1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 56 ª LEGISLATURA
Comissão do Esporte
(Audiência Pública Extraordinária)
Em 20 de Novembro de 2019 (Quarta-Feira)
às 14 horas e 30 minutos
Horário (Texto com redação final.)
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O SR. PRESIDENTE (Bosco Costa. PL - SE) - Boa tarde a todas e a todos!
Esta audiência pública está sendo realizada em atenção ao Requerimento nº 48, de 2019, de nossa iniciativa — a autoria é deste Deputado Bosco Costa —, com a finalidade de debater os esportes de combate como medida de redução da agressividade.
Para dar início a esta audiência pública, convido para tomar lugar à Mesa os Srs. Mauro José da Silva, Presidente da Confederação Brasileira de Boxe; Luiz Gonzaga Filho, Presidente da Federação Metropolitana de Judô; Pierry de Oliveira Nunes, profissional de educação física que desenvolveu pesquisa sobre o tema em Triunfo, no Rio Grande do Sul.
Informo que os representantes da Confederação Brasileira de Karatê e do Conselho Federal de Psicologia foram convidados, entretanto não puderam comparecer, por compromissos anteriormente agendados. Também foi convidado o representante da Secretaria Especial do Esporte, do Ministério da Cidadania, porém não recebemos resposta.
Antes de passar à exposição dos nossos convidados, informo as regras de condução dos trabalhos desta audiência pública. O convidado deverá limitar-se ao tema em debate e disporá de 15 minutos para sua apresentação, não podendo ser interrompido. Após a exposição, serão abertos os debates. Os Deputados interessados em fazer perguntas ao palestrante deverão inscrever-se previamente e poderão fazê-las estritamente sobre o assunto da exposição, pelo prazo de 3 minutos.
Comunico também que esta audiência pública está sendo transmitida pelo portal e-Democracia, cujo link está disponível na página da Comissão do Esporte no Portal da Câmara.
Passo a palavra ao Sr. Pierry de Oliveira Nunes. V.Sa. tem a palavra por 15 minutos.
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O SR. PIERRY DE OLIVEIRA NUNES - Boa tarde. Meu nome é Pierry, sou profissional de educação física, pós-graduado e faixa preta em karatê 4º Dan.
Eu agradeço a oportunidade de participar desta reunião, que eu acredito que seja muito importante, porque daqui sairão algumas ideias que certamente farão a diferença num tema que muito nos preocupa no País.
Agradeço ao Deputado e a toda sua assessoria.
(Segue-se exibição de imagens.)
Há 15 anos, no local onde eu moro, ministro gratuitamente o karatê, uma luta japonesa, para crianças e adolescentes, numa escola municipal da periferia da cidade de Triunfo, no Rio Grande do Sul. Iniciei esse trabalho porque eu pude comprovar na prática os benefícios que essa atividade trouxe para a minha vida, como disciplina, autocontrole emocional, respeito, determinação e outros benefícios físicos e até psicológicos.
Quando cheguei à escola, alguns alunos apresentavam problemas comportamentais, como baixo rendimento escolar, agressão verbal e física, indisciplina e descontrole emocional, brigavam constantemente com os próprios colegas, eram desrespeitosos com os mais velhos, com os professores e até com os funcionários da escola. Desde o início da prática do karatê, quando eu comecei a dar essas aulas, uma mudança começou a acontecer no comportamento dessas crianças. Os funcionários da escola e os professores — o corpo docente — começaram a notar essa diferença no comportamento e nas atitudes deles.
Com o intuito de testar e de comprovar cientificamente que os benefícios da prática de karatê estavam causando nos alunos essa mudança, como eu já havia aprendido empiricamente, eu desenvolvi a seguinte pesquisa na minha especialização em educação física escolar: Quais as implicações do karatê na agressividade e no autocontrole de alunos numa escola de ensino fundamental da cidade de Triunfo?
Particularmente, aprendemos numa arte marcial genuína... Vamos falar de lutas que fazem parte dos parâmetros curriculares nacionais — PCNs. Karatê exige do praticante o aprimoramento físico e emocional, promove atitudes de tolerância e respeito e proporciona a capacidade de resolver situações, porque a pessoa que o pratica constrói dentro de si um nível de tolerância acima do normal, como veremos.
O estudo foi aplicado nessa escola, como mostra essa primeira foto. A amostra era de 152 alunos com idades entre 10 e 17 anos, sendo 68 meninos e 84 meninas. Para eu poder dimensionar isso, utilizei a escala masculina de autocontrole — EMAC e a escala feminina de autocontrole — EFAC. Esses instrumentos foram criados por dois doutores em psicologia da UNICAMP.
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Esse é um questionário de perguntas fechadas, que tem em média 30 a 31 perguntas e três tipos de respostas. Quando iniciei essa experiência no começo do ano letivo, eu apliquei esse instrumento nesses 152 alunos e fiz uma divisão. E, nesse caso, foi um convite para quem quisesse participar das aulas de karatê. Essa escala de medição mede dois fatores: autocontrole a regras e condutas sociais e autocontrole a sentimentos e emoções.
Os doutores em psicologia são a Dra. Selma de Cássia Martinelli e o Dr. Fermino Fernandes Sisto.
A amostra era de 152 alunos, sendo que 128 não praticaram e 24 resolveram praticar o karatê.
Quanto à metodologia, ministramos uma aula de karatê aos alunos, que se dividiu sucintamente em quatro momentos. A luta é simbólica na aula de karatê. A aula demorava em média dois períodos. Nós perfilávamos todos os alunos e fazíamos uma reverência. Nós ficávamos de frente para a foto de um mestre no intuito de mostrar que existia uma hierarquia, uma transposição de conhecimento. Nós fazíamos um juramento, que é o Dojo Kun, recitávamos cinco frases — uma recitação estudada — e também fazíamos uma breve meditação para entrar no clima do treino. Depois nós fazíamos o treino propriamente dito em fundamentos: Kihon, que é uma luta, Kata que é uma luta imaginária e o Kumite que é a luta propriamente dita. E, para finalizar, fazíamos um alongamento, que é a volta à calma, e uma breve meditação.
Após esses quatro momentos, nós paramos para conversar. O professor, nesse momento, fala com os alunos e pergunta sobre a percepção. O vulgo pensa hoje que toda luta é relacionada à violência. É claro que sabemos que não é isso. O aluno vai entrando nesse perfil e entendendo, a partir do momento em que permanece de frente para o outro, o que não se deve fazer.
Nós estudamos cinco frases de forma sucinta: "Esforçar-se para a formação do caráter. Conter o espírito de agressão. Ser fiel ao verdadeiro caminho da razão. Respeitar acima de tudo. Cultivar o intuito de esforço". E fazemos exaustivamente um estudo relacionado a essas cinco frases.
