmente condenados como bode expiatório, cortina de fumaça, para esse jogo de politização da pandemia.
13:43
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Eu sou médica, eu exijo respeito, eu estudei e eu quero tratar o meu paciente com drogas a que ele possa ter acesso no SUS, sim. É injusto dizer que vamos respeitar a autonomia médica, mas não vamos gastar dinheiro público com medicamentos que já são fornecidos pelo SUS. Não. Não vamos aceitar.
A população está conosco, e nós vamos lutar por esse direito, seja no Congresso Nacional, seja nas ruas em carreatas, com todo o respeito a políticas sanitárias. Chega dessa mordaça! Até as redes sociais impedem que nós possamos fazer um debate plural. A OMS, ditatorialmente, sempre vai colocar o que é ciência e o que não é ciência.
Eles ainda vão ser julgados pelo Tribunal de Nuremberg e muitos aqui.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado, Deputada... Dra. Roberta Lacerda.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Não, eu não sou Deputada.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Ainda não. Mas nós gostaríamos que a senhora fosse.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Não penso nisso.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Muito obrigado mesmo.
Vou passar a palavra agora ao Dr. Paulo Porto e depois ao Eduardo Leite.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Presidente Giovani...
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Eu tenho que encerrar nossa audiência pública.
Dr. Paulo Porto, por favor.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Por favor, Presidente. Não, eu não quero falar. A Dra. Roberta disse que ia fazer uma acusação grave.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Foi a da OMS, essa briga da OMS.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Eu quero entender qual é a acusação grave que ela quer fazer, porque a Câmara certamente vai investigar.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Precisa investigar.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Qual é a acusação grave?
A SRA. ROBERTA LACERDA - Na OMS está havendo uma briga na condução dos estudos clínicos de ivermectina, e nós cientistas estamos sendo perseguidos, na nossa aprovação de pesquisa clínica, na CONEP.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Ela está fazendo acusação à CONEP. Eu, como Parlamentar, vou solicitar... A CONEP, ligada ao Conselho Nacional de Saúde, é o órgão responsável pela avaliação ética de qualquer pesquisa.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Perfeitamente.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Eu, como Parlamentar, Presidente Giovani — acho que V.Exa. poderia fazer isso também, como resultado, num dos encaminhamentos necessários, desta audiência —, vou perguntar à CONEP se existiu algum tipo de perseguição, como está sendo dito aqui, de questionamento,...
A SRA. ROBERTA LACERDA - ...constrangimento...
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - ...de constrangimento, tudo o que a Dra. Roberta falou aqui, para ouvirmos da CONEP se de fato existiu algo em relação a isso.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Muitíssimo obrigada. Mas, por favor, ouça o cientista também.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Muito bom. Muito bom. Vamos fazer isso.
A SRA. LUCY KERR - Olha: peço que leiam minha mensagem. Deputado Padilha, leia a minha mensagem aí do lado que está explicando um dos maiores escândalos científicos dessa década. O cientista responsável pela revisão da OMS modificou os resultados da condução científica pela auxiliadora que estava com ele e saiu em protesto do trabalho e o denunciou publicamente (ininteligível).
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Está certo, Dra. Lucy. Essa acusação de que a senhora está falando aqui não tem como nós apurarmos. A Dra. Roberta falou da acusação em relação à CONEP...
A SRA. LUCY KERR - Eu acredito que será apurada porque é muito séria.
A SRA. ROBERTA LACERDA - Ela encontra...
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Nós vamos pedir oficialmente uma explicação.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - A acusação referente à CONEP, um órgão nacional ligado ao Conselho Nacional de Saúde, nós temos como apurar. Por exemplo, eu sei que a CONEP não autorizou a divulgação de um estudo feito pela Prevent Senior sem a aprovação prévia pela CONEP...
A SRA. ROBERTA LACERDA - Não se trata disso, não.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Eu entendi, eu entendi que a senhora está fazendo novas acusações à CONEP. Eu acho que têm que ser apuradas.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Nós vamos pedir uma explicação.
Por favor, tem 1 minuto cada um, Paulo Porto e Eduardo Leite, para nós encerrarmos a nossa audiência pública.
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O SR. PAULO PORTO - Deputado Giovani, em relação a direitos iguais de prescrever ou não prescrever ao paciente o que quer que se ache necessário, como defendido pela Dra. e Deputada Jandira, eu concordo. Lembro que não foi nenhuma associação médica, nem entidade de classe que entrou na Justiça querendo proibir os médicos de prescrever uma medicação ou outra. Foi um partido político, com viés ideológico bastante determinado e esclarecido aí publicamente.
Em segundo lugar, eu não vou falar da OMS porque, para mim, ela virou uma piada, a partir do momento em que ela diz que a máscara, por exemplo, que o ex-Ministro Padilha está usando, não deveria ser usada. Depois, ela disse que a máscara deveria ser usada. Lá atrás ela falou que não tinha pandemia. Aí, depois, falou que era uma pandemia. Então, a OMS vai e volta nas suas posições conforme lhe convém. E as razões dessa conveniência não estão claras. Além do mais, a OMS não tem poder, não tem legitimidade legal para dizer o que o médico brasileiro tem que fazer ou não, quando muito sugerir, orientar e recomendar.
Em relação à fala da Deputada Jandira também a respeito do SUS, eu acho que ela está coberta de razão. Nós temos mais é que fortalecer o SUS, sim, que é um sistema que funciona muito bem. O NHS, britânico, tem inveja do SUS, é um arremedo do SUS. Agora, eu não preciso lembrar ninguém que o SUS perdeu mais de 50 mil leitos nos últimos anos, enquanto a população brasileira só cresceu. Isso não é coisa de 2 ou 3 anos para cá.
Em relação à postura da AMB, enquanto a Deputada Jandira lamenta que o CFM não tenha seguido a AMB, eu festejo, porque o que o CFM fez foi preservar a liberdade de prescrição do médico. O que eu esperava é que nenhum médico, como a própria Dra. e Deputada Jandira, fosse contra. Mas, em vez disso, ela lamenta uma posição do Conselho Federal de Medicina, que preza pela liberdade de atuação do seu profissional. É realmente estranha essa postura.
Em relação aos países que adotam drogas reposicionadas para tratamento e profilaxia, além dos famosos Índia, Senegal e outros, eu sugiro um que é bastante conhecido da Deputada Jandira, que é Cuba. Cuba adota hidroxicloroquina.
Era isso que eu tinha a dizer.
Muito obrigado, Deputado.
Tenham uma boa tarde.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Obrigado, Dr. Paulo Porto.
Tem a palavra o Dr. Eduardo Leite para encerrar mesmo. (Pausa.)
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Eu queria só dizer, Presidente Giovani Cherini, que Cuba não adota mais a hidroxicloroquina. Adotou no começo, e deixou de adotar quando a OMS...
O SR. PAULO PORTO - Acabou de voltar a adotar, Deputado. Por favor, veja as notícias.
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - Se o senhor quiser, pode ler um artigo acadêmico que eu fiz, que foi comunicado na Interface. O senhor pode ver lá.
O SR. PAULO PORTO - Eu lhe mando o protocolo com o timbre de Cuba. Não é meu, não.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Tem a palavra o Dr. Eduardo Leite. (Pausa.)
O SR. ALEXANDRE PADILHA (PT - SP) - O protocolo mudou, Dr. Paulo Porto. Esse era o protocolo no começo da pandemia.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - O problema todo é que virou um Fla-Flu esse negócio de tratamento da COVID-19.
Tem a palavra o Dr. Eduardo Leite.
O SR. EDUARDO LEITE - Eu estou numa Casa extremamente importante, via on-line. Há pouco tempo eu estive em outra Casa tão importante, mas um pouquinho menor: a Câmara de Vereadores de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Eu fui lá testemunhar uma lei que eu chamo de "a lei do óbvio". E eu gostaria que todas as Casas Legislativas do Brasil fizessem o mesmo, apenas disponibilizassem aos médicos os medicamentos que eles acham por bem prescrever. Quem os prescreve já é responsável por fazê-lo. Quem não os prescreve também é responsável por não fazê-lo. Médicos precisam de armamentos para curar os seus pacientes. E as Casas Legislativas, seja Câmara de Vereadores, seja Assembleia Legislativa, seja Câmara dos Deputados, seja Senado Federal, devem seguir o exemplo dessa pequena cidade chamada Santa Maria, pela qual fiquei apaixonado. Inclusive estou voltando lá, só para comer outro churrasco que me ofereceram.
13:51
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Fiquem com Deus! Tratamento precoce sempre!
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Muito obrigado, Dr. Eduardo Leite.