E depois das duas primeiras partes, Kihon e Kata, nós vamos para o Kumite, que é a luta. "Kumi" quer dizer encontro; "te" quer dizer mão, ou seja, encontro de mãos. Demora um bom tempo até o aluno lutar. Então, ele vai ter que entrar na forma da atividade em si, falando especificamente do karatê, para que haja uma luta de forma segura. Como disse a OMS, esporte é saúde. O nosso objetivo, como professores de educação física, é fazer com que o aluno saia de uma aula melhor do que entrou. Então, existe todo esse aspecto que fundamenta uma aula de karatê, visando a sua saúde, o seu bem-estar físico e psicológico.
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No final da experiência, através do ano que se passou, nós utilizamos de novo este instrumento de medição, o EMAC/EFAC, que foi orientado pela psicóloga Patrícia Vigh, e nós pudemos fazer as comparações entre os praticantes de karatê e os não praticantes. Então, no total geral entre praticantes e não praticantes existem três tipos de autocontrole: baixo, médio e alto.
Nos praticantes de karatê — à direita —, podemos notar que, fazendo as comparações, o autocontrole alto, ou seja, aquele em que a pessoa precisa de maior controle, é praticamente três vezes maior do que numa pessoa não praticante.
Então, através dessa prática do karatê, entre duas e três aulas semanais, com esse convívio que nós tivemos e com esse estudo mais aprofundado da própria prática em si, eu cheguei à conclusão de que quem praticou o karatê naquele momento, naquela cidade lá, teve o seu controle emocional aumentado em três vezes mais. Portanto, melhora o relacionamento consigo mesmo e o relacionamento com o outro. Houve uma melhora realmente no comportamento dos alunos.
Como conclusão, nota-se que, na avaliação dos dois gráficos, os praticantes de karatê possuem índices de autocontrole melhores do que os não praticantes, evidenciando então que a tendência da prática dessa atividade contribui para a melhora do controle emocional no que diz respeito a si mesmo e ao próximo. Esse foi o trabalho de forma sucinta.
Então, as experiências vivenciadas através do karatê-do contribuíram, e os próprios alunos sentiram isso. Houve um aumento do autocontrole, da concentração, principalmente do rendimento escolar, da disciplina, da própria determinação da pessoa, porque muitos estavam com problemas de rendimento escolar e melhoraram. Também houve um aumento das inteligências intrapessoais e interpessoais. Através do controle de si mesmo, melhorou o relacionamento com o outro. Houve a possibilidade de diminuir as brigas, a agressividade entre os alunos, que tanto assolam as nossas escolas. Então, melhorou o convívio entre os alunos e professores da comunidade local.
Eu deixo estas duas frases aqui de locais bem opostos, mas que, na verdade, são bem universais. Pitágoras disse: "Educai as crianças para que não tenham de punir os homens". E o Mestre Funakoshi, considerado o pai do karatê moderno, falou que o objetivo principal do karatê não está na vitória ou na derrota, mas, sim, na perfeição do caráter de seus participantes.
Esse é o nosso objetivo, essa é a nossa contribuição para a nossa cidadania.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Bosco Costa. PL - SE) - Tem a palavra o Sr. Mauro José da Silva , por 15 minutos.
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O SR. MAURO JOSÉ DA SILVA - Sr. Deputado, a quem agradeço o convite, representantes da Mesa, senhoras e senhores, é um prazer estar aqui para tecer alguns comentários sobre o contexto deste momento, deste tema que estamos buscando — e não era sem tempo.
(Segue-se exibição de imagens.)
Eu começo com a figura desse jovem, que se chama Keno e tem 19 anos.
Keno vem de um projeto da Bahia. Ele, com essa idade, foi simplesmente campeão olímpico dos Jogos da Juventude na Argentina. Ele já se integra à nossa seleção olímpica e vai competir para participar dos Jogos no Japão. Agora, em março, nós teremos a primeira classificatória da América, na Argentina. Depois, em maio, haverá o último classificatório, que será o mundial de Paris. O Keno, que hoje já faz parte da categoria 81, tem todo o perfil que um jovem precisa para estar nessa categoria. Mas como ele surgiu? Por quê? Porque houve um projeto. Alguém apostou que, de dentro de um projeto, seria possível surgir uma figura como o nosso Keno, que é esse jovem que está aí. Ele é um jovem muito bacana, educado. Dá gosto conversar com esse menino. Esse projeto aconteceu na Bahia.
Agora, vemos o exemplo de outra jovem, chamada Bia, Beatriz Ferreira. Beatriz Ferreira, há 20 dias, tornou-se campeã mundial na Rússia, categoria 60 quilos, e foi considerada a melhor atleta do mundo dentro do boxe olímpico. Beatriz, que também é baiana, vive em Minas Gerais, filha de boxeador, com todas as dificuldades que temos em nosso País, principalmente no mundo do esporte. Ela não veio de projeto, mas do incentivo e da força do pai, que militou no boxe, foi também um boxeador. Ele sempre apostou nisso, porque desde os 4 anos, 5 anos, ela usava os punhos, gostava disso. Ela tem uma história bacana, porque ela não era do boxe, era de outra modalidade. Ela veio participar de um campeonato brasileiro em Mato Grosso, e lá nós tivemos que proibi-la de competir, porque uma pessoa de outra modalidade não pode competir no boxe.
Ela fez uma luta, e nós vimos o nível em que se encontrava. Ela estava fora da curva. O que nós fizemos? Entramos com um recurso junto à internacional, que deu essa autorização. Hoje ela é nossa campeã mundial. Ela tem enormes possibilidade de ser medalhista nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Beatriz Ferreira está entre as três melhores do Brasil para concorrer ao Prêmio Brasil Olímpico, que será realizado no dia 10.
Aqui está uma frase que alguém disse algum dia, nada mais nada menos do que esse senhor aí: "Se a minha mente pode conceber e o meu coração pode acreditar, então eu posso alcançar." Essa figura é conhecida mundialmente, já não está entre nós, mas foi o melhor lutador na categoria peso pesado da história mundial do boxe. Ele foi campeão olímpico também. Portanto, temos uma frase bastante significativa. Há muita verdade nisso, não é?
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O boxe é a modalidade que mais exige das capacidades fundamentais desportivas de seus atletas. Alguns podem até não concordar com isso. Não há problema nisso, as opiniões são assim. Mas se ele não for a que mais exige, está entre as que mais exigem.
A defesa é um princípio básico. Atenção à defesa significa respeitar o seu oponente. O nosso amigo aqui acabou de citar que, no karatê, quando um está em frente ao outro, o respeito é o que vai ajudar na formação do caráter de cada um desses atletas, desses jovens.