Agradeço também a todos os médicos que acompanharam desde o começo a nossa audiência pública, aos cientistas, a todos que nos deram o privilégio de estarem aqui até agora: a Dra. Lucy Kerr, a Dra. Roberta Lacerda, a Dra. Lilia Nigro Maia, o Dr. Paulo Porto, o Dr. Eduardo Leite...
A SRA. ROBERTA LACERDA - O senhor perdeu o áudio.
O SR. EDUARDO LEITE - Desligou sem querer.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Muito obrigado.
Eu não sei se vocês ouviram o agradecimento. Se não ouviram, eu falei o nome de todos os médicos. Vocês me ouviram falar o nome de todos os médicos?
Eu agradeci à Dra. Lucy Kerr, à Dra. Roberta Lacerda, à Deputada Bia Kicis, ao Deputado Alexandre Padilha, à Deputada Jandira Feghali, ao Dr. Paulo Porto, ao Dr. Eduardo Leite, à Dra. Lilia Nigro Maia, a todos que nos acompanharam até agora.
Quero dizer, Dr. Eduardo, que há dois projetos de minha autoria na Câmara os quais eu gostaria muito que fossem votados. Um é inspirado em Santa Maria, que usa o tratamento precoce, é sobre a disponibilização, no Brasil inteiro, de medicamentos que o médico queira indicar. Não é proibir. Se há liberdade médica, como é que se proíbe o uso de determinados medicamentos? A liberdade é médica. Então, o SUS tem que disponibilizar esses medicamentos. Há um projeto de minha autoria que está tramitando na Câmara, com base no que acontece em Santa Maria, aqui pertinho de Porto Alegre, no centro do Estado do Rio Grande do Sul.
O SR. EDUARDO LEITE - Vou pedir ao Deputado Padilha e à Dra. Jandira também que votem com o senhor.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - O outro projeto é o seguro-vacina. Todos os criadores das famosas vacinas que nós estamos usando aí não se comprometem com os efeitos colaterais da vacina. Ninguém se compromete. O SUS é que vai ter que pagar a conta. E se houver sequelas? Então, eu criei um seguro-vacina para que as empresas o contratem. Quando as pessoas precisarem, realmente, poderão recorrer a esse seguro-vacina, porque, senão, quem vai pagar a conta seremos nós todos, juntos, através dos nossos impostos. Então, é o seguro-vacina e o tratamento precoce com a disponibilização de medicamentos para que os médicos possam indicá-los. Se proibirem o medicamento, não darão liberdade médica. Como é que se faz essa contradição se a liberdade é médica e não está escrito lá na bula para que esse medicamento seja utilizado?
Então, liberdade e democracia. Liberdade não faz mal a ninguém. Nós não podemos transformar a pandemia em quem é bonito ou quem é feio, em quem é gremista ou colorado, em quem é do Palmeiras ou do São Paulo, em quem é do Flamengo ou do Fluminense. Se for uma questão de time de futebol, que é o que está acontecendo hoje, infelizmente, quem disse que não funciona não tem como discutir. Não tem como discutir. Agora, se nós tivermos um jeito de ir para o centro, nós vamos, quem sabe, encontrar um caminho onde a sociedade... Quem sabe, não teriam morrido, e seria muito, 160 mil brasileiros, pelo cálculo que fizemos.
O SR. EDUARDO LEITE - Os ricos estão comprando.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Não teriam morrido 160 mil brasileiros se tivessem feito o tratamento precoce.
13:55
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Mas, infelizmente, pela teimosia do "fique em casa"... Poderia todo mundo não ter ido para o hospital, porque se tratava em casa, o médico tratava do paciente em casa, não tendo um ambiente de infecção como o do hospital. E as pessoas que têm problema de coração, que não se trataram? As pessoas que têm câncer e não se trataram? E a depressão que essa situação gerou? Quem vai ser o responsável por tudo isso?
Nós precisamos de saúde física, mental, espiritual e emocional.
Fiquem com Deus! Saúde, fé e amor no coração!
Contem comigo!
Estamos na guerra e nós vamos vencer essa guerra, se Deus quiser, podem ter certeza.
Muito obrigado a todos.
O SR. EDUARDO LEITE - Vamos vencer! Já vencemos.
O SR. PRESIDENTE (Giovani Cherini. Bloco/PL - RS) - Vamos vencer.
Muito obrigado a todos.
Valeu!
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