A modalidade é dividida em categorias de peso. Essa é a medida justa da igualdade no combate. Isso é óbvio. Eu tenho que competir com alguém que esteja nas mesmas condições. Mas competência, capacidade, ação e reação dependem de cada um. Cada indivíduo tem a sua capacidade.
Isto aqui, senhores, precisa ser levado em consideração, é preciso prestar muita atenção aqui. Este foi um torneio regional em São Felipe, na Bahia. Ele aconteceu recentemente, não faz mais que 1 mês ou 1 mês e pouco. Público: 500 pessoas; atletas: 200; idade: de 10 a 17 anos; apoio do Governo: zero. A Federação da Bahia conseguiu reunir — aqui está, os senhores podem ver aí — toda essa juventude, toda essa rapaziada, família, pai, mãe, irmãos, primos, sobrinhos, para realizar esse evento.
Esse torneio foi realizado porque a Federação de Boxe do Estado da Bahia entende que tem que realizar isso, porque considera que o esporte socializa para valer, o esporte socializa sem defeito, o esporte traz à realidade e permite que jovens dessas idades possam estar entre nós e perceber que a luz no final do túnel que vem vindo não é um trem, é luz. E aí está.
Essa é a Federação da Bahia, que torna isso realidade. Eles não têm 1 centavo de incentivo do Governo para nada, é zero, mas eles fazem, eles lutam, eles se reúnem e conseguem fazer isso. É triste mas, por outro lado, é maravilhoso, porque existem pessoas com esse nível, com esse padrão, que entendem que a sociedade precisa deste tipo de ação. E o esporte dá essa condição.
Vejam aqui: quando você olha para uma figura assim, vê um jovem, um garotinho. Está sendo dada a ele a oportunidade de participar da sociedade em que ele vive. Desde a tenra idade ele vai entender que ele existe, que ele tem uma chance.
Olhem que bonito esse torneio regional em São Felipe, na Bahia. O evento foi realizado graças a rifas, pequenos apoios de ambulantes e feirantes. As famílias dos atletas ajudam com água, refeição, transporte. Há realização de uma vaquinha para a compra de premiação.
A CBBoxe apoiou, sim, com o legado olímpico de 2016: ringues e outros materiais, porque, sem o ringue, isso não é possível. Nós cedemos luvas, sacos e o ringue também para que essa situação fosse possível.
Que lindo podermos ver rifas, pequenos apoios de ambulantes e feirantes e as famílias ajudando — é a sociedade envolvida. Mas está faltando alguém aí, não? Ah, está faltando. Mas essas pessoas fazem.
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Eu fico emocionado quando vejo um jovem como esse tendo a oportunidade de sentir isso na pele e poder dizer: "Eu existo. Eu tenho possibilidade. As pessoas me enxergam". Não pensem os senhores que isso não fica gravado na mente desse garoto. Ele merece ser visto. Ele é um cidadão brasileiro e tem o direito de ser apoiado por todos nós, inclusive pela Confederação, é claro.
Essa imagem mostra a organização, a disciplina, o que o nosso amigo aqui citou. Uma sociedade sem organização e sem disciplina está fadada à falência, não há outro caminho. E o esporte organiza, as pessoas começam a entender que disciplina é necessário, respeito é necessário, comportamento é necessário. E aqui estamos vendo isso. O povo sabe que o boxe pode fazer diferença e dar um futuro melhor. Só o boxe pode fazer isso? Não, todos os esportes, mas o boxe também.
Atividade social organizada pela Federação Mato-Grossense de Boxe. Agora estamos falando de Mato Grosso.
Eu gostaria que os senhores vissem essa imagem. Isso aqui está acontecendo no Mato Grosso. Esse ringue também foi doado pela Confederação Brasileira. Ele veio dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. E essa jovem aqui desenvolve esse projeto com recursos próprios. Ela conseguiu comover a sociedade onde vive, nesse bairro, e agora está transformando esse local. Eles a ajudaram a pintar esse ambiente, transformando-o num local sadio e bom de frequentar. Ela tem um grupo de jovens de várias cidades, e eles gostam de ir para esse local.
Isso é tão bacana que o Secretário de Esporte do Município foi comigo visitar esse local. E está para ser assinado um convênio para dar apoio a essa moça, que está tocando esse projeto há algum tempo sem o apoio de ninguém. Mas agora ela vai ter esse apoio, porque o trabalho dela está sendo reconhecido. E estamos falando de outro Estado. Até então ela fazia com os recursos dela mesmo. Ela é técnica de boxe, foi lutadora de boxe e participou de campeonatos conosco.
Esse é o Presidente da Federação do Mato Grosso, que está dando suporte à ela, para que com isso consigamos de maneira verdadeira transformar o País, porque sem educação, sem cultura inserida na escola – e o esporte faz parte disso também –, não vamos ter um país decente não. É necessário que as crianças sejam atingidas no Brasil todo, com vários esportes. Esse é o Secretário que assumiu o compromisso e que vai ajudar, sim, o projeto dessa moça.
Esse é outro projeto que está acontecendo. E aqui, sim, já temos outra realidade: as Prefeituras estão inseridas nesse processo na Estância Balneária de Itanhaém. Este ringue também foi doado pela confederação, para que eles possam realizar esse projeto, porque sem ringue não é possível conseguir treinar. Assim como outros esportes, este necessita de outros tipos de field of play ou de material para que possa fazer suas operações.
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Foram atendidos pelo menos 70 alunos com idade entre 10 e 17 anos. Isso está acontecendo em Itanhaém. Atualmente esse projeto está em andamento, sendo realizado pela federação paulista. É um projeto de Itanhaém.
Este é outro projeto, realizado em São Vicente, pela mesma federação de São Paulo. Vocês podem ver que todo esse material é legado dos Jogos Olímpicos. São luvas, sacos de bater e outros materiais e equipamentos. Os ringues vieram também, e nós os distribuímos entre as federações para que elas possam desenvolver seus projetos.
Este é o ginásio do Centro de Treinamento da CBBoxe no Joerg Bruder, em São Paulo, da Prefeitura de São Paulo. Eles cedem para que nós possamos fazer o treinamento da seleção. Mas essa imagem não mostra o treinamento da seleção. Nós estamos praticando o quê? O social. A equipe de técnicos olímpicos dá treinamento para o social; quem quiser participar deve se inscrever na própria Secretaria. Os nossos técnicos olímpicos dão as aulas para o social, e, havendo possibilidade, surgindo algum atleta, também aproveitam e o encaminham para a federação, para que ele possa participar. Esta é uma atividade que nós desenvolvemos em São Paulo, na Escola Joerg Bruder, que fica ali em Santo Amaro.
Essa é mais uma amostragem do que fazemos. Esse ringue pudemos mostrar bem. Não é caro este ringue, não é caro. As pessoas não imaginam a diferença que faz levar um material destes a uma federação para que ela possa atuar. Funciona, e muito. Nós conseguimos atender 15 Estados com esses ringues, 15 Estados.
Essa jovem é do Rio de Janeiro, ela se chama Rebecca. Ela foi revelada pelo projeto social Luta pela Paz, muito conhecido, estabelecido no Rio de Janeiro. Um inglês é responsável por esse projeto. Ela surgiu desse projeto e já foi medalha de bronze no Campeonato Mundial Juvenil de Boxe. A Rebecca agora está se integrando à elite nacional, porque já tem 18 anos. Essa jovem também está no grupo que poderá disputar vaga olímpica no Japão.
Essa que está ali é a Jucielen. Ela também foi revelada em projeto social, na periferia de Rio Claro. Ela foi medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos em Lima, no Peru, e também tem muitas possibilidades de ir ao Japão nas próximas Olimpíadas. Vai participar do classificatório, na categoria de 57 quilos, representando o Brasil.
Novamente, esse é o nosso Keno, uma figura. Todos eles são muito legais, porque, quando eles são integrados... É impressionante, gente, como isso muda a disciplina, a educação e a formação do caráter dessas pessoas! É muito legal quando eles chegam conosco, que é direito deles e meta deles. Eles chegam bastante trabalhados: são educados, são disciplinados e têm entendimento porque passaram por um caminho, passaram por um projeto que trabalhou bem a cabeça deles, que deu boa instrução e bom ensinamento para eles. Então, é fundamental que esse tema que está sendo desenvolvido aqui avance, porque o Brasil carece disso. Vejam o time que aparece na imagem. Aquele gordinho ali sou eu, mas já estou melhorando. Voltei a nadar, voltei a fazer exercício. Então, já estou um pouquinho melhor.
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É isso. Nós queríamos mostrar para os senhores que é só querer fazer que o trabalho dá resultado.
Sr. Deputado, muito obrigado pelo convite. Foi um prazer estar aqui com as senhoras e os senhores. Eu agradeço a todos por este momento, que, para mim, é espetacular.
Obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Bosco Costa. PL - SE) - Passo a palavra a Luiz Gonzaga Filho, por 15 minutos.
O SR. LUIZ GONZAGA FILHO - Não tivemos tempo de trazer material para apresentação.
Sou Luiz Gonzaga Filho, Presidente da Federação Metropolitana de Judô em Brasília. Tenho 74 anos de idade — faço 75 anos esta semana — e milito pelo judô há 56 anos em Brasília.
Estou aqui representando o nosso Presidente da Confederação Brasileira de Judô, Sílvio Acácio Borges, que está no Rio de Janeiro. Ele se atentou em cima da hora ao convite, que já havia sido feito há dias, e me solicitou que viesse aqui representá-lo. Isso foi hoje às 7 horas da manhã. Por isso, não tive tempo de fazer nada.
Eu vou falar do nosso esporte, o judô. Jigoro Kano, quando criou o judô, o fez com o objetivo de melhorar o mundo através das pessoas, tornando-as mais simples, para que vivessem em paz. Então, ele criou três pilares. Ele dizia que, para um ser humano viver em seu melhor bem-estar, precisava desses três pilares, que ele chamou de palavras mágicas: disciplina, obediência e respeito. A partir daí, ele foi criando movimentos. Ele tirava movimentos do jujútsu. Nós falamos que o judô é filho do jujútsujujútsu, um esporte antigo.
Quando veio para o Brasil, o judô chegou primeiro em Manaus. Lá foi recebido pela família Gracie, que continuou o trabalho com jujútsujujútsu, que mudou para jiu-jitsu no País.
Com esses pilares da disciplina, da obediência e do respeito, o judô passou a ser um esporte caracterizado, como o próprio nome já diz, por suavidade, flexibilidade, responsabilidade e bem-estar — esse é o significado de "ju" na palavra "judô".
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Dentro dos pilares da disciplina, Jigoro Kano também criou palavras que significavam muito, conforme o propósito que ele tinha. Ele criou a palavra "Jita Kyoei", que significa bem-estar mútuo, para que os povos vivessem em paz, em harmonia uns com os outros. Surgiram também outras palavras que significavam muito, como "Seiryoku Zen'Yo", que significa máxima eficiência com o mínimo de esforço.
Daí o judô se estendeu para todo o mundo, com o propósito de melhorar o outro.
No Japão, Jigoro Kano, para definir quem realmente ia ostentar o título de esporte dominante em artes marciais naquele país, criou um desafio entre o jujútsu e o judô. Ali foram colocados os mais graduados mestres do jujútsu com os menos graduados do judô. O jujútsu — hoje falamos jiu-jitsu — é um trabalho exclusivo de solo. Com o judô, Jigoro Kano criou técnicas para que o corpo humano realmente evoluísse tanto em projeção quanto em domínio. Quer dizer, se o ataque viesse de cima para baixo, haveria domínio. O judô obteve o resultado de 9 a 0, com os faixas brancas desse esporte lutando contra os mais graduados do esporte oponente.
Com isso, o Japão instituiu que o judô passaria a ser o esporte dominante nas artes marciais no país. Ele passou a ser matéria principal nas escolas. Hoje, não há uma só escola lá em que não haja judô. Trata-se de uma disciplina obrigatória.
Esse esporte também é obrigatório para as forças policiais. Quando uma pessoa termina a faculdade e entra para uma força policial, ela tem que ter a formação como faixa preta para poder atuar. Seguindo esse processo, esses faixas pretas levam para as ruas uma disciplina incontestável. É isso que faz a diferença entre as polícias do Japão e as de outros lugares, como o Brasil. Essa é uma questão de cultura. Eles já têm essa cultura da disciplina.
Eu estive em dezembro no Japão, onde fomos contratar um local para a Confederação montar a sua base de treinamento dos nossos atletas, e eu visitei uma reclusão de menores. Eu pensei que, quando chegasse lá, ia ver 100 ou 200 jovens em reclusão, e vi 2 infratores, que jogaram papel de balinha no chão da sala e, por isso, foram punidos, ficaram fazendo um trabalho durante a reclusão. O local onde aquelas crianças ficavam na delegacia parecia um quarto de alguns dos melhores hotéis por aí. Então, assim se vê o que é cultura: por jogar um papel no chão, a criança é punida.
Nesse contexto, o judô criou a sua estabilidade como promotor de disciplina e bem-estar mútuo.
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Em Brasília, vemos hoje que a maior concentração de grandes atletas vem dos projetos sociais, porque, quando se acredita e se investe em um projeto social, isso dá resultado. O judô fez esse trabalho. Então, nós temos Luciano Corrêa, bicampeão mundial de judô; Érika, várias vezes campeã; e Ketleyn. Agora um garoto que veio de um projeto social do SESI de Taguatinga, o Guilherme Schmidt, está despontando no mundo. Ele, que já é campeão na modalidade, está no Japão para participar do Grand Slam neste final de semana. Isso começou nos projetos sociais.
Aqui em Brasília, o nosso Deputado Julio Cesar Ribeiro e o nosso Secretário de Esporte Leandro Cruz estão fazendo uma parceria fantástica trabalhando pelos dez centros olímpicos que há aqui. Na cidade, por exemplo, construiu-se uma beleza de ginásio, mas o local é pouco usado, simplesmente se vê lá futsal, além de alguns outros esportes. Assim acontece a autodestruição dos centros olímpicos. Mas hoje eles estão trabalhando para a inclusão do judô nesses espaços.
O judô não é só lutar e cair. Ele é um esporte praticado com amor. Só se pratica dois a dois porque há o contato pessoal. O praticante se projeta, mas também tem a delicadeza de levantar o oponente.
Hoje, se o investimento fosse bem aplicado nos projetos sociais, nós teríamos menos crianças em reclusão e menos crianças evadindo-se das escolas. Eu tenho certeza de que esse trabalho em Brasília, com essa implantação de projetos, vai dar resultado.
O mundo — a UNICEF e a UNESCO — também colocou o judô como o esporte das artes marciais mais educativo e disciplinador para as crianças. É interessante que este não é o primeiro ano em que isso ocorre. O judô já está há 4 ou 5 anos, não me lembro exatamente do tempo, garantindo esse patamar de esporte mais educativo para as escolas. Tanto é que, agora, o nosso Governador, com a ajuda do Governo Federal, está nos ajudando a implantar o judô nas escolas públicas. Já estamos com quase 20% das escolas públicas com salas destinadas à prática do judô.
Isso está elevando ainda mais o nível das crianças, porque uma criança, quando pratica o judô na escola, não é só uma praticante de judô, é também uma orientadora, pois evita que outras crianças que não praticam o judô ou outra arte do bem-estar tenham discussões e brigas. Nas escolas, nas academias, as crianças aprendem que o judô é para o bem-estar delas e do companheiro, do amigo; é para o bem-estar delas e do seu professor. Então, elas sabem que não podem brigar e que têm que ser orientadoras na escola.
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Isso tem levado um benefício muito grande às escolas, principalmente na periferia, onde hoje nós vemos grandes projetos acontecendo. Em função dessa melhoria que tem vindo do judô, as PMs viram que elas são importantes também nesse processo. Hoje, praticamente em cada quartel das nossas cidades-satélites, há um projeto social, dentro do batalhão, com um professor faixa preta dando aula para as crianças. Cito os bombeiros militares. Nós já estamos vendo isso também dentro da Polícia Civil e até dentro da Polícia Federal, órgão pelo qual sou aposentado — também militei muito tempo com uma escola, com pessoas que vinham de lugar mais próximo.
Isso é fruto da importância que os órgãos públicos deram e estão dando a projetos sociais. Quando isso acontecer também com outros esportes, quando outras artes se incluírem nesse projeto, eu tenho certeza de que nós vamos ter outras artes, como judô, caratê e boxe, bem orientadas e crianças também bem orientadas, melhorando as nossas crianças. Como o nosso professor aqui colocou, é preciso educar a criança hoje para não precisar punir o adulto amanhã, e esse é o nosso projeto.
Com a evolução disso, outras artes estão se manifestando. Eu dou parabéns a elas realmente, porque é disso que nós precisamos, de pessoas que venham aqui e exponham, digam duas ou três palavras, mas com o objetivo de melhorar alguma coisa para as nossas crianças.
Eu quero deixar aqui registrada a nossa gratidão por a Câmara ter aberto este espaço para nós. Espero que realmente os Deputados nos ajudem, nos incentivem também dentro desse processo de melhoria. Quando recebemos um apoio como o que estamos tendo aqui, isso para nós é muito gratificante, fortalece a nossa vontade de melhorar cada vez mais.
A nossa federação e a Confederação Brasileira de Judô colocam-se à disposição.
Hoje a confederação tem um programa de apoio aos atletas que chama de Programa de Apoio às Federações — PAF. Por meio dele, ela fornece passagens aos atletas quando eles são classificados para campeonatos brasileiros.
Aqui em Brasília, o nosso Deputado Federal Julio Cesar, quando era Secretário de Esporte, criou um projeto fantástico para nós chamado Programa Compete Brasília, que disponibiliza uma verba. Hoje esse apoio não caiu, está firme. Através desse projeto, nós temos conseguido levar um grupo maior de crianças para as competições, para os treinamentos, para os seminários, bem como professores e técnicos. É muito importante esse projeto que nós temos aqui em Brasília. Parabéns, Deputado Julio Cesar, pelo projeto que criou!
Quero agradecer à nossa Mesa e dizer que vamos nos unir cada vez mais. Não vamos deixar de ser professores, de ser amigos, de estar juntos, porque, quando um esporte se distancia do outro, nós criamos problema para os nossos alunos, para as nossas crianças. Então, que os esportes se juntem! Pode-se ensinar, mudando o seu foco, arte violenta, como chamam — estamos vendo aí alguma coisa assim —, para as crianças. Então vamos nos unir para debater essas coisas e mostrar o que está acontecendo de bom para as nossas crianças.
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Muito obrigado. Colocamos a nossa federação à disposição, bem como a Confederação Brasileira de Judô.
Quero agradecer terem aceitado a minha pessoa como representante do nosso Presidente Sílvio Acácio Borges.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Bosco Costa. PL - SE) - Temos uma pergunta da Danielly Silveira para o Pierry: "O projeto ainda está ativo na cidade de Triunfo? Saberia informar quantas crianças e adolescentes já passaram pelo projeto?"
O SR. PIERRY DE OLIVEIRA NUNES - Sim, o projeto ainda está lá.
Como eu falei no começo, há 15 anos eu exerço a docência do caratê, e o projeto tomou uma proporção bem maior do que eu imaginava. Começamos na escola e hoje nós temos alguns locais espalhados pela cidade de Triunfo. Como a cidade é rural, o centro da cidade é longe da periferia por causa do tamanho dos campos, das plantações.
Hoje nós atingimos, tranquilamente, mais de 200 famílias. Contamos cada criança como uma família porque o comportamento dela muda, e certamente ela passa isso para a família, para o meio onde ela vive.
Alguns alunos que continuaram a prática do caratê nesses 15 anos e hoje são adultos, com idades entre 25 e 30 anos, são professores formados, já com faixas pretas. Eles são professores de educação física, professores de história e continuam repetindo esse projeto até hoje, o que nos deixa muito felizes. Eu, o caratê da cidade de Triunfo e, por consequência, o Rio Grande do Sul estamos colhendo frutos dessas sementes que foram plantadas na cidade.
O SR. PRESIDENTE (Bosco Costa. PL - SE) - Pierry, sabemos que, quando um projeto tem um período de 10 ou 15 anos, ele é um projeto de médio prazo. Eu pergunto a V.Sa. se nesse período, nesses 15 anos, existiu apoio do poder público municipal ou estadual.
Por exemplo, em São Felipe, na Bahia, não há incentivo, não há apoio do poder público — pelo menos foi isso o que o Mauro falou. Já aqui em Brasília existe, e eu parabenizo o Governo do Distrito Federal por estar apoiando um projeto de interesse da sociedade.
Quando existe investimento do poder público, principalmente, nesses projetos — e é obrigação do poder público investir —, tudo é muito mais fácil. É muito mais barato cuidar da prevenção, incentivando a educação, do que cuidar de problemas, do que cuidar de menor delinquente. É muito mais oneroso, é muito mais caro cuidar dos problemas.
Gostaria de ouvir de V.Sa. sobre se existiu, nesse período, ou existe apoio do poder público.
15:50
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O SR. PIERRY DE OLIVEIRA NUNES - Deputado, não houve ajuda do poder público. O que houve no passado, que já acabou, foram projetos da União que destinavam verbas para as escolas: o Escola Aberta e depois o Mais Educação.
Em Triunfo, a associação de caratê chama-se Kenshukai — Associação de Karate de Triunfo. Eu uso a expressão japonesa "kenshukai" porque a associação é local de aprimoramento físico e mental. É isso que eu passo para os meus alunos. Nós não temos fins lucrativos. Mesmo assim, não houve interesse, até agora, por parte da cidade.
Existiam projetos da Federação Gaúcha de Karate, como o Karate Além do Esporte, mas a nossa cidade não foi contemplada. Então, nós vivemos às nossas próprias expensas, mas com o coração puro, sempre com este objetivo: passar para os outros tudo o que nos faz bem.
Não tem como sermos realmente felizes, que é o objetivo de todo o ser humano, sozinhos, como diz a música. Se eu não me encontrar no outro, não olhar para o outro, não fizer uma reverência e me ver no outro, eu não vou evoluir como ser humano. O caratê, assim como o boxe, o judô e todas as lutas genuínas, tem por objetivo tornar o ser humano melhor e útil para a sociedade. Então, nós vamos continuar mesmo com os problemas.
Se houver alguém interessado, certamente será muito bem-vinda a ajuda, mas por enquanto não há.
O SR. PRESIDENTE (Bosco Costa. PL - SE) - Há uma pergunta aqui que eu gostaria de fazer a V.Sa., Mauro. O que faz um projeto acontecer numa cidade de 20 mil habitantes, como São Felipe? É a comunidade que gosta do boxe ou há alguém que faz acontecer?
O SR. MAURO JOSÉ DA SILVA - Essa é uma pergunta bastante interessante. É muito simples isso. O que faz isso acontecer numa cidade com 20 mil habitantes, como é o caso de São Felipe, é a paixão que as pessoas têm pela modalidade e o respeito que as pessoas têm pelas crianças, no sentido de gerar oportunidades.
Esse grupo da Bahia, coordenado pelo Presidente da Federação de Boxe Olímpico e Profissional do Estado da Bahia, Joilson Santana, junto com as academias — há várias na Bahia —, abre as portas para que os atletas jovens possam praticar o esporte. Quando as academias cobram desses atletas, o valor não passa de 15 ou 20 reais e serve para ajudar na manutenção.
A Bahia é um celeiro enorme de atletas, não só para o boxe, mas para outras modalidades também. Então, isso chama a atenção, desperta mais ainda a paixão dos próprios familiares, do comércio, das academias que facilitam o ingresso desses atletas. Por isso consegue-se fazer um projeto como esse dessa forma. Também por isso se fazem competições com tantos integrantes, com jovens, com garotos, com meninos e meninas. É desta forma que se faz isso: pela paixão que os técnicos e as academias filiadas à Federação da Bahia têm, e o Presidente da Federação se empenha para isso.
A Federação da Bahia não tem um centavo sequer de apoio para ao menos conseguir pagar a conta de água. Mas eles se desdobram, buscam e fazem acontecer, assim como a moça de Mato Grosso, assim como a Federação de São Paulo. Mas eu quero deixar um alerta: essas pessoas estão cansadas de correrem atrás disso e serem ignoradas.
15:54
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Vou dar outro ponto aqui. A Bahia tem um medalhista de ouro no boxe, que é o Robson Conceição. A Bahia tem um campeão mundial de boxe chamado Everton. A Bahia tem a Beatriz, que foi campeã mundial recentemente. A Bahia tem um vice-campeonato mundial. A Bahia tem outro campeão olímpico, o Keno, que mostramos aqui, que disputou os Jogos Olímpicos da Juventude. Mas a Confederação da Bahia não consegue receber um único real para ajudar em absolutamente em nada! Eu não consigo entender isso.
Obrigado, Deputado.
Obrigado também a quem fez a pergunta.
O SR. PRESIDENTE (Bosco Costa. PL - SE) - Vandinho, V.Sa. tem interesse em fazer alguma pergunta?
Identifique-se, por favor.
O SR. VANDERLEY ALVES DOS REIS JÚNIOR - Boa tarde a todos. Boa tarde, Deputado.
Meu nome é Vanderley. Eu sou da Liderança do MDB e sou professor quatro graus de jiu-jitsu também.
Quero parabenizar a todos pelos seus projetos e pelos seus trabalhos. Eu acredito também que o esporte muda a vida das crianças, das pessoas.
Queria fazer uma pergunta ao Mauro. Eu fiquei sensibilizado pelo projeto em que ele vem trabalhando e pela falta de recursos. Eu sei como isso acontece. Mas eu tive uma dúvida: por que vocês não trabalham projetos através da Lei de Incentivo ao Esporte? Eu acho que esse é um caminho que funciona até mais do que depender diretamente do incentivo da Secretaria de Esporte do Município ou do Governo. Eu vejo que a Lei de Incentivo é uma máquina muito boa de ser usada. Eu coloco isso tanto para sugerir que, no futuro, isso seja trabalhado quanto para saber se vocês trabalham com ela ou não.
O SR. MAURO JOSÉ DA SILVA - Obrigado por essa pergunta, que é bastante oportuna.
Nós temos um grande problema no Brasil com a arrecadação através de lei de incentivo fiscal. Eu faço um apelo ou um pedido aos empresários do nosso País: entendam que é importantíssima a participação de vocês no aporte, na aceitação de um projeto, seja com um valor intermediário, seja com um valor pequeno, conforme o alcance que a empresa tenha. Além disso, parem de olhar só para um, dois ou três esportes. O Brasil é feito de todos os esportes.
Quando montamos e aprovamos um projeto e vamos bater na porta desta ou daquela empresa para oferecê-lo, a maioria nem sequer nos atende. Então, há que ter consciência! Os empresários precisam entender o quanto nos ajudaria os fomentos virem por meio deles. O grande problema é que os empresários — não sei o que acontece — ou têm medo, ou não querem ajudar, ou entendem que o País é feito só de futebol. Eu amo futebol! É claro que o futebol está aí! Mas os outros esportes também têm que ser vistos pelos empresários.
Nós vamos conseguir mudar este País, sim, fazendo as coisas direito e dando educação, cultura, esporte e lazer aqui embaixo. Mas os empresários precisam entender o seu papel. Eu vou mais longe: esse dinheiro é do Governo, nem é deles. Eles precisariam ter essa consciência. Que eles ajam com carinho, com amor e nos atendam.
Amigo, eu desafio um empresário a dizer: "Eu estou esperando o boxe vir bater à minha porta, e vocês nunca vieram". Eles não nos atendem, amigo. E, olha, nós temos títulos mundiais e campeões olímpicos. Então, o que mais precisamos fazer para que os empresários digam que querem um projeto de boxe, querem participar disso ou daquilo?
15:58
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A sua pergunta foi muito importante porque eu precisava dizer isso também. Os empresários precisam entender que este caminho é legalizado e que poderiam ajudar muito. Não estou falando de muito dinheiro, não. Por isso, a sua pergunta foi muito importante.
Obrigado.
O SR. VANDERLEY ALVES DOS REIS JÚNIOR - Mas seria um projeto educacional? O projeto que o senhor faria seria educacional, para crianças, seria para a evolução do boxe no âmbito profissional ou seria para eventos? Se o senhor fosse fazer um projeto, ele seria exatamente para quê?
O SR. MAURO JOSÉ DA SILVA - Primeiro, para evento, não seria. Eu não iria fazer um projeto que fosse utilizar dinheiro da lei de incentivo fiscal para evento. Não, não. Segundo, são esses projetos que estamos mostrando, educacionais, para socializar verdadeiramente. Esse é o caminho.
É óbvio que nós vamos dar oportunidade de surgir o atleta. Aí, sim, ele virá para o nosso lado, pois teremos aporte financeiro, da Lei Agnelo/Piva — acho que já mudou o nome —, via Comitê Olímpico. O que estou falando iria atender a base, a sociedade. Se surgir um atleta, perfeito! Já surgiu o Keno, a Rebeca e outros mais. O objetivo principal é ajudar a tornar cidadãs essas pessoas. Podemos dar uma oportunidade a elas, pois o Brasil é um celeiro de atletas.
O projeto seria nesse sentido, não seria para eventos, não.
O SR. PRESIDENTE (Bosco Costa. PL - SE) - Eu gostaria de fazer um registro: lamento presenciarmos essa violência em todas as cidades do Brasil, grandes ou pequenas, principalmente nas escolas.
Nós precisamos deixar um pouco de querer resolver as coisas pela emoção quando acontece algo grave no Brasil. E, quando digo nós, refiro-me ao Congresso Nacional, à Casa do Povo, onde debatemos, ouvimos os reclamos da sociedade. Nós sabemos — só não entende quem não quer — que é inadmissível o que vem acontecendo nas escolas do Brasil. Essa violência poderá diminuir muito se os governantes de todas as esferas — municipais, estaduais ou federais — preocuparem-se em fazer o dever de casa e não quererem resolver algo ou aprovar uma lei só quando acontece um fato grave no Município, ou no Estado, ou no País.
Quero lamentar a falta da presença da Secretaria de Esportes, que nem sequer mandou um representante a esta reunião. Sabemos que, nos Ministérios ou Secretarias, muitas vezes, o Ministro não pode vir, está com a agenda cheia há algum tempo. Mas todos têm um pessoal disponível que poderia representar o titular da Pasta. Lamento muito a falta de interesse do Governo na questão da violência no esporte. Quero deixar registrado isso aqui.
16:02
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Agradeço imensamente aos senhores profissionais liberais que vieram a esta audiência, com poucas pessoas, mas, para mim, de uma importância muito grande. Como Deputado e como membro da Comissão do Esporte, quero me colocar à disposição de V.Sas. naquilo que pudermos cobrar do Governo, seja na Comissão, seja na tribuna da Casa, porque, volto a repetir, isso não é admissível.
Temos que deixar as questões político-partidárias para o período eleitoral. Temos que criar uma agenda, uma pauta positiva para o Brasil, independentemente de sigla A ou de sigla B, de quem está no Governo ou de quem governou. Sei perfeitamente que o esporte é um meio, é uma das formas de, na escola, a meninada, a gurizada, o jovem ou o adolescente melhorarem, como falou Pierry. Se há divergência, há briga entre alunos, o esporte melhora o relacionamento entre eles.
Parabéns, Pierry, pela grandeza, pela sua maneira de agir como profissional e como cidadão, pensando no coletivo, pensando no todo. Agradeço a V.Sa.
Muito obrigado, Mauro, pela exposição.
Quero também pedir que nos forneçam o que houver de material, para que possamos discutir e cobrar. Eu não sou de prometer resolver, eu sou uma pessoa que acha que a vida pública só tem sentido se for para o bem coletivo. Se não for assim, não adianta você adentrar a vida pública, porque quem mais precisa são aqueles que não tiveram oportunidade na vida, quem mais precisa são aqueles que não tiveram oportunidade de ir à escola, quem mais precisa é o pobre. Entendo que todos nós políticos precisamos sobreviver, precisamos nos vestir e alimentar, mas a prioridade para quem exerce uma função pública é o coletivo, é o todo.
Muito obrigado, Luiz Gonzaga, que não é o cantor ou o tocador. Pela exposição de V.Sa., vimos que o Governo do Distrito Federal, Deputado Julio, está interessado nessa questão e que o caminho para tirar a juventude da violência é justamente o esporte e a educação. Parabéns!
16:06
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Se alguns dos senhores quiserem fazer uma consideração final, a palavra está à disposição.
O SR. LUIZ GONZAGA FILHO - Deputado, o Mauro comentou aqui sobre uma pergunta do nosso amigo, o colega de jiu-jitsu. O que o Mauro falou é uma verdadeira, vamos dizer assim, verdade.
Em 2016, nós fizemos um projeto de judô, que entregamos na gestão passada. Tudo o que foi preciso para o nosso projeto somou 480 páginas. Judô é uma palavra simples, com quatro letras. Mas teve um volume muito grande o nosso projeto que tocaríamos nos anos de 2018 e 2019, porque temos um quantitativo muito grande de atletas. Em Brasília, nos últimos 5 anos, de 800 atletas, nós colocamos 5 mil atletas participando, competindo, treinando, fazendo um trabalho de desenvolvimento muito grande. E, no finalzinho de dezembro, no dia 27 ou 28, que era o prazo, o incentivo nos foi negado porque eu havia me esquecido de assinar uma página de um requerimento. Nós estamos até hoje, 2019, sem esse incentivo, embora tenhamos entregado tudo o que foi exigido.
Realmente, como fala o nosso Deputado, há falta de boa vontade dos governantes no sentido de fazer, porque nós administradores tiramos centenas, milhares de crianças da ociosidade e do marginalismo. Hoje se fala que um adolescente de 17 anos matou Fulano de Tal, mas isso também acontece com um adolescente de 13 anos que tem uma família desestruturada. E nós administradores, professores e organizadores trabalhamos fazendo o bem sem saber para quem. Nós estamos ali. Eu tenho visto vários projetos de jiu-jitsu nos centros olímpicos, e o judô está entrando agora nisso.
Então, Deputado, esse protesto que o senhor fez, essa reivindicação vai significar muito para nós porque está vindo de uma autoridade, de um membro desta Casa que está lutando a nosso favor.
O Mauro falou que, para eventos, não pede dinheiro, não. Eu também não pedi, não peço e nunca vou pedir um centavo para fazer um evento. Eu já vi alguns esportes pegando um dinheiro altíssimo de emenda parlamentar, para fazer um campeonatozinho, e pensei: "Uai, gastou isso tudo?" Mas esse não é o nosso caso. O nosso caso é buscar exatamente pessoas que tenham vontade.
Brasília, por não ter muitas indústrias, é um dos piores lugares para se conseguir patrocínio. É muito difícil. Brasília é uma cidade administrativa, então, nós não temos muito ajuda nisso. Hoje, nós só contamos com uma bancada, com um ou dois Deputados preocupados com isso, porque eles vieram de lá. Para nós, isso está sendo importante hoje. Se nós temos o apoio de uma coluna para começarmos a levantar uma casa, uma construção, isso já é importante; se nós temos o apoio de duas colunas, melhor ainda, porque já temos a base de um lado e de outro, para fazermos a obra.
16:10
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É preciso que as autoridades vejam isso. Hoje, o Governo do Distrito Federal — desculpem-me os outros Estados — está começando a pensar nisso. O Secretário Leandro Cruz, que era Ministro dos Esportes, é uma pessoa fantástica. Não estou fazendo propaganda dele aqui, não, mas ele colocou o judô e outras artes marciais lá em cima, tirando de um projeto daqui, de outro dali.
No final do ano, buscávamos uma classificação para os nossos garotos participarem do Meeting, onde há a maior pontuação para a classificação para as Olimpíadas, e fomos a Rondônia em quatro ônibus. Imaginem se nós não tivéssemos o apoio de uma Secretaria? Fomos ao Rio de Janeiro e consolidamos o mesmo atleta, o Guilherme Schmidt, que veio de um projeto social, como também o Matheus Takaki. Estamos com esse garoto lá no Japão, para participar do Grand Slam. Se ele subir no pódio como terceiro, segundo ou primeiro lugar, será o número um do País no seu peso e vai poder representar Brasília.
Mas isso vem de quê? Vem da ajuda da mãe, do pai e do tio, de uma rifa, de um quimono que colocamos para vender, para conseguir uma passagem para que os atletas possam ir mais longe. Isso é um sacrifício muito grande, mas que nós fazemos com coração.
Faço também um apelo para que os empresários de Brasília nos ajudem. Como foi dito, o futebol é uma coisa gostosa, maravilhosa, mas é preciso que eles vejam outras artes, outros esportes também como prioridade.
Muito obrigado pelo espaço, Deputado e por eu ter podido passar essa mensagem.
O SR. PRESIDENTE (Bosco Costa. PL - SE) - Tem a palavra o Pierry.
O SR. PIERRY DE OLIVEIRA NUNES - Obrigado, Deputado.
As lutas são sugeridas pelos parâmetros curriculares nacionais, como parte curricular da disciplina de Educação Física. Por isso, eu penso, pegando já o gancho do Sensei Luiz Gonzaga, que vai ser muito difícil conseguirmos pessoas de alto nível no esporte de luta se não fizermos algo dentro das escolas. A escola é o lugar onde todas as famílias de todas as camadas sociais diferentes coabitam, relacionam-se, o lugar que poderia fazer com que essas relações melhorassem.
Isso deveria ser feito de cima para baixo. Realmente, eu não sei como se daria esse processo. Acredito que a luta deveria ser uma disciplina como outra qualquer nas escolas, como o português e a matemática, para que, um dia, não sei se nessa próxima geração ou na outra, ela seja aceita como normal.
16:14
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Propagandas de violência é o que nós mais vemos. Inclusive, até no futebol, há muito disso. O que falta, realmente, em determinados esportes coletivos, é um professor. Se o professor de educação física sabe uma luta, certamente ele orienta seus alunos de forma muito mais sábia. Por uma questão cultura, hoje em dia, o professor é chamado de tio, e o técnico futebol é chamado de professor. Até há determinadas trocas de valores nesse sentido.
Acredito que o professor também deveria ensinar que um esporte coletivo tem que atingir uma meta, é como uma família, em que cada um tem que trabalhar da melhor forma possível no seu setor, para que todos atinjam o objetivo, que é ganhar o jogo. E, em relação à luta, que é um esporte individual, é muito importante o aprimoramento do atleta como um ser humano.
Os nossos atletas de alto nível são os melhores porque, com todas as dificuldades que o nosso País apresenta, ainda conseguem aparecer. Acredito — peço desculpas aos irmãos da Mesa — que só haverá um avanço e uma melhora do patrocínio para esses heróis com o fomento de uma disciplina de muita carga e muito peso nas escolas de ensino fundamental. Assim, haverá realmente um resultado positivo em relação às lutas.
Certamente, a luta como último baluarte de disciplina influenciará as relações e diminuirá as ocorrências de agressividade que têm acontecido nas escolas.
Era isso.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Bosco Costa. PL - SE) - Nada mais havendo a tratar, agradeço a presença de todos e convido para audiência pública sobre a preparação dos atletas para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 a Confederação de Badminton, Ginástica, Golfe, Tênis e Tênis de Mesa, no dia 26 de novembro, às 14h30min.
Declaro encerrada a presente audiência.
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